quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Jesus Cristo: os Nomes de Deus

Por Maya Bohnhoff 

Todos os ensinamentos dos Profetas são um só; uma só fé; uma Luz Divina brilhando em todo o mundo. Agora, sob o estandarte da unicidade da humanidade, todos os povos de todos os credos devem afastar-se dos preconceitos, tornar-se amigos e crentes em todos os Profetas. Tal como os Cristãos acreditam em Moisés, também os judeus deveriam crer em Jesus. Tal como os Muçulmanos acreditam em Cristo e Moisés, também os Judeus e os Cristãos devem acreditar em Maomé. Assim todas as desavenças desapareceriam, todos estariam unidos. Bahá’u’llah veio para este propósito. ('Abdu'l-Bahá, 'Abdu'l-Bahá in London, p. 40)
No início desta série textos referi que fui criada com a crença de que Jesus Cristo era a palavra final de Deus para o mundo. No entanto, quando eu própria procurei as escrituras, estas desafiaram sempre essa crença. Da mesma forma que Moisés anuncia o aparecimento de Cristo com as palavras "um profeta como eu" (algo que leva a perceber tipo de profeta foi Moisés), Cristo também fala de futuros manifestantes da Luz Divina.

Especificamente, Jesus refere o "Espírito da Verdade", a quem também se refere como "outro Consolador" em várias ocasiões no registo do Evangelho. Em João 16:12-15, Ele afirma:
Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas não sois capazes de as compreender por agora. Quando Ele vier, o Espírito da Verdade, há-de guiar-vos para a Verdade completa. Ele não falará por si próprio, mas há-de dar-vos a conhecer quanto ouvir e anunciar-vos o que há-de vir. Ele há-de manifestar a minha glória, porque receberá do que é meu e vo-lo dará a conhecer. Tudo o que o Pai tem é meu; por isso é que Eu disse: 'Receberá do que é meu e vo-lo dará a conhecer'.
Moisés retirado das águas, Nicholas Poussin
Lendo isto com cuidado, fiquei impressionada com o que Cristo dizia sobre este Espírito da Verdade: que Ele possui "tudo o que o Pai tem" tal como o próprio Cristo. Este excerto essencialmente diz que "Deus suscitará um profeta como Eu", num momento futuro, que proferirá a palavra de Deus, profetizando, glorificando-me e proclamando a minha mensagem. Noutro excerto (João 14:26), Cristo diz que o Espírito da Verdade "há-de recordar-vos tudo o que Eu vos disse" - tal como Cristo recordou os ensinamentos de Moisés aos que O ouviam, citando frequentemente Moisés quando Lhe era pedido que desse a conhecer a sabedoria divina.

Assim, Deus continua a falar à humanidade através destas almas preciosas; e tem falado “desde o começo do mundo” como afirmou Pedro. Deus nunca deixou de falar à humanidade; mas a humanidade tem uma audição selectiva.

O livro do Apocalipse contém outra confirmação da ideia de que Deus lança sobre nós a mesma Luz através de diferentes lâmpadas. João escreve no Apocalipse que o Espírito se refere a Si próprio como "Alfa e Ómega, o primeiro e o último" (compare-se com a frase de Krishna: "Eu sou o começo, e o meio e o fim de todas as coisas"). Ele também faz uma profecia enigmática:
Ao que vencer, fá-lo-ei coluna no templo do meu Deus. Entrará e não mais sairá dele. E gravarei nele o meu novo nome, o nome do meu Deus, o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém que desce do céu de junto do meu Deus. (Apocalipse 3:12)
Aqui, Cristo afirma que vai ter um nome diferente, um novo nome. E, embora eu também tenha sido ensinada que Jesus é o nome de Deus, não há qualquer versículo em qualquer livro da Bíblia que afirme tal coisa, nem sequer Jesus sugeriu isso.

Quando a minha amiga Bahá’í me anunciou que "Cristo voltou e o seu novo nome é Bahá'u'lláh", fiquei indignada, apavorada, espantada, fascinada, e, por fim, galvanizada, porque já não considerava enigmática a profecia de Cristo. O novo nome, escreveu Bahá'u'lláh, era "a Glória de Deus" - "Bahá'u'lláh" em árabe, "Baha-ela", em hebraico. E a Nova Jerusalém, a Cidade de Deus, era o Seu livro - o conjunto de ensinamentos de Deus, renovado com o aparecimento de cada Mensageiro.

