quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
Paranóia
Os tumultos nas ruas das cidades iranianas voltaram a receber a atenção dos media mundiais, tendo países como Estados Unidos, a Rússia e a União Europeia apelado à contenção das autoridades iranianas. Parece óbvio que o povo iraniano não se conforma com os resultados oficiais das eleições de Junho passado.
No meio da troca de acusações e ameaças que vêem a público, não faltaram os apaixonados das teorias da conspiração. Desta vez, o especialista é um tal Sr. Nematolah Bavand que afirmou à agência FARS (a agência noticiosa semi-oficial do Irão) que os Baha’is estariam por detrás da agitação dos últimos dias.
Uma outra pérola da paranóia iraniana surgiu numa notícia do jornal Javan. Aqui fica a tradução
O Irão vive hoje dias difíceis. Esperemos que as autoridades - à semelhança do que já aconteceu com outros regimes totalitários - não caiam na tentação de apontar um bode expiatório para os seus problemas.
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FONTE: Iran State Media Blames the "Baha’i Sect" for Recent Unrest (MNBR)
No meio da troca de acusações e ameaças que vêem a público, não faltaram os apaixonados das teorias da conspiração. Desta vez, o especialista é um tal Sr. Nematolah Bavand que afirmou à agência FARS (a agência noticiosa semi-oficial do Irão) que os Baha’is estariam por detrás da agitação dos últimos dias.
Uma outra pérola da paranóia iraniana surgiu numa notícia do jornal Javan. Aqui fica a tradução
Denunciada a conspiração Bahai no campo de Musawi para insultar as santidades religiosas
No dia da Ashura, os apoiantes do campo de Musawi não tiveram a decência de se abster de profanar o mais sagrado dos santuários religiosos. Ao rasgar cópias do Alcorão na Rua Enqelab, na frente dos que lamentavam o martírio do Imam Hussein, expuseram a outra face do seu desprezo pela religião
Confirmando esta informação, um especialista em questões de segurança disse ao Javan Online: "As acções no Campo de Musawi para profanar santidades religiosas não são novas. Na verdade, isso começou a acontecer quando se formou um grupo de Baha'is no staff deste candidato, durante os dias que antecederam a eleição. "
Acrescentou: "Essa seita há muito tempo que planeia atacar as santidades religiosas do povo no dia da Ashura mas como não conseguem garantir a protecção das massas, nunca serão bem sucedidos. "
Quanto ao papel do Bahaismo na profanação dos santuários religiosos, o nosso especialista em assuntos de segurança afirmou: "O caminho que o campo de Musawi está a tomar no seu ataque a santidades religiosas é exactamente o mesmo caminho que a mal aconselhada seita Baha'i tem seguido há anos."
E acrescentou: "Temos provas da ligação entre a seita Baha'i e o campo de Musawi e da parceria estratégica entre esses dois grupos".
O Irão vive hoje dias difíceis. Esperemos que as autoridades - à semelhança do que já aconteceu com outros regimes totalitários - não caiam na tentação de apontar um bode expiatório para os seus problemas.
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FONTE: Iran State Media Blames the "Baha’i Sect" for Recent Unrest (MNBR)
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
domingo, 27 de dezembro de 2009
A tolerância é um valor absoluto
No Editorial de ontem do Público.
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E se fosse ao contrário? O peso da reciprocidade nas relações entre pessoas, países ou religiões sempre foi, e é, fundamental para explicar a sua natureza pacífica ou conflitual. E se, em lugar dos muçulmanos na Suíça que querem adornar as suas mesquitas com minaretes, se desse o caso de uma comunidade cristã no Egipto pretender erigir um lugar de culto? O trabalho de Margarida Santos Lopes (...) mostra-nos o outro lado do espelho e revela-nos como esse direito básico seria recusado. Quando se ouvem as declarações indignadas de altas figuras do mundo islâmico a vituperar o referendo na suíça só podemos, pois, reparar que nesta relação não há reciprocidade e que só a hipocrisia pode justificar estas críticas.
Quer isto dizer que devemos apaziguar o nosso desconforto pelo que se passou na Suíça? Não, pelo contrário. Por muito que a perseguição a minorias religiosas persista no Irão ou na Indonésia, não se pode aceitar que essa realidade justifique a intolerância dos suíços. A Europa sofreu demais com guerras religiosas para não ter aprendido a conviver com as diferenças. Apesar do relativismo e do politicamente correcto, é essa forma de ver o mundo, aberta e sem dogmas, que sublina a superioridade dos valores ocidentais.
Para ler o trabalho de Margarida Santos Lopes:
* Quando o apartheid religioso critica a islamofobia
* Religiões Proíbidas
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E se fosse ao contrário? O peso da reciprocidade nas relações entre pessoas, países ou religiões sempre foi, e é, fundamental para explicar a sua natureza pacífica ou conflitual. E se, em lugar dos muçulmanos na Suíça que querem adornar as suas mesquitas com minaretes, se desse o caso de uma comunidade cristã no Egipto pretender erigir um lugar de culto? O trabalho de Margarida Santos Lopes (...) mostra-nos o outro lado do espelho e revela-nos como esse direito básico seria recusado. Quando se ouvem as declarações indignadas de altas figuras do mundo islâmico a vituperar o referendo na suíça só podemos, pois, reparar que nesta relação não há reciprocidade e que só a hipocrisia pode justificar estas críticas.
Quer isto dizer que devemos apaziguar o nosso desconforto pelo que se passou na Suíça? Não, pelo contrário. Por muito que a perseguição a minorias religiosas persista no Irão ou na Indonésia, não se pode aceitar que essa realidade justifique a intolerância dos suíços. A Europa sofreu demais com guerras religiosas para não ter aprendido a conviver com as diferenças. Apesar do relativismo e do politicamente correcto, é essa forma de ver o mundo, aberta e sem dogmas, que sublina a superioridade dos valores ocidentais.
Para ler o trabalho de Margarida Santos Lopes:
* Quando o apartheid religioso critica a islamofobia
* Religiões Proíbidas
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
Caledário Inter-Religioso e Civil 2010
À semelhança do que aconteceu no ano passado, foi publicado o Calendário Inter-Religioso de 2010 pelas Edições Paulinas. Esta iniciativa teve o apoio do ACIDI e a colaboração de diversas comunidades religiosas radicadas em Portugal. Contém os feriados não só do Cristianismo, mas também do Islão, do Judaísmo, do Budismo, do Hinduísmo, da Fé Bahá'í e do calendário Chinês. Além disso inclui várias datas especiais dos calendário civil, como os dias nacionais dos diversos Estados da União Europeia e diversas datas especiais invocadas pelas Nações Unidas para chamar a atenção para problemas mundiais.
