"Povo de Bahá" é uma expressão frequentemente utilizada nas Escrituras Bahá'ís para designar os crentes em Bahá'u'lláh, i.e., os Bahá’ís.
quarta-feira, 13 de março de 2019
sábado, 9 de março de 2019
Quem é Deus? O que é Deus?
Por Maya Bohnhoff.
Certamente já ouviram esta pergunta: “Será que Deus consegue criar uma pedra tão pesada que Ele próprio não consiga levantar?”. O objectivo é refutar o argumento de um Deus omnipotente.
Aqui a linha de raciocínio é a seguinte: “Se Deus é todo-poderoso, então deve ser capaz de criar de criar uma pedra que Ele próprio não consegue levantar. Se Ele não consegue criar essa pedra, então não é todo-poderoso. Se Ele não consegue levantá-la, então não é todo-poderoso. Portanto, não existe um Deus omnipotente.”
Este raciocínio baseia-se em suposições sobre Deus e os seres humanos. Primeiro temos a suposição de que Deus é uma criatura como nós, para quem a actividade física de levantar objectos é aplicável e tem significado. E depois temos a suposição de que os humanos podem compreender o conceito de omnipotência tal como se aplica a Deus.
Fui criada com uma noção claramente Cristã sobre Deus, moldada pela insistência dos meus pais de que devia olhar para a vida e palavras de Cristo para compreender este Grande Conceito. Consequentemente, cheguei à conclusão que Cristo era um reflexo da glória de Deus num espelho, tal como dizia a metáfora usada pelo Apóstolo Paulo. No entanto, eu percebia que alguma doutrina Cristã conceptualizava Deus como uma espécie de super-humano – um ser que podia ser material ou espiritual conforme desejasse.
Recentemente, quando fiz uma apresentação sobre a natureza progressiva da revelação divina, um amigo da China expressou as suas dificuldades com a questão “Quem é Deus?”. Vindo de uma sociedade completamente secular onde é a estranha a noção de um ser supremo que se pode referir como “alguém”, a sua questão era “o que é Deus?”
A sua questão fez-me reflectir: o que dizem, verdadeiramente, as escrituras sagradas sobre a natureza de Deus?
Uma das mais antigas escrituras existentes que descobrimos é conhecido como O Livro Egípcio dos Mortos (e cuja tradução literal do título em egípcio é O Livro dos que Emergem para a Luz). Os textos das epístolas que constituem o livro remontam ao século XIV a.C. O seguinte texto data, aproximadamente, de 1250 a.C.:
Um ensinamento essencial de Bahá’u’lláh – e de outros mensageiros divinos – é que Deus (ou o quer que queiramos chamar ao Criador) é incognoscível na sua essência. Deus é incognoscível pela simples razão que não é um ser como nós. O nosso intelecto é um reflexo do intelecto do Criador, mas apenas um reflexo. Deus é absoluto e independente; nós somos dependentes:
Isto levanta a questão: Como podemos conhecer Deus? A resposta é dada nas citações apresentadas anteriormente, mas Bahá’u’lláh responde directamente nas Suas escrituras:
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Texto original: Who—or What—is God? (www.bahaiteachings.org)
Maya Bohnhoff é Baha'i e autora de sucesso do New York Times nas áreas de ficção científica, fantasia e história alternativa. É também compositora/cantora (juntamente com seu marido Jeff). É um dos membros fundadores do Book View Café, onde escreve um blog bi-mensal, e ela tem um blog semanal na www.commongroundgroup.net.
Certamente já ouviram esta pergunta: “Será que Deus consegue criar uma pedra tão pesada que Ele próprio não consiga levantar?”. O objectivo é refutar o argumento de um Deus omnipotente.
Aqui a linha de raciocínio é a seguinte: “Se Deus é todo-poderoso, então deve ser capaz de criar de criar uma pedra que Ele próprio não consegue levantar. Se Ele não consegue criar essa pedra, então não é todo-poderoso. Se Ele não consegue levantá-la, então não é todo-poderoso. Portanto, não existe um Deus omnipotente.”
Este raciocínio baseia-se em suposições sobre Deus e os seres humanos. Primeiro temos a suposição de que Deus é uma criatura como nós, para quem a actividade física de levantar objectos é aplicável e tem significado. E depois temos a suposição de que os humanos podem compreender o conceito de omnipotência tal como se aplica a Deus.
Fui criada com uma noção claramente Cristã sobre Deus, moldada pela insistência dos meus pais de que devia olhar para a vida e palavras de Cristo para compreender este Grande Conceito. Consequentemente, cheguei à conclusão que Cristo era um reflexo da glória de Deus num espelho, tal como dizia a metáfora usada pelo Apóstolo Paulo. No entanto, eu percebia que alguma doutrina Cristã conceptualizava Deus como uma espécie de super-humano – um ser que podia ser material ou espiritual conforme desejasse.
Recentemente, quando fiz uma apresentação sobre a natureza progressiva da revelação divina, um amigo da China expressou as suas dificuldades com a questão “Quem é Deus?”. Vindo de uma sociedade completamente secular onde é a estranha a noção de um ser supremo que se pode referir como “alguém”, a sua questão era “o que é Deus?”
A sua questão fez-me reflectir: o que dizem, verdadeiramente, as escrituras sagradas sobre a natureza de Deus?
Uma das mais antigas escrituras existentes que descobrimos é conhecido como O Livro Egípcio dos Mortos (e cuja tradução literal do título em egípcio é O Livro dos que Emergem para a Luz). Os textos das epístolas que constituem o livro remontam ao século XIV a.C. O seguinte texto data, aproximadamente, de 1250 a.C.:
Deus é um e único, e nenhum outro existe com Ele – Deus é o Uno, Aquele que fez todas as coisas – Deus é um espírito, um espírito oculto, o espírito dos espíritos, o grande espírito dos Egípcios, o espírito divino. Deus é desde o início…Ele existe desde a antiguidade, quando nada mais existia. Ele é o Pai dos princípios – Deus é o Eterno, Ele é perpétuo e infinito e perdura indefinidamente para sempre – Deus está oculto e nenhum homem conhece a Sua forma… O Seu nome é um mistério para os Seus filhos. Os Seus nomes são incontáveis, são múltiplos e ninguém sabe quantos são. (Papiro de Ani)Além da noção de que os seres humanos não podem “ver” ou compreender Deus directamente, o Papiro de Ani mostra um aparente paradoxo: o “nome” de Deus é desconhecido, mas múltiplo. Segundo as escrituras – antigas e recentes – os nomes de Deus são as Suas qualidade, atributos e virtudes. Exemplos desses nomes são o Misericordioso, o Generoso, o Omnipotente, o Omnisciente, etc.