Acabei por acreditar, que tal como Moisés se referiu a um futuro manifestante de Deus quando mencionou "um profeta como Eu", também Cristo se refere ao Seu regresso numa forma humana diferente, com um novo nome - a mesma luz numa lâmpada diferente.

As escrituras dizem-nos que Deus quer que Lhe obedeçam por amor, e não por medo. Não iria este espantoso e amoroso Deus - revelado por Cristo - mostrar esse amor desde o princípio que não tem princípio até ao fim que não tem fim? Será que Deus se revela brevemente apenas uma vez na história e depois remete-Se ao silêncio? Cristo diz que não.

Comecei esta série de textos, salientando que segui a linha da revelação de Moisés a Cristo (e depois d’Ele) para tentar refutar Bahá'u'lláh. Mas o que encontrei foram provas que confirmam a afirmação de Bahá'u'lláh ser o "outro Consolador" enviado por Deus, outra manifestação do Espírito da Verdade. Convido os leitores a ler as palavras de Cristo sobre o Espírito da Verdade e a reflectir em oração como estas caracterizam a relação entre Moisés e Cristo.

Que razões temos nós para acreditar que a revelação de Deus vai terminar, sobretudo quando mais precisamos dele?

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Texto Original: Jesus Christ: The Names of God (BahaiTeachings.org)
Texto Anterior: Jesus Cristo: o Caminho de Deus 
NOTA: Todas as citações biblicas são retiradas da tradução dos Capuchinhos.
 
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Maya Bohnhoff é Baha'i e autora de sucesso do New York Times nas áreas de ficção científica, fantasia e história alternativa. É também compositora/cantora (juntamente com seu marido Jeff). É um dos membros fundadores do Book View Café, onde escreve um blog bi-mensal, e tem um blog semanal na www.commongroundgroup.net.


sábado, 25 de janeiro de 2014

Reconciliar as Religiões

Por  Tom Tai-Seale.



Vivemos numa época notável. A fotografia, tirada no espaço, do nosso belo planeta azul brilhante seguindo o seu rumo silencioso no vazio insondável prova que vivemos numa época notável. Quando olhamos para esta fotografia incrível, celebramos todas as invenções que a tornaram possível: a máquina fotográfica, o filme, os foguetões e os sistemas de gestão que se ousaram levar o ser humano ao espaço. Celebramos também a natureza evolutiva da nossa tecnologia e o seu ritmo incrivelmente rápido.

Paradoxalmente, podemos ter chegado ao espaço com nossas máquinas fotográficas a tempo de assistir à nossa auto-destruição. O nosso planeta, apesar da sua aparente unidade física, está profundamente dividido do ponto de vista social. Somos um mundo de pessoas desesperadamente agarradas às nossas identidades como membros de diferentes raças, nações, classes, sistemas económicos e religiões e trazendo para os nossos conflitos contínuos novas armas de cada vez maiores dimensões infernais. O progresso da ciência manteve com o nosso apetite por armas - mas não acompanhou o nosso progresso como pessoas. Continuamos apegados a rótulos que subvertem as nossas maiores aspirações humanas. Apesar de quase todas as pessoas acreditarem que os seres humanos, na sua essência, devem ser considerados como criaturas com alma - povo de Deus - essa afirmação entra em forte contradição com as nossas acções. Devemos reconhecer que temos sido incapazes de traduzir o nosso encontro com o Transcendente numa qualquer ordem social capaz de incluir toda a gente. Assim, os conflitos continuam e aprofundam-se.