(clique nas imagens para aumentar)
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terça-feira, 22 de dezembro de 2009
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Um bom escritor é um escritor morto.
Nos últimos trinta anos, o Irão foi palco de eventos marcantes (revolução, guerra com o Iraque, purgas políticas e religiosas, censura, dificuldades económicas), que tiveram efeitos dramáticos em largos sectores da sociedade. O exílio a que se viram forçados muitos intelectuais iranianos deu a conhecer ao mundo ocidental uma cultura que atravessa um verdadeiro renascimento em diversas áreas: literatura, música, cinema, e noutras formas de arte.
Os novos rumos que tem tomado a literatura iraniana são difíceis de apreciar, uma vez que escasseiam entre nós as traduções de autores daquele país. Por esse motivo, merece destaque a recente publicação do livro Um bom escritor é um escritor morto (Editora Novavega); trata-se de uma antologia de autores iranianos que nos apresenta uma amostra dos melhores contos e excertos de romances escritos dentro e fora do Irão, desde a revolução.
Esta obra divide-se em duas partes; na primeira encontramos escritores já publicados e estabelecidos antes da revolução e que continuaram a escrever depois dela, como Mahmud Dowlatabadi, Hushgang Golshiri, Simin Daneshvar (a primeira mulher romancista), Nassim Khaksar e Iraj Pezeshkad. Na segunda parte, surgem escritores que começaram a escrever, publicar e a ser lidos depois da revolução. Este grupo diversificado aborda temas novos e tabu, ancorados em situações menos ideológicas. Figuram neste grupo Reza Daneshavar, Farkondeh Aghai, Assghar Abdollahi, Seyyed Ebrahim Nabavi, Shahriyar Mandanipur, Ghazi Rabihavi e Goli Taraghi.
Para quem deseja compreender a cultura iraniana, para quem gostaria de perceber um pouco melhor o mundo em que se movimenta a comunidade bahá'í iraniana, para a diáspora iraniana, esta é uma obra que se recomenda.
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Ética Climática: o tema central na Conferência de Copenhaga
"Quando um representante de um país afirma: «Eu não vou tomar medidas para reduzir as emissões de carbono porque isso vai prejudicar a economia», cada vez mais pessoas levantam a pergunta lógica: «Então, isso significa que vocês não têm obrigações fora das vossas fronteira?». Desta forma, todo o discurso sobre a ética climática está a chamar a atenção para as obrigações internacionais que os países têm em relação uns aos outros."
Foi com estas palavras que Peter Adriance - membro da delegação Baha'i presente na Conferência de Copenhaga - exemplificou a forma como os debates sobre alterações climáticas aspectos devem ser considerados para lá dos limites da política interna.
"Já não existe apenas um pequeno grupo que fala sobre as dimensões éticas e morais da questão - essas ideias estão a tornar-se parte do discurso em Copenhaga", disse Duncan Hanks, director-executivo da Canadian International Development Agency Baha'i. "Ouvimos isso de pessoas na tribuna, nas discussões nos corredores, e vemo-lo em cartazes que dizem coisas como «Justiça Climática Agora»", acrescentou.
A Conferência da ONU sobre Alterações Climáticas pretendia estabelecer um novo acordo internacional para reduzir as emissões globais de dióxido de carbono e outros gases que causam o efeito de estufa. Esse novo pacto deveria substituir o Protocolo de Quioto, que expira em 2012. Além governantes e negociadores de 192 países, a Conferência atraiu participantes de organismos internacionais, a comunicação social, e um conjunto de organizações, que vão desde grupos ambientais a empresas.
A delegação da Comunidade Internacional Bahá'í - registada nas Nações Unidas como uma organização internacional não-governamental - era constituída por cerca de 20 pessoas. Tahirih Naylor, uma representante Baha'i na ONU, afirmou que muitas das dificuldades encontradas durante a Conferência serviram para destacar a necessidade de cooperação internacional para proteger o ambiente.
"Enfrentar as alterações climáticas exige preocupação com o bem-estar de toda a humanidade acima dos interesses nacionais ", disse ela. "As descobertas científicas não devem ser distorcidas para servir objectivos políticos. Quaisquer que sejam as divergências sobre os motivos das alterações climáticas, é claro que a protecção do nosso ambiente deve ser vista, não só em termos técnicos e económicos, mas também como um desafio ético e moral para o mundo inteiro".
Ela concordou que as declarações dos governantes, representantes da sociedade civil, e outros fazem cada vez mais referências à importância da justiça e da moralidade no tratamento de questões relacionadas com a protecção do ambiente.
Na conferência de imprensa da Declaração Inter-Religiosa sobre Alterações Climáticas, realizada como parte do evento de Copenhaga, a Sra Naylor declarou que "é fundamental que as religiões se unam em torno desta questão, para apelar à acção dos líderes mundiais, e também para agir dentro das nossas próprias comunidades".
"Sentimos que as alterações climáticas desafiam a humanidade a subir para o próximo nível da nossa maturidade colectiva, uma maturidade que nos convida a aceitar a nossa unidade fundamental, o facto de sermos um só povo que vive num planeta finito, que somos todos irmãos e irmãs ", disse ela.
"Reconhecemos que a busca pela justiça climática não é uma competição por recursos limitados", disse ela, "mas parte de um processo gradual em direcção a níveis superiores de unidade entre as nações..."
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FONTE: Climate ethics is talking point at Copenhagen Conference (BWNS)
Foi com estas palavras que Peter Adriance - membro da delegação Baha'i presente na Conferência de Copenhaga - exemplificou a forma como os debates sobre alterações climáticas aspectos devem ser considerados para lá dos limites da política interna.
"Já não existe apenas um pequeno grupo que fala sobre as dimensões éticas e morais da questão - essas ideias estão a tornar-se parte do discurso em Copenhaga", disse Duncan Hanks, director-executivo da Canadian International Development Agency Baha'i. "Ouvimos isso de pessoas na tribuna, nas discussões nos corredores, e vemo-lo em cartazes que dizem coisas como «Justiça Climática Agora»", acrescentou.
A Conferência da ONU sobre Alterações Climáticas pretendia estabelecer um novo acordo internacional para reduzir as emissões globais de dióxido de carbono e outros gases que causam o efeito de estufa. Esse novo pacto deveria substituir o Protocolo de Quioto, que expira em 2012. Além governantes e negociadores de 192 países, a Conferência atraiu participantes de organismos internacionais, a comunicação social, e um conjunto de organizações, que vão desde grupos ambientais a empresas.
Tahirih Naylor, a representante da Comunidade Bahá'í, na conferência de imprensa
de apresentação da Declaração Inter-Religiosa sobre Alterações Climáticas
de apresentação da Declaração Inter-Religiosa sobre Alterações Climáticas
A delegação da Comunidade Internacional Bahá'í - registada nas Nações Unidas como uma organização internacional não-governamental - era constituída por cerca de 20 pessoas. Tahirih Naylor, uma representante Baha'i na ONU, afirmou que muitas das dificuldades encontradas durante a Conferência serviram para destacar a necessidade de cooperação internacional para proteger o ambiente.
