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quarta-feira, 6 de abril de 2016
Escola Bahá'í de Verão - Alemanha, 1936
Breve filme sobre uma Escola Baha'i de Verão realizada na Alemanha, em 1936.
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Artigos sobre os Bahá'ís no tempo do Nazismo:
-- Os Bahá'ís e os Nazis
-- Sub-Humanos
domingo, 9 de novembro de 2014
Os Judeus na Alemanha Nazi, os Bahá’ís no Irão
Por David Langness.
Mas apenas alguns sobreviventes e historiadores compreenderam o que levou às mortes em massa. O partido Nazi não começou a exterminar imediatamente os Judeus; em vez disso, quando tomaram o poder, aprovaram uma série de leis e emitiram memorandos internos secretos, dando inicio a uma campanha geral que gradualmente privava os Judeus alemães dos seus direitos.
Tudo começou no dia 27 de Fevereiro de 1933, quando agentes do partido Nazi incendiaram o edifício do Reichstag, a sede do Governo alemão, e posteriormente atribuíram a culpa aos “comunistas”. A opinião pública alemã, revoltada com o ataque às suas tradições e à sua democracia, insistiu que os Nazis respondessem àquela “crise” fabricada.
E assim, no dia 1 de Abril de 1933, apenas uma semana depois do Parlamento Alemão ter aprovado a Lei de “Concessão de Plenos Poderes” que transformava o Chanceler em Ditador, Hitler ordenou que os alemães boicotassem bancos, lojas, empresas e estabelecimentos que fossem propriedade de Judeus. Inicialmente o boicote não funcionou, porque a maioria dos alemães o ignorou - o que levou Hitler a cancelá-lo após três dias. Mas depois deste boicote inicial falhado, os governantes Nazis implementaram de forma agressiva um conjunto de oito leis severas que gradualmente eliminaram os direitos, a cultura e as vidas de todos os Judeus alemães.
Estas medidas do governo provocaram a ostracização dos Judeus alemães, empurrando-os para as margens da sociedade, isolando-os e tornando-os alvos de futuras perseguições.
Estas leis iniciais levaram ao posterior extermínio de toda uma população, culminando num dos maiores genocídios da história. Vejamos a lista:
Mas esta horrível cadeia de acontecimentos não pode voltar a acontecer outra vez, certo? Agora sabemos demasiado para permitir que este tipo de adulterações da justiça ocorram no século XXI, não é verdade? Infelizmente, a resposta é não.
Mas é exactamente o mesmo padrão que se está a desenvolver actualmente no Irão, onde o governo, de forma sistemática e discreta, tenta destabilizar, marginalizar e exterminar a comunidade Bahá’í. Na verdade, para quem conhece a forma como começou o Holocausto na Alemanha Nazi, os paralelismos são surpreendentemente familiares.
Durante o verão de 1978, na cidade de Abadan, no sul do Irão, quatro indivíduos bloquearam as portas de um cinema e incendiaram-no, matando mais de 400 pessoas fechadas no interior. Posteriormente, manifestantes islamitas incendiaram cerca de 180 cinemas no Irão. Os revolucionários, com a sua fúria, culparam o Xá, e o público revoltado acreditava neles. Seguiram-se grandes manifestações, e o governo do Xá caiu passados alguns meses. Mais tarde, alguns militantes islamitas admitiram ter lançado o incêndio que alimentou a revolução.
Em Janeiro de 1979, o governo fundamentalista islâmico tomou o poder com a promessa de responder à “crise” social do Irão – uma crise gerada e inflamada por greves e manifestações por pessoas que se curvaram perante a criação de uma teocracia autoritária, usando as mesmas tácticas que os nazis usaram 46 anos antes.
Quando o domínio fundamentalista dos ayatollahs se estabeleceu no Irão, rapidamente foram postos em prática planos para destruir a comunidade Baha’i. Devido aos ideais Baha’is progressistas - entre eles, a unidade da humanidade, a igualdade entre homens e mulheres, a unidade das religiões - os ayatollahs conservadores denunciaram e demonizaram publicamente os Bahá’ís; então, a campanha governamental tornou-se mortal. O regime prendeu, torturou e enforcou centenas de Bahá’ís, incluindo jovens adolescentes e idosos. Expulsaram estudantes Bahá’ís das escolas, expropriaram empresas pertencentes a Baha’is, destruíram lugares sagrados e cemitérios Baha’is, recusaram-se a processar judicialmente assassinos e agressores de Baha’is, e ilegalizaram a Fé Baha’i tal como os Nazis ilegalizaram o Judaísmo.