Considerando os perigos dos nossos tempos, aceitar o conceito de que todas as pessoas são, na sua essência, o mesmo, é um acto religioso. Para os Bahá'ís, este acto de consciência constitui a base da fé de Deus para o nosso tempo e pode ser resumida frase muito conhecida de Bahá'u'lláh, o profeta e fundador da Fé Bahá'í:
A Terra é um só país e a humanidade os seus cidadãos... Não vos considereis uns aos outros como estranhos. Sois os frutos de uma só árvore e as folhas do mesmo ramo.  (Tablets of Baha’u’llah, p. 163).
As crenças da Fé Bahá'í centram-se em torno dos princípios de um Deus único, uma só humanidade e uma fé. Se existe um único Deus e se a humanidade é, em essência, uma única, então depreende-se que deve haver apenas uma realidade divina que liga os dois. Essa realidade deve ser a forma verdadeira, ou essencial, da religião.

Os ensinamentos Bahá'ís dizem "a religião é a expressão exterior da realidade divina"; como a realidade divina é apenas uma, os Bahá'ís acreditam que existe apenas uma religião essencial - e que as diferenças religiosas no mundo devem ser reconciliadas.

Os Bahá’ís aceitam que existem diferenças de religião. Bahá'u'lláh menciona as "diversas comunhões da terra e os múltiplos sistemas de crença religiosa". Mas é a inspiração de todas as religiões que os Bahá’ís afirmam ser única. Bahá'u'lláh escreve:
Não pode haver dúvida alguma de que os povos do mundo, de qualquer raça ou religião, derivam a sua inspiração de uma só Fonte Celestial e são súbditos de um só Deus. (SEB, CXI)
Sem dúvida que religião é a fonte de profundos conflitos entre os povos. Por esse motivo, muitas pessoas religiosas de ambos os lados de um conflito acreditam apaixonadamente serem os únicos detentores da verdade; e abandonar essa defesa da verdade levaria a uma descida pessoal e colectiva ao inferno, pois pensam que Deus pretende que mantenham as suas convicções.

Curiosamente no entanto, se olharmos de perto para qualquer "conflito religioso", acabamos por perceber que há muito pouco da verdadeira religião envolvida no conflito. Em vez disso, conflitos pessoais, sociais ou culturais envolvem a religião, na tentativa de justificar a contenda. Os conflitos na maioria das vezes representam uma falha da religião - uma incapacidade das pessoas para investigar em conjunto a realidade única da verdade. Os conflitos surgem quando abandonamos a fé e procuramos armas nas cavernas das nossas velhas tradições e dogmas.

Nos próximos textos vamos ver como surgiu essa tendência, o que cada um pode fazer sobre isso, e como os ensinamentos Bahá’ís propõem abordar o problema com um remédio global, reconciliando as religiões numa fé unificada.

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Texto Original: Reconciling the Religions (bahaiteachings.org)

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Tom Tai-Seale é professor de saúde pública na Texas A & M University e investigador de religião. É autor de numerosos artigos sobre saúde pública e também de uma introdução bíblica à Fé Bahai: Thy Kingdom Come, da Kalimat Press

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Jesus Cristo: o Caminho de Deus

Por Maya Bohnhoff


Quando Cristo pronunciou essas palavras tão frequentemente citadas "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém pode ir até ao Pai senão por mim" (João 14:6), Ele acrescentou: "Se ficastes a conhecer-Me, conhecereis também o meu Pai. E já O conheceis, pois estais a vê-Lo."

O sacrifício de Cristo - e não apenas na cruz, mas ao longo da Sua breve vida - foi um acto de amor supremo. Ele demonstrou que tipo de Deus Ele representava - o Deus que alimenta, veste, e educa todos os Seus filhos, e não apenas aqueles que por acaso viveram sob a influência de uma revelação particular.

Para acreditar na doutrina de que Cristo era o único caminho para Deus para todos os tempos, eu teria que ignorar o que o próprio Cristo ensinou sobre Deus, através de palavras e actos. Cristo também dá ao versículo João 14:6 um contexto com as Suas palavras sobre si próprio. Em João 9:4-5, Ele diz:
Tenho de realizar as obras daquele que me enviou enquanto é dia. Vem aí a noite, em que ninguém pode actuar. Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo.
Isto assemelha-se a um paradoxo. Cada Educador Divino é único no Seu tempo, mas faz parte de uma sequência de Professores enviados para guiar a humanidade "desde o começo" (como Pedro o descreve). Cada um é uma "luz" para o seu tempo.

