sexta-feira, 8 de setembro de 2006

Luisa Diogo

Fernando Alves na TSF, perguntava hoje de manhã se alguém sabia o nome do primeiro ministro de Moçambique. "Guebuza ou Mocumbi" pensei cá para mim. Mas Fernando Alves surpreende-me: "Luísa Diogo". Depois de descrever o seu percurso profissional (foi ministra das finanças e planeamento, antes de ter assumido o cargo de primeiro ministro em 2004), o jornalista da TSF questiona: "Como é possível que a esmagadora maioria dos portugueses desconheçam esta mulher?"



Confesso a minha ignorância. Nunca tinha ouvido falar nela. Mas também me questiono como é possível os media portugueses ignorarem a única voz da lusofonia que a Forbes incluiu – pela 3ª vez consecutiva – na lista das 100 mulheres mais influentes em todo o mundo.

Esta situação recordou-me as palavras de uma amiga que uma vez me disse que a maioria dos homens tem uma perspectiva demasiadamente masculina da realidade. Quase de forma inconsciente associamos homens aos órgãos de poder. E citou-me um(a) autor(a): "As mulheres têm de trabalhar o dobro dos homens para receberem metade da consideração que os homens recebem".

Talvez seja isso que esteja a acontecer com a atenção que os media portugueses dão a Luísa Diogo.

14 comentários:

SAM disse...

É por isso que gostaria de ver a Condollezza Rice e a Hillary Clinton avançarem para as primárias estadunidenses!

Mas para mim a questão, como já mencionei anteriormente noutro espaço, é a competência e não o género sexual!

Carlos Emerson Junior disse...

Marco. Aqui no Brasil fala-se muito na irmandade dos povos de lingua portuguêsa mas de concreto fica-se só em gasto de dinheiro público por políticos e burocratas. Também não conhecia a Luisa Diogo e nem sabia que estava na lista da Forbes. Aliás, o desconhecimento aqui no além mar é tão grande, que muitas pessoas nem sabem onde fica Moçambique. Lamentável!
Quanto a situação das mulheres acho que não é só em Portugal, não. Isso é um fenômeno mundial e devemos levar em conta que elas "sairam" de casa não tem muito tempo e ainda enfrentam muito preconceito e descrédito.
Mas estão chegando lá! Já tem a primeira ministra alemã, a presidente do Chile e como o Sam falou, gostemos ou não, a Rizze e a Hillary podem surpreender.
Parabéns pelo blog, vim aqui por indicação do Sam.

Rui Soares disse...

Infelismente Moçambique, que já vive em paz a uma decada, ficou esquecido. Aterra de oportunidades onde muitos recomeçaram a vida ficou esqueicda, devido ao receio em investir, só uma minoria acreditou e apostou naquelas gentes.
Estamos a deixar desaparecer, uma riqueza com seculos, a comunidade de lingua Portuguesa.

Marco Oliveira disse...

Também houve a Margrert Thatcher e a Lurdes Pintasilgo, em Portugal.
Mas mantem-se a questão da presença feminina nos centros de decisão. E não estou apenas a falar de governo; por exemplo: quantas empresas têm mulheres nos Conselhos de Administração?

João disse...

Não vale a pena tentar fazer aqui uma lista das mulheres primeiras ministras ou presidentes porque a lista é muito extensa e necessáriamente iria faltar sempre alguém (até nos países muçulmanos não faltam exemplos).
A porta está definitivamente aberta para as mulheres entrarem na politica activa, caso queiram, vamos lá a ver se isso traz uma mudança significativa na forma de governar.
O caso de Moçambique não é muito relevante porque se trata de um regime presidencial, mas aguardo com muita expectativa o desempenho da presidente da Libéria. Aí já se poderá ter uma ideia se o exercicio do poder pelas mulheres é de facto, ou não, uma mais valia!

RN disse...