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Texto original: Iran and the Baha’is; Nazi Germany and the Jews (bahaiteachings.org)
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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site BahaiTeachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.
O próprio Deus foi, de facto, destronado dos corações dos homens, e um mundo idólatra saúda e adora clamorosa e apaixonadamente os falsos deuses que as suas próprias vãs fantasias criaram com tamanha insanidade... Os seus sacerdotes são os políticos e os especialistas do mundo, os chamados sábios da época; o seu sacrifício são a carne e sangue das multidões massacradas; os seus encantamentos são costumes obsoletos e fórmulas insidiosas e irreverentes; o seu incenso é o fumo da angústia que se eleva nos corações dilacerados dos desamparados, dos amputados, dos desalojados. (Shoghi Effendi, The Promised Day is Come, p. 113.)Todos ouvimos falar do Holocausto, das atrocidades genocidas de horror indescritível a que o povo Judeu chama Shoah, quando os Nazis exterminaram seis milhões de Judeus durante a 2ª Guerra Mundial.
Mas apenas alguns sobreviventes e historiadores compreenderam o que levou às mortes em massa. O partido Nazi não começou a exterminar imediatamente os Judeus; em vez disso, quando tomaram o poder, aprovaram uma série de leis e emitiram memorandos internos secretos, dando inicio a uma campanha geral que gradualmente privava os Judeus alemães dos seus direitos.
Tudo começou no dia 27 de Fevereiro de 1933, quando agentes do partido Nazi incendiaram o edifício do Reichstag, a sede do Governo alemão, e posteriormente atribuíram a culpa aos “comunistas”. A opinião pública alemã, revoltada com o ataque às suas tradições e à sua democracia, insistiu que os Nazis respondessem àquela “crise” fabricada.
E assim, no dia 1 de Abril de 1933, apenas uma semana depois do Parlamento Alemão ter aprovado a Lei de “Concessão de Plenos Poderes” que transformava o Chanceler em Ditador, Hitler ordenou que os alemães boicotassem bancos, lojas, empresas e estabelecimentos que fossem propriedade de Judeus. Inicialmente o boicote não funcionou, porque a maioria dos alemães o ignorou - o que levou Hitler a cancelá-lo após três dias. Mas depois deste boicote inicial falhado, os governantes Nazis implementaram de forma agressiva um conjunto de oito leis severas que gradualmente eliminaram os direitos, a cultura e as vidas de todos os Judeus alemães.
Estas medidas do governo provocaram a ostracização dos Judeus alemães, empurrando-os para as margens da sociedade, isolando-os e tornando-os alvos de futuras perseguições.
Estas leis iniciais levaram ao posterior extermínio de toda uma população, culminando num dos maiores genocídios da história. Vejamos a lista:
- A primeira lei anti-semita alemã exigiu que todos os funcionários públicos e governamentais fossem “arianos”. Isto levou à expulsão de todos os judeus que trabalhavam na administração pública.
- A segunda lei ilegalizou os pagamentos do Estado a médicos e advogados judeus.
- A terceira lei, pretensamente para aliviar as escolas com demasiados alunos, tornou praticamente impossível que as crianças Judias frequentassem as escolas públicas.
- A quarta lei impedia que os dentistas judeus exercessem a sua profissão.
- A quinta lei excluiu os professores Judeus das Universidades.
- A sexta lei declarava que os conjugues dos “não-Arianos” não podiam trabalhar na administração pública.
- A sétima lei impedia os Judeus de participar em actividades culturais e de entretenimento, incluindo a literatura, o cinema, os teatros e as artes.
- E a oitava lei afastou todos os jornalistas Judeus da sua profissão - e colocou todos os jornais alemães sob controlo nazi.
Mas esta horrível cadeia de acontecimentos não pode voltar a acontecer outra vez, certo? Agora sabemos demasiado para permitir que este tipo de adulterações da justiça ocorram no século XXI, não é verdade? Infelizmente, a resposta é não.