Antes de ter ouvido falar da Fé Bahá'í ou de Bahá'u'lláh, eu sabia o suficiente sobre os ensinamentos de Buda para entender que alguns eram muito semelhantes aos de Cristo. Isso levantou dúvidas na minha mente; eu tinha ouvido clérigos declarar inequivocamente que Buda era um falso Cristo. Como poderia isso ser assim, questionei-me, se o Buda ensinou as mesmas coisas? O próprio Jesus garante-nos que podemos testar a verdade de um profeta, olhando para os Seus frutos e que uma árvore má não pode produzir bons frutos. Se não fossemos chamados a distinguir entre um verdadeiro e um falso profeta, porque é que Cristo nos ensina a usar a razão?

Quando ouvi pela primeira vez a afirmação de Bahá'u'lláh de que Deus tinha enviado Educadores Divinos a outros povos além dos hebreus, fiquei indignada. Iniciei uma exploração profunda das escrituras das "outras" religiões... e da minha própria. Percebi que a mensagem de Cristo é inclusiva e racional. Ele ensinou que a graça de Deus foi oferecida a todos os que ouviram a Sua palavra e a colocavam em prática. Essa palavra nunca foi negada em qualquer tempo ou a qualquer povo.

Quando li devotamente o Sermão da Montanha (Mateus 7) percebi que era impossível que o Deus revelado por Cristo – aquele Pai Amoroso de todos nós – pudesse condenar milhares de milhões de almas a permanecerem afastadas d’Ele, porque viveram e morreram em terras onde os nomes de Moisés e Jesus eram desconhecidos, mas onde Krishna e Buda viveram e ensinaram.

Muitos séculos antes de Cristo, Krishna ensinou aos povos da Índia que existia um Espírito Supremo, que era alcançado por um “amor sempre vivo”. Ensinou o que foi descrito como Regra de Ouro: fazer aos outros o que gostaríamos que nos fizessem. As declarações de Krishna sobre o Seu propósito são surpreendentemente semelhantes às de Cristo:
Eu sou o Caminho e o Mestre que observa em silêncio. O teu Amigo, e o teu Abrigo, e a tua Morada de Paz. Eu sou o princípio, e o meio, e o fim de todas as coisas, a sua Semente da Eternidade, o seu Tesouro Supremo. (Bhagavad Gita 9:16-18)
E também as palavras de Buda Gautama:
De facto, este é o Caminho - não há outro - para a purificação da visão. Segue este Caminho. Eu ensinei-te o Caminho... fazer o esforço é o teu assunto. (Dhammapada vs 274-276)
E de Maomé:
Este é o caminho recto do teu Senhor: Detalhamos os sinais para aqueles que recebem a advertência. Para eles, será uma casa de paz na presença do seu Senhor: Ele vai ser seu amigo porque eles praticaram (rectidão). (Alcorão, Sura 6:126-127)
E Bahá'u'lláh de :
…Ele tem manifestado as Estrelas da Sua orientação divina… e decretou que o conhecimento destes Seres santificados fosse idêntico ao conhecimento do Seu próprio Ser. Quem os reconhecer, terá reconhecido Deus. Quem escutar o Seu chamamento, terá escutado a Voz de Deus, e quem testemunhar a verdade da Sua Revelação terá testemunhado a verdade do próprio Deus... Cada um deles é o Caminho de Deus que une este mundo aos domínios do além… Eles são os Manifestantes de Deus entre os homens, as evidências da Sua Verdade e os sinais da Sua glória (SEB, XXI)
Todas as questões que eu tinha sobre as "outras" religiões foram respondidas quando vi o ministério de Jesus Cristo não apenas como um caminho para a salvação individual, mas como parte de um Plano muito mais amplo e abrangente para a regeneração da humanidade; e percebi que o Plano incluía as pessoas que receberam ensinamentos de Krishna, Buda, Maomé e outros cujos nomes se perderam nas brumas do tempo.

Jesus disse (João 10:16): "Tenho ainda outras ovelhas que não são deste redil. Também estas Eu preciso de as trazer e hão-de ouvir a minha voz; e haverá um só rebanho e um só pastor".

Isto foi considerado, nas igrejas que frequentei em criança e adolescente, como uma profecia do "fim dos tempos". Nos próximos textos vamos ver algumas outras profecias dos "fim dos tempos".

