sexta-feira, 29 de julho de 2011

Informação sobre orações no Aeroporto de Teerão

No site do “Aeroporto Internacional Iman Khomenei” existem indicações sobre as orações diárias do Judaismo, do Islão e da Fé Bahá’í.

No original em persa lê-se:

نماز در دین بهائی

"هر فرد بهائی بعد از رسیدن به سن بلوغ در آئین بهائی، یعنی ۱۵ سال تمام برای دختر و پسر، طبق احکام دین بهائی که در کتاب اقدس امالکتاب دین بهائی قرار دارد، باید شروع به خواندن نماز نماید.در دین بهائی ۳ نوع نماز واجب وجود دارد و هر شخص مختار است یکی را برای خواندن روزانه انتخاب کند. نماز به صورت جمعی و جماعت نهی شدهاست. نماز میت، نمازی که برای مردگان خوانده میشود، تنها نمازی است که به صورت جماعت برگزار میشود.

Deixo aqui a tradução aproximada:
Orações prescritas na Fé Bahá’í

"De acordo com as Leis da Fé Bahá'í, contidas no" Kitab-i-Aqdas ", o livro Mãe da Fé Baha'i, cada crente ao atingir a maioridade, ou seja, 15 idade, seja homem ou mulher, deve começar a recitar as orações prescritas. Na Fé Bahá'í, há três tipos de oração prescritas . Cada pessoa é livre para escolher uma para recitar diariamente. A oração em comum é proibida. A oração pelos mortos, recitada para os falecidos, é a única que pode ser recitado em conjunto."


É espantoso encontrar num site da Republica Islâmica do Irão uma referência tão exacta sobre as orações Bahá’ís.

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ACTUALIZAÇÃO: Esta informação já não se encontrava disponível, às 06H51 de dia 30/Julho.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Gracias a la Vida

Filmado por Armindo Pedro, na primeira Escola de Verão em que tive oportunidade de participar (Coimbra, 1984).

É curioso como num DVD foi feito a partir de um filme com mais de 25 anos, este pequeno excerto manteve uma certa qualidade.


segunda-feira, 25 de julho de 2011

Ministro do governo elogia contribuição Bahá’í para o Luxemburgo

O envolvimento da comunidade Bahá’í na sociedade foi elogiado pelo Ministro das Finanças do Luxemburgo, Luc Frieden, durante a celebração do dia nacional (aniversário oficial de Sua Alteza Real Henri, Grão-Duque do Luxemburgo) realizada no Centro Nacional Bahá’í.

Citando a importância dos valores da tolerância e da unidade, o ministro expressou a gratidão do governo para com os Bahá’ís devido ao seu compromisso com o país. "O valor de uma comunidade religiosa, ou qualquer outra organização, deve ser um reflexo da sua contribuição para o desenvolvimento da sociedade", disse o Sr. Frieden que referiu ainda a importância das pessoas estarem envolvidos na comunidade em que vivem ", olhando mais para o bem comum e os efeitos das suas acções sobre os outros."

Amir Saberin, o coordenador da Assembleia Espiritual Nacional dos Bahá'ís do Luxemburgo descreveu a ocasião como “muito significativa e histórica". "Pela primeira vez, o Sr. Frieden veio expressar a apreciação do Governo e reconhecimento do trabalho da comunidade Bahá’í", salientou.

"Ele quis saber o que estamos a fazer em termos práticos. Falámos sobre a educação e como estamos particularmente tentando envolver com os nossos concidadãos na responsabilização e desenvolvimento de potencial dos jovens".

Saberin também mencionou a situação no Irão, onde hoje os jovens Bahá’ís são impedidos de entrar na universidade, e a forma como os seus esforços subsequentes para continuar a sua educação são considerados ilegais.

Em resposta, o Sr. Frieden expressou o seu apoio para uma maior atenção na educação, respeito mútuo e os "valores fundamentais inerentes à toda a civilização."

O ministro esteve acompanhado no evento por dois deputados do Parlamento luxemburguês, Martine Stein-Mergen e Kartheiser Fernand.

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FONTE: Government minister praises Baha'i contribution to Luxembourg (BWNS)

quarta-feira, 20 de julho de 2011

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Dalai Lama e os Baha'is estão de acordo

Artigo de Robert Stockman (director do Instituto Wilmette), publicado no Chicago Tribune.
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Quando o Dalai Lama visitar Chicago neste fim-de-semana (16-17/Julho), ele será entrevistado por um distinto painel de judeus, cristãos e muçulmanos acerca da sua fé e religião em geral. Eles colocarão muitas perguntas sobre a relação entre as religiões e as questões importantes do momento, como a tolerância e a paz mundial.

Na perspectiva Bahá'í, uma questão importante a considerar seria o combate ao fanatismo religioso em todo o mundo.

A Casa Universal de Justiça, o conselho mundial que administra os Bahá’ís, publicou uma carta dirigida aos líderes religiosos internacionais em 2002 em que se referia o fanatismo como um dos principais motivos pelo qual a religião não é capaz de contribuir para a fraternidade humana e a paz mundial.