Mas é exactamente o mesmo padrão que se está a desenvolver actualmente no Irão, onde o governo, de forma sistemática e discreta, tenta destabilizar, marginalizar e exterminar a comunidade Bahá’í. Na verdade, para quem conhece a forma como começou o Holocausto na Alemanha Nazi, os paralelismos são surpreendentemente familiares.
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| Cinema Rex, em Abadan, após o incêndio |
Em Janeiro de 1979, o governo fundamentalista islâmico tomou o poder com a promessa de responder à “crise” social do Irão – uma crise gerada e inflamada por greves e manifestações por pessoas que se curvaram perante a criação de uma teocracia autoritária, usando as mesmas tácticas que os nazis usaram 46 anos antes.
Quando o domínio fundamentalista dos ayatollahs se estabeleceu no Irão, rapidamente foram postos em prática planos para destruir a comunidade Baha’i. Devido aos ideais Baha’is progressistas - entre eles, a unidade da humanidade, a igualdade entre homens e mulheres, a unidade das religiões - os ayatollahs conservadores denunciaram e demonizaram publicamente os Bahá’ís; então, a campanha governamental tornou-se mortal. O regime prendeu, torturou e enforcou centenas de Bahá’ís, incluindo jovens adolescentes e idosos. Expulsaram estudantes Bahá’ís das escolas, expropriaram empresas pertencentes a Baha’is, destruíram lugares sagrados e cemitérios Baha’is, recusaram-se a processar judicialmente assassinos e agressores de Baha’is, e ilegalizaram a Fé Baha’i tal como os Nazis ilegalizaram o Judaísmo.
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Texto original: Iran and the Baha’is; Nazi Germany and the Jews (bahaiteachings.org)
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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site BahaiTeachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.
domingo, 4 de maio de 2014
Sub-Humanos
No decorrer da Segunda Guerra Mundial, quando os nazis começaram a perder grandes batalhas na Europa, Hitler e Himmler aumentaram os seus esforços para exterminar os povos que designavam como "Untermensch" (sub-humanos).
Além dos campos de concentração e de trabalhos forçados, aceleraram as actividades nos "Todeslager" - os campos de extermínio - cuja missão era o extermínio global e industrial de todos aqueles que o regime nazi considerava sub-humanos.
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| Crianças a caminho do campo de extermínio de Chelmno |
Os seres humanos têm dificuldade em compreender números como estes, ou mesmo como começou tamanha selvajaria. Posteriormente, todos os artistas, escritores, académicos, historiadores, cineastas e cronistas do Holocausto (ou Shoah, como é referido por muitas pessoas) ao enfrentar a imensidão de um mal tão incompreensível e desumano, questionaram-se se seria possível descrevê-lo ainda que de forma vaga.
Uma história da jornalista e escritora húngara Renée Szanto-Felbermann no seu livro de memórias Rebirth, apresenta a dimensão humana dessa tragédia monstruosa, revelado a odisseia de dois amigos improváveis:
O primeiro novo Bahá'í que nos encontrou após o fim da guerra foi um jovem estudante de medicina ...
Durante a guerra, quando tinha dezoito anos, teve que trabalhar num batalhão de trabalhos forçados devido à sua origem judaica, e foi deportado para Weimar Neustadt, na Áustria... Ali encontrou um Bahá’í da Polónia, um homem de grande cultura, que lhe falou de Bahá'u'lláh e da Fé Bahá'í e lhe deu a força moral para suportar os terríveis sofrimentos a que todos eram submetidos. No fim, já não tinham nada para comer. Estavam a deixá-los morrer à fome e tinham sido seleccionados para serem levados para as câmaras de gás em Auschwitz. O rapaz estava tão fraco que pensou que ia morrer. O Baha'i polaco ainda tinha uma cenoura que tinha arrancado num campo e guardava-a como uma última reserva. Ofereceu a cenoura ao seu jovem amigo, dizendo: "Eu sou muito mais velho que tu e já vivi a minha vida; a tua ainda está à tua frente. Toma esta cenoura, talvez salve a tua vida e te lembres de Bahá'u'lláh." A cenoura permitiu ao jovem ter forças para prosseguir e procurar água. De repente ele viu-se frente a frente com um conhecido húngaro de ascendência alemã, agora soldado envergando um uniforme alemão. "O que estás a fazer aqui?", perguntou-lhe surpreendido. Depois de ouvir a sua história, disse-lhe: "Vem depressa… posso salvar-te. Tenho aqui um camião e estou prestes a regressar a Budapeste. Escondo-te no camião e levo-te de volta."