Um ensinamento essencial de Bahá’u’lláh – e de outros mensageiros divinos – é que Deus (ou o quer que queiramos chamar ao Criador) é incognoscível na sua essência. Deus é incognoscível pela simples razão que não é um ser como nós. O nosso intelecto é um reflexo do intelecto do Criador, mas apenas um reflexo. Deus é absoluto e independente; nós somos dependentes:
Mas para lá da Minha natureza visível, está o Meu espírito invisível. Este é a fonte da vida com a qual o universo começou. Todas as coisas têm vida nesta Vida, e Eu sou o princípio e o fim. Em todo este vasto universo não existe nada superior a Mim. (Krishna, Bhagavad Gita 7:5-7.)O Buda referiu-se a este Espírito como o Absoluto e o Adorável, e descreveu a sua natureza da seguinte forma:
Existe, ó monges, o Não-nascido, o Não-formado, o Não-criado, o Não-composto; se não existisse, ó monges, este Não-nascido, este Não-formado, este Não-criado, este Não-composto, não haveria saída do mundo do nascido, do criado e do formado. (Udana 80-81.)Cristo afirmou: “Deus é espírito e os seus adoradores devem adorar em espírito e em verdade” (João 4:24)
Isto levanta a questão: Como podemos conhecer Deus? A resposta é dada nas citações apresentadas anteriormente, mas Bahá’u’lláh responde directamente nas Suas escrituras:
... e porque não pode haver laço ou relação directa que ligue o Deus uno e verdadeiro com a Sua criação, e nenhuma semelhança pode existir entre o efémero e o Eterno, o contingente e o Absoluto, Ele ordenou que em todas as eras e dispensações uma Alma pura e imaculada se manifestasse nos reinos da terra e do céu. A este Ser subtil, misterioso e etéreo, Ele atribuiu uma dupla natureza: a física, pertencendo ao mundo da matéria, e a espiritual, que nasce da substância do Próprio Deus… Estas Essências do Desprendimento, estas Realidades resplandecentes, são canais da graça universal de Deus… Eles têm poder para usar a inspiração das Suas palavras, as efusões da Sua graça infalível e brisa santificadora da Sua revelação para purificar todo o coração ansioso e espírito receptivo das impureza e poeira das inquietações e limitações terrenas. Então, e apenas então, emergirá a Confiança de Deus, latente na realidade do homem… (Gleanings from the Writings of Baha’u’llah, XXVII)
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Texto original: Who—or What—is God? (www.bahaiteachings.org)
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Maya Bohnhoff é Baha'i e autora de sucesso do New York Times nas áreas de ficção científica, fantasia e história alternativa. É também compositora/cantora (juntamente com seu marido Jeff). É um dos membros fundadores do Book View Café, onde escreve um blog bi-mensal, e ela tem um blog semanal na www.commongroundgroup.net.
quarta-feira, 6 de março de 2019
sábado, 2 de março de 2019
O Argumento Moral para a Existência de Deus
Por David Langness.
No outro dia comprei algumas coisas numa loja, e paguei com uma nota de 20$. A menina da caixa deu-me o troco que meti no bolso sem verificar. Agradeci e saí, mas quando cheguei ao carro percebi que ela me tinha dado troco a mais - cerca de 35$. Aparentemente, pareceu-me, ela confundiu uma nota de 20$ com uma nota de 1$.
Isso já aconteceu consigo? O que fez?
Quando isso acontece, provavelmente todos nós pensamos primeiramente em guardar esse dinheiro a mais. Mas depois, normalmente, o nosso sentido moral interior entra em acção e começamos a perguntar-nos: "E se a menina caixa chegar descobrir que lhe falta dinheiro e tiver que desembolsar do seu próprio bolso? Eu se o patrão dela a acusar de roubo? E se ela perder o emprego?"
Em situações como esta, essas considerações morais interiores ocorrem a quase todos nós. Filósofos e teólogos sabem, há muitos séculos, que ao contrário de qualquer outra criatura, as pessoas normais têm uma consciência aparentemente natural, uma bússola moral interior. Essa moralidade leva-nos muitas vezes a ignorar os nossos próprios interesses e a agir desinteressadamente e moralmente no interesse dos outros. Esta qualidade espiritual, única nos seres humanos, levou muitos filósofos a concluir que a nossa consciência revela a existência de uma lei moral maior - e, portanto, um Legislador transcendente.
Este argumento filosófico profundo e subtil sobre a existência de Deus foi inicialmente apresentado pelo grande filósofo Immanuel Kant, que escreveu que o objectivo final da humanidade inclui o alcançar da felicidade perfeita, que vem da virtude. Kant chamou a isto “o imperativo categórico”, o mandamento supremo sobre nossos poderes de raciocínio interior ao serviço de uma vida moral e virtuosa. E porque esta qualidade moral existe universalmente entre os seres humanos, Kant raciocinou que deve existir uma vida após a morte; e, consequentemente, Deus também deve existir. O caminho lógico de Kant é algo parecido com isto:
O universalismo moral de Kant teve um impacto enorme nos nossos conceitos humanitários, políticos, sociais e jurídicos modernos de igualdade, justiça e direitos humanos. Outros filósofos seguiram e expandiram o raciocínio de Kant, concluindo que a existência da consciência humana significa que existem verdades morais objectivos - e que a fonte última dessas verdades deve ser Deus.
Vários filósofos modernos colocaram a mesma ideia de forma um pouco diferente: qualquer coisa que a nossa consciência e moralidade nos obrigam a fazer deve ser possível - e alcançar o bem perfeito da felicidade e da virtude moral só se torna possível se existir uma ordem moral natural.
Nos ensinamentos Bahá’ís, encontramos este argumento moral lógico sobre a existência de um Ser Supremo em diversos textos. O eixo principal da mensagem Bahá’í - que a realidade é fundamentalmente de natureza espiritual - vê o indivíduo como um ser espiritual, uma "alma racional", com capacidades morais e intelectuais inatas, inerentes e dadas por Deus:
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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site www.bahaiteachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.
No outro dia comprei algumas coisas numa loja, e paguei com uma nota de 20$. A menina da caixa deu-me o troco que meti no bolso sem verificar. Agradeci e saí, mas quando cheguei ao carro percebi que ela me tinha dado troco a mais - cerca de 35$. Aparentemente, pareceu-me, ela confundiu uma nota de 20$ com uma nota de 1$.
Isso já aconteceu consigo? O que fez?
Quando isso acontece, provavelmente todos nós pensamos primeiramente em guardar esse dinheiro a mais. Mas depois, normalmente, o nosso sentido moral interior entra em acção e começamos a perguntar-nos: "E se a menina caixa chegar descobrir que lhe falta dinheiro e tiver que desembolsar do seu próprio bolso? Eu se o patrão dela a acusar de roubo? E se ela perder o emprego?"
Em situações como esta, essas considerações morais interiores ocorrem a quase todos nós. Filósofos e teólogos sabem, há muitos séculos, que ao contrário de qualquer outra criatura, as pessoas normais têm uma consciência aparentemente natural, uma bússola moral interior. Essa moralidade leva-nos muitas vezes a ignorar os nossos próprios interesses e a agir desinteressadamente e moralmente no interesse dos outros. Esta qualidade espiritual, única nos seres humanos, levou muitos filósofos a concluir que a nossa consciência revela a existência de uma lei moral maior - e, portanto, um Legislador transcendente.
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| Immanuel Kant |
- Os seres humanos têm impulsos morais naturais;
- Essa a moralidade apenas pode vir de uma fonte superior de bem moral;
- Portanto Deus existe.
O universalismo moral de Kant teve um impacto enorme nos nossos conceitos humanitários, políticos, sociais e jurídicos modernos de igualdade, justiça e direitos humanos. Outros filósofos seguiram e expandiram o raciocínio de Kant, concluindo que a existência da consciência humana significa que existem verdades morais objectivos - e que a fonte última dessas verdades deve ser Deus.
Vários filósofos modernos colocaram a mesma ideia de forma um pouco diferente: qualquer coisa que a nossa consciência e moralidade nos obrigam a fazer deve ser possível - e alcançar o bem perfeito da felicidade e da virtude moral só se torna possível se existir uma ordem moral natural.