Os Bahá’ís têm sentido este fanatismo de uma forma intensa e directa no Irão, onde, desde 1979, mais de 200 foram executados devido à sua fé, milhares foram lançados na prisão, e todos os 300 mil Bahá’ís iranianos têm sido vítimas de graves discriminações, incluindo a proibição total de frequentar as universidades iranianas.

A carta aos líderes religiosos internacionais salienta que os argumentos religiosos são muitas vezes utilizados para manter as raças separadas, para denegrir nações inteiras e permitir que a violência se exerça contra eles, e para negar às mulheres "a oportunidade de expressar as potencialidades do espírito humano" relegando-as "para um papel de responder às necessidades dos homens. "

Ao negar a unidade fundamental da religião, as comunidades religiosas mantêm o espírito de preconceito contra outras, reduzem a eficácia da cooperação inter-religiosa, e enfraquecem a sua capacidade de servir a humanidade como um todo.

Há muitas coisas que os líderes religiosos podem fazer em relação ao fanatismo. Quando as religiões são fiéis ao espírito e ao exemplo dos seus fundadores, podem "despertar nas populações inteiras capacidades de amar, de perdoar, para criar, ousar muito, para superar preconceitos, para se sacrificarem pelo bem comum e disciplinar os impulsos do instinto animal. "

Podem apoiar a investigação vigorosa da realidade espiritual e material e sublinhar o papel importante da ciência no progresso humano. Podem ir além da condenação do terrorismo e do materialismo e exemplificar uma vida amorosa e com sentido.

Acima de tudo, as religiões podem defender um princípio de Bahá'u'lláh, fundador da Fé Bahá'í, que declarou: "o bem-estar da humanidade, sua paz e segurança, são inatingíveis, a menos que sua unidade seja firmemente estabelecida. "

Muitos dos princípios Bahá'ís assemelham-se às posições que o Dalai Lama corajosamente tomou no passado. Tenho a certeza que vou para ouvir o que ele tem a dizer, na noite de segunda-feira.

sábado, 16 de julho de 2011

Situação dos Bahá'ís no Irão

Declaração sobre a situação dos Bahá'ís no Irão, na 17ª sessão do Conselho dos Direitos Humanosdas Nações Unidas (15-Junho-2011).

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Uma reflexão sobre o Espaço e a Alma

Artigo de Sahstri Purushotma, publicado no Huffington Post.
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Na passada sexta-feira (08 de Julho), pelas 11:26 juntei-me a milhões de pessoas para assistir em silenciosa admiração como o Vaivém espacial Atlantis, pela última vez, "ultrapassou os limites ameaçadores da terra" e entrou em órbita. A nossa geração viu o lançamento do Vaivém muitas vezes, mas nunca parece cansar-se; todas as vezes parece haver um sentido especial de beleza, como se soubéssemos que estamos a assistir a uma revelação mágica, tal como vemos a nossa espécie, ao longo de milhares de gerações, desde que saiu de África e se instalou nos continentes do globo, e agora num breve instante da história, de Kitty Hawk à Lua e depois, a uma estação espacial feita por nós próprios.




Embora haja uma sensação de tristeza com o final de uma era e um aparente abrandamento na próxima etapa da exploração espacial, sinto um optimismo a longo prazo sobre a nossa exploração do espaço, inspirado pelo meu entendimento das Escrituras da Fé Bahá’í, que gostaria de partilhar.

O primeiro relaciona-se com o dom de voar. Durante milhares, talvez dezenas de milhares de anos, o homem sonhou ter a capacidade de voar, desde Ícaro até Leonardo Da Vinci. Mas este sonho só se tornou uma realidade em 1903, e desde então tem permitido que muitos de nós possamos voar ao redor do planeta, e a alguns de nós para o espaço.

Porque é que isso aconteceu tão rapidamente, depois de tanto tempo em que foi apenas um sonho? O meu entendimento é que isso tem a ver com a fase da evolução humana, em que estamos agora - o início da etapa da maturidade da espécie humana. É uma manifestação de uma frase na oração do Pai Nosso: ". Venha a nós o Vosso Reino, Seja feita a Vossa vontade, assim na terra como no céu". Uma das imagens presente em quase todas as tradições religiosas é que o céu é que é povoado por seres que têm o dom de voar. Se a nossa terra também está num processo de se tornar celestial, não é de estranhar que agora tenhamos também este dom, e que continuará a desenvolver-se.

Apesar da maioria das Escrituras da Fé Bahá'í se focarem sobre nas imperativas necessidades actuais de paz e unidade para a espécie humana na Terra, há uma declaração feita por Bahá'u'lláh, o fundador da Fé Bahá'í, sobre outras estrelas e seus planetas: "Sabe que cada estrela fixa tem os seus próprios planetas, e todos os planetas as suas próprias criaturas, cujo número homem algum pode calcular." A lógica também mostra que uma Inteligência Suprema que criou este vasto universo não deixaria 99.99999999% (continuemos com os 9s) estéril e vazio de vida, e apenas a nossa minúscula partícula de poeira habitada. Qualquer proprietário ficaria imensamente triste com uma tão baixa taxa de ocupação!