E foi assim que ele escapou.
O Bahá'í polaco, juntamente com os outros membros do batalhão de trabalhos forçados, foi levado para Auschwitz onde todos pereceram. (Rebirth, p. 160)
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| Nazis efectuando estudos antropométricos na Índia |
Os ensinamentos Bahá’ís abordam directamente esta questão fundamental. Os Bahá’ís acreditam que um Criador bondoso e amoroso abomina o sofrimento humano; mas Ele deu-nos livre arbítrio para que possamos traçar os nossos próprios destinos. Os Bahá’ís acreditam que a humanidade tem a responsabilidade de pôr um fim trazer a um mal endémico. Os Bahá’ís também acreditam que os seres humanos estão num momento do espiritual e físico - e que, se nos concentramos na nossa vida interior e na nossa realidade espiritual, elevaremos aquilo que os seres humanos podem ser e fazer; mas se ignorarmos as nossas almas e permitirmos que o ódio governe os nossos corações e mentes, iremos afundar-nos nas profundezas da depravação, a um nível inferior ao mais cruel dos animais:
No homem há duas naturezas; a sua natureza espiritual ou superior e a sua natureza material ou inferior. Numa ele aproxima-se de Deus e na outra ele vive apenas para o mundo. Sinais de ambas as naturezas encontram-se nos homens. No seu aspecto material, ele expressa falsidade, crueldade e injustiça; tudo isto é resultado da sua natureza inferior. Os atributos da sua natureza divina surgem no amor, na misericórdia, na bondade, na verdade e na justiça; todas são expressões da sua natureza superior. Cada bom hábito, cada qualidade nobre pertence à natureza espiritual do homem, enquanto todas as imperfeições e acções pecaminosas nascem da sua natureza material. (‘Abdu'l-Bahá, Paris Talks, p. 60)Os nazis foram derrotados por um enorme esforço global na Segunda Guerra Mundial, mas a sua ideologia de supremacia racial existe nas naturezas inferior de muitas pessoas. Os ensinamentos Bahá'ís apresentam um plano para a humanidade em que se apela à eliminação desses preconceitos e ódios.
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Texto original em inglês: Sub-Human
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David Langness é jornalista e critico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site BahaiTeachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.
sexta-feira, 25 de abril de 2014
Amanhã de manhã vais ser fuzilada
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| Mulheres Judias detidas em Budapeste, 1944 |
A Fé Bahá'í surgiu em meados do séc. XIX, e espalhou-se rapidamente por todo o mundo durante os seguintes 100 anos. Em pouco mais de um século, tornou-se a segunda fé mais dispersa no mundo.
A Fé Bahá'í é a única religião que cresceu mais rapidamente em todas as regiões das Nações Unidas nos últimos 100 anos do que a população em geral; [a Fé] Bahá’í foi, assim, a religião que mais cresceu entre 1910 e 2010, crescendo pelo menos duas vezes mais rápido que a população de praticamente todas as regiões da ONU (The World’s Religions in Figures: An Introduction to International Religious Demography, p. 59.)As primeiras comunidades Bahá'ís fora do Médio Oriente - Estados Unidos, Grã-Bretanha, Índia e Alemanha – surgiram nas décadas 1890 e 1900. Os primeiros Bahá'ís alemães - Alma Knobloch e o Dr. Edwin Fischer, um dentista – conheceram a Fé quando eram imigrantes em Nova Iorque, e regressaram a Estugarda no início do século XX. Começando com essas duas pessoas, a comunidade Bahá’í alemã cresceu rapidamente.
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| Antigo e Novo Memorial de 'Abdu'l-Bahá em Bad Mergentheim |
Apesar das angústias e tribulações da Primeira Guerra Mundial e da inflação galopante durante a República de Weimar, a comunidade Bahá’í floresceu durante a década de 1920. Em 1923 a comunidade Bahá’í alemã estava suficientemente bem estabelecida e formou uma das primeiras Assembleias Espirituais Nacionais Bahá'ís do mundo, o órgão dirigente democraticamente eleito pelos Bahá'ís do país.
