domingo, 10 de abril de 2005

Ontem, na Igreja de S. Nicolau

Quem esteve ontem à noite na Igreja de S. Nicolau, em Lisboa, captou certamente a verdadeira essência do que significa o diálogo inter-religioso. O objectivo do encontro era evocar a memória de João Paulo II; a presença de tantas e tão diversas comunidades religiosas do nosso país, é, no fundo, um reconhecimento do tremendo impulso que o falecido Papa deu ao diálogo inter-religioso.

Das palavras dos intervenientes retive a oração bahá’í em memória do Papa; o facto de Paulo Borges, representante da União Budista, ter chamado a atenção para a importância de incluir ateus e agnósticos no diálogo inter-religioso; a frase “Não tenham medo!” repetida em tantas intervenções; o Dr. Karim Vakil, que citou uma encíclica papal para mostrar como o Papa acreditava na enorme proximidade entre cristãos e muçulmanos e de ter recordado que João Paulo II foi o primeiro Papa a visitar uma mesquita (Mesquita de S. João Baptista, em Damasco); a Dra. Esther Mucznik, que referiu as desconfianças e estereótipos que durante séculos existiram nas relações entre judeus e cristãos e o Rabi Boaze Bash leu um salmo do Rei David; o Padre Alexandre Bonito, da Igreja Ortodoxa Grega, que recordou o facto do Papa ter pedido desculpa aos ortodoxos, e ele próprio aproveitou para pedir desculpa aos católicos pelo facto dos ortodoxos nem sempre terem compreendido o Papa; e as palavras finais do Padre Peter Stilwell que recordou a primeira encíclica de João Paulo II (uma espécie de linha programática do que seria o seu pontificado) onde se percebia a sua predisposição para o diálogo inter-religioso.

A celebração terminou com a leitura de uma oração pela paz de S. Francisco de Assis ("Senhor! Fazei de mim um instrumento de paz...") e um forte aplauso por parte de todos os presentes.

Ficam as fotos do momento (sim, eu sei que a minha máquina é uma treta e eu também não sou lá muito jeitoso...)

Piedade Antunes (Comunidade Baha’i)


Ashok Hansraj e um Sacerdote (Comunidade Hindu)


Paulo Borges (Uniao Budista)


Esther Mucznick (Comunidade Judaica)


Rabi Boaze Bash (Comunidade Judaica)


Padre Alexandre Bonito (Igreja Ortodoxa Grega)


Miriam Lopes(Igreja Metodista)


Dr. Nazim Dim(Comunidade Ismaelita)


Abdul Karim Vakil (Comuinidade Islâmica de Lisboa)


Reverenda Idalina (Igreja Presbiteriana)


O Padre Peter Stilwell (Igreja Católica) proferindo palavras de agradecimento


O Aplauso Final


Um dos aspectos mais interessantes que me apercebi foi o animado diálogo entre os representantes das diferentes confissões após a conclusão da cerimónia. Percebia-se a amizade e o carinho que nutriam uns pelos outros; claramente as palavras proferidas na celebração não foram palavras de circunstância. Mais uma vez recordei para mim as palavras de Bahá'u'lláh: "Associai-vos com os seguidores de todas as religiões em espírito de amizade e fraternidade"


No final da celebração


O Padre Alexandre Bonito e uma representante da Igreja Anglicana


Pedro Marques, Mário Marques (ambos da Comunidade Baha'i) e o Padre Peter Stilwell


O Rabi Boaze Bash e o grupo de jovens do Coro

12 comentários:

Anónimo disse...

Pois. Parece que foi interessante.
As intervenções de cada participante estão publicadas nalgum lado?
F.

Anónimo disse...

Não é mau feitio, nem intolerância religiosa (defendo como princípio profundamente bíblico a total liberdade religiosa), mas foi com algum alívio que acabei de ler (ver) o post e não encontrei nenhuma referência aos evangélicos. Fazem muito bem em ficar fora da "molhada".

Marco disse...