"Enfrentar as alterações climáticas exige preocupação com o bem-estar de toda a humanidade acima dos interesses nacionais ", disse ela. "As descobertas científicas não devem ser distorcidas para servir objectivos políticos. Quaisquer que sejam as divergências sobre os motivos das alterações climáticas, é claro que a protecção do nosso ambiente deve ser vista, não só em termos técnicos e económicos, mas também como um desafio ético e moral para o mundo inteiro".
Ela concordou que as declarações dos governantes, representantes da sociedade civil, e outros fazem cada vez mais referências à importância da justiça e da moralidade no tratamento de questões relacionadas com a protecção do ambiente.
Na conferência de imprensa da Declaração Inter-Religiosa sobre Alterações Climáticas, realizada como parte do evento de Copenhaga, a Sra Naylor declarou que "é fundamental que as religiões se unam em torno desta questão, para apelar à acção dos líderes mundiais, e também para agir dentro das nossas próprias comunidades".
"Sentimos que as alterações climáticas desafiam a humanidade a subir para o próximo nível da nossa maturidade colectiva, uma maturidade que nos convida a aceitar a nossa unidade fundamental, o facto de sermos um só povo que vive num planeta finito, que somos todos irmãos e irmãs ", disse ela.
"Reconhecemos que a busca pela justiça climática não é uma competição por recursos limitados", disse ela, "mas parte de um processo gradual em direcção a níveis superiores de unidade entre as nações..."
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FONTE: Climate ethics is talking point at Copenhagen Conference (BWNS)
Julgamento marcado para 12 de Janeiro
Os advogados dos sete dirigentes bahá'ís iranianos receberam uma notificação formal, indicando que a data do julgamento será 12 de Janeiro de 2010. Os cinco homens e duas mulheres encontram-se detidos na prisão de Evin, em Teerão, há mais de um ano e meio. Antes de serem detidos formavam uma comissão informal que tentava dar resposta às necessidades sociais e espirituais dos 300.000 bahá'ís iranianos.
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Youth at the 2009 Parliament of the World's Religions
Parliament of the World's Religions at Melbourne, Australia 3-9, 2009 - invitation to the youth of the world! Young Australians discuss their faith and interreligious, interfaith dialogue. Muslim, aboriginal catholics, baha'i,Christian and Buddhist believers talk about the need for interreligious dialogue and relationships at the Melbourne 2009 Parliament of the World's Religions.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
24 horas na vida de uma família Bahá'í
É o titulo de um artigo de duas páginas na revista Le Monde des Religions (Nov/Dec, 2009). Os princípios Baha'is orientam o dia-a-dia de um casal. Ele é iraniano; ela é brasileira. Vivem em França e têm duas filhas adolescentes.
Aqui fica o scan do artigo (clique nas imagens para ampliar).
Aqui fica o scan do artigo (clique nas imagens para ampliar).
domingo, 13 de dezembro de 2009
Fernando Nobre
Fernando Nobre, presidente e fundador da AMI, ontem na revista Única.
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(...)
O meu maior grito é, hoje, o apelo por uma cidadania global solidária. Sem o pilar de uma cidadania forte não vejo solução para os problemas. Embora, no país, tenhamos fenómenos só nossos, também estamos submetidos aos grandes fenómenos globais. Por isso, a cidadania tem de ser global, senão também não abarcamos a dimensão dos problemas.
Cidadania global com um governo global?
Eu sou daqueles que sonho... Há mais de trinta anos, tinha 20, estava eu, jovem, na faculdade em Bruxelas, pensava nisso, que um dia gostaria de ter no meu passaporte só terrestre.
Acha possível?
Não será para a minha vivência, mas acho que par aos meus netos e bisnetos... Penso que haverá, esse é o meu sonho, um governo global liderado por valores éticos e posturas como a de homens e mulheres do género de um Gandhi, de um Nelson Mandela, de uma Madre Teresa, de um Martin Luther King, enfim, de pessoas que foram verdadeiras luzes. Pessoas, umas 20, seleccionadas no quatro cantos do mundo, pessoas de grande gabarito moral, ético, e também, intelectual, que dariam orientações para o caminhar.
(...)
... eu diria que estamos a assistir a um paradoxo. E eu tenho quatro filhos, sou professor e analiso uma nova geração. Por um lado, uma grande preocupação quanto a questões ambientais, por outro lado uma grande inquietação sobre o seu futuro económico e entrada no mercado laboral, estamos a viver transformações extremamente profundas e eles estão entalados entre duas tendências. Eu estou esperançado de que esta nova geração, a bem ou a mal, também não lhe vai restar muitas alternativas, vai ter que resolver as coisas que a, infelizmente, a minha geração deixou agravarem-se para lá de um limite aceitável, porque infelizmente se acomodou e alguma liderança entrou, ouso dizê-lo, em perfeito desvario. Se não for em nome do humanismo que seja em nome da inteligência, que já tem a ver com segurança e estabilidade social.
(...)
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(...)
O meu maior grito é, hoje, o apelo por uma cidadania global solidária. Sem o pilar de uma cidadania forte não vejo solução para os problemas. Embora, no país, tenhamos fenómenos só nossos, também estamos submetidos aos grandes fenómenos globais. Por isso, a cidadania tem de ser global, senão também não abarcamos a dimensão dos problemas.
Cidadania global com um governo global?
Eu sou daqueles que sonho... Há mais de trinta anos, tinha 20, estava eu, jovem, na faculdade em Bruxelas, pensava nisso, que um dia gostaria de ter no meu passaporte só terrestre.
Acha possível?
Não será para a minha vivência, mas acho que par aos meus netos e bisnetos... Penso que haverá, esse é o meu sonho, um governo global liderado por valores éticos e posturas como a de homens e mulheres do género de um Gandhi, de um Nelson Mandela, de uma Madre Teresa, de um Martin Luther King, enfim, de pessoas que foram verdadeiras luzes. Pessoas, umas 20, seleccionadas no quatro cantos do mundo, pessoas de grande gabarito moral, ético, e também, intelectual, que dariam orientações para o caminhar.
(...)