E depois os nazis tomaram o poder.
Quando Heinrich Himmler proibiu a Fé Bahá'í na Alemanha, em 1937, ele acusou a religião de "tendências internacionais e pacifistas." Após decreto de Himmler, o governo nazi começou a atacar os Bahá’ís, primeiro destruindo o memorial público a 'Abdu'l-Bahá em Bad Mergntheim, e depois, em 1939, lançando na prisão os antigos membros da Assembleia Espiritual Nacional Bahá’í da Alemanha. Os Bahá’ís estiveram na cadeia, alguns durante longos períodos de tempo, sem acusações. Em 1942, ocorreram mais prisões. Muitos dos Bahá'ís da Alemanha e dos países vizinhos desapareceram nos campos de concentração nazis, e os pormenores sobre os seus destinos, como milhões de outros, provavelmente nunca será conhecido.
Ironicamente, em Maio de 1944 - exactamente cem anos após o surgimento da Fé Bahá'í - o governo alemão realizou um julgamento público de alguns dirigentes Bahá'ís presos em Darmstadt. Um conhecido Bahá’í alemão, Dr. Hermann Grossmann, pode aparecer e falar em defesa da Fé no julgamento, mas todos sabiam que o veredicto estava foi pré-definido. O governo considerou os Bahá’ís culpados, aplicou multas elevadas e proibiu todas as instituições Bahá’ís, ordenando que fossem imediatamente dissolvidas.
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| Renee Szanto-Felbermann |
Szanto-Felbermann, uma jornalista húngara criado na Alemanha e na Suíça na fé judaica, tornou-se a primeira Bahá’í húngara em 1937. Ela e toda a sua família foram apanhadas nas perseguições nazis contra Judeus e Bahá’ís em Budapeste durante a guerra; Szanto-Felbermann em várias ocasiões escapou por pouco às deportações e às marchas para os campos da morte. Apesar de várias prisões e situações limite, a sua inteligência e coragem mantiveram-na longe dos campos; mas muitos dos seus parentes e amigos mais próximos, tanto Judeus como Bahá'ís, não tiveram tanta sorte. Szanto-Felbermann começa a contar a sua história desta maneira:
Os dois oficiais alemães das SS olharam-me com as suas pistolas apontadas à minha cabeça. "O que está nesta caixa?", gritaram os alemães. "Abra-a."Através de uma combinação de pura sorte, coragem e oração, Renée, juntamente com a mãe e a filha, escaparam com vida. Também o marido, que trabalhava na resistência húngara contra os nazis, e corria grandes perigos ao tentar salvar outros, acabou por conseguir evitar o terrível destino de muitos dos seus compatriotas. A emocionante caminhada de Renée Szanto-Felbermann, como pesquisadora espiritual, escritora, Bahá’í e alvo de perseguição nazi, levam cada leitor a perceber como a gentileza e a graça podem por vezes superar um grande mal.
"Isto são livros e manuscritos sobre a minha religião, a religião Bahá’í". O oficial ajoelhou-se em frente da caixa, pegou numa folha de papel e começou a ler. Os seus olhos encontraram o seguinte texto [de Bahá'u'lláh] traduzido para alemão:
"Aqueles que estão intoxicados pela arrogância interpuseram-se entre ela e o infalível Medico Divino. Vede como eles enredaram todos os homens, inclusive a si próprios, na rede dos seus estratagemas", leu em voz alta.
"Isto parece muito suspeito", gritou, "amanhã de manhã vais ser fuzilada e atirada ao Danúbio, mas primeiro a Gestapo virá investigar." E apontando para minha mãe, gritou: "Ela também será fuzilada e lançada no Danúbio! E a criança também" (Rebirth, pags. 124-125)
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Texto original em inglês: In the Morning You Will Be Shot (bahaiteachings.org)
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David Langness é jornalista e critico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site BahaiTeachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.
sexta-feira, 18 de abril de 2014
Os Bahá’ís e os Nazis
Por David Langness
Há alguns anos atrás, quando terminei uma palestra alguém me perguntou: "Qual é a anti-Fé Bahá'í? Por outras palavras, há um grupo no mundo, que representa o ponto de vista diametralmente oposto dos ensinamentos Bahá'ís?"