Uma pergunta surge naturalmente: Porque é que ainda não encontramos essas criaturas? Um dia poderemos descobrir porque levou tanto tempo, tal como o nosso dom de descolagem da terra parecia impossível, mas de repente aconteceu. Uma possível explicação é que ainda temos muito trabalho a fazer em nós próprios – somos um planeta e uma espécie que ainda está muitas vezes em guerra consigo próprio. Se as evoluções tecnológica e espiritual, em última análise caminham lado a lado, pode ser que os seres mais evoluídos saibam deixar-nos em paz até que possamos, pelo menos, primeiro estar unidos na nossa própria espécie.

É interessante que a nossa exploração do espaço levou também a um entendimento mais profundo da nossa alma. Permitiu-nos, pela primeira vez, para ver o nosso planeta como um todo na sua beleza deslumbrante, sem fronteiras criadas pelo homem, e pelas quais foi derramado tanto sangue. Forneceu uma imagem visual de uma outra afirmação feita por Bahá'u'lláh: "A terra é um só país e a humanidade os seus cidadãos." As imagens que vemos agora das superfícies de outros planetas e suas luas também têm uma beleza, nas suas formas intrincadas e padrões majestosos, apreciada por artistas modernos; E trazem-me à memória uma outra frase de Bahá'u'lláh: "Cada coisa criada em todo o universo é apenas uma porta que leva ao Seu conhecimento, um símbolo da Sua majestade, um símbolo do Seu poder."

Apesar da nossa dívida nacional - que ironicamente age como a lei da gravidade e nos trás de volta à terra - poder abrandar o nosso programa espacial por agora, espero que o sentimento de maravilha e exploração continue a ser cultivado nas novas gerações, que irão expandir o nosso conhecimento do universo e aprofundar a nossa compreensão da nossa alma. O progresso da ciência e da religião, como duas asas de um pássaro e duas maneiras diferentes de entender a mesma realidade última, são importantes para uma civilização em constante evolução.

Como disse Albert Einstein: "A coisa mais bela que podemos experimentar é o mistério. É a fonte de toda verdadeira arte e toda a ciência." Que possamos continuar a experimentar os belos mistérios dos céus.

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FONTE: Reflections on Outer Space and Our Inner Soul (Huffington Post)

terça-feira, 12 de julho de 2011

Conferência académica examina "estigmatização" dos bahá'ís iranianos

Intelectuais iranianos, muitos deles vindos de destacadas universidades de nível mundial, reuniram-se em Toronto, Canadá, para uma conferência académica, sobre a perseguição aos Bahá'ís no Irão. O evento teve lugar de 1 a 3 de Julho e foi a primeira grande conferência académica numa universidade de topo, com este objectivo.

Intitulada “Estigmatização Intelectual e a Questão Bahá'í no Irão”, a conferência analisou as formas que as autoridades iranianas têm utilizado para excluírem os Bahá'ís da vida social, política, cultural e intelectual, apresentando-os como estranhos na sua própria terra - um processo conhecido como “estigmatização”.

“Esta conferência não é uma conferência de intelectuais Bahá'ís”, disse o seu principal organizador Mohamad Tavakoli. “É um esforço para compreender o uso da repressão na história moderna do Irão e como a “estigmatização” dos Bahá'ís se transformou num mecanismo de mobilização de massas para a legitimação do Estado e para a criação de uma ideologia político-religiosa.

O Dr. Tavakoli - um conhecido estudioso do Irão e do Médio Oriente, da Universidade de Toronto - afirmou que a ideia para a conferência lhe surgiu como resultado da sua investigação sobre o patamar a que chegaram vários grupos iranianos, usando a retórica anti-Bahá'í, que faz dos Bahá'ís o bode expiatório, para ganharem poder político, tanto no passado como no presente.
O Prof. Ramin Jahanbegloo falou da importância de incluir a questão Bahá'í
em qualquer esforço futuro de reconciliação Nacional

Dentro deste quadro, as palestras e os trabalhos - apresentados por estudiosos de diversas origens, tais como o ateísmo, bahá’í, cristianismo, humanismo, islamismo e judaísmo - abrangeram um vasto leque de análises: desde os esforços iniciais para vilipendiar os Bahá'ís, pintando-os como agentes colonialistas dos britânicos e dos russos, até às técnicas de propaganda moderna que, por exemplo, caracterizavam falsamente os Bahá’ís iranianos como fazendo parte de um culto que usa técnicas de “lavagem ao cérebro” para roubar crianças muçulmanas.