Nos ensinamentos Bahá’ís, encontramos este argumento moral lógico sobre a existência de um Ser Supremo em diversos textos. O eixo principal da mensagem Bahá’í - que a realidade é fundamentalmente de natureza espiritual - vê o indivíduo como um ser espiritual, uma "alma racional", com capacidades morais e intelectuais inatas, inerentes e dadas por Deus:
Se examinarmos a história, observamos que o progresso humano tem sido maior no desenvolvimento de virtudes materiais. A civilização é o sinal e a evidência desse progresso. Por todo o mundo, a civilização material alcançou níveis e graus de eficiência verdadeiramente maravilhosos - isto é, os poderes exteriores e as virtudes do homem desenvolveram-se muito, mas as virtudes e ideais interiores foram, consequentemente, atrasadas e negligenciadas. Agora é o momento da história do mundo para nos esforçarmos e darmos um impulso ao avanço e desenvolvimento das forças interiores - isto é, temos de nos levantar para servir no mundo da moralidade, porque a moral humana precisa de ser reajustada. Também devemos prestar um serviço ao mundo da intelectualidade, para que as mentes dos homens possam aumentar em poder e tornar-se mais profundas na percepção, auxiliando o intelecto do homem a atingir a sua supremacia para que as virtudes ideais possam surgir. Antes de dar um passo nessa direcção, devemos ser capazes de provar a Divindade do ponto de vista da razão para que nenhuma dúvida ou objecção possa permanecer para o racionalista. Depois, devemos ser capazes de provar a existência da graça de Deus - aquela recompensa divina que envolve a humanidade e que é transcendente. Além disso, devemos demonstrar que o espírito do homem é imortal, que não está sujeito à desintegração e que inclui as virtudes da humanidade.Então, o que fiz eu com o meu troco em demasia? Avaliei com a minha própria consciência e, seguidamente, devolvi-o à menina da caixa, na loja. Ela olhou para mim com gratidão, disse-me que eu a tinha livrado de grandes problemas no trabalho. Saiu detrás do balcão e deu-me um abraço.
... As pessoas falam da Divindade, mas as ideias e crenças que têm sobre a Divindade são, na realidade, superstições. A Divindade é o esplendor do Sol da Realidade, a manifestação de virtudes espirituais e poderes ideais. As provas intelectuais da Divindade baseiam-se na observação e na evidência, que constituem um argumento definitivo, que prova logicamente a realidade da Divindade, o esplendor da misericórdia, a certeza da inspiração e da imortalidade do espírito. Esta é, na realidade, a ciência da Divindade. A divindade não é o que se encontra estabelecido nos dogmas e sermões da igreja. Normalmente, quando se menciona a palavra Divindade, esta é associada, na mente dos ouvintes, com certas fórmulas e doutrinas, apesar de significar essencialmente a sabedoria e o conhecimento de Deus, o esplendor do Sol da Verdade, a revelação da realidade e a filosofia divina. ('Abdu'l-Bahá, A Promulgação da Paz Universal, pp. 325-326)
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Texto original: The Moral Argument for the Existence of God (www.bahaiteachings.org)
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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site www.bahaiteachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019
sábado, 23 de fevereiro de 2019
O Problema dos Milagres
Por Christopher Buck.
As profecias muitas vezes predizem milagres. Esses sinais e maravilhas são descritos como prodígios, ou sinais divinos. No entanto, há um grande problema: os milagres são literais ou simbólicos?
Esta é uma questão importante, porque a resposta faz toda a diferença. Porque um milagre real seria totalmente óbvio - tão óbvio que todos os que tivessem visto o milagre, acreditariam. Se você tivesse visto um milagre acontecer perante os seus olhos, que escolhas teria?
Mas... e se esse milagre não for assim tão óbvio? E se os milagres e as profecias contiverem um “código” simbólico que descreva futuros eventos espirituais? Se assim for, então as profecias nunca se poderão cumprir aos olhos de pessoas que esperam milagres exteriores.
Na perspectiva Bahá'í, os milagres interiores são muito mais importantes do que outros. Aqui, por "milagre", referimo-nos a algum tipo de profunda transformação física ou espiritual.
A crença popular é que os milagres são provas sobrenaturais de uma missão divina. Por outras palavras, um profeta ou mensageiro de Deus, deve realizar milagres. Mas... e se isso não for verdade?
Tendo isto em mente, vamos apresentar uma nova definição da palavra "milagre". Esta definição inclui a revelação de mensagens de Deus, que no passado foi descrita como um milagre. Por exemplo, os versículos do Alcorão são chamados "milagres" e também "versículos" - a mesma palavra em árabe descreve ambos.
Para aprofundar este novo significado de um milagre, vamos consultar um livro do Báb - o precursor de Bahá’u’lláh - chamado As Sete Provas, e aclamado como "a mais importante das obras polémicas do Bab" (Shoghi Effendi, God Passes By, p. 26). A "Primeira Prova" d’As Sete Provas nunca foi oficialmente traduzida e publicada como tradução autorizada. Agora, pela primeira vez, apresentamos as seguintes traduções provisórias (que, de acordo com a actual política Bahá’í, podem ser publicadas on-line, apesar de não estarem aprovadas oficialmente), das versões persa e árabe:
Fiquei estupefacto com esta passagem. Para mim, isto é um verdadeiro milagre, se um milagre é definido como um evento sobrenatural - não sobrenatural no sentido de suspender leis naturais, mas sobrenatural ao transmitir sabedoria divina na sua forma mais pura.
Na minha compreensão limitada desta lógica, o Báb usa o termo "milagres" de duas maneiras: (1) milagres físicos; e (2) livros sagrados, ou seja, as escrituras das religiões do mundo. Isto está em perfeita concordância com a tradicional compreensão islâmica de "milagres". O Alcorão é considerado um "milagre" porque o seu poder e singularidade não podem ser reproduzidos, o que significa que ninguém pode criar algo equivalente. A mesma lógica aplica-se às escrituras do Báb e de Bahá’u’lláh.
O contraste não podia ser mais profundo: apesar dos milagres físicos serem importantes no seu momento, a sua influência é fugaz e de curta duração - embora a memória desses milagres possa durar. Esses milagres são literalmente "incríveis", o que significa que só podem ser credíveis como uma questão de fé. Os cépticos, que exigem prova, não aceitam tais afirmações. Por outras palavras, os milagres não são verificáveis - excepto como uma questão de fé para aqueles que os testemunharam - e não podem ser reproduzidos.
O maior milagre - como indica a primeira prova do Báb - vem da revelação da Palavra de Deus, que influencia criativa e profundamente as mentes, os corações e as almas daqueles que se deixam tocar lendo-a ou escutando-a. Aqui, o efeito no ouvinte - ou no leitor - é poderoso, carismático, duradouro, verificável e reproduzível. Nesse sentido, a Palavra de Deus tem uma influência mais poderosa, milagrosa e duradoura do que qualquer milagre físico, narrado na Bíblia, no Alcorão, ou em qualquer outro texto sagrado.
Vejamos agora uma tradução da versão árabe dessa primeira prova:
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Texto original: The Problem with Miracles (www.bahaiteachings.org)
Christopher Buck (PhD, JD), advogado e investigador independente, é autor de vários livros, incluindo God & Apple Pie (2015), Religious Myths and Visions of America (2009), Alain Locke: Faith and Philosophy (2005), Paradise e Paradigm (1999), Symbol and Secret (1995/2004), Religious Celebrations (co-autor, 2011), e também contribuíu para diversos capítulos de livros como ‘Abdu’l-Bahá’s Journey West: The Course of Human Solidarity (2013), American Writers (2010 e 2004), The Islamic World (2008), The Blackwell Companion to the Qur’an (2006). Ver christopherbuck.com e bahai-library.com/Buck.