Tive de pensar na questão durante um minuto. Essa pergunta nunca me tinha passado pela cabeça. Pela minha experiência, os Bahá’ís são tipicamente pessoas afectuosas, bondosas, gentis e acolhedoras; assim, tentei imaginar o que podia parecer o oposto.
Foi então que me lembrei que Heinrich Himmler proibiu a Fé Bahá'í na Alemanha nazi, em 1937; e percebi que o partido nazi e as suas acções, provavelmente, estão muito próximo daquilo que pode representar o completo oposto da Fé Bahá'í.
Os nazis acreditavam numa raça superior, na superioridade eugénica e na supremacia dos arianos sobre qualquer outro ser humano. Os Bahá’ís acreditam na unicidade da raça humana, na eliminação de todos os preconceitos e na unidade da humanidade. Os nazis acreditavam no domínio militar de um país sobre todas as nações. Os Bahá'ís acreditam na terra como um só país. Os nazis acreditavam na violência e guerra. Os Bahá’ís acreditam na paz mundial. Os nazis acreditavam em exterminar os seus inimigos. Os Bahá'ís acreditam que devemos amar os nossos inimigos. Os nazis acreditavam no ódio. Os Bahá'ís acreditam no amor.
Adolfo Hitler tornou-se o símbolo de todas as coisas más no mundo; mas Himmler, que eu nomearia como um concorrente a esse título, juntamente com Estaline e Mao, foi o principal responsável pelos campos da morte. Nesses campos de concentração - que ele montou, e controlou - supervisionou pessoalmente o extermínio de seis milhões de judeus, cerca de meio milhão de ciganos, provavelmente cinco milhões de polacos e russos, e os números incontáveis de gays e Bahá’ís.
A maioria de nós pensa nos campos de concentração nazis como um dos pontos mais baixos da história humana. Mas a maioria não sabe que os campos nazis não foram os primeiros.
Na verdade, o termo campo de concentração nem sequer é alemão; surgiu originalmente - acreditem ou não – com os britânicos, que o criaram durante a Segunda Guerra dos Bóeres (1899-1902) na África do Sul. Inicialmente criados como "campos de refugiados" para os civis forçados a sair das suas casas por causa da guerra, o exército britânico expandiu as suas implacáveis cidades-tenda em 1900 para "concentrar" todos os apoiantes e simpatizantes da guerrilha, incluindo mulheres e crianças - e impedir os Bóeres, os colonos brancos de língua africânder da África do Sul, de conseguir apoio ou vantagens entre a população.
Juntamente com os seus campos de concentração o exército britânico lançou-se em acções de "terra queimada" para destruir todas as plantações, gado, casas e quintas. Salgaram campos agrícolas e envenenaram poços. Porquê? A maioria concorda que a guerra foi travada, como tantas outras, por causa do ouro. Os britânicos e os bóeres queriam ambos controlar as vastas minas de ouro de Witwatersrand, que na época produziam uma parcela significativa da riqueza mineral do mundo - e ambos pensaram que poderiam roubar o ouro aos africanos .
Foram os britânicos os primeiros a transformar os centros de internamento em tempo de guerra em campos de concentração? Não. Os Estados Unidos foram os primeiros a fazê-lo; foi contra os nativos americanos, como os Navajos, no século XIX. Tenho um amigo próximo, uma artista Navajo, cuja bisavó foi internada em Fort Sumner por Kit Carson, o oficial genocida da cavalaria americana. Toda a sua família morreu, juntamente com milhares de pessoas. Mais ou menos ao mesmo tempo, os espanhóis criaram terríveis campos de internamento em Cuba, durante a Guerra dos Dez Anos (1868-1878). Os britânicos expandiram o conceito, e atingiram toda a África do Sul, limpando e despovoando vastas regiões do país. Enviaram a maioria dos combatentes Bóeres para prisões no estrangeiro, mas cerca de 28.000 mulheres e crianças Bóeres sofreram mortes terríveis, a maioria de doença e fome, nos brutais campos de concentração britânicos. Também se estima que mais de 14.000 africanos negros morreram nos seus próprios campos segregados.