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Texto Original: Jesus Christ: The Way of God (BahaiTeachings.org)
Texto Anterior: Jesus Cristo: O Pão da Vida
NOTA: Todas as citações bíblicas são retiradas da tradução dos Capuchinhos.

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Maya Bohnhoff é Baha'i e autora de sucesso do New York Times nas áreas de ficção científica, fantasia e história alternativa. É também compositora/cantora (juntamente com seu marido Jeff). É um dos membros fundadores do Book View Café, onde escreve um blog bi-mensal, e tem um blog semanal na www.commongroundgroup.net.



segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

sábado, 18 de janeiro de 2014

BBC: Where Religious Hostility is on The Rise



Incidents of religious hostility are on the rise in all parts of the world except for the Americas, according to an international study by the Pew Research Center.

The proportion of countries with a high or very high level of social hostility involving religion in 2012 was the largest in six years.

BBC News Face Facts, our newest video series, looks at the report to find out which areas are worst affected and what form the hostility takes in different parts of the world.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Malásia: Bahá’ís atingidos pela proibição de uso da palavra “Allah”



Há algumas semanas atrás, na Malásia, o sultão do estado de Selangor proibiu que as religiões não islâmicas usassem a palavra “Alláh”. E justificou a medida com a “necessidade de evitar confusões entre muçulmanos quando esta palavra é usada por crentes de outras religiões”.

Cristãos, Sikhs, Budistas e Hindus reagiram a esta lei afirmando que o governo estadual viola o direito constitucional de praticar livremente a sua religião. A palavra “Alláh” significa simplesmente “Deus” em árabe e é o termo usado por cristãos e muçulmanos de língua árabe em todo o mundo. A Malásia, contudo, não é um país árabe e o termo foi introduzido com o Islão aproximadamente no século XIII.

Recentemente surgiu a confirmação de que a comunidade Bahá’í na Malásia também está proibida de usar palavra “Alláh”. Na prática esta proibição impede que os Bahá’ís se cumprimentem com a expressão “Allah’u’Abhá” (que significa “Deus é o Mais Glorioso”). O porta-voz dos Bahá’ís da Malásia afirmou que este tema seria objecto de consulta.

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Sobre esta notícia:
Malaysia court rules non-Muslims can't use 'Allah'
Baha’is affected by ban on 'Allah' word
Cristãos na Malásia impedidos de usar palavra “Allah”

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Jesus Cristo: o Pão da Vida

Por Maya Bohnhoff
Todos os profetas Se empenharam para que o amor se manifestasse nos corações dos homens. Sua Santidade Jesus Cristo procurou criar esse amor nos corações. Ele sofreu todas as dificuldades e provações para que o coração humano pudesse tornar-se a fonte nascente do amor. Portanto, devemos empenhar-nos com toda a nossa alma e coração que esse amor possa apossar-se de nós... ('Abdu'l-Bahá, Baha'i World Faith, pp 218-219).
O Baptismo (El Greco)
Nos dois últimos artigos, vimos uma profecia feita por Moisés na Torá (Deuteronómio 18:6-8), que foi cumprida por Jesus nos Evangelhos (João 5:45-47) - um cumprimento confirmado por Pedro nos Actos dos Apóstolos (3:19-26). Estes versículos definem que:
Jesus Cristo afirmou ser o Profeta que Moisés predisse na Torá. Jesus afirmou que Ele, como Moisés, recebeu a Sua revelação de Deus "frente a frente", algo que Ele confirmou em João 6:46. Os Seus discípulos, incluindo Pedro, entenderam Jesus como fazendo parte de uma série de Reveladores Divinos da palavra de Deus. (ver também, Hebreus 1:1,2)
Ao ser educada como cristã, foi-me ensinado que a palavra de Jesus foi a final - que não haveria qualquer outra revelação da palavra de Deus até ao "Fim dos Tempos". Quase dois mil anos depois desta suposta cessação do nosso diálogo com Deus, as minhas perguntas a qualquer clérigo eram: "Porque é que Deus falou directamente à humanidade apenas uma vez, há muito tempo e durante um tão curto espaço de tempo? E porque é que a Sua única mensagem teve lugar num momento em que não tínhamos a capacidade para registar e divulgar a sua mensagem de forma eficaz?"