As profecias muitas vezes predizem milagres. Esses sinais e maravilhas são descritos como prodígios, ou sinais divinos. No entanto, há um grande problema: os milagres são literais ou simbólicos?
Esta é uma questão importante, porque a resposta faz toda a diferença. Porque um milagre real seria totalmente óbvio - tão óbvio que todos os que tivessem visto o milagre, acreditariam. Se você tivesse visto um milagre acontecer perante os seus olhos, que escolhas teria?
Mas... e se esse milagre não for assim tão óbvio? E se os milagres e as profecias contiverem um “código” simbólico que descreva futuros eventos espirituais? Se assim for, então as profecias nunca se poderão cumprir aos olhos de pessoas que esperam milagres exteriores.
Na perspectiva Bahá'í, os milagres interiores são muito mais importantes do que outros. Aqui, por "milagre", referimo-nos a algum tipo de profunda transformação física ou espiritual.
A crença popular é que os milagres são provas sobrenaturais de uma missão divina. Por outras palavras, um profeta ou mensageiro de Deus, deve realizar milagres. Mas... e se isso não for verdade?
Tendo isto em mente, vamos apresentar uma nova definição da palavra "milagre". Esta definição inclui a revelação de mensagens de Deus, que no passado foi descrita como um milagre. Por exemplo, os versículos do Alcorão são chamados "milagres" e também "versículos" - a mesma palavra em árabe descreve ambos.
Para aprofundar este novo significado de um milagre, vamos consultar um livro do Báb - o precursor de Bahá’u’lláh - chamado As Sete Provas, e aclamado como "a mais importante das obras polémicas do Bab" (Shoghi Effendi, God Passes By, p. 26). A "Primeira Prova" d’As Sete Provas nunca foi oficialmente traduzida e publicada como tradução autorizada. Agora, pela primeira vez, apresentamos as seguintes traduções provisórias (que, de acordo com a actual política Bahá’í, podem ser publicadas on-line, apesar de não estarem aprovadas oficialmente), das versões persa e árabe:
Se os versículos do Alcorão não eram maiores do que os milagres de todos os Profetas [que apareceram antes de Maomé], então, como é que os Livros deles foram revogados pelo Alcorão? Como é que o só o Alcorão perdurou? Isto, só por si, é uma prova forte e decisiva de que esta prova [o Alcorão] sempre foi - e continua a ser - maior do que a vara de Moisés e outros desses milagres físicos apresentados como provas [pelos Profetas do passado]. (The Bab, Seven Proofs, tradução provisória do persa por Omid Ghaemmaghami)A "Primeira Prova" do Báb parece-me magistral na sua força lógica, irrefutável no seu argumento, carismática no seu tom e conteúdo, e poderosa pela força da sua surpreendente brevidade.
Fiquei estupefacto com esta passagem. Para mim, isto é um verdadeiro milagre, se um milagre é definido como um evento sobrenatural - não sobrenatural no sentido de suspender leis naturais, mas sobrenatural ao transmitir sabedoria divina na sua forma mais pura.
Na minha compreensão limitada desta lógica, o Báb usa o termo "milagres" de duas maneiras: (1) milagres físicos; e (2) livros sagrados, ou seja, as escrituras das religiões do mundo. Isto está em perfeita concordância com a tradicional compreensão islâmica de "milagres". O Alcorão é considerado um "milagre" porque o seu poder e singularidade não podem ser reproduzidos, o que significa que ninguém pode criar algo equivalente. A mesma lógica aplica-se às escrituras do Báb e de Bahá’u’lláh.
O contraste não podia ser mais profundo: apesar dos milagres físicos serem importantes no seu momento, a sua influência é fugaz e de curta duração - embora a memória desses milagres possa durar. Esses milagres são literalmente "incríveis", o que significa que só podem ser credíveis como uma questão de fé. Os cépticos, que exigem prova, não aceitam tais afirmações. Por outras palavras, os milagres não são verificáveis - excepto como uma questão de fé para aqueles que os testemunharam - e não podem ser reproduzidos.
O maior milagre - como indica a primeira prova do Báb - vem da revelação da Palavra de Deus, que influencia criativa e profundamente as mentes, os corações e as almas daqueles que se deixam tocar lendo-a ou escutando-a. Aqui, o efeito no ouvinte - ou no leitor - é poderoso, carismático, duradouro, verificável e reproduzível. Nesse sentido, a Palavra de Deus tem uma influência mais poderosa, milagrosa e duradoura do que qualquer milagre físico, narrado na Bíblia, no Alcorão, ou em qualquer outro texto sagrado.
Vejamos agora uma tradução da versão árabe dessa primeira prova:
Ninguém, salvo que Deus terá alguma vez o poder de revelar versículos como os de Furqan [o Alcorão]. Na verdade, haverá alguma coisa criada mais maravilhosa do que isto, se sois dos que reflectem nessa verdade? Decretámos um período para o povo do Furqan, desde o dia da sua revelação até este momento, até que todos soubessem com certeza que eles eram incapazes para produzir algo semelhante, para que, por ventura, quando ouvissem os versículos de Deus no Dia do Dia Revelação da Sua prova, eles acreditassem tal como o fizeram anteriormente. Ponderai como Deus fechou os seus véus, e como Ele não tem sido tão misericordioso com todos os povos da terra como foi com eles; e, no entanto, eles ignoram a Causa de Deus. Sempre que Deus deseja revelar um versículo, nenhuma fuga têm eles em matéria da sua fé.Aqui, compreendi que o Bab se refere exteriormente ao Alcorão, mas interiormente à Sua própria revelação – e ao poder fortalecedor e milagroso da Palavra de Deus.
Actualmente, eles dizem que isto (o Alcorão) é, em verdade, de Deus, a Ajuda no Perigo, o Que Subsiste por Si próprio, mas se dissessem que esses versículos não são de Deus, eles negariam a Palavra de Deus que receberam antigamente no Furqan. Pois ninguém, excepto Deus, tem o poder de revelar nem que seja um único versículo; estivestes certos disto, cada um e todos, nos tempos passados. (The Bab, Seven Proofs, tradução provisória do árabe por Joshua Hall)
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Texto original: The Problem with Miracles (www.bahaiteachings.org)
Christopher Buck (PhD, JD), advogado e investigador independente, é autor de vários livros, incluindo God & Apple Pie (2015), Religious Myths and Visions of America (2009), Alain Locke: Faith and Philosophy (2005), Paradise e Paradigm (1999), Symbol and Secret (1995/2004), Religious Celebrations (co-autor, 2011), e também contribuíu para diversos capítulos de livros como ‘Abdu’l-Bahá’s Journey West: The Course of Human Solidarity (2013), American Writers (2010 e 2004), The Islamic World (2008), The Blackwell Companion to the Qur’an (2006). Ver christopherbuck.com e bahai-library.com/Buck.
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019
sábado, 16 de fevereiro de 2019
A Epístola Mais Sagrada de Bahá’u’lláh – aos Cristãos
Por Christopher Buck.
“Abri as portas dos vossos corações. Aquele que é o Espírito, em verdade, está diante deles”. Isto não parece que Jesus está a bater à porta do seu coração?
Mas estas palavras são de Bahá’u’lláh, que - acreditam os Bahá’ís - foi predito por Jesus.
O leitor talvez já tenha ouvido sobre o Livro Mais Sagrado (Kitab-i-Aqdas, em árabe) de Bahá’u’lláh que, tal como o título indica, é o livro mais importante das escrituras Bahá’ís. Mas sabia que também existe uma “Epístola Mais Sagrada” (Lawḥ-i-Aqdas)? Esta importante epístola é conhecida entre os Bahá’ís do Ocidente como “Epístola aos Cristãos”. A citação anterior foi retirada dessa epístola.