Os alemães, que colonizaram o vizinho Sudoeste Africano (actual Namíbia), aprenderam rapidamente a táctica. Em 1904, o Exército Imperial Alemão criou vários campos de concentração e o Campo de Extermínio da Ilha de Shark teve um papel horrível no genocídio das tribos Herero e Namaqua.
Tudo junto, campos de concentração como os gulags soviéticos, as prisões de trabalho e “re-educação” dos chineses e os campos de trabalho forçado dos nazis assumem uma enorme e horrível dimensão durante o último século. Ninguém sabe quantas pessoas morreram em todos esses campos e, mas os historiadores estimam que entre 1 a 10 milhões morreram nos gulags, entre 15 a 27 milhões morreram nos campos de trabalho chineses. A maioria dos historiadores concorda que os campos nazis mataram pelo menos 10 a 11 milhões de civis e prisioneiros de guerra, entre 1933 e 1945.
Embora dos Bahá'ís europeus fossem em número reduzido em 1930, os ensinamentos Bahá'ís tinham atraído um grupo significativo de intelectuais, escritores e artistas de alto perfil (muitos de origem judaica) na Alemanha, assim como nos países do Leste Europeu (a comunidade Bahá’í alemã foi fundada em 1905). Como resultado desse crescimento Himmler, em nome do governo alemão, proibiu a Fé Bahá'í em 1937. Consequentemente, muitos Bahá’ís morreram.
Como podem os seres humanos mostrar tanta crueldade? Esta série de artigos vai explorar esse período da história, analisará a pouco conhecida Bahá’í durante o regime nazi, e tentará responder a questões importantes descritas no parágrafo seguinte (retirado de uma declaração da Casa Universal de Justiça, o órgão dirigente internacional da Comunidade Bahá’í):
Texto Original: The Baha’is and the Nazis (bahaiteachings.org)
David Langness é jornalista e critico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site BahaiTeachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.
Há alguns anos atrás, quando terminei uma palestra alguém me perguntou: "Qual é a anti-Fé Bahá'í? Por outras palavras, há um grupo no mundo, que representa o ponto de vista diametralmente oposto dos ensinamentos Bahá'ís?"
Tive de pensar na questão durante um minuto. Essa pergunta nunca me tinha passado pela cabeça. Pela minha experiência, os Bahá’ís são tipicamente pessoas afectuosas, bondosas, gentis e acolhedoras; assim, tentei imaginar o que podia parecer o oposto.
Foi então que me lembrei que Heinrich Himmler proibiu a Fé Bahá'í na Alemanha nazi, em 1937; e percebi que o partido nazi e as suas acções, provavelmente, estão muito próximo daquilo que pode representar o completo oposto da Fé Bahá'í.
Os nazis acreditavam numa raça superior, na superioridade eugénica e na supremacia dos arianos sobre qualquer outro ser humano. Os Bahá’ís acreditam na unicidade da raça humana, na eliminação de todos os preconceitos e na unidade da humanidade. Os nazis acreditavam no domínio militar de um país sobre todas as nações. Os Bahá'ís acreditam na terra como um só país. Os nazis acreditavam na violência e guerra. Os Bahá’ís acreditam na paz mundial. Os nazis acreditavam em exterminar os seus inimigos. Os Bahá'ís acreditam que devemos amar os nossos inimigos. Os nazis acreditavam no ódio. Os Bahá'ís acreditam no amor.
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| Heinrich Himmler |
A maioria de nós pensa nos campos de concentração nazis como um dos pontos mais baixos da história humana. Mas a maioria não sabe que os campos nazis não foram os primeiros.
Na verdade, o termo campo de concentração nem sequer é alemão; surgiu originalmente - acreditem ou não – com os britânicos, que o criaram durante a Segunda Guerra dos Bóeres (1899-1902) na África do Sul. Inicialmente criados como "campos de refugiados" para os civis forçados a sair das suas casas por causa da guerra, o exército britânico expandiu as suas implacáveis cidades-tenda em 1900 para "concentrar" todos os apoiantes e simpatizantes da guerrilha, incluindo mulheres e crianças - e impedir os Bóeres, os colonos brancos de língua africânder da África do Sul, de conseguir apoio ou vantagens entre a população.