... eu diria que estamos a assistir a um paradoxo. E eu tenho quatro filhos, sou professor e analiso uma nova geração. Por um lado, uma grande preocupação quanto a questões ambientais, por outro lado uma grande inquietação sobre o seu futuro económico e entrada no mercado laboral, estamos a viver transformações extremamente profundas e eles estão entalados entre duas tendências. Eu estou esperançado de que esta nova geração, a bem ou a mal, também não lhe vai restar muitas alternativas, vai ter que resolver as coisas que a, infelizmente, a minha geração deixou agravarem-se para lá de um limite aceitável, porque infelizmente se acomodou e alguma liderança entrou, ouso dizê-lo, em perfeito desvario. Se não for em nome do humanismo que seja em nome da inteligência, que já tem a ver com segurança e estabilidade social.
(...)
Religiões com estrutura conjunta na assistência hospitalar
Notícia de hoje no Público.
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É ainda prematuro, mas o coordenador dos capelães católicos dos hospitais, padre José Nuno, espera que terça-feira se dê o primeiro passo para uma estrutura conjunta de assistência espiritual nos hospitais. Uma reunião em Lisboa juntará responsáveis de vários credos religiosos e dela pode sair, além de uma declaração conjunta, a ideia de uma associação conjunta de capelães e assistentes espirituais.
"Seria desejável criar essa estrutu-ra", diz ao PÚBLICO o padre José Nu-no. Da reunião de terça-feira, que decorre na Universidade Católica e contará com a ministra da Saúde na sessão de encerramento, pode sair a ideia de um segundo encontro para decisões futuras, acrescenta.
A ideia do encontro, que congrega representantes de uma dezena de diferentes confissões religiosas, partiu da estrutura católica de capelães. Pretende debater a aplicação do Decreto-Lei n.º 253/2009, de 23 de Setembro, que regulamenta a assistência espiritual e religiosa nos estabelecimentos do Serviço Nacional de Saúde.
O padre José Nuno não quer, no entanto, ficar pelas confissões religiosas: "Seria desejável que, num processo de alargamento progressivo, a assistência espiritual pudesse agregar entidades agnósticas e ateias, pois a dimensão espiritual da doença vai muito além da questão religiosa". Ao mesmo tempo, dado que a nova regulamentação não prevê nenhuma estrutura representativa junto do Ministério da Saúde, a criação de uma associação inter-religiosa permitiria ultrapassar essa ausência, prevê José Nuno.
Para já, estão confirmadas as participações de representantes católicos, do Conselho Português de Igrejas Cristãs (protestantes), da Aliança Evangélica Portuguesa, de várias igrejas cristãs ortodoxas (várias delas com implantação importante junto das comunidades imigrantes de Leste), Comunidade Israelita, Comunidade Islâmica, Comunidade Hindu, União Budista e Comunidade Bahá'í.
O presidente da Comissão de Liberdade Religiosa, Mário Soares, também convidado, não pôde estar presente. Mas, em carta enviada ao padre José Nuno, considerou a iniciativa importante, por contribuir "para o debate em torno de questões fundamentais como a liberdade e a tolerância religiosas".
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É ainda prematuro, mas o coordenador dos capelães católicos dos hospitais, padre José Nuno, espera que terça-feira se dê o primeiro passo para uma estrutura conjunta de assistência espiritual nos hospitais. Uma reunião em Lisboa juntará responsáveis de vários credos religiosos e dela pode sair, além de uma declaração conjunta, a ideia de uma associação conjunta de capelães e assistentes espirituais.
"Seria desejável criar essa estrutu-ra", diz ao PÚBLICO o padre José Nu-no. Da reunião de terça-feira, que decorre na Universidade Católica e contará com a ministra da Saúde na sessão de encerramento, pode sair a ideia de um segundo encontro para decisões futuras, acrescenta.
A ideia do encontro, que congrega representantes de uma dezena de diferentes confissões religiosas, partiu da estrutura católica de capelães. Pretende debater a aplicação do Decreto-Lei n.º 253/2009, de 23 de Setembro, que regulamenta a assistência espiritual e religiosa nos estabelecimentos do Serviço Nacional de Saúde.
O padre José Nuno não quer, no entanto, ficar pelas confissões religiosas: "Seria desejável que, num processo de alargamento progressivo, a assistência espiritual pudesse agregar entidades agnósticas e ateias, pois a dimensão espiritual da doença vai muito além da questão religiosa". Ao mesmo tempo, dado que a nova regulamentação não prevê nenhuma estrutura representativa junto do Ministério da Saúde, a criação de uma associação inter-religiosa permitiria ultrapassar essa ausência, prevê José Nuno.
Para já, estão confirmadas as participações de representantes católicos, do Conselho Português de Igrejas Cristãs (protestantes), da Aliança Evangélica Portuguesa, de várias igrejas cristãs ortodoxas (várias delas com implantação importante junto das comunidades imigrantes de Leste), Comunidade Israelita, Comunidade Islâmica, Comunidade Hindu, União Budista e Comunidade Bahá'í.
O presidente da Comissão de Liberdade Religiosa, Mário Soares, também convidado, não pôde estar presente. Mas, em carta enviada ao padre José Nuno, considerou a iniciativa importante, por contribuir "para o debate em torno de questões fundamentais como a liberdade e a tolerância religiosas".
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
Parlamento das Religiões: um apelo à tolerância
Como podem o diálogo inter-religioso e a liberdade religiosa florescer quando uma religião declara que outra religião é falsa? Serão a tolerância e a cooperação apenas possíveis entre pessoas que partilham a mesma visão doutrinária do mundo?
Estas questões foram colocadas por uma representante da comunidade Baha'i da Austrália numa das sessões no Parlamento das Religiões do Mundo, que terminou em Melbourne, após uma semana de palestras, painéis de discussão, programas devocionais, e apresentações artísticas.
A Dra. Natalie Mobini fez os seus comentários durante uma apresentação de 30 minutos no quinto dia do Parlamento, no âmbito de uma sessão sobre os conflitos religiosos e perseguições que incidiu sobre Mianmar, Tailândia e Irão.
Reflectindo sobre as origens do movimento inter-religioso - em especial o primeiro Parlamento das Religiões, em 1893 - a Dra. Mobini recordou como o seu principal organizador acreditava que tinha "emancipado o mundo da intolerância."
"O movimento inter-religioso continuou a ser inspirado pela visão de um mundo em que os seguidores de diferentes religiões são capazes não apenas para se envolver num espírito de tolerância e respeito, mas também colaborar na contribuição para o avanço da sociedade", afirmou.
"Simultaneamente, os estragos que a intolerância religiosa continua a causar no nosso mundo colocam agora uma ameaça mais grave ao progresso e ao bem-estar da humanidade do que em qualquer outro momento da história".
A Dra. Mobini abordou a forma como o movimento inter-religioso poderia encorajar o respeito mútuo e a cooperação entre os seguidores de todas as religiões e crenças. Também questionou como o diálogo pode ocorrer quando se dá uma tentativa de deslegitimar outra religião devido a diferenças teológicas.
