sábado, 19 de maio de 2018

Quatro Passos para conseguir a Verdadeira Felicidade

Por Kathy Roman.


‘Abdu'l-Bahá, o filho do profeta Bahá’u’lláh, costumava falar para congregações e convidados com esta pergunta simples, mas profunda: “Vocês são felizes?” Ele queria muito ver toda gente feliz e unida:
Não pensem em vocês próprios, mas pensem na Generosidade de Deus. Isso far-vos-á sempre felizes. Deveis estar sempre felizes. Deveis ser contados entre as pessoas de alegria e felicidade, e estar embelezados com a moral divina. Em grande medida, a felicidade preserva a nossa saúde, enquanto a depressão do espírito gera doenças. O essencial da felicidade eterna são a espiritualidade e a moralidade divinas, que não são acompanhadas pela tristeza. (‘Abdu'l-Bahá, citado em Vignettes from the Life of ‘Abdu’l-Bahá, p. 129)
Embora ‘Abdu'l-Bahá tenha sofrido bastante durante a maior parte da Sua vida, Ele manteve a sua felicidade:
Eu próprio estive na prisão durante quarenta anos; só um ano teria sido impossível de suportar; ninguém sobreviveu àquela prisão mais de um ano! Mas, graças a Deus, durante todos aqueles quarenta anos eu fui extremamente feliz! Todos os dias, ao acordar, era como se ouvisse boas notícias, e todas as noites a alegria infinita era minha. A espiritualidade era o Meu conforto, e voltar-Me para Deus era a minha maior alegria. Se não tivesse sido assim, acham que teria sido possível que eu pudesse ter sobrevivido a quarenta anos de prisão? (Paris Talks, p. 112)
Isso levanta a questão: porque é que algumas pessoas são mais felizes do que outras? No seu laboratório na Universidade de Wisconsin, o Dr. Richard Davidson dedicou a sua vida a investigar "cérebros felizes". Estudou os cérebros de monges budistas, homens que passam a vida a evocar deliberadamente emoções inspiradoras e os seus níveis notáveis de felicidade. Os dados do Dr. Davidson mostraram que, se alguém ficar sossegado durante meia hora por dia, pensando apenas em bondade e compaixão, o seu cérebro mostrará mudanças significativas em apenas duas semanas.

Algumas pessoas são mais felizes do que outras porque a felicidade é uma escolha. Os investigadores acreditam que entre 50 a 70% do nosso nível de felicidade resulta de predisposição genética; e cerca de 40% vem da nossa própria vontade. Uma grande parte da felicidade depende das nossas atitudes, comportamentos e valores, e não de circunstâncias externas.

Quando era vivo, o meu tio Mack ensinou-me coisas sobre a felicidade. Ele tinha sempre um comportamento alegre e jovial, fazendo sorrir as pessoas, ou - no caso das crianças - fazendo-as rir. Agia como se não tivesse preocupações no mundo. Só quando cresci é que percebi as dificuldades que o tio Mack enfrentou. Quando era recém-casado e teve o seu primeiro filho, a minha tia foi vítima de um aneurisma cerebral muito perigoso; ficou permanentemente paralisada e deixou de conseguir falar. No entanto, Mack tratou dela carinhosamente durante toda a vida. Essa tragédia não mudou a sua atitude nem a sua felicidade. Ainda fizemos grandes reuniões familiares e festas na piscina de verão, cheias de animação e gargalhadas na sua casa, e no Natal ele era o alegre Pai Natal. Nos seus últimos anos, depois de a minha tia ter falecido, ele ficou muito doente com a doença de Graves e ia regularmente fazer diálise; mas o seu comportamento alegre manteve-se. Até o momento em que morreu, eu nunca o ouvi reclamar sobre alguém ou alguma coisa, apesar de a sua vida ter sido cheia de tristezas dolorosas. Tio Mack exemplificava verdadeiramente a nobreza da felicidade:
Qualquer um pode ser feliz numa situação de conforto, facilidade, saúde, sucesso, prazer e alegria; mas se alguém estiver feliz e satisfeito numa situação problemática, de dificuldades e doenças persistentes, isso é a prova da nobreza. (Tablets de Abdu'l-Baha, Volume 2, p. 263)
Então, como podemos ter mais felicidade em nossas vidas? Experimente estes simples quatro passos:

1. Praticar a gratidão - Em vez de procurar negligentemente coisas, ou situações externas, para ficarmos felizes, focar-nos apenas no que já temos pode trazer-nos o subproduto natural da felicidade. Quanto mais gratidão tivermos, mais felicidade teremos nas nossas vidas. Há um velho ditado que diz que quem esquece a linguagem da gratidão, nunca poderá falar com felicidade.

Não é a felicidade que nos torna gratos, mas a gratidão que nos torna felizes. (David Steindl-Rast)

Eu diria que o reconhecimento é a mais alta forma de pensamento, e que a gratidão é a felicidade duplicada pelo espanto. (Gilbert K. Chesterton)

2. Evite permanecer negativo - Em relação aos pensamentos negativos, Eckhardt Tolle disse:

Se você estiver consciente, será capaz de reconhecer essa voz pelo que ela é: um velho pensamento condicionado pelo passado. Além disso, não precisará mais acreditar em todos os seus pensamentos. Verá que se trata de algo antigo, nada mais.

Pessoas felizes têm momentos de emoções negativas, tal como todas as outras, mas não deixam esses pensamentos se prolonguem:

Quando uma porta de felicidade se fecha, abre-se outra, mas muitas vezes olhamos tanto para a porta fechada que não vemos a porta que se abriu. (Helen Keller)

3. Concentre-se no serviço e bondade para quem quer que encontre no seu caminho - o conselho de ‘Abdu’l-Bahá sobre a felicidade enfatiza o nosso reconhecimento da verdadeira unidade da humanidade:
Não se contentem em mostrar amizade apenas com palavras, deixem o vosso coração arder com bondade para com todos os que possam surgir no vosso caminho... Que se veja que estais cheios de amor universal. Quando encontrarem um estranho, falem com ele como se fosse um amigo; se ele parecer estar sozinho, tentem ajudá-lo, ofereçam-lhe o vosso serviço voluntário; se ele estiver triste, consolem-no; se estiver pobre, socorram-no; se estiver oprimido, salvem-no; se estiver na miséria, confortem-no. Ao fazer isso, vocês manifestarão isso não apenas com palavras, mas de facto e de verdade, que pensam em todos os homens como vossos irmãos. (‘Abdu’l-Bahá, Paris Talks, p. 16)
4. Associe-se com pessoas afectuosas e positivas - A felicidade é contagiosa. Já notou como estar com pessoas felizes pode elevar o seu espírito? Para mim, até ouvir alegres gargalhadas de alguém perto de mim (especialmente se for de um bebé) faz-me sorrir e sentir uma onda de felicidade. Fico então ligada a essa alegria e ela torna-se minha.

Um novo estudo realizado por investigadores da Universidade de Harvard e da Universidade da Califórnia em San Diego revelou que a felicidade se espalha pelas redes sociais. O estudo mostrou que, quando uma pessoa fica feliz, um amigo que more próximo tem mais 25% de probabilidades de se ficar feliz; enquanto o cônjuge tem mais 8% de probabilidade, e os vizinhos do lado, têm mais 34%. Se você precisa de um impulso de felicidade, associe-se com aqueles que já têm uma visão feliz da vida.

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Texto original: Are You Happy? 4 Ways to Achieve Real Happiness (www.bahaiteachings.org)

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Kathy Roman é educadora reformada, aspirante a escritora, esposa e mãe de dois filhos que vive em Elk Grove, California (EUA), onde serve como responsável de Informação Pública Bahá’í.

1 comentário:

Margarida Ganço disse...

Artigo com conteúdo muito positivo e inspirador. Obrigada pela partilha!