Por David Langness.
O que acontece às nossas almas quando morremos? Somos mortais ou imortais? Estas questões são colocadas desde o surgimento da nossa espécie, e os ensinamentos Bahá’ís oferecem várias respostas:
Se alcançasses apenas uma gota das águas cristalinas do conhecimento divino, perceberias rapidamente que a verdadeira vida não é a vida da carne, mas a vida do espírito. Pois a vida da carne é comum a homens e animais, enquanto a vida do espírito é possuída apenas pelos puros de coração que sorveram do oceano da fé e partilharam o fruto da certeza. Esta vida não conhece morte, e esta existência é coroada com a imortalidade. (Kitab-i-Iqan, ¶128)
Estas palavras, do Livro da Certeza de Bahá’u’lláh, afirmam aquilo em que todos os Bahá’ís acreditam: que os nossos espíritos continuam a viver depois de os nossos corpos cumprirem a sua função terrena.
Isto não significa, porém, que os nossos corpos sejam insignificantes ou que devamos ignorar a nossa existência física. Na verdade, como o corpo é exaltado pela alma imortal, a lei Bahá’í exige que cuidemos do corpo neste mundo e que os corpos dos falecidos sejam tratados com o máximo respeito e dignidade.
Nas Suas Escrituras, Bahá'u'lláh descreveu com enorme beleza o destino das nossas almas eternas. Este excerto, em particular, centra-se na nossa imortalidade:
Sabe decerto que a alma após a sua separação do corpo, continuará a progredir até atingir a presença de Deus, num estado e condição que nem a revolução dos séculos e das eras, nem as mudanças e casualidades no mundo, podem alterar. Perdurará enquanto perdurar o Reino de Deus, a Sua soberania, o Seu domínio e poder. Manifestará os sinais de Deus e os Seus atributos, e revelará a Sua amorosa generosidade e bondade. (Gleanings, LXXXI)
No mesmo texto, Bahá’u’lláh prosseguiu descrevendo como esta alma será honrada no outro mundo:
A honra com que a Mão da Misericórdia revestirá a alma é tal que nenhuma língua pode revelar adequadamente, nem qualquer outra entidade terrena descrever. Bem-aventurada a alma que, na hora da sua separação do corpo, estiver santificada das vãs imaginações dos povos do mundo. Essa alma vive e move-se de acordo com a Vontade do seu Criador e entra no Paraíso supremo... Se se disser a alguém o que está destinado a essa alma nos mundos de Deus, Senhor do trono no alto e do reino terrestre, todo o seu ser arderá instantaneamente no seu desejo de alcançar essa condição excelsa, santificada e resplandecente... (Gleanings, LXXXI)
Como é que isso acontece? O que leva a alma imortal a santificar-se “das vãs imaginações dos povos do mundo”?
Os ensinamentos Bahá’ís afirmam que a abnegação, o altruísmo e o amor pela humanidade, traduzidos numa vida de acção consistente e de serviço ao próximo, podem ajudar a criar uma alma assim. No Seu livro "O Segredo da Civilização Divina", 'Abdu'l-Bahá escreveu que desenvolver uma devoção ao bem comum, em vez de passar a vida a trabalhar apenas para benefício próprio, resultará numa "abundante recompensa na próxima vida".
No entanto, aquele indivíduo que coloca a sua fé em Deus e acredita nas palavras de Deus – porque lhe é prometida e certa uma recompensa abundante na vida futura, e porque os benefícios mundanos, comparados com a alegria e glória eternas dos planos de existência futuros, não lhe significam nada – por amor a Deus, abandonará a sua própria paz e proveito e consagrará livremente o seu coração e a sua alma ao bem comum.
Este magnífico ensinamento, comum às principais religiões do mundo, promete-nos a profunda felicidade e contentamento espiritual que todos procuramos.
Se ainda tem dúvidas sobre a existência de um mundo espiritual após termos deixado este plano físico, ‘Abdu’l-Bahá apresentou uma prova notável, abstrusa e perspicaz numa palestra proferida em Paris:
A própria existência da inteligência humana comprova a sua imortalidade; além disso, a escuridão comprova a presença da luz, pois sem luz não haveria sombra. A pobreza comprova a existência de riqueza, pois, sem riqueza, como poderíamos medir a pobreza? A ignorância comprova a existência do conhecimento, pois sem conhecimento como poderia haver ignorância?
Portanto, a ideia de mortalidade pressupõe a existência da imortalidade – pois se não existisse Vida Eterna, não haveria forma de medir a vida neste mundo!
Considerem, por momentos, este conceito profundo e reflitam sobre a ideia existencial que ele representa. Nesta existência, conhecemos e compreendemos todas as coisas com base no princípio da relatividade – e relatividade significa simplesmente simetria e consistência nas leis da natureza.
Esta simetria oferece-nos opostos polares em todo o lado e permite-nos também definir uma coisa pela sua ausência. A escuridão é a ausência de luz, como salientou ‘Abdu’l-Bahá, tal como o frio é a ausência de calor. Da mesma forma, a nossa mortalidade comprova a existência da imortalidade.
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Texto original: What Happens to Us When We Die? (www.bahaiteachings.org)
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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site BahaiTeachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.

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