sábado, 29 de outubro de 2011

Um caminho ou vários caminhos?

"A inabalável certeza de que se continua a possuir a verdade enquanto os outros estão enganados já não é uma possibilidade", Edward Schillebeeckx[1]
Para aqueles que concordem com Schillebeeckx, a pluralidade não é uma situação para ser tolerada até que os Cristãos consigam conceber um plano mestre que arrebanhe todas estas “outras” ovelhas num único curral. Para aqueles convencidos por estudos antropológicos, históricos e sociológicos que não existe um caminho único ou superior, a multiplicidade é a essência da realidade, a forma como as coisas são e funcionam. Será isto algo que os Cristãos podem ou devem aceitar? Ou será que leva à negação da verdade religiosa fundamental? Estas são as questões que estão por detrás das declarações dos teólogos e pastores das igrejas quando se debatem com estes assuntos.

E deve-se notar rapidamente que estas são as mesmas questões que Muçulmanos, Hindus, e outros se colocam. Na verdade, é a resistência ao chamado relativismo dos académicos ocidentais que inspira hoje muitos professores Muçulmanos. Não devemos iludir-nos pensando que as respostas as estas questões serão fáceis.

É claro que muitas pessoas com educação universitária no Ocidente e noutros lugares estão convencidas que as tradições religiosas não são formas fiáveis de afirmar a verdade sobre o universo. Na verdade, para muitas pessoas, é um axioma que a religião leve ao conflito, ao retrocesso, à superstição e ao ódio. Em que medida devem os Cristãos (ou Judeus, Muçulmanos ou Budistas para este assunto) concordar com esses pontos de vista? Se colocarmos uma destas críticas legítimas à religião na nossa tradição, poderá esse ponto de vista constituir um ácido que não só elimina abusos e formas de pensar ultrapassadas, mas também corrói as atitudes nucleares essenciais para entrar na religião enquanto mistério e espiritualidade? Estas são questões que, mesmo que não estejam no topo da discussão, deixam muitos teólogos e professores de religião pouco à vontade com a modernidade.

Paul F. Knitter, Introducing Theologies of Religions, p. 7
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[1] - The Church: The Human Story of God, 1990, p. 50-51

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Conhecer outras religiões

Aquilo que, em tempos antigos, o Muçulmano poderia dizer ou pensar sobre o Cristão ou o Judeu já não se parece adequado. Aquilo que os Cristãos disseram anteriormente para repudiar sumariamente o Islão também necessita igualmente de ser reexaminado, sobretudo à luz da experiência que revela a graça e a verdade presente nos nossos vizinhos Muçulmanos. Esta mesma equação, acredito, aplica-se no caso daquilo que aprendemos quando estudamos tradições como o Judaísmo, o Budismo, o Hinduísmo, o Confucionismo, e os tradicionalismos Africano e Nativo Americano.

Paul F. Knitter, Introducing Theologies of Religions, p. 3

sábado, 22 de outubro de 2011

Nora Goldeberger Buda (1923-2011)

Nora, na Escola de Verão, em Santarém (Agosto, 2011)
Nora Goldeberger Buda, nasceu em Budapeste (Hungria) em 1923, numa família de ascendência israelita. Em 1938 mudou-se com a mãe Elisabeth Goldberger Buda e a sua irmã Ilma para Copenhaga (Dinamarca). As duas irmãs estudaram francês na Escola do Convento das Irmãs Assunção, da Igreja Luterana Alemã. Converteu-se à Igreja Luterana após um ano de estudos.

Em 1949, Nora veio para Portugal, viveu em Lisboa e posteriormente, em S. João do Estoril, com o seu pai, André Goldberger Buda.

Em Portugal, Nora trabalhou como professora de línguas. E foi no “Centro Internacional de Línguas”, em Lisboa, no ano de 1960 que conheceu duas pioneiras Baha’is, Jan Coppen e Irene Benet, que também eram professoras de línguas. A amizade foi-se desenvolvendo e as conversas sobre religião sucederam com alguma naturalidade.