Shahram Kholdi, uma doutouranda da Universidade de Manchester, em Inglaterra, descreveu como os clérigos têm usado histórias escritas e orais, muitas vezes utilizando linguagem indireta, para demonizar os Bahá'ís, desde a Revolução de 1979, e que, na sua maior parte, são desconhecidas no Ocidente. "Os Bahá'ís são apresentados frequentemente como agentes estrangeiros" - declarou - explicando que os Bahá’ís são descritos como parte de uma força externa por trás das medidas opressivas do regime Pahlavi. "Então eles usam os Bahá’ís para legitimar a sua própria história revolucionária."

Homa Katouzian, professor de Estudos Orientais da Universidade de Oxford, disse que os políticos também têm utilizado frequentemente pogroms contra os Bahá’ís por razões políticas, e relatou um incidente passado em 1924, quando numa manifestação anti-Bahá'í foi morto o vice-cônsul americano no Irão. Os Bahá'ís foram “o alvo preferencial”, disse ele.

Paralelismo Histórico

Vários oradores fizeram comparações entre a opressão dos Bahá’ís iranianos, sob a República Islâmica, e a outros esforços históricos para mostrarem um determinado grupo religioso ou étnico como estranhos - algo que muitas vezes levou a grandes pogroms.

O pai de Rhoda Howard-Hassmann - um professor de direitos humanos na Universidade Wilfrid Laurier, no Canadá - era um refugiado judeu que fugiu da Alemanha nazi. O Professor Howard-Hassmann – disse - ouviu, na conferência, as descrições sobre os abusos contra os Bahá’ís e disse que todas elas lhe eram demasiado familiares.

“A conversa da profanação de túmulos, as teorias da conspiração, a acusação de que eles são um culto que está roubando as crianças - tudo isso são características de retaliação extremas, se não for pré-genocídio”, disse ela. “Este é um fenómeno político, causado por um regime e pela sua manipulação das convicções políticas. Não é algo que simplesmente exista entre o povo.”

Ahmad Karimi-Hakkak, professor de estudos persas da Universidade de Maryland, examinou a destruição dos lugares sagrados e das propriedades Bahá’ís, no Irão. Enumerou uma longa lista de locais Bahá’ís que foram destruídos - desde centros de aldeias Bahá'ís, nos finais do século XIX até à Casa do Báb, um dos locais mais sagrados no mundo, para os Bahá'ís, que foi arrasado por turbas incitadas por clérigos muçulmanos, pouco depois da Revolução Islâmica.

O Professor Karimi-Hakkak comparou estas demolições aos ataques a outros grandes locais religiosos como, por exemplo, os Budas de Bamiyan, no Afeganistão, dizendo que o seu propósito era, muitas vezes, para afirmar o poder das maiorias sobre as minorias, e para colocar as minorias na categoria de o “outro”. Quando um crente xiita destrói edifícios ou sepulturas, disse ele é para “demonstrarem que as minorias religiosas lhes devem obedecer e que não têm poder para proteger os seus lugares sagrados ou as sepulturas que reverenciam.”

Outros palestrantes fizeram referências a pogroms contra os arménios otomanos e contra os cristãos ortodoxos na Rússia Soviética.

Relevância Contemporânea

Os participantes consideraram que a relevância da “questão Bahá'í” pode ser extrapolada para questões mais amplas de intolerância religiosa e repressão política em todo o mundo, podendo-se aprender as lições com a experiência Bahá’í. E que acreditavam que o caso Bahá'í exemplifica a opressão crescente que está a ser sentida por todos os iranianos, especialmente no que respeita à repressão que se seguiu à eleição presidencial de 2009. Isso levou muitos iranianos comuns a simpatizarem e a identificarem-se com os Bahá’ís - acrescentaram.

O Prof. Ramin Jahanbegloo falando no início da Conferência


Reza Afshari, professor de história na Pace University, de Nova York, disse: ”Eu acho que as atrocidades cometidas contra os Bahá’ís estão a ser registadas de forma intuitiva e incluídas entre os casos mais significativos de violações dos direitos humanos no Irão”, “No passado, isso levou a um crescente reconhecimento de que os direitos humanos são importantes e que as suas violações são subprodutos do governo autoritário do país e da cultura da intolerância, mediada por intrusões directas dos mullahs xiitas na esfera da política nacional.”

Ramin Jahanbegloo - professor de Ciências Políticas da Universidade de Toronto, que passou quatro meses de prisão na República Islâmica do Irão - falou sobre a importância de incluir a questão Bahá'í em qualquer esforço futuro de reconciliação nacional. Comparou esse processo com o que aconteceu na África do Sul, dizendo que o primeiro passo na reconstrução de um futuro no Irão seria perdoar – em vez de esquecer. No que a isto respeita, disse ele, seria importante “trazer à luz os episódios escuros” da vida coletiva do Irão, como a perseguição aos Bahá’ís. “Perdão não quer dizer esquecimento”, disse ainda.

A conferência terminou com uma palestra pelo famoso advogado de direitos humanos iraniana Abdol-Karim Lahidji, que examinou vários instrumentos jurídicos internacionais que podem ser usados para protecção contra o tipo de discriminação que foi tema da reunião.