Existem fortes indícios de que Bahá’u’lláh revelou a Epístola Mais Sagrada para o médico sírio Cristão Faris Effendi, que, como sabemos, foi o primeiro Cristão a declarar a sua fé em Bahá’u’lláh, em Agosto de 1868, quando estava na prisão em Alexandria. Faris tinha conhecido a Fé Bahá’í através de outro companheiro de prisão, Nabil-i A’zam, um dos dezanove Apóstolos de Bahá’u’lláh e famoso historiador Bahá’í. As evidências de que a Epístola Mais Sagrada tenha sido revelada para Faris são fortes, mas não são conclusivas. Não obstante, o académico Bahá’í, Stephen Lambden, apresentou fortes argumentos que sustentam que, de facto, Bahá’u’lláh revelou a Epístola Mais Sagrada para Faris, o médico.
A Epístola Mais Sagrada inicia-se com as seguintes palavras:
Seguidamente, Bahá’u’lláh dirige-se aos Cristãos colectivamente - “Diz, ó seguidores do Filho!” - e repreende-os por se terem “afastado d’Ele [Bahá’u’lláh] e permanecido mergulhados na negligência” (Idem)
É difícil determinar se esta afirmação é retórica, hiperbólica ou literal. Era literalmente verdade, num determinado momento, em que apenas um pequeno grupo de Cristãos – e possivelmente apenas Faris, o médico – tinham reconhecido Bahá’u’lláh como aquele que Cristo tinha predito.
Na Sua epístola aos Cristãos, Bahá’u’lláh refere-Se especificamente ao Livro de Isaías e também a profecias de outras escrituras. Depois Bahá’u’lláh destaca os líderes religiosos como principais responsáveis por manterem a situação dos seus seguidores, que os impedia de compreender - quanto mais aceitar - qualquer anúncio de uma nova revelação, tal como Bahá’u’lláh fizera.
Bahá’u’lláh invoca tempos passados para definir um precedente histórico e padrões de advento profético seguidos de rejeição popular, como estando novamente em acção no momento actual. Tal como aconteceu no passado, também acontece no presente. Bahá’u’lláh adverte os Cristãos:
A salvação que Bahá’u’lláh oferece não é a mesma que a do Cristianismo tradicional. Bahá’u’lláh proclama: “O Meu corpo suportou o encarceramento para que pudésseis libertar-vos do cativeiro do ego.” (Idem p.12) Notavelmente, isto nada tem a ver com a doutrina do pecado original – mas tem tudo a ver com transcendermos a nossa natureza inferior.
Note-se que a doutrina de Bahá’u’lláh sobre salvação é totalmente omissa sobre “nascer em pecado”.
A noção de salvação apresentada por Bahá’u’lláh é clara e desfaz a ilusão de que a ira de Deus deve, de alguma forma, ser acalmada – especialmente com o derradeiro “sangue do sacrifício” de Jesus Cristo na cruz, onde Jesus sofreu no nosso lugar. Aqui não existe esse tipo de doutrina salvífica.
Seguidamente, Bahá’u’lláh compara o Báb com João Baptista, por terem papeis históricos paralelos: “Diz, Não haveis escutado a Voz que Brada, clamando no deserto do Bayan [i.e., a revelação do Báb], trazendo-vos as boas novas da vinda do vosso Senhor, o Todo Misericordioso?” (Idem, p.12) Tal como João Baptista anunciou a vinda de Jesus Cristo, também o Báb anunciou o advento iminente de Bahá’u’lláh. Depois, Bahá’u’lláh apela ao médico Faris - e a todos os Cristãos - que anunciem o Seu advento:
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Texto original: Baha’u’llah’s Most Holy Tablet—to the Christians (www.bahaiteachings.org)
Christopher Buck (PhD, JD), advogado e investigador independente, é autor de vários livros, incluindo God & Apple Pie (2015), Religious Myths and Visions of America (2009), Alain Locke: Faith and Philosophy (2005), Paradise e Paradigm (1999), Symbol and Secret (1995/2004), Religious Celebrations (co-autor, 2011), e também contribuíu para diversos capítulos de livros como ‘Abdu’l-Bahá’s Journey West: The Course of Human Solidarity (2013), American Writers (2010 e 2004), The Islamic World (2008), The Blackwell Companion to the Qur’an (2006). Ver christopherbuck.com e bahai-library.com/Buck.
“Abri as portas dos vossos corações. Aquele que é o Espírito, em verdade, está diante deles”. Isto não parece que Jesus está a bater à porta do seu coração?
Mas estas palavras são de Bahá’u’lláh, que - acreditam os Bahá’ís - foi predito por Jesus.
O leitor talvez já tenha ouvido sobre o Livro Mais Sagrado (Kitab-i-Aqdas, em árabe) de Bahá’u’lláh que, tal como o título indica, é o livro mais importante das escrituras Bahá’ís. Mas sabia que também existe uma “Epístola Mais Sagrada” (Lawḥ-i-Aqdas)? Esta importante epístola é conhecida entre os Bahá’ís do Ocidente como “Epístola aos Cristãos”. A citação anterior foi retirada dessa epístola.
Existem fortes indícios de que Bahá’u’lláh revelou a Epístola Mais Sagrada para o médico sírio Cristão Faris Effendi, que, como sabemos, foi o primeiro Cristão a declarar a sua fé em Bahá’u’lláh, em Agosto de 1868, quando estava na prisão em Alexandria. Faris tinha conhecido a Fé Bahá’í através de outro companheiro de prisão, Nabil-i A’zam, um dos dezanove Apóstolos de Bahá’u’lláh e famoso historiador Bahá’í. As evidências de que a Epístola Mais Sagrada tenha sido revelada para Faris são fortes, mas não são conclusivas. Não obstante, o académico Bahá’í, Stephen Lambden, apresentou fortes argumentos que sustentam que, de facto, Bahá’u’lláh revelou a Epístola Mais Sagrada para Faris, o médico.
A Epístola Mais Sagrada inicia-se com as seguintes palavras:
Esta é a Epístola Mais Sagrada que foi enviada do reino santo para aquele que voltou a sua face para o Objecto de adoração do mundo, Aquele que desceu do céu da eternidade, investido com glória transcendente.A frase de abertura refere-se a uma pessoa em particular, que apesar de conhecida, não é referida pelo nome. O destinatário era obviamente um Cristão.
Em nome do Senhor, o Senhor de grande glória.
Esta é uma Epístola da nossa Presença para aquele a quem os véus dos nomes não conseguiram afastar de Deus, o Criador da terra e do céu, para que os seus olhos se possam alegrar nos dias do seu Senhor, o Auxílio no Perigo, o Que Subsiste por Si Próprio. (Bahá’u’lláh, Tablets of Bahá’u’lláh, p. 9)
Seguidamente, Bahá’u’lláh dirige-se aos Cristãos colectivamente - “Diz, ó seguidores do Filho!” - e repreende-os por se terem “afastado d’Ele [Bahá’u’lláh] e permanecido mergulhados na negligência” (Idem)
É difícil determinar se esta afirmação é retórica, hiperbólica ou literal. Era literalmente verdade, num determinado momento, em que apenas um pequeno grupo de Cristãos – e possivelmente apenas Faris, o médico – tinham reconhecido Bahá’u’lláh como aquele que Cristo tinha predito.