Em 1962, Nora aceitou a Fé Bahá’í.

Durante vários anos serviu na Assembleia Espiritual Local dos Baha’is de Lisboa, e posteriormente na Assembleia Espiritual Local dos Baha’is do Estoril. A sua constância ao serviço da Comunidade Bahá’í foi a sua característica distintiva. Foi através dela que muitos membros da Comunidade Bahá’í tiveram o primeiro contacto com a Mensagem de Bahá'u'lláh.

Faleceu hoje no Hospital de Cascais.

Que Deus Misericordioso lhe abra as portas do Reino de Abhá!

Irão: Uma campanha mediática para incitar ao ódio e à violência

Uma campanha mediática de longo alcance, que passa despercebida fora do Irão, está sistematicamente a incitar ao ódio e à violência contra os 300.000 membros da Comunidade Bahá’í do Irão. Esta é uma das conclusões do relatório divulgado hoje (20 de Outubro) pela comunidade internacional Bahá’í, onde se analisam 400 itens divulgados pela comunicação social iraniana ao longo de um período de 16 meses, que tipificam um esforço insidioso do Governo para demonizar e difamar os Baha’is, usando falsas acusações, terminologia agressiva e imagens repugnantes.

"Esta propaganda anti-Baha'i é chocante na sua dimensão, fervor, alcance e sofisticação", declarou Bani Dugal, a principal representante da Comunidade Internacional Bahá'í nas Nações Unidas. "É tudo cinicamente calculado para fomentar a hostilidade contra uma pacífica comunidade religiosa cujos membros se esforçam para contribuir para o bem-estar de sua sociedade", afirmou.


Intitulado Incitar ao ódio: a campanha mediática do Irão para demonizar Baha'is, as principais conclusões do relatório são:
  • a propaganda anti-Baha'i tem origem - e é sancionada – no mais altos níveis da liderança do país, incluindo o líder supremo Ayatollah Ali Khamenei, que fez um discurso profundamente discriminatório na cidade santa de Qom, há um ano atrás;
  • a campanha despreza as leis e normas internacionais de direitos humanos, incluindo uma resolução que estabeleceu precedentes ao ser aprovada no início deste ano no Conselho de Direitos Humanos da ONU, que, especificamente, condena e combate os estereótipos negativos e incitamento ao ódio contra as minorias religiosas;
  • os Baha'is são rotulados como “intrusos” na sua própria terra e como os inimigos do Islã de uma forma que é claramente calculada para provocar a hostilidade dos muçulmanos xiitas do Irã;
  • a campanha visa desviar a atenção dos apelos à democracia no Irão usando Baha'is como "bodes expiatórios" de todos os males - e, com isso tentar difamar os que se opõem ao governo e activistas de direitos humanos, rotulando-os como Baha’is "como se isso fosse o crime mais hediondo";
  • as autoridades disseminam teorias de conspiração absurdas, descrevendo as emissoras estrangeiras, nomeadamente a BBC e a Voice of America, como estado controladas, ou sob a influência, de Bahá’ís porque noticiam histórias sobre violações dos direitos humanos no Irão.
"O conteúdo de diversos desses ataques demonstra tremendo esforço e empenho de recursos por parte da República Islâmica", diz o relatório.

"Muitos ataques são baseados em distorções grosseiras da história Bahá’í; alguns tentam seguir uma estratégia que tenta associar Bahá’ís a grupos em conjunto completamente alheios - como os «satânicos» ou a polícia secreta do Xá; outros seguem uma táctica de ligar os Baha'is aos «adversários» do regime, de forma a permitir ao Governo desacreditar simultaneamente os Bahá’ís e os seus adversários num único acto. A campanha faz uso extensivo da internet, e muitas vezes usa imagens gráficas que retratam Baha’is com «vampiros diabólicos ou agentes de Israel.»