No caso do Irão, os resultados de tal atitude incluíram a prisão dos líderes da comunidade Baha'i, a profanação de seus cemitérios, e a destruição dos seus locais sagrados.
Referindo-se ao facto do Governo Iraniano negar que a Fé Bahá'í é uma religião, Dra. Mobini perguntou: "Não é isto o mesmo que aconteceu no passado, quando o Cristianismo afirmou que o Islão não é uma religião verdadeira?"
"As vidas perdidas durante as Cruzadas são o ápice do preconceito que moldou as atitudes dos cristãos em relação aos muçulmanos nos séculos passados porque o cristianismo não reconhece o Islão como uma religião divina ", observou ela.
"Hoje, porém, os cristãos foram capazes de superar transcender essa intolerância, sem comprometer as suas próprias crenças teológicas e estabeleceram um diálogo inter-religioso com os muçulmanos com uma atitude de mente aberta. O mundo precisa de aprender com isso."
A Dra. Mobini citou exemplos de lideres muçulmanos e de outras religiões que têm mantido diálogo respeitoso e colaboram com os outros, apesar das diferenças teológicas. "Não deveriam todos procurar encontrar, no contexto específico das suas crenças, uma forma de anular pretensões exclusivistas, a fim de colaborar com os seguidores das religiões cujas crenças são diferentes?", perguntou.
"No caso do Irão, da Fé Bahá'í não precisa ser reconhecida como tendo uma origem divina", continuou a Dra. Mobini, "mas simplesmente pede que o facto de sua existência seja aceite e os direitos dos seus seguidores apoiados."
Respondendo a uma pergunta da audiência sobre as acções que os indivíduos podem tomar para combater os casos de abusos de direitos humanos, ela respondeu que o apoio do movimento inter-religioso foi apreciado. Acrescentou que a transformação das atitudes começa nas bases e instou as pessoas a levar o espírito do Parlamento para suas comunidades.
Mais de 5.000 pessoas de cerca de 80 países participaram do Parlamento, que decorreu entre Dezembro de 3 a 9. Cerca de 70 membros da comunidade Baha'i desempenharam um papel activo nos trabalhos, incluindo a participação em painéis de debate com membros de outras religiões, incluindo o Budismo, Cristianismo, Judaísmo, Hinduísmo e Islão, bem como as crenças e tradições indígenas.
"É evidente que existe um número crescente de pessoas que vão percebendo que a verdade subjacente a todas as religiões é uma só, na sua essência," acrescentou a Dra. Mobini. "Este é o desafio de todos nós e para todos que desejam superar a intolerância e o ódio religioso: como viver a 'regra de ouro", que está no coração de cada uma das religiões do mundo, incitando-nos a tratar os seguidores de outras religiões como nós gostaríamos de ser tratados".
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FONTE: Appeal for tolerance at Parliament of the World's Religions (BWNS)
Estas questões foram colocadas por uma representante da comunidade Baha'i da Austrália numa das sessões no Parlamento das Religiões do Mundo, que terminou em Melbourne, após uma semana de palestras, painéis de discussão, programas devocionais, e apresentações artísticas.
A Dra. Natalie Mobini fez os seus comentários durante uma apresentação de 30 minutos no quinto dia do Parlamento, no âmbito de uma sessão sobre os conflitos religiosos e perseguições que incidiu sobre Mianmar, Tailândia e Irão.
A Dra Natalie Mobini usando da palavra durante o Parlamento das Religiões.
Reflectindo sobre as origens do movimento inter-religioso - em especial o primeiro Parlamento das Religiões, em 1893 - a Dra. Mobini recordou como o seu principal organizador acreditava que tinha "emancipado o mundo da intolerância."
"O movimento inter-religioso continuou a ser inspirado pela visão de um mundo em que os seguidores de diferentes religiões são capazes não apenas para se envolver num espírito de tolerância e respeito, mas também colaborar na contribuição para o avanço da sociedade", afirmou.
"Simultaneamente, os estragos que a intolerância religiosa continua a causar no nosso mundo colocam agora uma ameaça mais grave ao progresso e ao bem-estar da humanidade do que em qualquer outro momento da história".
A Dra. Mobini abordou a forma como o movimento inter-religioso poderia encorajar o respeito mútuo e a cooperação entre os seguidores de todas as religiões e crenças. Também questionou como o diálogo pode ocorrer quando se dá uma tentativa de deslegitimar outra religião devido a diferenças teológicas.
No caso do Irão, os resultados de tal atitude incluíram a prisão dos líderes da comunidade Baha'i, a profanação de seus cemitérios, e a destruição dos seus locais sagrados.
Referindo-se ao facto do Governo Iraniano negar que a Fé Bahá'í é uma religião, Dra. Mobini perguntou: "Não é isto o mesmo que aconteceu no passado, quando o Cristianismo afirmou que o Islão não é uma religião verdadeira?"
"As vidas perdidas durante as Cruzadas são o ápice do preconceito que moldou as atitudes dos cristãos em relação aos muçulmanos nos séculos passados porque o cristianismo não reconhece o Islão como uma religião divina ", observou ela.
"Hoje, porém, os cristãos foram capazes de superar transcender essa intolerância, sem comprometer as suas próprias crenças teológicas e estabeleceram um diálogo inter-religioso com os muçulmanos com uma atitude de mente aberta. O mundo precisa de aprender com isso."
A Dra. Mobini citou exemplos de lideres muçulmanos e de outras religiões que têm mantido diálogo respeitoso e colaboram com os outros, apesar das diferenças teológicas. "Não deveriam todos procurar encontrar, no contexto específico das suas crenças, uma forma de anular pretensões exclusivistas, a fim de colaborar com os seguidores das religiões cujas crenças são diferentes?", perguntou.
Entrevista com a Dra Mobini, durante o Parlamento das Religiões.
"No caso do Irão, da Fé Bahá'í não precisa ser reconhecida como tendo uma origem divina", continuou a Dra. Mobini, "mas simplesmente pede que o facto de sua existência seja aceite e os direitos dos seus seguidores apoiados."
Respondendo a uma pergunta da audiência sobre as acções que os indivíduos podem tomar para combater os casos de abusos de direitos humanos, ela respondeu que o apoio do movimento inter-religioso foi apreciado. Acrescentou que a transformação das atitudes começa nas bases e instou as pessoas a levar o espírito do Parlamento para suas comunidades.
Mais de 5.000 pessoas de cerca de 80 países participaram do Parlamento, que decorreu entre Dezembro de 3 a 9. Cerca de 70 membros da comunidade Baha'i desempenharam um papel activo nos trabalhos, incluindo a participação em painéis de debate com membros de outras religiões, incluindo o Budismo, Cristianismo, Judaísmo, Hinduísmo e Islão, bem como as crenças e tradições indígenas.