Na Sua epístola aos Cristãos, Bahá’u’lláh refere-Se especificamente ao Livro de Isaías e também a profecias de outras escrituras. Depois Bahá’u’lláh destaca os líderes religiosos como principais responsáveis por manterem a situação dos seus seguidores, que os impedia de compreender - quanto mais aceitar - qualquer anúncio de uma nova revelação, tal como Bahá’u’lláh fizera.
Bahá’u’lláh invoca tempos passados para definir um precedente histórico e padrões de advento profético seguidos de rejeição popular, como estando novamente em acção no momento actual. Tal como aconteceu no passado, também acontece no presente. Bahá’u’lláh adverte os Cristãos:
Eles lêem o Evangelho e, no entanto, recusam-se a reconhecer o Senhor Todo-Glorioso, não obstante Ele ter vindo com o poder do Seu domínio enaltecido, poderoso e gracioso. Nós, em verdade, viemos por vossa causa e suportámos as desgraças do mundo para vossa salvação. Fugis d’Aquele Que sacrificou a Sua vida para que pudésseis ser vivificados? Temei a Deus, ó seguidores do Espírito, e não sigais os passos dos sacerdotes que se perderam. (Idem, p. 10)Bahá’u’lláh indica que Jesus, o Sinai e a “Sarça Ardente” proclamam que reconheceram o Seu advento:
Aquele que é o Desejado surgiu na Sua majestade transcendente. “Diz, Ei-lo! O Pai surgiu e aquilo que vos foi prometido no Reino, cumpriu-se! Esta é a Palavra que o Filho ocultou, quando Ele disse para os que o rodeavam “Não a podeis suportar agora”. E quando momento escolhido chegou e a Hora soou, o Verbo brilhou no horizonte da Vontade de Deus. (Idem, p. 11)Significativamente, Bahá’u’lláh diz sobre Jesus: “Diz, em verdade, Ele testemunhou por Mim e Eu testemunhei por Ele. De facto, Ele não propôs outro que não Eu.” (Idem) Esta é, verdadeiramente, uma afirmação tremenda. Afasta-se das expectativas Cristãs sobre eventos cataclísmicos e apocalípticos que deveriam anunciar de forma inequívoca o regresso de Cristo.
A salvação que Bahá’u’lláh oferece não é a mesma que a do Cristianismo tradicional. Bahá’u’lláh proclama: “O Meu corpo suportou o encarceramento para que pudésseis libertar-vos do cativeiro do ego.” (Idem p.12) Notavelmente, isto nada tem a ver com a doutrina do pecado original – mas tem tudo a ver com transcendermos a nossa natureza inferior.
Note-se que a doutrina de Bahá’u’lláh sobre salvação é totalmente omissa sobre “nascer em pecado”.
A noção de salvação apresentada por Bahá’u’lláh é clara e desfaz a ilusão de que a ira de Deus deve, de alguma forma, ser acalmada – especialmente com o derradeiro “sangue do sacrifício” de Jesus Cristo na cruz, onde Jesus sofreu no nosso lugar. Aqui não existe esse tipo de doutrina salvífica.
Seguidamente, Bahá’u’lláh compara o Báb com João Baptista, por terem papeis históricos paralelos: “Diz, Não haveis escutado a Voz que Brada, clamando no deserto do Bayan [i.e., a revelação do Báb], trazendo-vos as boas novas da vinda do vosso Senhor, o Todo Misericordioso?” (Idem, p.12) Tal como João Baptista anunciou a vinda de Jesus Cristo, também o Báb anunciou o advento iminente de Bahá’u’lláh. Depois, Bahá’u’lláh apela ao médico Faris - e a todos os Cristãos - que anunciem o Seu advento:
Proclama, pois, a toda a humanidade as boas-novas desta poderosa e gloriosa Revelação. Aquele Que é o Espírito da Verdade veio guiar-vos para toda a verdade. Ele não fala impelido pelo Seu próprio ser, mas a mando d’Aquele que é o Omnisciente, o Sapientíssimo.A Epístola Mais Sagrada - a Epístola aos Cristãos - termina com uma série de bem-aventuranças, as últimas das quais dizem o seguinte:
Diz, este é Aquele Que glorificou o Filho e exaltou a Sua Causa. Ó povos da terra, rejeitai aquilo que possuis e segurai-vos firmemente àquilo que vos foi ordenado pelo Todo-Poderoso, Aquele que é o Portador da Confiança de Deus. (Idem)
Bem-aventurado o homem que se desprende de tudo salvo de Mim, que voa alto na atmosfera do Meu amor, que conseguiu ser admitido no Meu Reino, contemplou os Meus domínios de glória, sorveu as águas vivas da Minha bondade, saciou a sua sede no rio celestial da Minha amorosa providência, familiarizou-se com a Minha Causa, percebeu aquilo que ocultei no tesouro das Minhas Palavras, e brilhou no horizonte do conhecimento divino, empenhado no Meu louvor e glorificação (Idem, p.17)Faris, o médico, é o antecessor espiritual dos Bahá’ís de origem Cristã (incluindo eu próprio). A evidências sugerem que Bahá’u’lláh revelou a Epístola Mais Sagrada para Faris. Seja como for, Faris foi o primeiro a responder e a cumprir a “Grande Comissão” de Bahá’u’lláh (ver paralelo com a “Grande Comissão” de Jesus, em Mateus 28:18-20).
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Texto original: Baha’u’llah’s Most Holy Tablet—to the Christians (www.bahaiteachings.org)
Christopher Buck (PhD, JD), advogado e investigador independente, é autor de vários livros, incluindo God & Apple Pie (2015), Religious Myths and Visions of America (2009), Alain Locke: Faith and Philosophy (2005), Paradise e Paradigm (1999), Symbol and Secret (1995/2004), Religious Celebrations (co-autor, 2011), e também contribuíu para diversos capítulos de livros como ‘Abdu’l-Bahá’s Journey West: The Course of Human Solidarity (2013), American Writers (2010 e 2004), The Islamic World (2008), The Blackwell Companion to the Qur’an (2006). Ver christopherbuck.com e bahai-library.com/Buck.
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019
sábado, 9 de fevereiro de 2019
Será a vida uma ilusão?
Por Zarrín Caldwell.
Tenho estado a ler o livro Sapiens: Uma Breve História da Humanidade, de Yuval Noah Harari – mas tenho questionado algumas das premissas principais do autor.
Este livro está muito bem escrito e tem-me ensinado muito sobre diferentes períodos da história humana, mas tem uma visão bastante vaga sobre o base espiritual dessa história.
Harari postula, por exemplo, que todas as histórias narradas pela humanidade – incluindo sobre Deus e o Cristianismo – são apenas ficções. Além disso, ele distingue entre as “realidades objectivas dos rios, árvores e leões” e as “realidades imaginadas dos deuses, nações e empresas”. Compreendo onde o autor que chegar com a sua ênfase nos mitos e nas histórias que moldaram as civilizações humanas, mas dou mais crédito a um plano divino e à sua influência nos assuntos humanos.
De qualquer forma, o livro fez-me pensar sobre a “realidade das ficções” e as “realidades objectivas”, e sobre o que a Fé Bahá’í tem a dizer sobre este tópico. Em muitos aspectos, as Escrituras Bahá’ís definem todo o mundo físico como uma grande ficção:
O significado espiritual da “Matrix”
Estes excertos recordaram-me um pouco do filme de ficção científica “Matrix” (1999) onde a realidade percebida pela maioria dos seres humanos é, na verdade, uma realidade simulada, controlada por máquinas sencientes. O filme em si é muito distópico, mas encoraja a audiência a pensar sobre alguns conceitos filosóficos sobre a natureza da existência. Por outras palavras, estaremos a viver numa espécie de holograma?