O Dr. Lahidji falou ousadamente sobre a necessidade dum maior respeito pelos direitos humanos no Irão - e a necessidade de conceder aos Baha'is plenos direitos de cidadania.

"Liberdade de consciência, liberdade de crença, liberdade de religião - e não ser obrigado a acreditar em qualquer religião - tem de ser reconhecida", disse ele, salientando a importância da defesa apaixonada dos direitos humanos e das vítimas de discriminação, sejam eles membros do seu próprio grupo ou não.

"Se os direitos das outras pessoas são violados, temos que também defendê-los. Esta é a luta de cada um de nós", disse ele.

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FONTE: Academic conference explores "othering" of Iranian Baha'is (BWNS)

domingo, 10 de julho de 2011

9 de Julho de 1850: o Martírio do Báb

Artigo de Jonathan Gandomic, publicado ontem (9 de Julho) no Huffington Post.

Todos os anos, no dia 09 de Julho, os membros da Fé Bahá'í comemoram o martírio do Báb, um evento que - de acordo com os Bahá'ís - testemunhou a execução de um dos mensageiros divinos de Deus para a humanidade.

Independentemente das crenças de cada pessoa, o drama em torno do aparecimento do Báb no palco nacional da Pérsia em meados do século 19, e a série de eventos que levou ao Seu martírio final, é uma história de profundo significado. Para os Bahá'ís, é um exemplo recente de um professor divino de Deus que enfrentou a perseguição e o auto-sacrifício, a fim de restaurar a vida espiritual da alma decadente da humanidade.

O Báb, que significa a "porta" em árabe, cresceu como comerciante e era conhecido como Siyyid Muhammad Ali na Pérsia (atual Irão) na cidade de Shiraz. Quando criança, demonstrou tamanho conhecimento e sabedoria, chegando a explicar alguns dos excertos mais difíceis do Alcorão aos seus colegas e professores. O director da escola acabou por O dispensar dos estudos, dizendo que não havia nada que pudessem ensiná-lo.

Em 1844, o Báb declarou a sua missão, inicialmente apenas a 18 pessoas que o procuravam de acordo com o seu próprio entendimento. Ele disse que o seu objectivo era preparar o caminho para a vinda do "Prometido de todas as Eras ", um mestre divino que cumpriria as profecias religiosas do passado e proclamaria uma mensagem que iria unir a humanidade. Os Baha'is acreditam que este professor foi Bahá'u'lláh, e consideram o Báb como um mensageiro de Deus cujo propósito era assinalar a importância da revelação que Bahá'u'lláh traria nesse mesmo século.

Continuar a ler (em inglês)

terça-feira, 5 de julho de 2011

Filmagens em Paris

Fazer um programa de TV sobre a presença do Mestre na capital francesa...

A "nossa" Avenida
Esta ideia surgiu há alguns meses, durante uma viagem a Paris, quando visitei a residência de 'Abdu'l-Bahá na cidade luz. E havia bons motivos: Paris é considerada o berço da Fé Bahá’í na Europa; foi ali que surgiu a primeira comunidade Bahá’í europeia; e aquela foi a cidade em que 'Abdu'l-Bahá Se demorou mais tempo durante as Suas viagens no Ocidente (1911-1913). Em Dezembro do ano passado esta ideia era já um projecto na minha cabeça.

Em França, os Baha’is têm vindo a preparar a celebração deste Centenário com diversas iniciativas. A possibilidade de fazer um programa de TV sobre esta visita foi acolhida com grande entusiasmo. Ocorreu-nos também que poderíamos fazer outros programas (de 7 minutos) sobre os livros “Palestras em Paris” (associado à visita de 'Abdu'l-Bahá) e “Respostas a Algumas Perguntas” (elaborado por Laura Clifford Barney, uma das primeiras Bahá’ís de França). Não podemos esquecer que são livros muito populares entre Bahá’ís e pessoas que querem conhecer a Fé Bahá’í.

Em Janeiro passámos à fase de planeamento do projecto: orçamento, deslocações, estadias, estrutura e guião para os programas. Quantas pessoas são necessárias levar a Paris? Que materiais devemos recolher? Poderemos filmar na Residência? Como descrever o ambiente na Europa (e em França) em 1911? Como transmitir a importância do local de uma forma digna, serena e apelativa?

Centro Bahá'í de Paris
As questões e os problemas sucediam-se; as respostas e as soluções também. Valeu-nos a ajuda de Armindo Pedro (Bahá’í Português residente em França) e de Sophie Menard (do Gabinete de Assuntos Externos da Comunidade Bahá’í de França).

Finalmente, tivemos luz verde de todas as partes. A AEN de Portugal já tinha dado a sua aprovação; a AEN de França concorda. A Artemis (empresa que faz as filmagens) também. Apressámo-nos a marcar viagens e estadias. Em França começaram a avisar algumas pessoas que podiam vir a ser entrevistadas.