Além disso, se Deus, como dizia Pedro no terceiro capítulo de Actos, tem enviado os Seus mensageiros "desde o começo do mundo", porque é que Ele parou? É certo que precisamos hoje da Sua orientação mais do que nunca, pois a nossa capacidade de autodestruição tem crescido exponencialmente.

A minha introdução à Fé Bahá'í - e através dela ao Islão, ao Budismo e a outras religiões - indicou que a revelação não havia sido limitada à missão de Cristo aqui na terra, ou mesmo ao que nós consideramos como as Religiões Abraâmicas. Além disso, os meus amigos Bahá’ís lembraram que as próprias palavras de Cristo eram prova disso.

A minha exploração sobre aquilo que a Fé Bahá'í ensinava (que era mais uma tentativa de refutá-la) levou-me a uma leitura atenta e devota da Bíblia. Fiquei especialmente impressionada com o que li no Evangelho de Mateus, capítulo 7. Aqui, Jesus pede aos Seus ouvintes que compreendam o tipo de Deus é o Seu Pai considerando a forma como nós - simples seres humanos - tratamos os nossos filhos:
«Pedi, e ser-vos-á dado; procurai, e encontrareis; batei, e hão-de abrir-vos. Pois, quem pede, recebe; e quem procura, encontra; e ao que bate, hão-de abrir. Qual de vós, se o seu filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, se lhe pedir peixe, lhe dará uma serpente? Ora bem, se vós, sendo maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o vosso Pai que está no Céu dará coisas boas àqueles que lhas pedirem.» (Mateus 7:7-11)
Pela primeira vez pensei nestas frases como mais do que uma referência reconfortante ao amor de Deus. Quem consegue imaginar que tendo vários filhos apenas mostra o seu amor para um deles? A um deles daríamos alimentação, roupas e educação; os outros passariam fome, não teriam roupa e seriam ignorantes, ou estariam condenados a viver com restos de comida, roupa velha e algum conhecimento, não vindos directamente de si, mas a partir do seu filho preferido? Se um pai humano realmente fizer essas coisas, a maioria de nós considerá-lo-á um criminoso. E, no entanto, eu acreditava que essa era a maneira que Deus agia.

Tive que me perguntar: Será que Deus dá o Pão da Vida apenas a um só povo favorecido e dá pedras a todos os outros? Será que Ele envia a Sua Palavra apenas para uma nação numa única ocasião em toda a história do mundo, e permite que os falsos profetas conduzam todos os outros? Se eu acreditava na palavra de Cristo, então a resposta era um sonoro "NÃO". Parecia claro das palavras e actos de Jesus que, como disse Pedro, "... Deus falou outrora pela boca dos seus santos profetas" desde o começo do mundo.

Tinha-me sido ensinado que Jesus foi a última revelação de Deus até ao fim de todas as coisas. No entanto, quem entre nós pode imaginar que um pai humano falasse com o seu filho uma única vez, quando ele fosse muito pequeno, e desde então permanecesse calado, sem lhe transmitir qualquer orientação ou palavras de amor, até que a criança estivesse no seu leito de morte?

Se nós, que somos imperfeitos, sabemos dar coisas boas aos nossos filhos, quanto mais sabe o Deus revelado por Cristo dar coisas boas a quem Lhe pede?

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Texto Original: Jesus Christ: The Bread of Life (BahaiTeachings.org)
Texto Anterior: Jesus Cristo: Frente a Frente com Deus
NOTA: Todas as citações biblicas são retiradas da tradução dos Capuchinhos.

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Maya Bohnhoff é Baha'i e autora de sucesso do New York Times nas áreas de ficção científica, fantasia e história alternativa. É também compositora/cantora (juntamente com seu marido Jeff). É um dos membros fundadores do Book View Café, onde escreve um blog bi-mensal, e tem um blog semanal na www.commongroundgroup.net.


sábado, 11 de janeiro de 2014

Integrar Ciência e Religião: as opiniões de duas Bahá'ís

Tradução do artigo How Two Baha'i Women Integrate Science and Religion, de Geoffrey A. Mitelman, publicado no HuffingtonPost
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Poucos americanos sabem o que é a Fé Bahá’í. No entanto, um dos seus princípios fundamentais é um compromisso com a investigação científica, o que significa que os Bahá'ís têm uma perspectiva única sobre a forma como a ciência e a religião podem interagir.