As citações anteriores das Escrituras Bahá’ís são mais encorajadoras para mim, mas também sugerem que este mundo físico é, em grande parte, uma ilusão – essencialmente um espelho do mundo espiritual, onde existe a verdadeira realidade, e não o contrário.
Se considerássemos a nossa realidade espiritual como a mais definitiva, como é que isso mudaria a nossa visão do mundo e os nossos comportamentos? Os ensinamentos Bahá’ís apresentam algumas ideias:
E também há aqueles filósofos antigos, líderes religiosos, artistas e até físicos modernos que discordam dessa linha de pensamento. Segundo a física quântica, por exemplo, a existência da matéria subatómica é uma probabilidade. O que vemos no mundo material não é tão real quanto assumimos anteriormente. E vão surgindo descobertas fascinantes como o campo de Higgs – um campo de energia invisível – que se supõe existir em todo o universo, apesar da sua fonte ser desconhecida. Será assim tão improvável, então, afirmar que existe um campo espiritual que mantém as coisas juntas?
Similarmente, Bahá’u’lláh escreveu:
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Texto original: Is Life an Illusion? The Spiritual Meaning of ‘The Matrix’ (www.bahaiteachings.org)
Zarrín Caldwell é uma Bahá’í residente no Arizona (EUA). Tem trabalhado para diversas uma variedade de organizações internacionais sem fins lucrativos, em cargos de comunicação e gestão de programas. A sua experiência profissional centra-se nas organizações multilaterais, relações inter-religiosas, construção da paz e educação internacional. Tem viajado por muitos países e considera-se uma cidadã do mundo.
Tenho estado a ler o livro Sapiens: Uma Breve História da Humanidade, de Yuval Noah Harari – mas tenho questionado algumas das premissas principais do autor.
Este livro está muito bem escrito e tem-me ensinado muito sobre diferentes períodos da história humana, mas tem uma visão bastante vaga sobre o base espiritual dessa história.
Harari postula, por exemplo, que todas as histórias narradas pela humanidade – incluindo sobre Deus e o Cristianismo – são apenas ficções. Além disso, ele distingue entre as “realidades objectivas dos rios, árvores e leões” e as “realidades imaginadas dos deuses, nações e empresas”. Compreendo onde o autor que chegar com a sua ênfase nos mitos e nas histórias que moldaram as civilizações humanas, mas dou mais crédito a um plano divino e à sua influência nos assuntos humanos.
De qualquer forma, o livro fez-me pensar sobre a “realidade das ficções” e as “realidades objectivas”, e sobre o que a Fé Bahá’í tem a dizer sobre este tópico. Em muitos aspectos, as Escrituras Bahá’ís definem todo o mundo físico como uma grande ficção:
Ó tu, donzela que arde com o fogo do amor de Deus! Não te lamentes pelos infortúnios e aflições neste mundo inferior, nem te alegres em tempos de facilidade e conforto, pois ambos passarão. A vida presente é como uma onda que se eleva, ou uma miragem, ou sombras à deriva. Poderá alguma vez uma imagem distorcida no deserto oferecer águas refrescantes? Não, pelo Senhor dos Senhores! Nunca a realidade e a mera aparência de realidade poderão ser a mesma coisa, e é vasta a diferença entre fantasia e realidade, entre a verdade e a ilusão. (‘Abdu’l-Bahá, Selections from the Writings of ‘Abdu’l-Baha, pp. 177-178)Este texto prossegue, afirmando:
Sabe que o Reino é o mundo real, e que este mundo inferior é apenas a sua sombra que se estende. Uma sombra não tem vida própria; a sua existência é apenas uma fantasia, e nada mais; são apenas imagens que se reflectem na água e parecem imagens aos olhos. (Idem)
O significado espiritual da “Matrix”
Estes excertos recordaram-me um pouco do filme de ficção científica “Matrix” (1999) onde a realidade percebida pela maioria dos seres humanos é, na verdade, uma realidade simulada, controlada por máquinas sencientes. O filme em si é muito distópico, mas encoraja a audiência a pensar sobre alguns conceitos filosóficos sobre a natureza da existência. Por outras palavras, estaremos a viver numa espécie de holograma?
As citações anteriores das Escrituras Bahá’ís são mais encorajadoras para mim, mas também sugerem que este mundo físico é, em grande parte, uma ilusão – essencialmente um espelho do mundo espiritual, onde existe a verdadeira realidade, e não o contrário.
Se considerássemos a nossa realidade espiritual como a mais definitiva, como é que isso mudaria a nossa visão do mundo e os nossos comportamentos? Os ensinamentos Bahá’ís apresentam algumas ideias:
Ó amados de Deus! Sabei que o mundo é como uma miragem que se ergue sobre as areias e que o sedento a confunde com água. O vinho deste mundo é apenas vapor no deserto, a sua piedade e compaixão são apenas fadigas e dificuldades, a sua tranquilidade oferece apenas exaustão e mágoa. Abandonai-o para aqueles que lhe pertencem, e voltai as vossas faces para o Reino do vosso Senhor, o Todo-Misericordioso, para que a Sua graça e bondade possa lançar o seu esplendor matinal sobre vós… (Idem, pag. 186)Sobre a nossa realidade espiritual, ‘Abdu’l-Bahá ainda clarifica, dizendo que é:
... uma realidade eterna, uma realidade indestrutível, uma realidade que pertence ao reino divino sobrenatural; uma realidade com a qual o mundo é iluminado, uma realidade que concede ao homem vida eterna. (The Baha’i World, Volume 4, p. 121)Claro que a maioria de nós não pode ver ou sentir a dimensão espiritual da mesma maneira como podemos ver, ou sentir, as coisas tangíveis neste plano da existência. Por isso, algumas pessoas podem acreditar que apenas existem coisas materiais.
E também há aqueles filósofos antigos, líderes religiosos, artistas e até físicos modernos que discordam dessa linha de pensamento. Segundo a física quântica, por exemplo, a existência da matéria subatómica é uma probabilidade. O que vemos no mundo material não é tão real quanto assumimos anteriormente. E vão surgindo descobertas fascinantes como o campo de Higgs – um campo de energia invisível – que se supõe existir em todo o universo, apesar da sua fonte ser desconhecida. Será assim tão improvável, então, afirmar que existe um campo espiritual que mantém as coisas juntas?
Similarmente, Bahá’u’lláh escreveu:
Não pode haver dúvida alguma de que, se por um momento, a maré da Sua misericórdia e graça fosse negada ao mundo, este pereceria completamente (Gleanings from the Writings of Baha’u’llah, XXVII)Estas palavras levam-nos ao conceito da Matrix, que é definida como um meio (ou estrutura) envolvente. Todos vivemos numa realidade global que o nosso tempo/espaço não nos permite compreender, mas que, não obstante, é a cola que liga todas as coisas. Se pensarmos na nossa existência nestes termos, talvez fiquemos menos tempo a sentir-nos perdidos na terra das sombras, e menos desanimados com os “infortúnios e aflições neste mundo inferior”.
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Texto original: Is Life an Illusion? The Spiritual Meaning of ‘The Matrix’ (www.bahaiteachings.org)
Zarrín Caldwell é uma Bahá’í residente no Arizona (EUA). Tem trabalhado para diversas uma variedade de organizações internacionais sem fins lucrativos, em cargos de comunicação e gestão de programas. A sua experiência profissional centra-se nas organizações multilaterais, relações inter-religiosas, construção da paz e educação internacional. Tem viajado por muitos países e considera-se uma cidadã do mundo.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019
sábado, 2 de fevereiro de 2019
Bahá'u'lláh responde a um Cristão - e a todos os Cristãos
Por Christopher Buck.