O tempo ia passando e as estruturas dos três programas de TV foram assumindo forma. Diversos livros publicados em França e algum material recolhido na Internet inspiraram e orientaram a elaboração dos guiões. O nosso objectivo ficou cada vez mais claro. Decidimos filmar um 4º programa com perguntas genéricas. Dá sempre jeito tem algum material disponível para outros programas.

Chegou o dia da viagem a Paris. Não podia esquecer de nada. Imprimi todos os documentos e emails que troquei. Levei os livros e alguns materiais. Tinha alguma dificuldade em acreditar que isto estava a acontecer. Íamos mesmo filmar uns programas de TV sobre a presença de 'Abdu'l-Bahá em Paris.

Pouco depois de deixarmos bagagens e equipamento no hotel, fomos passear pelas ruas de Paris. A Residência de 'Abdu'l-Bahá ficava ali perto. Encontrámos a "Avenue de Camoens" após alguns minutos de caminhada. Lá estava a estátua (mal-tratada) do poeta português junto à escadaria no topo da avenida. É engraçado pensar que a residência de 'Abdu'l-Bahá em Paris fica numa rua que tem o nome de um poeta Português. É difícil não sorrir perante esta coincidência.

António Malheiro e Pedro Marques
A rua estava deserta e tranquila. No prédio nº 4, não havia luzes acesas no 1º andar. A poucos metros dali a Torre Eiffel estava iluminada. Tirámos umas fotos, pois claro. Dei por mim a explicar algumas das minhas ideias… Era difícil conter o entusiasmo.

No dia seguinte iniciamos o trabalho a sério. Encontrámo-nos na residência à hora marcada. Começámos com um briefing; recordámos o nosso plano de trabalhos para este dia e esclarecemos várias dúvidas. Ficámos a saber que há várias pessoas para ser entrevistadas. Lembrámos que as entrevistas seriam faladas em francês e legendadas em português; a perspectiva de programas bilingues animou todos os presentes.

Antes de sair, fizemos orações no quarto privado de 'Abdu'l-Bahá. Começámos com filmagens no exterior; fomos para o Jardim de Trocadero, ali perto; partilhámos a carrega da mochila com baterias e cassetes, do tripé e da câmara. E não esquecemos os apontamentos.

Sucederam-se os "takes". "Aqui tem um bom enquadramento." "Era importante que vocês se movimentassem enquanto falam..." "O B. está despenteado..." "Espera... não ficou bem. Vamos ter que repetir" "Vamos fazer a abertura depois...". Os Bahá’ís franceses observavam-nos atentamente. Alguns estavam curiosos; outros claramente tentavam a tentar aprender connosco.

Filmando na Residência
A tarde foi preenchida com filmagens no interior da residência. Começamos as entrevistas. Algumas vozes fraquejaram; outras aceleraram; não faz mal; podíamos repetir. Falhou o flash; aquele candeeiro dava para desenrascar. Precisámos de novos ângulos. Reparei no Junior; era de origem marfinense e tinha um olhar quase magnético. Infelizmente, durante a entrevista, sentiu-se desconfortável e desviou o olhar para o chão. "Parem!..." Delicadamente, chamei-lhe a atenção e ele aceitou o meu comentário. Retomámos a entrevista. Desta vez, o Junior olhou fixamente Pedro Marques durante a entrevista. Estamos de acordo: "O gajo é bom na TV!"

As filmagens previstas para hoje estavam quase a acabar. Ao fim da tarde recebemos um recado: "Já não é necessário ir hoje ao Centro Bahá’í. A pessoa que ia ser entrevistada hoje estará lá amanhã". Foi uma alteração de planos que nos agradou; estávamos cansados. Mas não o suficiente para nos impedir de ir passear até ao Arco do Triunfo, depois de jantar.

No sábado de manhã, tínhamos filmagens no Centro Bahá’í de Paris. Alguns amigos aguardavam-nos. Tínhamos previsto filmar entrevistas sobre os dois livros. Começou o Frederic a falar sobre o livro "Palestras em Paris"; despejou datas, nomes, locais... "Sou um rato de biblioteca", confessou-me mais tarde. Entendi-o e fiquei a pensar em fotos antigas para ilustrar a sua intervenção. Este vai dar trabalho quando fizermos a montagem.

A explicar uns pormenores...
Seguiu-se a Annie. Tinha sessenta anos e aparentava um misto de humildade e elegância. Começou a sua intervenção a dizer que o livro (Respostas a algumas perguntas) era "mágico e é útil para Bahá’ís e não Bahá’ís". Ops! "Corta!" Explico que o que acabou de dizer pode ser mal-entendido. Dizer que um livro Bahá’í é mágico poderia sugerir que somos algum grupo esotérico; além disso, não devemos nunca fazer distinção entre pessoas por serem, ou não serem, Bahá'ís. Annie aceitou os meus comentários com um sorriso. Recomeçámos. Desta vez tudo correu bem.