Juntamente com os seus campos de concentração o exército britânico lançou-se em acções de "terra queimada" para destruir todas as plantações, gado, casas e quintas. Salgaram campos agrícolas e envenenaram poços. Porquê? A maioria concorda que a guerra foi travada, como tantas outras, por causa do ouro. Os britânicos e os bóeres queriam ambos controlar as vastas minas de ouro de Witwatersrand, que na época produziam uma parcela significativa da riqueza mineral do mundo - e ambos pensaram que poderiam roubar o ouro aos africanos .
Foram os britânicos os primeiros a transformar os centros de internamento em tempo de guerra em campos de concentração? Não. Os Estados Unidos foram os primeiros a fazê-lo; foi contra os nativos americanos, como os Navajos, no século XIX. Tenho um amigo próximo, uma artista Navajo, cuja bisavó foi internada em Fort Sumner por Kit Carson, o oficial genocida da cavalaria americana. Toda a sua família morreu, juntamente com milhares de pessoas. Mais ou menos ao mesmo tempo, os espanhóis criaram terríveis campos de internamento em Cuba, durante a Guerra dos Dez Anos (1868-1878). Os britânicos expandiram o conceito, e atingiram toda a África do Sul, limpando e despovoando vastas regiões do país. Enviaram a maioria dos combatentes Bóeres para prisões no estrangeiro, mas cerca de 28.000 mulheres e crianças Bóeres sofreram mortes terríveis, a maioria de doença e fome, nos brutais campos de concentração britânicos. Também se estima que mais de 14.000 africanos negros morreram nos seus próprios campos segregados.
Os alemães, que colonizaram o vizinho Sudoeste Africano (actual Namíbia), aprenderam rapidamente a táctica. Em 1904, o Exército Imperial Alemão criou vários campos de concentração e o Campo de Extermínio da Ilha de Shark teve um papel horrível no genocídio das tribos Herero e Namaqua.
Tudo junto, campos de concentração como os gulags soviéticos, as prisões de trabalho e “re-educação” dos chineses e os campos de trabalho forçado dos nazis assumem uma enorme e horrível dimensão durante o último século. Ninguém sabe quantas pessoas morreram em todos esses campos e, mas os historiadores estimam que entre 1 a 10 milhões morreram nos gulags, entre 15 a 27 milhões morreram nos campos de trabalho chineses. A maioria dos historiadores concorda que os campos nazis mataram pelo menos 10 a 11 milhões de civis e prisioneiros de guerra, entre 1933 e 1945.
Embora dos Bahá'ís europeus fossem em número reduzido em 1930, os ensinamentos Bahá'ís tinham atraído um grupo significativo de intelectuais, escritores e artistas de alto perfil (muitos de origem judaica) na Alemanha, assim como nos países do Leste Europeu (a comunidade Bahá’í alemã foi fundada em 1905). Como resultado desse crescimento Himmler, em nome do governo alemão, proibiu a Fé Bahá'í em 1937. Consequentemente, muitos Bahá’ís morreram.
Como podem os seres humanos mostrar tanta crueldade? Esta série de artigos vai explorar esse período da história, analisará a pouco conhecida Bahá’í durante o regime nazi, e tentará responder a questões importantes descritas no parágrafo seguinte (retirado de uma declaração da Casa Universal de Justiça, o órgão dirigente internacional da Comunidade Bahá’í):
De um ponto de vista Bahá’í, o facto da humanidade adorar a ídolos inventados por si própria tem importância não por causa dos acontecimentos históricos associados a essas forças, por muito horríveis que sejam, mas pelas lições que nos ensinam. Olhando para o mundo crepuscular em que essas forças diabólicas pairavam sobre o futuro da humanidade, devemos questionar qual a fraqueza da natureza humana que a tornou vulnerável a essas influências. Ver em alguém como Benito Mussolini a figura do "homem do destino", sentir a obrigação de compreender as teorias raciais de Adolfo Hitler como algo diferente de resultados auto-evidentes de uma mente doente, acolher seriamente a reinterpretação da experiência humana através de dogmas que deram à luz a União Soviética de José Estaline – um propositado abandono da racionalidade por parte de um segmento considerável da liderança intelectual da sociedade exige uma explicação para posteridade. (Century of Light, p. 62)----------------------------------
Texto Original: The Baha’is and the Nazis (bahaiteachings.org)
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David Langness é jornalista e critico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site BahaiTeachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.
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