Consegue imaginar o que seria escrever uma carta a um Mensageiro de Deus – e receber uma resposta? Foi isso que aconteceu quando o médico sírio Faris Effendi escreveu a sua declaração de fé em Bahá’u’lláh.
O significado do papel histórico de Faris - enquanto primeiro Bahá’í de origem Cristã - é sublinhado pelo próprio Bahá’u’lláh, no final da Sua epístola:
Bahá’u’lláh caracteriza a carta a Faris como “Epístola Poderosa”. Num jogo palavras simbólico e poético, Bahá’u’lláh alude ao significado do nome de Faris (“cavaleiro”):
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Texto original: Baha’u’llah Replies to the First Christian Baha’i - and to All Christians (www.bahaiteachings.org)
Christopher Buck (PhD, JD), advogado e investigador independente, é autor de vários livros, incluindo God & Apple Pie (2015), Religious Myths and Visions of America (2009), Alain Locke: Faith and Philosophy (2005), Paradise e Paradigm (1999), Symbol and Secret (1995/2004), Religious Celebrations (co-autor, 2011), e também contribuíu para diversos capítulos de livros como ‘Abdu’l-Bahá’s Journey West: The Course of Human Solidarity (2013), American Writers (2010 e 2004), The Islamic World (2008), The Blackwell Companion to the Qur’an (2006). Ver christopherbuck.com e bahai-library.com/Buck.
Consegue imaginar o que seria escrever uma carta a um Mensageiro de Deus – e receber uma resposta? Foi isso que aconteceu quando o médico sírio Faris Effendi escreveu a sua declaração de fé em Bahá’u’lláh.
O significado do papel histórico de Faris - enquanto primeiro Bahá’í de origem Cristã - é sublinhado pelo próprio Bahá’u’lláh, no final da Sua epístola:
Por Deus, aos olhos de Deus, a criação desse homem é maior que a criação dos céus e da terra. Quando leres a sua missiva, exclama: “Exaltado seja Deus, Que desperta quem Ele quer com o Seu poder; Ele, em verdade, é Aquele que Desperta os Mundos!” (Bahá’u’lláh, Tablet to Rad’ar-Ruḥ, tradução provisória de Joshua Hall.)A prova que esta epístola foi a resposta de Bahá’u’lláh à carta original de Faris surge no final da Epístola, onde Bahá’u’lláh, num toque pessoal, fala na primeira pessoa:
Recordo-Me quando a tua missiva foi recebida pela primeira vez, quando o Mais Grandioso Oceano submergiu a Arca devido àquilo que as mãos dos politeístas cometeram. E [tenho presente] aquele momento quando [a tua carta] foi apresentada perante [Bahá’u’lláh]… Recitámo-la e respondemos-te através desta Mensagem irrevogável e que tudo abrange. (Bahá’u’lláh, “Tablet for Faris Effendi the Christian,” tradução provisória de Stephen Lambden)É curioso notar que Shoghi Effendi – o Guardião da Fé Bahá’í entre 1921 e 1957, e tradutor inspirado das escrituras Bahá’ís – traduziu um terço desta epístola a Faris:
O Sopro foi lançado e a Brisa espalhou-se, e de Sião surgiu o que estava oculto, e de Jerusalém ouviu-se a Voz de Deus, o Uno, o Incomparável, o Omnisciente. (Baha’u’llah, citado por Shoghi Effendi em The Promised Day is Come, p. 77)
...Ó concurso de patriarcas [Cristãos]! Aquele que foi prometido nas Epístolas já veio. Temei a Deus e não sigais as imaginações frívolas das superstições. Colocai de lado as coisas que possuis e segurai-vos firmemente à Epístola de Deus pelo Seu poder soberano. Isto é melhor para vós do que tudo o que possuis. Disto dá testemunho todo o coração entendido, e todo o homem de discernimento. Orgulhai-vos em Meu nome e, no entanto, isolai-vos de Mim com se por um véu? Isto, de facto, é uma coisa estranha!Podemos perguntar: se Bahá’u’lláh está a escrever para o médico Faris, então porque é nos excertos acima (traduzidos por Shoghi Effendi), Ele se dirige aos líderes mundiais do Cristianismo? Apesar desta epístola ser uma resposta à carta de Faris, Bahá’u’lláh escreveu simultaneamente uma “carta aberta” e proclamação pública – ao colectivo dos líderes religiosos e políticos de todo o mundo – sobre a Sua condição e missão divinas, pretendendo unificar o mundo através do poder dos Seus ensinamentos.
... Ó concurso de Arcebispos! Apareceu aquele que é o Senhor de todos os homens! Na planície da orientação Ele chama a humanidade, enquanto vós sois contados entre os mortos! Grande é a bem-aventurança daquele que é animado pela Brisa de Deus e se ergueu de entre os mortos neste Nome perspícuo.
...Ó concurso de bispos! O tremor apoderou-se de todos clãs da terra, e Aquele que é o Pai Eterno brada entre a terra e céu. Bem-aventurada a orelha que ouviu e o olho que viu, e o coração que se voltou para Aquele que é o Ponto de Adoração de todos os que estão nos céus e todo os que estão na terra.
...Ó concurso de sacerdotes! Surgiu o Dia do Juízo Final, o Dia em que veio Aquele que estava no céu. Ele em verdade, é Aquele que vos foi prometido nos Livros de Deus, o Santo, o Omnipotente, o Todo-Louvado. Durante quanto tempo deambulareis no deserto da negligência e superstição? Voltai os vossos corações em direcção ao vosso Senhor, o Clemente, o Generoso. (Idem, pp. 100-102)
Bahá’u’lláh caracteriza a carta a Faris como “Epístola Poderosa”. Num jogo palavras simbólico e poético, Bahá’u’lláh alude ao significado do nome de Faris (“cavaleiro”):
Incumbe-te dar graças Àquele que te permitiu escutar o arrulho da Pomba e te fez compreender este Caminho Recto. Levanta-te para a vitória da Causa do teu Senhor, com sabedoria e perspicuidade. Ele, em verdade, auxilia quem quer que Ele deseje com uma soberania que vem d’Ele. Ele, seguramente, é o Todo-Poderoso, o Omnipotente. Suplicamos a Deus que te faça cavaleiro das realidades deste campo de batalha [hipódromo] e te faça de modo que as fantasias vãs não te separem de Deus, o teu Senhor e Senhor de todos os mundos. (Baha’u’llah, Tablet for Faris Effendi the Christian, tradução provisória de Stephen Lambden.)O médico Faris representa – numa forma idealizada - todos os Bahá’ís de origem Cristã (incluindo eu próprio) que se levantam para levar a mensagem do “Evangelho” de Bahá’u’lláh ao resto do mundo.
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Texto original: Baha’u’llah Replies to the First Christian Baha’i - and to All Christians (www.bahaiteachings.org)
Christopher Buck (PhD, JD), advogado e investigador independente, é autor de vários livros, incluindo God & Apple Pie (2015), Religious Myths and Visions of America (2009), Alain Locke: Faith and Philosophy (2005), Paradise e Paradigm (1999), Symbol and Secret (1995/2004), Religious Celebrations (co-autor, 2011), e também contribuíu para diversos capítulos de livros como ‘Abdu’l-Bahá’s Journey West: The Course of Human Solidarity (2013), American Writers (2010 e 2004), The Islamic World (2008), The Blackwell Companion to the Qur’an (2006). Ver christopherbuck.com e bahai-library.com/Buck.
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