Bani Dugal afirmou que a demonização da Comunidade Bahá’í do Irão é um assunto que merece a atenção de governos, instituições internacionais legal, e pessoas de bom senso em toda parte.

"A campanha não só viola claramente as leis internacionais de direitos humanos", acrescentou, "é também contradiz totalmente já antiga resposta do Irão - na ONU e noutros lugares - que afirma estar a trabalhar para apoiar medidas que proíbem e condenam o discurso de ódio contra religiões ou pessoas religiosas."

"Os paralelismos entre a campanha de propaganda anti-Baha'i no Irão de hoje e outras campanhas anti-religiosas do passado, patrocinadas pelo Estado, são inegáveis A história mostra que essas campanhas estão entre os mais importantes precursores de violência real contra as minorias religiosas - e, no pior cenário, os precursores de genocídio”, concluiu a sra. Dugal.

Leia o relatório completo aqui (PDF, em inglês)

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FONTE: Report exposes Iran's media campaign to demonize Baha'is (BWNS)

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Os últimos dias do antigo Centro Bahá'í de Lisboa

Fotos tiradas no Domingo passado, no Centro Baha'i, em Lisboa.
São um pequeno testemunho dos últimos dias na Avenida Ventura Terra.
Caixotes prontos a serem transportados, estantes desmontadas, salas quase irreconhecíveis...
A última reunião da AEN teve lugar na sala do piso de baixo.













terça-feira, 18 de outubro de 2011

Educadores Bahá’ís condenados no Irão

Um tribunal revolucionário de Teerão condenou hoje a penas de prisão vários Bahá’ís ligados ao BIHE (Bahá’í Institute for Higer Education), um programa educativo informal lançado pela Comunidade Bahá’í do Irão para proporcionar cursos de nível superior aos jovens Bahá’ís impedidos pelo Governo de frequentar as universidades iranianas.

Relatórios recebidos pela Comunidade Internacional Baha’i indicam que dois educadores, Vahid Mahmoudi e Kamran Mortezaie, foram condenados a cinco anos de prisão. Os professores Ramin Zibaie, Mahmoud Badavam e Farhad Sedghi, o consultor Riaz Sobhani, e o ajudante Nooshin Khadem foram condenados a quatro anos de prisão.

"Nesta fase ainda não está claro nesta fase quais as acusações que foram feitas contra estas almas inocentes, cujo único desejo era servir os jovens que têm sido injustamente impedidos de aceder ao ensino superior apenas por motivos religiosos", disse Bani Dugal, principal representante da Comunidade Internacional para Bahá’í das Nações Unidas.

"Que tipo de sociedade faz da educação dos jovens um crime punível por lei?" questionou.

Dois outros Bahá’ís associados BIHE - marido e mulher Kamran Rahimian e Faran Hesami, ambos professores de psicologia - ainda estão presos sem que tenha sido formula qualquer acusação.


SOBRE ESTE ASSUNTO:

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FONTE: Baha'i educators sentenced (BWNS)

Relator das Nações Unidas para o Irão apresenta os primeiros resultados sobre direitos humanos

No seu primeiro relatório, o recém-nomeado Relator Especial da ONU para os direitos humanos no Irão apelou ao governo iraniano para criar uma cultura em que os direitos e liberdades fundamentais das minorias e das mulheres estejam protegidos. Ahmed Shaheed, também pediu ao Irão que se abstenha de reprimir a dissidência, manifestou preocupação com a deterioração da saúde de alguns presos e repetiu um pedido anterior para ser autorizado a visitar o país.

O relatório provisório - apresentado à Assembleia Geral das Nações Unidas, na sua 66ª sessão, agora em curso em Nova Iorque - vem no seguimento das preocupações sobre o Irão que o Secretário-Geral Ban Ki-Moon expressou na semana passada.