"É evidente que existe um número crescente de pessoas que vão percebendo que a verdade subjacente a todas as religiões é uma só, na sua essência," acrescentou a Dra. Mobini. "Este é o desafio de todos nós e para todos que desejam superar a intolerância e o ódio religioso: como viver a 'regra de ouro", que está no coração de cada uma das religiões do mundo, incitando-nos a tratar os seguidores de outras religiões como nós gostaríamos de ser tratados".
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FONTE: Appeal for tolerance at Parliament of the World's Religions (BWNS)
O Primeiro Templo Bahá'í
Este vídeo apresenta imagens raras do primeiro templo Baha'i, construída em Ashkhabad (actual Turcomenistão). Este templo, que hoje já não existe, tinha ao seu redor outros edifícios propriedade da comunidade Baha'i: uma escola, um hospital e uma casa de hóspedes. Nos anos seguintes à Revolução Comunista, quase todos os Baha'is foram exilados ou deportados; os homens para a Sibéria e as mulheres e crianças para o Irão. Ainda hoje existem Baha'is em Ashkhabad, mas o Governo não reconhece formalmente a Fé Bahá'í.
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Revista TIME - Detenção dos Dirigentes Baha'is iranianos é uma das principais notícias de 2009
A conhecida e influente revista americana TIME classificou a detenção dos dirigentes Bahá’ís iranianos como uma das 10 principais histórias de 2009, no tema da religião.
Aqui fica a tradução do texto publicado.
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PROIBIR OS BAHA’IS
Por Amy Sullivan
O governo do Irão deteve sete dirigentes da Fé Baha’i – uma religião monoteísta fundada no século XIX, na Pérsia – na prisão durante mais de um ano sem acusação formal, acesso a advogados ou julgamento. A tradição Baha’i é ilegal no Irão e alguns responsáveis governamentais argumentam que os prisioneiros são culpados de espionagem a favor de Israel ou insultos ao Islão. Por várias vezes o governo marcou audições de pena capital para os sete, e cancelou-as à última hora. "As acusações contra estes Bahá’ís não têm qualquer fundamento e são um pretexto para a perseguição e hostilização de uma minoria religiosa desfavorecida", afirmou Leonard Leo, presidente da Comissão de Liberdade Religiosa Internacional dos EUA, que exigiu a sua libertação. No início de Dezembro, os dirigentes Baha’is permaneciam na prisão e sem julgamento marcado.
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Ler notícia em inglês aqui:
Aqui fica a tradução do texto publicado.
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PROIBIR OS BAHA’IS
Por Amy Sullivan
O governo do Irão deteve sete dirigentes da Fé Baha’i – uma religião monoteísta fundada no século XIX, na Pérsia – na prisão durante mais de um ano sem acusação formal, acesso a advogados ou julgamento. A tradição Baha’i é ilegal no Irão e alguns responsáveis governamentais argumentam que os prisioneiros são culpados de espionagem a favor de Israel ou insultos ao Islão. Por várias vezes o governo marcou audições de pena capital para os sete, e cancelou-as à última hora. "As acusações contra estes Bahá’ís não têm qualquer fundamento e são um pretexto para a perseguição e hostilização de uma minoria religiosa desfavorecida", afirmou Leonard Leo, presidente da Comissão de Liberdade Religiosa Internacional dos EUA, que exigiu a sua libertação. No início de Dezembro, os dirigentes Baha’is permaneciam na prisão e sem julgamento marcado.
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Ler notícia em inglês aqui:
domingo, 6 de dezembro de 2009
Parlamento das Religiões - Melbourne (Austrália)
Mais de 8000 pessoas, de praticamente todas as religiões e confissões religiosas, encontram-se reunidas em Melbourne (Austrália), entre 3 e 9 de Dezembro, para participar no Parlamento das Religiões do Mundo. Este evento decorre de cinco em cinco anos, e é inspirado numa iniciativa semelhante lançada há um século atrás. Entre os participantes, são aguardadas figuras de relevância internacional como o Dalai Lama e o teólogo Hans Kung.
Cerca de 70 Baha'is estão presentes neste evento, participando em praticamente todas as actividades do parlamento - desde os debates sobre alterações climáticas e relações inter-religiosas, às apresentações artísticas e reuniões devocionais. Recorde-se que uma das primeiras vezes que a Fé Baha'i foi referida em público no Ocidente, foi precisamente no Parlamento das Religiões, realizado em Chicago, em 1893.
"Esse primeiro encontro [em 1893] que representa, de alguma forma, o início do movimento inter-religioso, criou a esperança de um espírito de unidade entre as religiões", afirmou a Dra. Natalie Mobini, porta-voz da Comunidade Baha'i da Austrália.
"O principal organizador afirmou posteriormente que o mundo se tinha emancipado da intolerância", afirmou a Dra Mobini. "No início, houve de facto sinais de mudança. Mas é óbvio que temos muito trabalho a fazer para alcançar o nosso objectivo comum de estabelecer fraternidade e paz."
"A crença de que todas as grandes religiões vem de Deus e fazem parte do Seu plano para a humanidade é um princípio central da Fé Bahá'í", continuou a Dra Mobini. “Consequentemente, o trabalho para fortalecer os laços entre as diferentes religiões, é uma área de actividade pela qual nos sentimos apaixonados".
Entre os participantes Baha'is do evento em Melbourne estão:
- O professor Brian Lepard, um especialista em direitos humanos da Universidade de Nebraska, nos Estados Unidos, que está a analisar, numa perspectiva Baha'i, o conceito de direito ao desenvolvimento.
- O Dr. AK Merchant, membro da Comunidade Baha'i da Índia que deverá intervir na mesma sessão.
- Lucretia Warren, uma Baha'i do Botswana, e oradora nos últimos dois parlamentos, que deverá participar na sessão "Diálogo inter-religioso e o Futuro de África".
- Kevin Locke, um nativo americano, artista de dança Lakota Hoop, que conduzirá uma sessão intitulada "Não existem lugares na última fila do Hoop da Vida".
- Os autores britânicos Moojan Momen e Wendi Momen, que farão intervenções num painel sobre "Construir a Paz na busca da Justiça: Uma Abordagem Baha'i ".
- Arini Beaumaris, uma Baha'i australiana, que falará sobre "Espiritualidade e Liderança da Mulher."
- Os artistas Shadi e Shidan Toloui-Wallace que actuarão durante o concerto de música sacra, agendado para a noite de 6 de Dezembro.
Outros Baha'is farão apresentações sobre temas ambientais, consistentes com o tema central do parlamento: "Fazer um mundo de diferença: ouvirmo-nos uns aos outros e curar o planeta".
"A cura física do planeta... exige que abordemos princípios espirituais", afirmou a Dra Mobini.
