segunda-feira, 27 de novembro de 2006

Asma Jahangir

Excerto de uma entrevista de Asma Jahangir (a relatora da ONU para a Liberdade Religiosa) à Radio Free Europe.

(...)

RFE/RL: Em Março você expressou preocupação sobre relatórios que diziam que o governo iraniano havia tomado medidas para identificar membros da comunidade Baha’i e vigiar as suas actividades. Tem alguma informação nova sobre a situação?

Jahangir: A situação é grave e estou extremamente preocupada pois recebemos alegações de que existia uma carta e uma cópia de uma carta onde era solicitado que os membros da comunidade Baha'i fossem identificados pela mais alta autoridade no país. Tenho acompanhado a situação e acredito que não houve nenhum recuo neste aspecto; ainda persiste e naturalmente existe medo entre a comunidade porque tem de haver uma razão para os identificarem. Tem havido uma campanha de difamação contra eles nos media e jornais fortemente controlados pelo governo e por esse motivo parece que estão a preparar algum tipo de acção contra eles

(...)

Entrevista completa aqui: UN: Rapporteur For Religious Freedom Sees Slow Progress

13 comentários:

(...nome...) disse...

A situação é grave e vocês nem imaginam quanto. Vocês não têm ideia do tamanho do perigo que estas pessoas estão a ser submetidos.
Parece mesmo que vai começar um holocausto, tanto para os bahá’ís como para outras camadas da sociedade que não seja ao favor do governo.
Não vale a pena não vou assinar nada, sem nome.

GH disse...

Aí está um exemplo das coisas que me irritam entre alguns de vocês: a paixão pelas tragédias!

Uma das poucas vezes que fui a reuniões baha’is apanhei com um tipo que não se calava com história da 3ª guerra Mundial e que o mundo ia ficar todo destruído, etc, etc, etc. Quanto mais ele falava dessa tragédia que era inevitável, mais os seus olhos brilhavam de entusiasmo com isso. Se calhar quanto mais falava, mais se convencia a si próprio da verdade que apregoava. Claro que ele não se apercebia da figura que fazia. Depois dele se calar ainda ouvi outra pessoa a repetir aqueles disparates.

Não nego que a situação dos baha’is no Irão seja grave, mas quando se dramatiza a situação desta maneira corre-se o risco de fugir à realidade. E assim perde-se a credibilidade. É isso que vocês querem? Quem faz comentários como o anterior, devia pensar um pouco antes de escrever, não acham?

A Mesma Pessoa de volta : disse...

Claro para vocês é assim: tudo na boa, tudo fixe.
Portanto eu também não estou a falar da destruição do mundo, alias para mim isto não existe, nem só dos bahá’ís.
Estou a falar da tragédia de um povo que infelizmente, GH’s gostem ou não, está a acontecer. É a tragédia dos jornalistas, dos universitários, dos intelectuais, das mulheres, dos kurdos,... e claro dos bahá’ís também e nem vou analisar quem está numa situação pior ou menos pior.
Contudo acho que não se pode simplesmente dizer: “...coisas que me irritam entre alguns de vocês: a paixão pelas tragédias!”
Ninguém tem paixão pelas tragédias mas também a vida não é só a festa, ela tem momentos em que precisa de companheirismo, da compaixão, da solidariedade humana..., qualidades que pelo jeito para GH são estranhas.
Todos dependemos uns aos outros, as pessoas não vivem só e pensando só no seu bem-estar e seu bel-prazer.
Sinto-me profundamente desiludida ao ver este tipo de comentários, impensados e imaturos, comentários da gente que ainda fica “irritada” ao saber da tragédia dos outros.
Então meu caro se prefere ignorar, tudo bem, que seja feita a sua vontade!!!
Milhões de judeus também foram massacrados durante a 2ª Guerra Mundial nas mãos dos nazistas graças a gente como você.

João disse...

Caro GH...tenho ido a algumas reuniões bahais e tenho encontrado lá pessoas bastante interessantes, mas também já deparei com o tipo de figura que tu descreves, que vê as guerras e a destruição como algo de inevitável e até como algo que lhe dá satisfação(tendo em conta que para ele isso é o prenuncio de uma nova era). Confesso que também achei ridiculo mas isso serviu para me mostrar que os bahais não são um grupo homogéneo, antes são um grupo aberto que acolhe pessoas com diversas convicções, o que tem o seu lado positivo e negativo.

João Moutinho disse...

Eu vinha aqui para fazer um pequeno comentário, nem que fosse para dar sinais de vida.
No entanto, deparo-me com uma cponversa em que os interlocutores não se identificam claramente. Porquê?

O mesmo GH de volta disse...

Eu escrevi que estava tudo numa boa? Eu escrevi que era indiferente?
Compara a tua atitude em relação a esta questão com o que escreveu o Marco e o João. Eles não deixam de protestar e de denunciar; mas nunca anunciaram o holocausto.

É esse tipo de atitude tão parecida com a história de “Pedro e o Lobo” que me chateia. É porque um dia arriscam-se a que ninguém acredite em vocês quando o assunto for mesmo muito sério.

Há sete anos que conheço baha’is e sempre há um ou outro que tem essa atitude (e o João confirmou). E claro, também aquela necessidade de compararem as vossas perseguições às perseguições dos nazis contra os judeus.

Por isso, pensa com a cabeça e não com o coração antes de dar a tua opinião. Só tens a ganhar com isso. E a tua religião também!

Mikolik disse...

Epá GH, é inegável que tens razão, mas a tua razão quanto a mim é digamos uma "meia-razão", porque é fruto de uma visão parcial. Porque focalizas as tuas críticas practicamente só em aspectos negativos, e sinceramente acho que exageras, mas enfim é a tua opinião...

Eu sei que os bahá'ís fazem e dizem disparates, como qualquer pessoa, e há sempre um ou outro que tem uma ou outra mania. Isso é pura e simplesmente inevitável. Acredita, a comunidade bahá'í vale pelo todo, o qual é maior que a soma das partes, não a avalies pelo valor dos seus crentes, porque estás a cair num erro grosseiro. Tampouco pode ser perfeita, porque é feita de elementos imperfeitos.
Aliás, isto é verdade para qualquer grupo associativo de pessoas, desde um clube a uma religião.

E sejamos francos, se tu mesmo depois do exemplo negativo do nosso amigo delirante do holocausto e outros que vêm a este blog dizer barbaridades, ainda continuas a comentar e a vir cá é porque no fundo, lá bem no fundo, vez muita coisa boa entre os bahá'ís, melhor, na Fé Bahá'í, e algo te atrai... o que é que aqui te atrai amigo? Nunca tive a oportunidade te te ouvir falar sobre o assunto

João disse...

Secundo o teu apelo Pedro...
GH também gostava de saber o que te atrai na fé bahai.
Está lançado o repto!

GH disse...

Portuq é que eu nao sou baha'i:

Era preciso que os baha’is não fugissem da política como o diabo foge da cruz (já agora: como é que pretendem mudar o mundo se não se envolvem na política?) Também a vossa posição oficial face a questões sensíveis como a homossexualidade, as uniões de facto e o aborto são muito conservadoras.

São a religião do futuro, tenho a certeza, mas precisam de ser mais objectivos nas vossas iniciativas, e claro, mudar algumas atitudes.

Mikolik disse...

Estás a ver, fica-te bem fazer um elogio... :-)

Concordo contigo, há pouca dinâmica nos bahá'ís, ou como dizes, pouca objectividade, e isso é causa da menor projecção e relativamente fraca dimensão das Comunidades Bahá'ís (especialmente na Europa).

A questão da politica, uniões de facto, homossexualidade, para mim são questões menores, não será por não concordares com esses aspecto que não podes ser considerado ou te consideres bahá'í. Se calhar és mais bahá'í que muitos de nós... Há bahá'ís homossexuais, há até bahá'ís que bebem álcool, e não é por causa disso que são piores que os que não o fazem, desde que não façam disso uma questão essencial e tenham uma atitude activa para imporem o seu hábito perante os outros.

Pior do que os que bebem álcool, não serão por exemplo aqueles que entram em contenda ou conflito? Os que caluniam alguém? Os que exercem de maledicência? Os que caem nas malhas do ócio e indolência? Todas estas coisas são proibições na mesma escala da homossexualidade e abstenção de exercer cargos políticos, mas não prestamos tanta atenção a elas, ainda assim são da mesma gravidade senão piores.

Acho que o facto de não queres ser bahá'í (melhor dizendo, pertenceres à Comunidade Bahá'í) é mais porque não te queres comprometer do que pelas justificações que apresentas. As tuas discordâncias, tendo em conta a sua irrelevância, só podem ser consideradas como desculpas.

Eu, pela parte que me toca gostava de ter mais GH’s na Comunidade, ganhávamos todos com isso. Aliás, sempre pensei que o grande trabalho de “aperfeiçoamento” das Comunidades Bahá’ís vá ser feito essencialmente pelos bahá’ís que hão-de vir, nós os mais antigos vivemos demasiadamente o tempo de desbravar terreno, adquirimos vícios e temos uma visão pouco abrangente da verdadeira capacidade de implementação, e de como faze-lo, dos princípios bahá’ís para a generalidade da sociedade. Lá estou eu com a futurologia… ;-)

Daniella disse...

Não existe "o mal menor", o que está errado, errado está.
Se ama a sua mulher, a ama na sua essência, na sua totalidade e a aceita do jeito que ela é, não se pode pular a cerca de vez em quando porque há certos aspectos nela que não consegue assimilar ou algumas regras no casamento que não consegue seguir: daí, isto não é AMOR.
Pensa um pouco.

Mikolik disse...

Daniella, "pular a cerca" não é um mal menor, é um mal maior, muito grande mesmo... mal menor seria por exemplo não oferecer flores À esposa pelo menos uma vez por ano :-)

A Fé Bahá'í é a primeira religião mundial onde é posta no crente a responsabilidade total dos seus actos, e o seu respectivo controle, essa é também uma das consequência da não existência de clero. Dos nossos (maus) actos prestaremos contas depois da morte perante um Juiz que é incomparavelmente mais sábio e compreensivo que qualquer ser humano, ou seja, cujo julgamente é com certeza diferente daquele feito pelo nosso semelhante.

Daniella disse...

Mikolik, "não oferecer flores À esposa pelo menos uma vez por ano" não é mal nem menor e nem maior, não é nada, não representa nenhum sentimento. Você que me desculpe mas este argumento foi o típico de quem quer se justificar, jogando com as palavras!
O "Mal menor" é o mal menor, até pode ter graus da gravidade mas continua sendo o mal cometido que a gente justifica perante a falta de atitudes correctas que tomar e pela sua falta da obediência às leis que neste caso são as leis da sua religião e, por isso que acho que não existe “mal menor”: o que está errado, errado está ou errado é.
Contudo concordo que nós erramos e muito porquê a final o ser humano erra, não é mesmo?
Mas daí, comparando as faltas ou os erros uns com os outros para avaliar qual erro seria melhor ou menos prejudicial então talvez seria melhor largar a religião e buscar o que combina mais com a gente nas ideais políticas e filosóficas, que existem muitas por aí!
Ao meu ver a religião, a gente tem que acreditar e ter fé nela. A religião não é nenhum clube ou associação. A religião é para ser acreditada e a partir daí observada.
Pronto concordo que nem todos observam todas as leis religiosas, mas como você referiu é problema deles contudo não se podemos justificar que:
Bolas, o que tem demais? Fulano só bebe ou só usa droga e isto é melhor de aquele que mata...
Em relação às actividades políticas pelos baha’is, pelo que eu entendi, em primeiro lugar seria porquê esta religião tem as suas próprias leis e princípios quanto às questões socio-económicos e acho que é da mesma forma que não se pode ser activista de dois partidos políticos e, em segundo lugar, precisa de muita (falando mais popularmente) armação de um para cima de outro ou por outras palavras muitas combinações por fora, e acredito que não seria muito coerente com o que dizem sobre a religião baha’i.