O Relator Especial, que tomou posse em 1 de Agosto, afirma que - em vez de apresentar um relatório permanente - ele preferiu apresentar uma proposta de metodologia para lidar com o Irão, catalogando as mais recentes tendências no que respeita à situação dos direitos humanos, conseguindo-as a partir de testemunhos em primeira mão prestados por indivíduos e organizações desde a sua nomeação.

Estes incluem abusos contra jornalistas, políticos, activistas dos direitos das mulheres, cineastas, advogados de direitos humanos e activistas ambientais; uso da tortura contra presos; a imposição da pena de morte na ausência de adequada protecção judicial; pedidos de fianças exorbitantes e a falta de independência dos juízes.

O Relator Especial expressa ainda a sua preocupação com as violações dos direitos humanos contra os grupos minoritários, incluindo os árabes, os azeris, os Bahá’ís, baluchis, cristãos, curdos, muçulmanos sunitas e sufis.

Em relação à Comunidade Bahá'í do Irão, o Dr. Shaheed informou que os seus membros têm "historicamente vindo a sofrer uma discriminação multifacetada, incluindo a negação de empregos, pensões e oportunidades educacionais, bem como a confiscação e a destruição da propriedade." Pelo menos 100 Bahá'ís, incluindo sete líderes da comunidade, estão actualmente presos na República Islâmica, diz o relatório.

"A maioria dos detidos enfrentam acusações supostamente relacionadas com a segurança nacional, tendo sido submetidos a processos judiciais aos quais faltava o devido processo legal e as normas de julgamentos justos", escreve o Dr. Shaheed.

Em conclusão, enfatiza o seu desejo de diálogo construtivo com o Governo iraniano, a comunidade internacional e a sociedade civil.

"Congratulamo-nos com o apelo do Dr. Shaheed ao governo iraniano para se comprometer com mais rigor com a comunidade internacional de modo a reforçar as garantias dos direitos humanos para os seus cidadãos", disse Bani Dugal, principal representante da Comunidade Internacional Bahá'í nas Nações Unidas, em Nova Iorque.

"Está ao alcance do poder do Irão criar uma cultura de tolerância que impeça a discriminação contra as mulheres, as minorias religiosas e étnicas, e proteja as suas liberdades de associação e de livre expressão", acrescentou. "A bola está agora do lado iraniano. Insistimos para que cooperem plenamente com o Relator Especial, que deve ser autorizado a cumprir o mandato que lhe foi conferido pelo Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas."
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FONTE: UN monitor for Iran presents first findings on human rights abuses (BWNS)

domingo, 16 de outubro de 2011

O meu pai foi acusado de ajudar a Universidade Bahá'í

Numa entrevista para International Campaign for Human Rights in Iran (ICHRI), Naim Sobhani, o filho de Riaz Sobhani, um Bahá’í iraniano detido na prisão de Evin durante os últimos quatro meses sob a acusação de prestar assistência financeira à Universidade Baha'i no Irão, falou sobre o caso do seu pai. Naim Sobhani disse à ICHRI que após a detenção do seu pai, as suas contas bancárias foram bloqueadas. De acordo com o filho, no seu julgamento 01 de Outubro, Riaz Sobhani aceitou a acusação de prestar assistência financeira à Universidade Bahá’í. "Eu não cometi um crime. Eu só ajudei os jovens estudantes que não têm permissão do governo para ter uma educação", disse Riaz Sobhani ao tribunal.

"Há cerca de quatro meses atrás, os agentes apareceram em casa de meu pai sem um mandado. Eles revistaram a sua casa e, posteriormente, levaram o meu pai, juntamente com todos os computadores existentes em casa. Não tivemos nenhuma notícia dele durante cerca de três semanas. Durante esse tempo, quando minha mãe e meus irmãos que vivem no Irão iam à prisão de Evin, as autoridades prisionais diziam-lhes que ele não estava lá. Finalmente, após três semanas, ele pôde de telefonar para casa e dizer que estava vivo e na prisão de Evin. Ele passou os primeiros dois meses em isolamento solitário. Ele tem 68 anos, e nunca foi politicamente activo", disse Naim Sobhani.

