quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Grande preocupação com a segurança dos Bahá’ís detidos no Irão

Os sete dirigentes Bahá’ís iranianos foram transferidos para o sector mais brutal do complexo prisional onde se encontram detidos. No caso das duas mulheres Bahá’ís, as circunstâncias da transferência suscitam receios de que esta possa ter sido orquestrada de forma criar um ambiente de segurança que ameaça as suas vidas. Sabe-se que uma delas - Fariba Kamalabadi - já foi ameaçada fisicamente por outros presos, desde que foi transferida para a Secção 200 da Prisão de Gohardasht.

“O ambiente é muito tenso nessa Secção e ali existe muita animosidade contra os detidos” disse Bani Dugal, principal representante da Comunidade Internacional Bahá’í, junto das Nações Unidas.



“É difícil perceber os motivos desta transferência”, afirmou a Sra. Dugal. “Contudo, acreditamos que desde que chegaram a Gohardasht, as mulheres Bahá’ís – apesar da sua situação ser extremamente preocupante - têm sido uma fonte constante de conforto e esperança para os outros prisioneiros. Aparentemente as autoridades prisionais ficaram alarmadas quando perceberam que as duas mulheres Bahá’ís estavam a começar a receber sinais de respeito da parte de um crescente número de prisioneiros. Para justificar o agravamento das condições, as autoridades acusaram as duas de estarem a ensinar a Fé Bahá’í”.

Desde que foram presas, as duas mulheres assumiram uma atitude de serviço aos outros, acrescentou a Sra Dugal. No princípio de 2009, por exemplo, elas partilharam uma cela na prisão de Evin com a jornalista Roxana Saberi que mais tarde escreveu que elas a tinham ajudado, apesar das provações que estavam a sofrer.

Na semana passada, todos os prisioneiros foram avisados para não estabelecer qualquer contacto com as duas mulheres Bahá’ís. Apesar deste aviso, os presos continuaram a falar com elas.

“Depois das mulheres terem sido transferidas, grande número de detidos desceram as escadas e dirigiram-se à parte inferior para visitá-las no local onde agora se encontram, apesar dos guardas colocarem dificuldades”, disse Ms.Dugal.

Antes da transferência - que teve lugar a 12 de Fevereiro - a Sra Kamalabadi e a Sra Sabet foram informadas que os presos na Secção 200 já tinham sido “avisados” acerca delas, acrescentou.

PÉSSIMAS CONDIÇÕES DE HIGIENE

Os sete dirigentes Bahá’ís foram enviados para Gohardasht - conhecida pelas suas péssimas condições de higiene -, a 20 kms a oeste de Teerão, em Agosto de 2010. Anteriormente estiveram na prisão de Evin, em Teerão durante 20 meses sem julgamento; foram acusados de espionagem e estabelecimento de uma administração ilegal, entre outras acusações. Todas as acusações foram negadas. Depois de um breve julgamento, foram condenadas a 10 anos de prisão.

Inicialmente os prisioneiros Bahá’ís foram isolados do contacto com outros elementos mais violentos daquele complexo prisional. Também tinham acesso frequente a áreas exteriores e às áreas para o exercício físico. No entanto, nas últimas semanas, os sete Bahá’ís foram transferidos para celas com condições muito piores.

Os cinco homens foram transferidos há três semanas, para uma ala, junto dos prisioneiros políticos, conhecida como secção 4 que está superlotada e tem vigilância constante. Estão agora a sofrer grandes privações. “Três deles estão juntos numa única cela. Os outros dois estão numa outra cela”, afirmou a Sra. Dugal. “Há duas camas em cada cela e por isso um deles tem que dormir no chão”.

“Os presos que estão nesta parte da prisão podem ir apanhar ar fresco ao exterior, em determinadas horas e anteriormente eles podiam fazer isso sempre e quando queriam”, disse a Sra. Dugal.

APELO AOS GOVERNOS

“Na nossa carta aberta de 7 de Dezembro de 2010 ao chefe do sistema judicial, salientámos que um ambiente tão odioso e degradante é indigno até dos maiores criminosos”, afirmou a Sra. Dugal.

“Dizemos, uma vez mais, ao Governo Iraniano: será que acreditar nos princípios de compaixão e justiça do Islamismo é coerente com a imposição de tais condições a cidadãos inocentes?”

“Continuamos a apelar aos Governos e a pessoas de boa vontade em todo o mundo que mostrem aos governantes iranianos que as suas acções estão a ser observadas e que eles serão considerados responsáveis pela segurança destes e de outros 50 Bahá’ís que se encontram detidos no Irão” disse a Sra. Dugal.

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FONTE: Grave concern for safety of Iran's imprisoned Baha'i leaders (BWNS)

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