F.,
Não sei se as intervenções estão, ou vão estar, disponíveis em algum site.
Algumas pessoas falar de improviso (e bem inspiradas, diga-se!); outras levaram um texto preparado.

Marco disse...

Anónimo #2,
Como já deves ter percebido por outros posts deste blog, eu acredito que todas as religiões provêm do mesmo Deus. Desta forma, não vejo porque é que qualquer comunidade religiosa deva ficar de fora destes encontros.

Mas consideremos três coisas:
1. a religião é uma força social;
2. a religião faz parte da identificação individual de muitos seres humanos;
3. este planeta é cada vez mais uma aldeia global.

Com base nestas três ideias considero que é importante que as comunidades religiosas se conheçam e dialoguem entre si. O desconhecimento é fonte de preconceitos, que por sua vez geram tensões e até conflitos (foi isso que temos assistido ao longo da história da humanidade). Desta forma, para bem da humanidade, para a tranquilidade dos nossos filhos é importante que estes diálogos inter-religiosos prossigam e se alarguem.

Estes diálogos são para nos conhecermos; não se pretende que as comunidades religiosas percam parte da sua identidade, nem se pretende criar qualquer espécie de sincretismo religioso mundial.

Desta forma, é pena que os evangélicos tenham ficado de fora (não sei porque ficaram).

PS – Falta aqui a foto da representante da Igreja Anglicana.

Anónimo disse...

Marco

Apesar do tom do meu comentário ser algo provocatório, acredito que muitos dos que participam nestes encontros o fazem com a melhor das intenções. E reconheço também que há resultados concretos em termos de diálogo, e consequente diminuição dos preconceitos, entre os grupos religiosos. Portanto, reconheço alguns pontos positivos a estes encontros.
No entanto, como evangélico, tenho que ter em conta o outro lado da moeda.
Ao contrário de ti, não acredito que todas a religiões provenham do mesmo Deus. Cristo nunca afirmou, ou deixou entender, tal coisa. Pelo contrário, deixou bem clara a sua exclusividade (João 14:6). Os escritores do Novo Testamento também não têm dúvidas neste ponto (I Timóteo 2:5). E lembra-te que Paulo, por exemplo, percorreu o mundo romano e grego, onde os deuses eram aos milhares, e não há nele a mínima abertura ao encontro de religiões.
Mas mesmo acreditando na exclusividade de Cristo, e reconhecendo alguns benefícios “sociais” aos encontros, eu podia pensar: “Bom, guardo as convicções para mim e participo num diálogo construtivo”. Era talvez o mais fácil, mas em consciência não é possível. Jesus, antes de ascender aos céus, deixou bem clara a missão dos seus discípulos: pregar o Evangelho (Mateus 28:18 a 20). Como discípulo de Cristo, quando encontro pessoas de outras religiões não oro ou canto com eles ao mesmo deus. Eu tenho que pregar o Evangelho. Um muçulmano, um hindu, ou um bahai, estão no caminho errado e precisam de reconhecer Cristo como salvador, não apenas como mais um mestre ou profeta. Não posso, por um lado, ser conivente com o erro, nem, por outro, abdicar da tarefa dada pelo próprio Cristo.
Portanto, e pesando as duas faces da moeda, chego à conclusão que, mesmo reconhecendo os tais benefícios “sociais”, não é possível, por questões de coerência, a participação em tais encontros. E a alargo a conclusão aos evangélicos porque assumem a Bíblia como única regra de Fé.
Anónimo #2

Zé Filipe disse...

Obrigado pela reportagem!

Marco disse...

Anónimo #2,
Não são estes encontros uma expressão de amor pelo nosso semelhante? Não é o amor ao próximo a base da vida cristã? Consideremos nas convicções religiosas de cada ser humano que habita este planeta. Qual será a atitude mais correcta?

1. "Eu tenho a minha fé que é a única e a verdadeira; todos os outros estão errados."
2. “Eu tenho a minha fé que é a minha maneira de entender o mundo e a vida; outras pessoas poderão ter outros entendimentos.”