O primeiro advogado de Riaz Sobhani, Abdolfattah Soltani, foi preso pouco depois de aceitar o seu caso, e a sua família foi forçada a escolher outros advogados. "O seu advogado disse à minha família que esta não foi a primeira vez que ele tinha visto um julgamento assim, pois Bahá’ís são geralmente acusados de crimes sem fundamento, tais espiar para Israel e os Estados Unidos. Mas, graças a Deus, a acusação contra o meu pai era o mesmo que ele tinha sido dito no dia de sua prisão, nomeadamente "ajudar a Universidade Bahá’í." E porque a acusação era verdadeira, o meu pai disse: 'Sim, eu fiz isso. Não cometi um crime. Também não fiz nada contra a lei. E também não tenho nada a ver com política. Vocês não permitem que os jovens Bahá’ís frequentem as universidades. Eu só os ajudo a estudar. E sobre isso, vocês nem sequer reconhecem esse diploma universitário. Eles são felizes apenas a estudar ", disse Naim Sobhani.

Continuar a ler o artigo (em inglês)

sábado, 15 de outubro de 2011

As questões do diálogo inter-religioso

Por vezes a nova abordagem torna-se dolorosa devido à quantidade de informação e qualidade da nossa consciência sobre as outras religiões colocam hoje uma barragem de questões que as pessoas religiosas do passado, seguras nos seus campos religiosos isolados, nunca tiveram de enfrentar com tamanha urgência:
  • Porque é que existem tantas religiões diferentes?
  • Se Deus é só um, não deveria existir apenas uma religião?
  • Todas as religiões são válidas aos olhos de Deus? Todas colocam com igual eficácia as pessoas em contacto com o Divino?
  • Serão as suas diferenças mais um assunto de cores variadas do que conteúdos contraditórios? Como devem as tradições religiosas relacionar-se entre si?
  • Mais especificamente, como devem as religiões relacionar-se entre si?
  • Poderei aprender algo mais delas do que aprendi da minha? Porque pertenço a uma religião e não a outra?
Estas questões constituem a agenda para os Cristãos que tentam compreender-se a si próprios e à sua fé em relação aos seus vizinhos religiosos e às suas fés. A tentativa de pastores e teólogos Cristãos para responder às questões anteriores constituem uma disciplina chamada “teologia das religiões”.

Paul F. Knitter, Introducing Theologies of Religions, p. 1-2

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Leonardo Boff entre os académicos que condenam ataque do Irão aos educadores Bahá'ís

Numa iniciativa global sem precedentes, os 43 filósofos e teólogos de 16 países e adeptos de diferentes filosofias e credos (cristãos, hindus, judeus, muçulmanos) - assinaram uma carta aberta em que condenam a política do Irão em proibir a frequência do ensino superior aos jovens Bahá'ís e outros. A carta foi publicada no dia 10 de Outubro, nos jornais Folha de São Paulo (Brasil) e The Daily Telegraph (Reino Unido).

A carta condena, particularmente, os recentes ataques das autoridades iranianas a uma iniciativa educativa informal da comunidade Bahá'í - conhecido como BIHE (Bahá’í Institute for Higher Education) - em que professores Bahá’ís , proibidos pelo governo iraniano de praticar as suas profissões, voluntariamente oferecem os seus serviços para ensinar os membros jovens da comunidade, que estão proibidos de frequentar o ensino superior.
Em cima: Cornel West, Princeton, EUA; Graham Ward, Oxford, Reino Unido; Charles Taylor, McGill, Canada; Leonardo Boff, Rio de Janeiro, Brasil;
Em baixo: Ebrahim Moosa, Duke, EUA; Hilary Putnam, Harvard, EUA.; Stanley Hauerwas, Duke, EUA; and Tahir Mahmood, India.

