sábado, 16 de abril de 2016

Prevendo o Regresso de Cristo

Por Russell Ballew.

Sobre as Suas palavras, que o Filho do homem “virá sobre as nuvens do céu”, o termo “nuvens” significa aquelas coisas que são contrárias aos hábitos e desejos dos homens. (Bahá’u’lláh, O Livro da Certeza, parag. 79)
Em 24 de Maio de 1844, Samuel Morse telegrafou a primeira mensagem a longa distância: «Que maravilhas fez Deus!». A citação, seleccionada da Bíblia (Livro dos Números 23:23), podia aplicar-se igualmente às invenções científicas que constituíram a base da conectividade global do século XXI. A frase poderia também aplicar-se ao fervor religioso sobre o regresso de Cristo que atingiu o clímax nesse mesmo ano.

William Miller
As implicações religiosas desta importante inovação científica inflamaram a imaginação de uma comunidade global de Adventistas, que tinha chegado à conclusão que o Regresso de Cristo aconteceria entre 1843 e 1844. Para compreender esta conclusão vamos analisar o raciocínio e os cálculos de William Miller, um dos mais influentes líderes do Advento, cujo livro Evidence from Scripture and History of the Second Coming of Christ (Evidências da Escritura e da História sobre a Segunda Vinda de Cristo) vendeu milhares de exemplares e deu rigor ao movimento Adventista. Veja aqui um exemplar original desse livro.

Miller começou o seu livro com as bem conhecidas profecias do regresso de Cristo que se encontram no Evangelho de Mateus e no livro de Daniel:
Este Evangelho do Reino será proclamado em todo o mundo, para se dar testemunho diante de todos os povos. E então virá o fim. Por isso, quando virdes a abominação da desolação, de que falou o profeta Daniel, instalada no lugar santo… (Mateus 24 14-15)

Vi um santo que falava, a quem um outro santo perguntou: «Quanto tempo durará o que anuncia a visão, a propósito do holocausto perpétuo, da abominação devastadora, do abandono do santuário e do exército dos fiéis calcado aos pés?» E ele respondeu: «Duas mil e trezentas tar¬des e manhãs. Depois disso, o san-tuá¬rio será restaurado. (Daniel 8: 13-14)
E este é o raciocínio que Miller para chegar às suas conclusões, segundo as suas próprias palavras:
O que devemos entender como sendo dias? Na profecia de Daniel são invariavelmente considerados como anos. Pois Deus ordenou aos profetas que os considerassem dias (Num 14:34): “Conforme o número de dias em que explorastes a terra, quarenta dias, equivalendo cada dia a um ano, haveis de carregar durante quarenta anos as vossas iniquidades e reconhecereis o meu desagrado.” (Evidence from Scripture, p. 46.)

Quando começaram os 2300 anos?... Vamos começar onde o anjo nos disse, desde a publicação do decreto de construção das muralhas de Jerusalém em tempos tumultuosos, 457 anos antes de Cristo. Subtraia-se 457 a 2300 e obtemos o ano 1843 EC; ou se subtrairmos 70 semanas, como sendo 470 anos aos 2300 anos, obtemos o ano 1810 após a morte de Cristo. Adicionemos a sua vida (porque começamos a calcular o nosso tempo a partir do seu nascimento) que são 33 anos, e chegamos ao mesmo ano de 1843 EC. (Evidence from Scripture, p. 46.)
Desde 1843 até ao Outono de 1844, Adventistas zelosos e os seus detractores olharam para o céu esperando ver Jesus descer nas nuvens, levando os fiéis para o paraíso e destruindo o mundo. Alimentavam uma visão de um regresso espectacular do Senhor, não necessariamente consistente com a ciência, mas baseada em várias interpretações de frases semelhantes a esta do Evangelho de Mateus:
Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem e todos os povos da terra se lamentarão e verão o Filho do Homem vir sobre as nuvens do céu, com grande poder e glória. Ele enviará os seus anjos, com uma trombeta altissonante, para reunir os seus eleitos desde os quatro ventos, de um extremo ao outro do céu. (Mateus 24:30-31)
Apesar da sua devoção pia e renúncia aos bens materiais, nem Miller nem os seus seguidores viram o Regresso de Cristo da forma que imaginavam. Em vez de serem levados triunfalmente para o paraíso, ficaram desiludidos na terra, perguntando-se como algo tão fantástico, tão previsível podia ter corrido mal.
Colónia dos Templários alemães, Haifa, 1895
Pouco depois disto, um grupo de Adventistas alemães liderados por Christoff Hoffman e George David Hardegg formaram a Sociedade dos Templários Alemães. Também acreditavam no iminente Regresso de Cristo. No entanto, acreditavam que os aspectos mais incríveis da Bíblia – como por exemplo: “...quem não nascer de novo, não pode ver o Reino de Deus” (João 3:3) - eram alegóricos e não literais.

Os Templários Alemães concluíram que Cristo regressaria à Terra Santa de uma forma que ninguém imaginara. Talvez Cristo já tivesse vindo e as pessoas não tinham percebido: “Com efeito, vós próprios sabeis perfeitamente que o Dia do Senhor chega de noite como um ladrão.” (1 Tessalonicenses 5:2)

Hoffman e Hardegg levaram os seus seguidores para Haifa (Terra Santa), tendo chegado em Outubro de 1868. Para sua surpresa encontraram os líderes de um novo movimento religioso que tinha surgido em 22 de Maio de 1844, na Pérsia, exactamente o ano em que previam o regresso de Cristo.

Nas palavras dos Templários:
Tomei conhecimento de um outro fenómeno espiritual que pode fortalecer a nossa crença. Trata-se de um grupo de 70 Persas que foram desterrados para Akka devido às suas crenças. (Suddeutsche Warte, June 29, 1871.)
Os Templários Alemães mantiveram contactos com os Bahá’ís e depois fundaram uma comunidade próspera no sopé do Monte Carmelo, próximo dos lugares Sagrados Bahá’ís. Os Bahá’ís acreditam que Templários e Adventistas perceberam o advento profético de uma nova dispensação religiosa, e que a Fé Bahá’í cumpre e completa essas profecias.

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Texto original: Anticipating the Advent and Return of Christ (www.bahaiteachings.org)

Artigo anterior: Procurar o Espírito de Cristo


2 comentários:

J. Carlos disse...

... e, citando a Wikipédia,

"… Enfermo, Miller retornou à sua fazenda em Low Hampton, Nova Iorque. Em 1848, Miller construiu uma capela em sua propriedade para o culto dos adventistas depois que ele e sua família foram expulsos de sua igreja batista local[22] [*23] William Miller morreu em 20 de dezembro de 1849 convicto de suas interpretações estava certa.[24]"
*24)- ↑ BARKUN, Michael. Crucible of the Millennium: Burned-Over District of New York in the 1840s. Syracuse University Press, 1986. p.3

M. Obrigado Marco, por nos trazeres esta parte da História, que deu origem, inicialmente, ao Millerismo e, posteriormente, aos Adventistas do Sétimo Dia.

Marco Oliveira disse...

Eu apenas traduzi o texto.
Ainda bem que o texto foi do seu agrado.
Um abraço.