segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Incendiários ameaçam Bahá'ís no Irão

Uma recente vaga de incêndios criminosos em empresas pertencentes a Bahá’ís de Rafsanjan, no Irão, parece ser parte de uma campanha que visa destruir as relações entre Bahá’ís e muçulmanos naquela cidade. Após cerca de uma dúzia de ataques a lojas - realizados desde 25 de Outubro de 2010 - cerca de 20 residências e empresas pertencentes a Bahá’ís receberam cartas com ameaças dirigidas aos "membros da falsa seita Bahaista".

O documento anónimo exige que os Bahá’ís assinem um compromisso para "refrear os de contactos ou amizades com muçulmanos" e evitar "contratar estagiários muçulmanos". Os Bahá'ís também são advertidos para não divulgar a sua fé, inclusive na Internet. Caso as condições sejam aceites pelos destinatários, a carta afirma garantir que "são será lançado qualquer ataque contra a sua vida e propriedades."

O interior de um estabelecimento comercial pertencente a um Bahá'í em Rafsanjan,
depois de ter sido atacado por incendiários

"Durante os últimos dois meses, Bahá’ís inocentes viram as seus estabelecimentos comerciais atacados com bombas incendiárias ", disse Diane Ala'i, a representante da Comunidade Internacional Bahá'í nas Nações Unidas em Genebra. "Alguns deles foram alvo de vários ataques às suas propriedades." "Agora, além dos ataques aos seus meios de subsistência, as suas vidas são ameaçadas a menos que eles se comprometam a isolar-se dos seus amigos e vizinhos", acrescentou.

"O que é que os autores destes ataques e ameaças esperam conseguir?" perguntou Ala'i. "Tudo o que isso revela ao mundo é o ódio religioso fomentado por certos elementos da sociedade iraniana."

A Sra Ala'i acrescentou que os Bahá'ís têm pedido às autoridades que investiguem estes casos, mas nada tem sido feito. "Inacreditavelmente, alguns destes Bahá’ís foram acusados de terem sido eles próprios a atear os incêndios seguindo instruções de governos estrangeiros."

Os atacantes têm visado, em particular, os estabelecimentos de reparação de móveis, electrodomésticos e lojas de óptica.

Em 15 de Novembro, por exemplo, foram incendiadas duas lojas de vendas de electrodomésticos e uma oficina de reparações, causando prejuízos que ultrapassaram dezenas de milhares de euros. Posteriormente, um dos lojistas alugou um imóvel próximo para prosseguir a sua actividade comercial e instalou uma porta de segurança. Um mês depois, apesar das precauções, os atacantes conseguiram introduzir uma substância explosiva na loja através de um buraco feito no telhado, provocando uma explosão que atirou a porta a cinco metros de distância e estilhaçou todos os vidros.

Mais recentemente, em 2 de Janeiro, outra oficina de reparações foi incendiado com um líquido inflamável lançado sobre as chapas de metal que o proprietário tinha instalado para protecção.

Um boletim publicado por uma fundação cultural muçulmana em Rafsanjan afirmou que os ataques têm sido provocados pelo facto de algumas actividades comerciais serem "monopólio" dos Bahá'ís na cidade. Um café pertencente a muçulmanos também foi incendiado depois do boletim o ter erradamente identificado como pertencente a Bahá’ís.

"A pressão económica sobre a comunidade Bahá'í do Irão já é grande, com postos de trabalho e licenças comerciais a serem negadas aos Bahá'ís", disse Diane Ala'i. "Estes ataques e as ameaças são mais uma forma particularmente cruel de perseguição contra os cidadãos comuns, que estão tentam simplesmente ganhar a vida e praticar sua fé".

No passado dia 21 de Dezembro, a ONU aprovou uma resolução que expressa "profunda preocupação com graves e recorrentes violações dos direitos humanos em curso" no país. A resolução condena especificamente a discriminação contra as minorias do Irão, incluindo os membros da Fé Bahá'í.

------------------------------
FONTE: Arsonists threaten reprisals if Baha'is befriend Muslims (BWNS)

Sem comentários: