terça-feira, 21 de agosto de 2007

Raimon Panikkar

Uma das mais agradáveis surpresas deste verão foi encontrar numa livraria a tradução portuguesa do livro de Raimon Panikkar, O Diálogo Indispensável: Paz entre as Religiões. O autor, filho de mãe espanhola e pai indiano, é doutorado em Filosofia, Ciências e Teologia, e tornou-se um dos nomes mais conhecidos do diálogo inter-religioso.

O livro em si, é um breve manifesto sobre o diálogo inter-religioso e inter-cultural, fenómenos considerados inevitáveis e indispensáveis no mundo actual. Quem conhece a obra de Panikkar, sabe o valor do seu contributo para a mudança de mentalidade que se exige à humanidade neste momento da sua história, em que se tornou evidente que todas as culturas e todas as religiões necessitam umas das outras para permanecerem fieis à melhor parte de cada uma delas.

Deixo aqui alguns excertos das palavras de Panikkar, para vos “abrir o apetite” para este livro.
O encontro entre as religiões é tão vital que, de facto, mais ou menos, todas as religiões actuais são fruto destes encontros. Que seria do cristianismo sem o profundo sincretismo que brotou das suas raízes hebraicas, gregas romanas e germânicas?

Sem diálogo, as religiões enredam-se em si mesmas ou adormecem nas amarras e naufragam. Verdadeiramente, hoje vai-se tornando claro que nenhuma tradição tem poder suficiente para, por si só, levar à prática o papel que se auto-atribui. Ou se abrem umas às outras, ou degeneram e dão lugar a reacções fanáticas de todo o tipo.

O diálogo entre as religiões não é só um tema académico ou ainda uma questão eclesiástica ou oficialmente “religiosa”, e menos ainda uma nova moda porque as cerimónias religiosas se tornaram aborrecidas ou diminui o número de assistentes.

Ninguém é perito em diálogo inter-religioso, porque todo o diálogo é único. Não nos podemos especializar em diálogo inter-religioso; este pertence à própria vida religiosa actual.

Cada religião pode crer que representa a mais alta verdade e que interpreta o papel principal, mas deve estar, também, disposta a ouvir a outra e a permitir que o jogo da vida se desenrole sem violência nem armadilhas.

O diálogo hindu-cristão… constrói uma linguagem que não é adequada para o diálogo hebreu-cristão. Devemos resistir à tentação moderna, originada nas ciências naturais, de querer chegar a leis universais obrigando todos os fenómenos a adaptarem-se a parâmetros científicos.

2 comentários:

João disse...

Quando pensamos que Deus é só um custa a perceber porquê que o diálogo inter-religioso é tão dificil.
Eu cá por mim sou adepto do lema:
One God several religions!

João Moutinho disse...

não passou na censura...