quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Se muito come o tonto...

Conheço três pessoas que não sabem governar o seu dinheiro. São “endividados crónicos”, gente que ciclicamente pede dinheiro emprestado a amigos e conhecidos; por causa disso já criaram inimizades e em algumas lojas têm contas por pagar. A razão, a experiência ou a intuição, dizem-nos que se lhes emprestar-mos dinheiro, nunca mais o vemos de volta.

Curiosamente, há alguns meses atrás, vi um dessas "endividados crónicos" uma nova carrinha. "Consegui um empréstimo no banco e pude comprá-la", disse-me ele todo orgulhoso. "Não sei se tenho pena de ti ou do banco...", respondi. E ainda hoje não percebo como é que aquela alma conseguiu o tal empréstimo.

Vem isto a propósito, das declarações do Dr. João Salgueiro, presidente da Associação Portuguesa de Bancos, que culpou os portugueses pelo excesso de endividamento das famílias. E apesar de reconhecer que os bancos lançaram campanhas publicitárias que estimularam o endividamento das pessoas, não deixou de apontar o dedo ao que designou como a "cultura do desenrasca", muito própria do povo lusitano, que não faz contas à vida, também não ajuda.

São acusações espantosas! Se uma pessoa com dois dedos de inteligência não empresta dinheiro a "endividados crónicos" como é que uma instituição financeira, gerida pelos “profissionais do dinheiro” não consegue definir o perfil de um cliente e calcular adequadamente o risco de concessão de crédito. Será que a nossa banca também é gerida por gente que vive a “cultura do desenrasca”?

Vejamos as coisas como elas são: nesta história da concessão do crédito quem é o maior (ir)responsável? O indivíduo “cronicamente endividado” que pede um empréstimo ou a instituição financeira que o concede? Não é caso para aplicar o ditado popular "Se muito come o tonto, mais tonto é quem lho dá"?

1 comentário:

GH disse...

Pelas declarações deste senhor, sou capaz de imaginar que ele era capaz de emprestar a corda a uma arma a um homem com tendências suicidas e depois desculpava-se a dizer que o homem é que devia ter pensado no que fazia.
Isto é um excelente reflexo da mentalidade ética que grassa na banca portuguesa!