Lá no Puxa Palavra: O Tunes que finalmente resolveu vir de férias e voltar a animar a blogosfera tem um link no Água Lisa que nos remete para O Marco no Povo de Bahá que me surpreendeu: Quem é afinal esta Luisa Diogo que a Forbes incluiu – pela 3ª vez consecutiva – na lista das 100 mulheres mais influentes em todo o mundo de que nunca ouvi falar? Pois é a 1ª ministra de Moçambique desde 2004.
No que diz respeito à presença na comunicação social portuguesa Luísa Diogo não chega nem aos calcanhares de um qualquer desses quotidianos apitos dourados. Não merecia mais?

RN disse...

no Puxa Palavra: O Tunes que finalmente resolveu vir de férias e voltar a animar a blogosfera tem um link no Água Lisa que nos remete para O Marco no Povo de Bahá que me surpreendeu: Quem é afinal esta Luisa Diogo que a Forbes incluiu – pela 3ª vez consecutiva – na lista das 100 mulheres mais influentes em todo o mundo de que nunca ouvi falar? Pois é a 1ª ministra de Moçambique desde 2004.
No que diz respeito à presença na comunicação social portuguesa Luísa Diogo não chega nem aos calcanhares de um qualquer desses quotidianos apitos dourados. Não merecia mais?

Marco Oliveira disse...

Raimundo Narciso,
Eu senti-me envergonhado por não saber quem é esta mulher.
Ainda por cima, praticamente todas as referências que encontro a respeito dela, são elogiosas (sobre tudo no que toca ao desenvolvimento económico e social de Moçambique).´

Não percebo o que leva os nosso media a ignorá-la...
Parece que vivemos uma cultura onde se enfatiza apenas o escandalo (os apitos dourados, os casos mateus, as Fátimas Felgueiras,...)

Vamos olhando para o nosso umbigo e não percebemos a grandeza dos outros. Assim vai a Lusofonia! :-(

(...nome...) disse...

Vocês todos me desculpem mas estão dando importância a mais a este assunto como se 100 fosse um número pequeno.
Como se ela estivesse na lista das 10 mulheres mais influentes em todo o mundo.
Claro como 100 é um número grande precisa de uma lista grande também, a lista precisa ser preenchida e aí que entra Luisa Diogo e outras mulheres como ela.
Mas serão realmente estas as mais influentes? Será realmente isto a real emancipação das mulheres e o seu progresso? Ou será que atrás duma mulher influente há sempre um homem mais influente?!
Marco escreve que “Parece que vivemos uma cultura onde se enfatiza apenas o escândalo (os apitos dourados, os casos mateus, as Fátimas Felgueiras,...)”, mas olha que Fátima Felgueiras também é uma das mulheres muito influente mas dever ser a 101ª e por isto Forbes não a incluiu na lista!

Marco Oliveira disse...

(...nome...)
A Luisa Diogo é a nº 83 em 100.
Mas é a única que fala português; não está lá nenhuma brasileira, portuguesa, angolana...
As Fátimas Felgueiras e os Avelinos Ferreira Torres desta vida nada têm a ver com as listas de pessoas condsideradas influentes pela Forbes.

GH disse...

Se pensarmos que influencia é apenas mediatização, então a série da TVI "Morangos com Açucar" é mais influente que muitos politicos do nosso país.

Macuatetense disse...

É natural que não se saiba que em Moçambique exista uma primeira ministra, porque não tem cabimento na Constituição da República.Ela não é mais que uma "bengala" do presidente da república.

SAM disse...

http://www.rrhhdigital.es/noticia_ampliada.asp?id=13374

Basilio Muhate disse...

A Dra Luisa Diogo acaba de ser substituída do cargo de PM de Moçambique por Aires Aly, ex-Ministro da Educação de Moçambique.

Sem sombra de dúvida que Luísa Diogo foi uma brilhante Primeira Ministra e com todo mérito considerada uma das 100 mulheres mais influentes do planeta terra nos últimos anos.

A economista Luisa Diogo, por mais que muitos não assumam ou finjam não assumir, é a mulher economista mais influente nos países de lingua portuguesa no momento.

regards
Basílio