Os Baha'is da Austrália realizarão um evento aberto a todos os participantes no Parlamento: uma sessão de música teatro e dança com artistas nacionais e estrangeiros, e apresentações sobre temas como a viagem da alma e o papel das mulheres no diálogo inter-religioso.
O actual Parlamento das Religiões iniciou-se em 1993, em Chicago, cem anos depois do evento original. Em 1999 teve lugar na Cidade do Cabo, e em 2004 realizou-se em Barcelona.
Mais informações sobre o Parlamento das Religiões aqui.
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FONTE: Parliament of the World's Religions under way in Melbourne (BWNS)
Cerca de 70 Baha'is estão presentes neste evento, participando em praticamente todas as actividades do parlamento - desde os debates sobre alterações climáticas e relações inter-religiosas, às apresentações artísticas e reuniões devocionais. Recorde-se que uma das primeiras vezes que a Fé Baha'i foi referida em público no Ocidente, foi precisamente no Parlamento das Religiões, realizado em Chicago, em 1893.
Lucretia Warren (Botswana), Kevin Locke(EUA), e Brian Lepard(EUA)
"Esse primeiro encontro [em 1893] que representa, de alguma forma, o início do movimento inter-religioso, criou a esperança de um espírito de unidade entre as religiões", afirmou a Dra. Natalie Mobini, porta-voz da Comunidade Baha'i da Austrália.
"O principal organizador afirmou posteriormente que o mundo se tinha emancipado da intolerância", afirmou a Dra Mobini. "No início, houve de facto sinais de mudança. Mas é óbvio que temos muito trabalho a fazer para alcançar o nosso objectivo comum de estabelecer fraternidade e paz."
"A crença de que todas as grandes religiões vem de Deus e fazem parte do Seu plano para a humanidade é um princípio central da Fé Bahá'í", continuou a Dra Mobini. “Consequentemente, o trabalho para fortalecer os laços entre as diferentes religiões, é uma área de actividade pela qual nos sentimos apaixonados".
Entre os participantes Baha'is do evento em Melbourne estão:
- O professor Brian Lepard, um especialista em direitos humanos da Universidade de Nebraska, nos Estados Unidos, que está a analisar, numa perspectiva Baha'i, o conceito de direito ao desenvolvimento.
- O Dr. AK Merchant, membro da Comunidade Baha'i da Índia que deverá intervir na mesma sessão.
- Lucretia Warren, uma Baha'i do Botswana, e oradora nos últimos dois parlamentos, que deverá participar na sessão "Diálogo inter-religioso e o Futuro de África".
- Kevin Locke, um nativo americano, artista de dança Lakota Hoop, que conduzirá uma sessão intitulada "Não existem lugares na última fila do Hoop da Vida".
- Os autores britânicos Moojan Momen e Wendi Momen, que farão intervenções num painel sobre "Construir a Paz na busca da Justiça: Uma Abordagem Baha'i ".
- Arini Beaumaris, uma Baha'i australiana, que falará sobre "Espiritualidade e Liderança da Mulher."
- Os artistas Shadi e Shidan Toloui-Wallace que actuarão durante o concerto de música sacra, agendado para a noite de 6 de Dezembro.
Outros Baha'is farão apresentações sobre temas ambientais, consistentes com o tema central do parlamento: "Fazer um mundo de diferença: ouvirmo-nos uns aos outros e curar o planeta".
"A cura física do planeta... exige que abordemos princípios espirituais", afirmou a Dra Mobini.
Os Baha'is da Austrália realizarão um evento aberto a todos os participantes no Parlamento: uma sessão de música teatro e dança com artistas nacionais e estrangeiros, e apresentações sobre temas como a viagem da alma e o papel das mulheres no diálogo inter-religioso.
O actual Parlamento das Religiões iniciou-se em 1993, em Chicago, cem anos depois do evento original. Em 1999 teve lugar na Cidade do Cabo, e em 2004 realizou-se em Barcelona.
Mais informações sobre o Parlamento das Religiões aqui.
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FONTE: Parliament of the World's Religions under way in Melbourne (BWNS)
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
As reacções ao referendo sobre os minaretes na Suíça
As reacções ao referendo suíço sobre os minaretes continuam a fazer-se ouvir por todo o mundo. O site da BBC apresentou um apanhado das reacções de diversos jornais europeus, assinalando que o referendo envia um sinal errado ao mundo islâmico, e abre um precedente para outras iniciativas semelhantes na Europa. O Washington Post publicou diversas apreciações feitas por personalidade conhecidas.
Tariq Ramadan, teólogo muçulmano suíço e professor de estudos islâmicos em Oxford, afirmou que o voto suíço foi alimentado pelo medo, acrescentando que os muçulmanos devem procurar uma visibilidade positiva nas sociedades donde estão inseridos.
Daniel Cohn-Bendit, co-presidente da bancada dos Verdes no Parlamento Europeu, sugeriu que os mais ricos dos países muçulmanos retirassem o seu dinheiro dos bancos suíços. Recorde-se que Genebra é um importante centro financeiro e gestor de fortunas, muito procurado pelos petro-monarquias do Golfo.
O debate promete prolongar-se, e levará muita gente a reflectir sobre a importância de valores fundamentais como a liberdade religiosa.
Na chuva de críticas a que temos assistido, convém distinguir aquelas que se baseiam numa preocupação genuína com valores fundamentais, e as que se afiguram como meras manifestações de hipocrisia política. E aqui chamo a atenção para reacções vindas da Indonésia, do Egipto e do Irão.
Em resposta às reacções no mundo islâmico, o próprio Farhad Afshar, coordenador das Organizações Islâmicas na Suíça, apelou à calma: "O mundo islâmico deve respeitar, sem aceitar, a decisão. Mas deve respeitar a decisão suíça. Caso contrário, nós seremos as primeiras vítimas".
Há uma grande diferença entre os protestos dos jornais, teólogos e políticos europeus, e os protestos vindos de países como o Irão, o Egipto, a Arábia Saudita ou a Indonésia. Os europeus tentam viver segundo os princípios da liberdade e do respeito pela dignidade humana; por esse motivo, têm legitimidade moral para protestar contra o resultado do referendo. Mas existe liberdade religiosa existe em países como o Irão, o Egipto, a Arábia Saudita ou a Indonésia? Que legitimidade têm os governos, ou organizações islâmicas desses países, para criticar o voto suíço?
É importante lembrar que as consequências deste referendo são quase insignificantes se comparadas com as restrições colocadas aos não-muçulmanos que pretendem praticar a sua fé em países islâmicos. Para quem não tem isso presente, aqui ficam alguns exemplos:
INDONÉSIA - É um país muçulmano com consideráveis minorias cristãs, hindus, budistas e animistas. Segundo um relatório do departamento de Estado dos EUA, em 2009, registou-se o encerramento violento (ou por intimidação) de 9 igrejas e 12 mesquitas da confissão Ahmadiyya. Além disso, são muitas as igrejas e templos hindus que há muito tentam obter autorização oficial para funcionar. Em várias ocasiões o Governo Indonésio tem impedido a construção de templos por receio que pudesse desencadear violência sectária.