Sete Bahá’ís, ligados ao BIHE, apareceram, recentemente, pela primeira vez em tribunal, depois de terem estado presos durante quatro meses. Tinham sido detidos após uma série de rusgas, no passado dia 22 de Maio, a 39 residências de pessoas ligadas ao BIHE. As actividades do Instituto, desde então, foram declaradas “ilegais”.

Na carta aberta afirma-se: “Como filósofos, teólogos e estudiosos das religiões, de todo o mundo, erguemos as nossas vozes em protesto contra o recente ataque das autoridades iranianas ao Bahá’í Institute for Higher Education”.

“Adquirir conhecimento e instrução é um direito legal e sagrado de todos; na verdade, o Estado é obrigado a fornecê-la. No Irão, o governo tem vindo a fazer o contrário...”.

“Ataques como estes, contra os direitos dos cidadãos para se organizarem e serem educados em liberdade, não podem mais ser tolerados. Apelamos ao governo iraniano não só para pôr termo à perseguição dos Bahá'ís, mas também para oferecer e promover educação para todos“.

O teólogo brasileiro Leonardo Boff, conhecido defensor da Teologia da Libertação, entende que a represão contra os Baha’is no Irão se deve ao seu universalismo: "É a religião mais ecuménica do mundo. Não importa o nome de Deus, desde que seja o princípio supremo que rege todas as coisas. Cristãos, judeus ou muçulmanos podem apoiar isso, sem trair suas origens confessionais. É uma religião dos tempos modernos", diz.



Entre outros académicos que subscreveram o apelo está o Dr. Charles Taylor, Professor Emérito de Filosofia da Universidade McGill, no Canadá que, ao assinar a carta, sublinhou o seu profundo sentimento de "convicção de que não deveria haver" coacção ”na religião”, mas também, disse “a minha inquietação sobre a revolução iraniana e a forma como os seus belos ideais foram subvertidos por pessoas que estão a abusar da sua fé, de modo a torná-la numa ferramenta de mobilização contra o «inimigo»”.

Outra figura proeminente que adicionou o seu nome à lista é Hilary Putnam, Professora Emérita de Filosofia na Universidade de Harvard, EUA, que disse:

“Desde as revoluções americana e francesa, no final do século XVIII, a aspiração dos povos das diferentes etnias, nacionalidades e credos aos direitos humanos fundamentais, incluindo o direito de culto que lhes ditar a consciência, e o direito à educação, ganharam impulso”.

“A perseguição aos estudantes universitários bahá'ís no Irão é uma vergonhosa tentativa de voltar o relógio para a idade das trevas. A sua causa merece o apoio de pessoas moralmente esclarecidas, em todos os lugares do mundo” acrescentou.

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FONTES:
Philosophers and theologians worldwide condemn Iran's attack on Baha'i educators (BWNS)
Leonardo Boff assina carta aberta em favor dos bahá"is no Irã (Folha de S.Paulo)

sábado, 8 de outubro de 2011

Antes da Entrevista na TV

Sentamo-nos e começamos a falar.
Simulamos o início da entrevista.
É um momento para perceber os tiques da convidada, acertar o som dos microfones, focar a imagem.
Aproveita-se para obter alguns planos de corte: o olhar, as mãos...
Noto que ela desvia repetidamente o olhar para outro amigo Bahá’í que acompanha as filmagens.
Chamo-lhe a atenção:
- Quando estivermos a gravar deve estar a olhar para mim… tente não desviar o olhar…
- Eu sei… já estive na TV centenas de vezes... Mas aquele amigo tem um sorriso tão bonito e você tem esse ar tão sério...

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Baha’is Europeus assinalam Centenário das viagens de 'Abdu'l-Bahá

Os Bahá'ís da Europa têm vindo a comemorar o 100º aniversário das históricas viagens de 'Abdu'l-Bahá ao Ocidente, reflectindo sobre as qualidades do seu carácter único. Em França, Suíça e Reino Unido, grupos de crentes têm estudado a vida de 'Abdu'l-Bahá e debatido como se podem hoje inspirar nos Seus serviços à comunidade que os rodeia.