Chegaram mais pessoas para serem entrevistadas. Responderam a questões de carácter genérico. Algumas tiveram um desempenho muito bom para quem é entrevistado pela primeira vez; parecia que não se intimidavam com a presença da câmara.

Entrevistando a Natalia
Sophie agradeceu-nos e nome da AEN de França e pede para jantar connosco. Queria fazer um balanço do trabalho. Pediu opiniões sinceras sobre o desempenho de todos os participantes. O audiovisual é uma área em que os Baha’is franceses ainda têm que desenvolver. Acham que somos fantásticos. Não é bem assim, mas sabemos que temos mais experiência do que eles.

Comecei os meus comentários: "Alguns pareceram intimidados com a presença da câmara..." "Gostei da maneira de falar da G. Era muito segura." "L. falou demasiado depressa… parecia um apresentador de televendas..." "A. foi magnífica..." "T. era demasiado sexy..." "Foi pena o M. ter aquela roupa. Parecia mal-amanhado..." "O Júnior foi muito bom. Temos poucas pessoas como ele em Portugal".

Sophie tomava nota das minhas observações. "Podemos de avançar para um workshop de Técnicas de Apresentação. A maior parte das pessoas não tem consciência destes problemas. E isto pode-se corrigir com algum treino", concluo.

À porta da Residência
"Seria uma boa ideia. Temos muito a aprender convosco", respondeu-me.

"Temos de aprender uns com os outros. Em Portugal, temos dificuldade em encontrar pessoas disponíveis para os programas. Aqui vocês mobilizaram dez, ou doze, pessoas. Isso é muito bom."

"A vossa presença foi uma bênção..."

"Não gosto de pensar assim. Eu diria que o resultado neste momento é francamente positivo. O nosso objectivo era filmar 4 programas e devemos ter recolhido material para 6 ou 7. É claro que ainda não vimos o resultado final; falta o trabalho da montagem. Mas neste momento estamos muito satisfeitos".

Sophie sorri.

Ficámos com a sensação que este pode ser o início de uma bela colaboração entre Bahá’ís de França e de Portugal.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Parlamento Europeu ouviu advogada dos dirigentes Bahá'ís presos no Irão

Uma das advogadas que defendeu os sete dirigentes Bahá'ís, presos no Irão, Mahnaz Parakand, fez um apelo apaixonado à justiça, durante uma reunião extraordinária realizada no Parlamento Europeu.

A Dra Parakand afirmou que a expectativa do povo do Irão é "não ser abandonado pelos governos e organizações internacionais, cuja política principal é o respeito pela humanidade e pelos direitos humanos...". Todos os povos do Irão são "mantidos numa grande prisão chamada República Islâmica do Irão", disse ela, "sofrendo as mais diversas opressões e sofrimentos, e são presos, torturados e executados por um sem número de pretextos."

Esta reunião, foi a primeira aparição pública da senhora Parakand desde que fugiu da sua terra natal, depois de saber que estava prestes a ser presa devido ao apoio que dava aos sete dirigentes Bahá'ís e a outros casos, incluindo o de Nasrin Sotoudeh, também ela advogada, condenada a 11 anos de prisão por representar ativistas de direitos humanos.

Vários deputados do Parlamento Europeu - acompanhados de funcionários da Comissão Europeia e do Serviço Europeu de Assuntos Externos - ouviram a Sra. Parakand descrever detalhadamente o caso dos sete, e a escalada de perseguições enfrentada pelos seus correligionários.

"A dor e o sofrimento que os Bahá'ís têm de suportar vai ainda além das crueldades sofridas por todos os povos do Irão", declarou, acrescentando que se sentia grata por poder "falar livremente e sem quaisquer restrições, e sem se sentir insegura, com medo de ser presa e torturada", que se sentia honrada por ser "a voz dos mártires que foram executados apenas por causa das suas crenças, e falar alto em nome de quem passou anos na prisão e foi torturado simplesmente por exprimir a sua opinião ..."

A Dra Parakand afirmou que falava em nome de "aqueles que estão impedidos de ter emprego em cargos do governo e aqueles que foram privados do ensino superior; aqueles cujas casas foram destruídas e até mesmo os seus cemitérios profanados, apenas por causa das suas crenças; aqueles indivíduos que são constantemente assediados nas suas empresas privadas, por professarem uma religião diferente de quem governa o país. "

Aludindo aos recentes ataques das autoridades iranianas contra o Instituto Bahá'í de Educação Superior - uma iniciativa comunitária que oferecia ensino superior aos jovens Bahá'ís impedidos de entrarem nas universidades – a Dra. Parakand disse que representava também "as pessoas que estão privadas de qualquer tipo de instituições para a educação dos seus filhos, que são impedidos de entrar nas escolas e nas universidades públicas”.

"Quando existem tais instituições, elas são fechadas e os seus gestores são detidos e presos", disse ela. "Eu quero falar sobre aqueles jovens que não são livres para expressar as suas crenças, porque se o fizerem serão expulsas da escola; falar sobre aqueles que não têm a liberdade de escolher os seus próprios amigos e cuja amizade com indivíduos que não são Bahá’ís os torna suspeitos de estarem a ensinar a Fé Bahá'í, fazendo com que sejam presos e torturados."