A primeira é claramente geradora de tensões; a segunda é propiciadora de diálogo e entendimento.

Eu não quero um mundo com tensões para os meus filhos; quero que eles vivam numa sociedade em que todos os grupos sociais e comunidades consigam dialogar e conviver em harmonia entre si. Participar num encontro destes e divulgar a sua realização foi apenas uma pequeno passo na construção dessa sociedade.

É por isso que gostava que tivessem participado mais comunidades religiosas, nomeadamente os Evangélicos. :-)

Anónimo disse...

Marco0

Obviamente que eu quero para os meus filhos um mundo melhor, mais pacífico, mas harmonioso. Só que, por uma questão de coerência, como expliquei em cima, encontros inter-religiosos não são opção em cima da mesa. No entanto, a denominação evangélica a que pertenço vem apresentando, desde o sec.XVII, uma proposta: a total liberdade de culto e consciência, incluindo a separação efectiva do Estado e das igrejas. E penso que este é um caminho concreto para a paz entre as religiões. Porque permite o diálogo e conhecimento mútuo (como nós fazemos aqui) e a eventual união de esforços em situações concretas (combate à pobreza, preservação do Meio Ambiente, etc). Não seria bom que todas as religiões que participaram no encontro inter-religioso defendessem este princípio? Ora aqui está uma área onde podem contar com os evangélicos para caminho que ainda falta percorrer.
Anonymous #2

Marco disse...

Meu caro Anónimo #2,
Afinal defendemos muitas coisas comuns:
* a total liberdade de culto e consciência;
* separação efectiva do Estado e das igrejas;
* combate à pobreza;
* preservação do Meio Ambiente.
É bom saber isso!
:-)

Anónimo disse...

Para alguns religiosos a coisa mais importante é reunir-se, debater dogmas e assim por diante, e em muitas dessas reunios sai comentarios sobre "evangelicos"Gloria a Deus por isso!
Com certeza nós queremos a paz, queremos viver bem, mas ainda bem que não esquecemos de citar o nome de Jesus em tudo o que fazemos, A Biblia nos ensina a amar nosso irmão e é isso que devemos fazer não importando sua crença,ela nos ensina também sobre falar da salvação,ou,seja falar a verdade até para quem não quer ouvir Só Jesus salva só Jesus, liberta SÓ JESUS não Maria, nem Paulo, nem o João. Está na hora da igreja Catolica Romana rever seus conceitos ou será que concordam com os budistas de adorarem até ratos? Deus nos fez para dominar, mas como os catolicos dizem ser filhos de Deus e são dominados pelo cigarro, cachaça, adulterio? Será que o deus de vocês é o mesmo Deus da Biblia, pois a Biblia exorta e condena o pecado condena a prostituição e o adulterio, condena principalmente a adoração de imagens(Salmos115)feitas por mãos humanas mãos cheias de pecado imagens que tem olhos mas não vê, ouvido e não ouve! Saibam que existe um Deus que é sobre todas as coisas um Deus que ama, um Deus que NÃO PRECISA SER CARREGADO EM PROSSIÇÕES, pois Jesus já derramou seu Sangue em forma de sacrificio "Melhor obedecer do que sacrificar" Jesus é o Rei!!!

Anónimo disse...

epa, isto nao é "eu tenhu a minha fé e os outros estão errados!"

Isto deve ser é " VAMOS LÀ VER KEM EK ESTÀ CERTO, E KEM ESTÀ ERRADO!"

Há tantas religiões, porque não reunirmo nos todos, NAO PARA FAZER AMIZADES E ESTAR ALI A SORRIR PARA OS OUTROS lalalalala...!!! MAS SIM, PARA VER QUAL A RELIGIÃO CERTA! È DA SALVAÇÂO DAS NOSSAS ALMAS QUE ESTAMOS A FALAR, È UM ASSUNTO URGENTÌSSIMO!


- João Tiago, Evangélico.

Mais um anonimo disse...

O Pedro Marques é bahai?