EGIPTO - Tem uma significativa minoria de cristãos coptas. Segundo a lei, as suas igrejas devem receber autorização das comunidades muçulmanas locais para poder construir os seus templos. Muitos desses processos de licenciamento têm sido deliberadamente atrasados, sendo exigidos documentos que são impossíveis de obter. Além disso, não como esquecer a situação dos Bahá'ís a quem foi negado documentos de identidade?
ARÁBIA SAUDITA - A casa do Islão é um dos países com menor liberdade religiosa em todo o mundo. Ali a prática pública de qualquer religião não islâmica é proibida. Cristão e judeus recebem apenas 50% de indemnizações por danos pessoais, e no país não existem qualquer igreja, apesar do culto em residências privadas ser tolerado.
PAQUISTÃO - Apesar da liberdade religiosa estar constitucionalmente garantida, o Governo coloca diversos entraves, tendo-se registado também diversos ataques contra comunidades cristãs e xiitas. O relatório do Departamento de Estado dos EUA menciona que "alastrou a discriminação social contra minorias religiosas". A nível local registam-se "recusas constantes no licenciamento de construção de locais de culto, especialmente para as comunidades Ahmadiyya e Baha'i". O mesmo relatório acrescenta que a "opinião pública impede regularmente que os tribunais protejam as minorias e força os juízes a tomar medidas fortes contra qualquer pretensa ofensa à ortodoxia sunita".
Volto a afirmar que os resultados do referendo são chocantes. Está em causa a liberdade religiosa num país europeu. No entanto, não reconheço qualquer legitimidade às críticas vindas de governos e organizações que não prezam esse valor.
Tariq Ramadan, teólogo muçulmano suíço e professor de estudos islâmicos em Oxford, afirmou que o voto suíço foi alimentado pelo medo, acrescentando que os muçulmanos devem procurar uma visibilidade positiva nas sociedades donde estão inseridos.
Daniel Cohn-Bendit, co-presidente da bancada dos Verdes no Parlamento Europeu, sugeriu que os mais ricos dos países muçulmanos retirassem o seu dinheiro dos bancos suíços. Recorde-se que Genebra é um importante centro financeiro e gestor de fortunas, muito procurado pelos petro-monarquias do Golfo.
O debate promete prolongar-se, e levará muita gente a reflectir sobre a importância de valores fundamentais como a liberdade religiosa.
Na chuva de críticas a que temos assistido, convém distinguir aquelas que se baseiam numa preocupação genuína com valores fundamentais, e as que se afiguram como meras manifestações de hipocrisia política. E aqui chamo a atenção para reacções vindas da Indonésia, do Egipto e do Irão.
- Maskuri Abdillah, o líder da maior organização de islâmica na Indonésia (a nação islâmica mais populosa do mundo) afirmou que o voto reflectia o "ódio" suíço pelo islão e pelos muçulmanos.
- Ali Gomaa, o Grande Mufti do Egipto (próximo do Presidente Hosni Mubarak) declarou que a proibição era uma tentativa de "insultar os sentimentos da comunidade Muçulmana no interior e no exterior da Suíça".
- E o Irão, através do porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Ramin Mehmanparast, considerou o resultado do referendo como uma "acto islamofóbico".
Em resposta às reacções no mundo islâmico, o próprio Farhad Afshar, coordenador das Organizações Islâmicas na Suíça, apelou à calma: "O mundo islâmico deve respeitar, sem aceitar, a decisão. Mas deve respeitar a decisão suíça. Caso contrário, nós seremos as primeiras vítimas".
Há uma grande diferença entre os protestos dos jornais, teólogos e políticos europeus, e os protestos vindos de países como o Irão, o Egipto, a Arábia Saudita ou a Indonésia. Os europeus tentam viver segundo os princípios da liberdade e do respeito pela dignidade humana; por esse motivo, têm legitimidade moral para protestar contra o resultado do referendo. Mas existe liberdade religiosa existe em países como o Irão, o Egipto, a Arábia Saudita ou a Indonésia? Que legitimidade têm os governos, ou organizações islâmicas desses países, para criticar o voto suíço?
É importante lembrar que as consequências deste referendo são quase insignificantes se comparadas com as restrições colocadas aos não-muçulmanos que pretendem praticar a sua fé em países islâmicos. Para quem não tem isso presente, aqui ficam alguns exemplos:
INDONÉSIA - É um país muçulmano com consideráveis minorias cristãs, hindus, budistas e animistas. Segundo um relatório do departamento de Estado dos EUA, em 2009, registou-se o encerramento violento (ou por intimidação) de 9 igrejas e 12 mesquitas da confissão Ahmadiyya. Além disso, são muitas as igrejas e templos hindus que há muito tentam obter autorização oficial para funcionar. Em várias ocasiões o Governo Indonésio tem impedido a construção de templos por receio que pudesse desencadear violência sectária.
EGIPTO - Tem uma significativa minoria de cristãos coptas. Segundo a lei, as suas igrejas devem receber autorização das comunidades muçulmanas locais para poder construir os seus templos. Muitos desses processos de licenciamento têm sido deliberadamente atrasados, sendo exigidos documentos que são impossíveis de obter. Além disso, não como esquecer a situação dos Bahá'ís a quem foi negado documentos de identidade?
ARÁBIA SAUDITA - A casa do Islão é um dos países com menor liberdade religiosa em todo o mundo. Ali a prática pública de qualquer religião não islâmica é proibida. Cristão e judeus recebem apenas 50% de indemnizações por danos pessoais, e no país não existem qualquer igreja, apesar do culto em residências privadas ser tolerado.
PAQUISTÃO - Apesar da liberdade religiosa estar constitucionalmente garantida, o Governo coloca diversos entraves, tendo-se registado também diversos ataques contra comunidades cristãs e xiitas. O relatório do Departamento de Estado dos EUA menciona que "alastrou a discriminação social contra minorias religiosas". A nível local registam-se "recusas constantes no licenciamento de construção de locais de culto, especialmente para as comunidades Ahmadiyya e Baha'i". O mesmo relatório acrescenta que a "opinião pública impede regularmente que os tribunais protejam as minorias e força os juízes a tomar medidas fortes contra qualquer pretensa ofensa à ortodoxia sunita".
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Volto a afirmar que os resultados do referendo são chocantes. Está em causa a liberdade religiosa num país europeu. No entanto, não reconheço qualquer legitimidade às críticas vindas de governos e organizações que não prezam esse valor.
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