Um catálogo de injustiças

A Dra. Parakand é membro do Centro dos Defesa dos Direitos Humanos, fundado pela Prémio Nobel da Paz, Shirin Ebadi, que esteve à frente da defesa dos sete dirigentes Bahá'ís. Na reunião de ontem (28-Junho), a Dra. Parakand apresentou o primeiro relato detalhado do que aconteceu, à porta fechada, durante o julgamento dos sete dirigentes Bahá'ís no ano passado, descrevendo uma longa lista de injustiças e erros de legalidade apresentados pelo sistema judicial iraniano, incluindo as prisões clandestinas dos sete - sem intimação - em 2008, a sua detenção inicial em células solitárias, sem contacto com as suas famílias; interrogatórios individuais e prisão ilegal, por mais de dois anos, sem acesso ao aconselhamento jurídico; julgamento baseado em falsas acusações; e o subsequente recurso do processo, que viu os seus 20 anos de prisão reduzida para 10 anos, e depois novamente restabelecido para 20.

"O libelo da acusação que foi emitido contra os nossos cliente... era mais como uma declaração política, do que um documento legal", lembrou a Dra. Parakand. "Era um documento de 50 páginas, cheio de acusações e humilhações contra a Comunidade Bahá'í do Irão, especialmente contra os nossos clientes. Não produzia qualquer prova para as alegações”.

"Houve apenas um libelo emitido para todos os sete líderes... contra todas as normas legais, sem especificar de que tipo de infração tinha, cada um deles, sido acusado", disse.

Acrescentou que, antes do julgamento, durante os dois anos e meio de detenção ilegal, nem ela, nem os seus colegas, tiveram permissão para visitar os seus clientes.

"Durante um mês, estudámos diligentemente os autos, que continham mais de 2.000 páginas, e estudámos cada página cuidadosamente, tentando descobrir como e com que base, raciocínio, documento, prova ou testemunho, tinha sido tirada, desta maneira, a liberdade a estas sete pessoas. Felizmente não foi possível encontrar qualquer documento ou razão jurídica para provar que quaisquer das acusações, que foram levantadas contra os nossos clientes, eram verdadeiras ", acrescentou.

"Esperávamos que eles fossem perdoados, uma vez que não havia razão para serem condenados."

Depois de analisar os autos, os advogados foram autorizados a ter apenas uma reunião com os prisioneiros. "A nossa visita foi realizada em condições tais, com as autoridades da prisão a controlarem, e as mulheres que estavam presentes a gravarem clandestinamente a nossa conversa... Este acto violou o direito dos prisioneiros de descreverem livremente o que lhes estava a acontecer na prisão", explicou a Dra Parakand.

Recordando o julgamento, a Dra. Parakand falou das numerosas violações aos procedimentos legais, bem como a presença em tribunal de agentes dos Serviços Secretos, destinados a intimidar os réus.

"Uma das condições de um julgamento justo é a imparcialidade do juiz", e, neste caso, "o juiz ... estava a usar a mesma linguagem e as frases descritas na lista de indiciamento, como “seita preversa Bahaista”. "Isso mostra claramente a falta de imparcialidade do juiz-presidente e um julgamento injusto com base na sua crença. "

Durante o julgamento, o juiz, interrompeu muitas vezes as declarações da defesa alegando que os seus argumentos eram considerados “ensino do Bahaísmo”, disse ela.

"A injustiça imposta aos prisioneiros... é um reflexo da opressão imposta a todos os Bahá'ís que vivem no Irão", acrescentou a Sra. Parakand.

Apelo para uma acção continuada

A Dra. Parakand concluiu exortando os governos e as organizações a exigirem que o Irão modifique as suas leis internas discriminatórias contra as minorias religiosas e intelectuais, e a obrigarem os países que violam os direitos humanos a seguir com exactidão o conteúdo da Declaração Universal dos Direitos Humanos e do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Direitos Políticos.

Apelou também à União Europeia para enviar um representante ao Irão para investigar a situação dos sete dirigentes Bahá'ís, "para melhorar a sua situação actual, ilegal e a tomar as medidas necessárias para a sua libertação imediata."

A ida da Dra. Parakand ao Parlamento Europeu foi um convite de Barbara Lochbihler, uma eurodeputada alemã, que é a presidente da delegação do Parlamento para as relações com o Irão. A Sra. Lochbihler assegurou à Sra. Parakand que a situação dos direitos humanos no Irão não vai ser esquecida.

Além dos sete dirigentes, cerca de 90 Bahá'ís estão actualmente presos no Irão, incluindo nove funcionários e membros do corpo docente do Instituto Bahá'í de Educação Superior, ainda detidos após os ataques em 39 casas Bahá'ís no mês passado.

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FONTE: Lawyer for jailed Baha'i leaders speaks out at European Parliament (BWNS)