terça-feira, 15 de janeiro de 2008

As perseguições de 1955

O General Batmanghelich (com a picareta nas mãos) e o General Taymour Bakhtiar
durante a destruição do Centro Bahá'í de Teerão.


O Mullá Taqi Falsafi (conhecido por difamar os Bahá’ís em programas de rádio)
quis participar pessoalmente na destruição do Centro Bahá'í de Teerão


As fotos acima são conhecidas para a maioria dos baha’is: são o testemunho de um dos momentos mais dolorosos das perseguições de 1955, quando as autoridades militares e eclesiásticas uniram esforços para demolir o Centro Bahá'í de Teerão.

Nessa época o Xá Reza Pahlavi permitiu que os mullás, com a colaboração do exército, desencadeassem uma onda de perseguições contra os bahá’ís. Este sacrifício de uma minoria religiosa, que não se envolvia em actividades políticas e não se opunha ao governo parlamentar da época, terá sido uma dos actos mais ignóbeis do seu reinado. A própria SAVAK (a polícia secreta do regime) encorajou a criação da Sociedade Hojjatiyeh, cujas acções amedrontaram várias minorias religiosas do Irão.

Sobre os meandros e as intrigas políticas que rodearam essas perseguições, foi agora publicado um longo artigo (Sacrificing the Innocent - Suppression of Baha'is of Iran in 1955) no Iranian.com, da autoria de Bahram Choubine. O texto descreve com pormenor as relações entre o Ayatollah Borujerdi, o pregador Taqi Falsafi (conhecido por difamar os Bahá’ís em programas de rádio), o general Batmanghelich (chefe de Estado Maior do Exército) o General Taymour Bakhtiar (comandante militar de Teerão) e o Xá Reza Pahlavi; também as influências do clero sobre o governo, as perseguições aos militantes do partido Tudeh e as reacções dos diplomatas americanos em Teerão são referidas no texto

A riqueza da documentação apresentada, e as fontes de informação do autor conferem a este documento uma importância óbvia para quem se interessa pela história recente do Irão.

2 comentários:

filha do administrador disse...

seja bahai ou não, este interesse na destruição de representações religiosas, culturais deixa-me sempre maldisposta

GH disse...

É bom que se saiba que isto não acontece apenas com os baha'is. Onde existem fundamentalistas a governar, isto acontece a todas as minorias.

Mas também é importante saber que estas perseguições aos baha'is já aconteciam antes da revolução islâmica no Irão.

Quando os "funcionários de Deus" unem esforços com o poder político, isso é sempre um mau presságio.