sexta-feira, 20 de janeiro de 2006

Pais, filhos e professores

Há mais de um ano que sou encarregado de educação de dois sobrinhos adolescentes, que frequentam escolas distintas em Lisboa. Tento acompanhar os miúdos; quero sempre saber as matérias que estão a dar nas diferentes disciplinas. E sempre que possível tento relacionar as matérias leccionadas com assuntos do dia a dia. Cada sucesso nos testes é devidamente celebrado; e quando há insucessos, tentamos perceber os motivos do mesmo, para que não se repitam.

Tornei-me presença regular nas reuniões escolares onde os directores de turma dialogam com os pais. Não consigo ficar calado nestas reuniões; não hesito em referir os professores que me parecem estar a fazer um bom trabalho e os outros (poucos, felizmente!) que parecem ter algumas falhas em termos pedagógicos.

Apesar destas reuniões serem sempre marcadas para o fim do dia, aparecem poucos encarregados de educação. Não sei se se trata de desinteresse por parte dos pais, ou se existem motivos profissionais que impedem os encarregados de educação de comparecer nestas reuniões. Apenas se percebe que os pais dos miúdos "problemáticos" nunca aparecem nestas reuniões.

Os resultados dos miúdos e o seu interesse pela escola são proporcionais ao envolvimento dos pais nestas actividades.

Posso estar a ser injusto, mas fico com a sensação que há pais que se limitam a abandonar os filhos na escola, como se os professores estivessem lá apenas para tomar conta deles! Mas também me parece que se estes pais manifestam pouco ou nenhum interesse pelo desempenho dos filhos, então não é correcto culpar apenas o Ministério e os professores pelo insucesso escolar.

7 comentários:

João Moutinho disse...

Por alguma razão os miúdos hão de (continuar a) ser problemáticos...

Elise disse...

Não, não está a ser injusto. è verdade que muitos pais julgam no seu íntimo, ser o dever da escola de educar os seus filhos. consciente e inconscientemente. enfrentamos várias dificuldades na resolução de problemas de comportamento ou aprendizagem de crianças e jovens - dentro das comunidades, os pais (família) e os professores (escola) não estabelecem parcerias, não dialogam.

sugiro esta leitura.

parabéns pelo seu envolvimento na educação dos seus sobrinhos! bem haja!

João Moutinho disse...

Acho que pus o pé na argola, a Elise tem razão.
Estava-me a referir ao facto de alguns Pais "descartarem-se" das suas reponsabilidades e trespassarem-nas quase integralmente para a Escola.
Quanto aos horários, sei que há horários laborais impediosos e crueis para os Pais (mais graves quando tocam as Mães).

F Cirilo disse...

Os putos em risco não são apenas os que levam tareias e são abandonados.
O caso que referes aqui é o dos putos em risco (um risco menos grave, evidentemente). Um puto numa família assim tem o seu futuro em risco. As suas possibilidades de vingar na vida estão claramente reduzidas.

dina disse...

olá carissimo, em vez de te mandar mail, ... comento, espero que te lembres de me ligar segunda, isto é um stress ...

Pedro Reis disse...

É, nos dias de hoje no nosso país, a educação por si é uma problema muito sério.
Independentemente da má estratégia, falta de visão e de recursos, acho que o ensino, assim como qualquer esfera de actividade humana, está a sofrer dos males globais da sociedade ocidental moderna, fruto de uma das mudanças mais profundas da história da humanidade que presentemente se está a viver.
Acho que os próximos 15, 20 anos vão trazer acontecimentos e mudanças colossais na organização estrutural da sociedade, muitas das quais diga-se já estão a germinar. Só pode ser, pois assim como estamos não podemos continuar por muito mais tempo.

É claro, que toda a gente tem culpa, uns mais que outros.

Elfo disse...

Quando eu fui presidente da Associação de Pais e Encarregados de Educação da Escola que a minha filha frequentava, dei-me ao trabalho de organizar uma conferência com a DrªSouzan Jalali, que fez o favor de se deslocar aqui ao meio dos montes, dedicada aos pais e tivemos uma sala bem "compostinha". É claro que foi pouco mas hoje quando visito aquela Escola ainda vejo afixado o cartaz que anunciava o evento.
Hoje não tenho tempo para acompanhar tão de perto os trabalhos dos alunos nem de ir às reuniões da Assiciação de Pais da Escola que a minha cria frequenta, mas de quinze em quinze dias lá estou eu no horário de atendimento (das 10 ao meio dia) para saber como vai a catraia. Tem 14 anos e os problemas são outros...!
Um abração para todos e bem-hajam pela ajuda que me têm dado.