'Abdu'l-Bahá (1844-1921) foi o filho mais velho de Bahá'u'lláh e Seu sucessor nomeado como o chefe da Fé Bahá'í. Após a Revolução dos Jovens Turcos de 1908, quando todos os presos políticos e religiosos do Império Otomano - incluindo 'Abdu'l-Bahá e Sua família - foram libertados, Ele começou a planear a apresentação, em pessoa, dos ensinamentos Bahá’ís ao mundo, para além Médio-Oriente. Em Agosto de 1911, partiu do Egipto para França, permanecendo primeiro alguns dias em Marselha, antes de ir para Thonon-les-Bains e, depois, para Genebra, na Suíça, durante quatro dias.

Bahá'ís de Bristol reunidos frente à residência ocupada por 'Abdu'l-Bahá quando esteve naquela cidade

ESFORÇOS INCANSÁVEIS

Nos dias 27-28 de Agosto, realizou-se um encontro na Universidade de Genebra para reflectir sobre o significado da permanência de 'Abdu'l-Bahá na Suíça e a sua relevância para o trabalho da comunidade Bahá'í de hoje. "A noção de serviço esteve sempre presente durante todo o fim-de-semana. Nós vimos como o exemplo de Abdu'l-Bahá nos inspira a servir: como Ele estimulou a criação de comunidades, como Ele serviu a humanidade, e influenciou o pensamento público. Estas são as mesmas coisas em que os Bahá’ís estão a trabalhar agora", observou John Paul Vader, membro da Assembleia Espiritual Nacional dos Bahá'ís da Suíça.

"O que realmente impressionou a todos foi o facto de 'Abdu'l-Bahá ter sido capaz de empreender uma viagem tão extenuante, numa idade tão avançada", acrescentou o Dr. Vader. "Nós, mesmo em condições muito confortáveis muitas vezes consideramos que viajar, mesmo durante uma hora, é um pouco cansativo - mas vimos como Ele foi incansável nos Seus esforços."

Numa mensagem enviada em Abril deste ano, a Casa Universal de Justiça sublinhava como 'Abdu'l-Bahá, durante as Suas viagens, expôs os ensinamentos Bahá’ís em "casas e salões, igrejas e sinagogas, parques e praças públicas, carruagens de comboio e transatlânticos, clubes e sociedades, escolas e universidades. "

"Para todos, sem distinção - funcionários, cientistas, trabalhadores, crianças, pais, exilados, activistas, religiosos, cépticos - Ele transmitiu o amor, a sabedoria e o conforto, quaisquer que fossem as necessidade de cada um", escreveu a Casa Universal de Justiça.

Na escola Bahá'í anual, realizada em Evian, França, de 27 Agosto a 3 Setembro, os participantes exploraram o significado do que é "seguir o caminho de 'Abdu'l-Bahá", quando falaram sobre as actividades atuais das suas comunidades

"Pensamentos de 'Abdu'l-Bahá estiveram sempre presentes, nas principais palestras e em cada momento artístico", disse Laurence Dia, um dos organizadores da escola. "Percebemos que, seguindo os Seus passos, encontraríamos as forças de que necessitamos, para irmos em frente com os nossos esforços - e ir mais longe"

GLORIOSA MENSAGEM DE UNIDADE

'Abdu'l-Bahá chegou a Londres para uma estadia de quatro semanas, no dia 4 de Setembro de 1911. No Seu primeiro discurso público - dado na igreja City Temple, seis dias após a Sua chegada à cidade - Ele disse à congregação: "A dádiva de Deus para esta época luminosa é o conhecimento da unidade da humanidade e da unidade fundamental de religião ".

Em todo o Reino Unido, grupos de amigos têm vindo a utilizar o centenário como uma oportunidade para estudar a forma de aplicar as lições de 'Abdu'l-Bahá nas suas próprias vidas.

Em 10 de Setembro, na cidade de Reading - por exemplo – os Bahá'ís reuniram-se com os seus vizinhos para estudar as palavras que Ele tinha proferido no City Temple, exactamente 100 anos antes. Um participante, motorista de táxi de Gana, comentou sobre como o amor e a unidade mencionada no "discurso de Abdu'l-Bahá estava presente no espírito deste encontro". Outro vizinho, de origem nepalesa, mencionou a "gloriosa mensagem de unidade" de 'Abdu'l-Bahá.

Num encontro em Epsom, realizada no mesmo dia, a Presidente do Município - Conselheira Sheila Carlson - disse que achava que as crianças em idade escolar deveriam aprender sobre 'Abdu'l-Bahá, juntamente com Martin Luther King e Madre Teresa.

No aniversário da viagem de 'Abdu'l-Bahá para Bristol, 23-25 de Setembro, actores, contadores de histórias e músicos mostraram factos ocorridos no fim-de-semana que Ele passou na cidade e da profunda impressão que causou nas pessoas que encontrou.

A RESPOSTA DE AMOR

Em Londres, uma peça especialmente encomendada, representando a visita de 'Abdu'l-Bahá, vista através dos olhos da sua anfitriã, Lady Blomfield, foi estreada em 15 de Setembro no cenário histórico do Leighton House Museum.

Na audiência estavam pessoas que hoje vivem em Cadogan Gardens 97, o bloco de apartamentos onde 'Abdu'l-Bahá permaneceu durante a Sua visita. Um comentou que foi "maravilhoso aprender um pouco mais da história fascinante da minha casa."

"Foi tão extraordinário encontrar a filha de uma mulher que lá mora e testemunhar o seu espanto com a história espiritual do edifício", disse Sarah Perceval, que escreveu o roteiro e interpretou o papel de Lady Blomfield.

"Toda a gente teve uma resposta tão sincera, esta noite ... Realmente uma resposta de amor", disse ela.

MENSAGEM REAL

Dois dias depois, foram representados extractos da peça, na igreja de St. John, Smith Square, onde a Comunidade Bahá’í deWestminster, se reuniu com os seus amigos, 100 anos depois de 'Abdu'l-Bahá Se ter dirigido a esta congregação, a convite do então Arquidiácono de Westminster, Basil Wilberforce.

Um dos destaques do encontro foi uma mensagem especial enviada pela princesa Helena, bisneta da rainha Maria da Roménia (1875-1938), que foi a primeira personalidade real a abraçar os ensinamentos Bahá’ís.

"Para mim, a mensagem desta grande fé é tão importante hoje como sempre foi", escreveu a princesa Helena. "Numa sociedade cada vez mais secular, onde as forças do mercado, o consumismo desenfreado e o egoísmo são considerados virtudes, a Fé Bahá'í oferece uma forma alternativa de vida, enraizada na propagação da justiça, da unidade e do estabelecimento da paz para trazer prosperidade e bem-estar colectivos

“Historicamente... os mensageiros de semelhante radicalismo, foram considerados subversivos. Isto parece ter sido verdade para 'Abdu'l-Bahá que, por causa da Sua profunda fé na bondade de Deus e na Sua orientação, passou a maior parte da sua vida no exílio.

"Homens inferiores ter-se-iam tornado amargos por estarem separados da sua terra natal, mas isso não aconteceu com Abdu'l-Bahá. Ele escolheu um caminho diferente e tornou-Se um grande embaixador da paz e da justiça, e um hóspede bem-vindo entre todos os povos de boa vontade e fé. Essas pessoas são únicas, inspiradoras e desafiadoras, e nós precisamos de ouvir as suas mensagens de esperança", escreveu a princesa Helena.

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FONTE: European Baha'is mark centenary of 'Abdu'l-Baha's journeys (BWNS)

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

'Abdu'l-Bahá em Paris

Faz hoje 100 anos que 'Abdu'l-Bahá chegou a Paris.
Ontem no programa Caminhos, assinalámos este evento.