Assim, como parte da série "Sinai and Synapses: More Light, Less Heat", a Drª Lisa M. Ortuno e a Profª. Carey Murphy partilham a forma como a sua Fé Bahá’í tem reforçado o seu amor pela ciência, e como a ciência tem reforçado o seu compromisso com a sua fé.

Lisa M. Ortuno tem um doutoramento em biologia e actualmente trabalha para a Promega Corporation, uma empresa de biotecnologia. Pertence ao grupo de trabalho Sinai and Synapses, e concluiu que o uso do método científico e a sua formação em biologia foram essenciais na sua jornada para se tornar Bahá’í.

Carey Murphy é uma professora reformada que deu aulas de ciências ao 8º ano numa comunidade predominantemente fundamentalista, na Carolina do Sul. Uma vez que a Fé Bahá’í enfatiza a racionalidade, ela usou o seu compromisso religioso para ajudar os seus alunos aceitar o pensamento crítico.


Lisa M. Ortuno, Ph.D.



Olá, o meu nome é Lisa Ortuno, e sou bióloga e Bahá'í .

Gostaria de falar sobre a forma como a Fé Bahá’í influenciou o meu pensamento como bióloga, e como o método científico que eu empregava me levou a pensar como Bahá'í.

A minha fé diz que os mistérios ocultos da natureza podem ser transferidos do plano do invisível para o visível. E é assim que envolvimento na ciência é visto na Fé Bahá’í. Na verdade, é um acto sagrado. É divino.

É esta nova maneira de ver as coisas foi muito apelativa para mim. E isso é especialmente verdade considerando que, durante os anos de liceu e de faculdade, eu era agnóstica. Nunca fui capaz de assimilar a fé a que estive exposta quando crescia, e, portanto, achei que a ciência era a maneira de descobrir as verdades sobre o mundo.

Ainda acredito nisso, é claro. Mas agora acredito que é uma das, pelo menos, duas maneiras de alcançar a verdade e a sabedoria sobre o mundo.

Enquanto continuei na faculdade, aprendi a formular novas questões, ou a procurar questões originais, a desenvolver novas hipóteses, a testá-las e a aplicar o método científico nas minhas descobertas. E foi através do acto de escrever publicações e apresentar a informação à comunidade científica que fui capaz de levar esse conhecimento, mais uma vez, do plano invisível para o visível.

Sempre fui uma daquelas pessoas interessadas em ciência e até mesmo quando era criança, viam-me nos rios a levantar pedras, a recolher  sapos e tartarugas e a levá-los para casa para os guardar em frascos de vidro no meu quarto...

Assim, pensando no meu desenvolvimento como Bahá’í, quando fiquei exposta à Fé, como pode imaginar, fiquei um pouco céptica; e porque tinha formação em biologia, o que eu fiz foi aplicar o método científico às pretensões da Fé. E fiz isso durante três anos.

E o que descobri, como resultado disso, foi que as minhas relações melhoraram, e em algumas delas eu estavam em conflito. E por isso, obtive um resultado verdadeiro, real e científico, de muitas maneiras. E continuei a testá-la. E percebi que, para mim, que este era o caminho que queria seguir.

Ao mesmo tempo, enquanto continuava a aprender a ser uma pessoa de fé, descobri que havia outra transformação que estava a ocorrer, e que foi um crescente sentimento de humildade. É muito fácil tornarmo-nos excessivamente confiantes na capacidade da ciência para resolver os problemas do mundo. E olhando à nossa volta, é claro que todos nós vemos que enfrentamos problemas enormes, e agora seguindo a ideia de que com a ciência e a religião juntas podemos encontrar fontes de conhecimento, e tendo essa informação e aplicando-a globalmente, com o coração cheio de humildade, foi a maneira como eu aprendi a viver a minha vida .

Claro, todas as grandes religiões do mundo defendem esta postura de que precisamos ter essa humildade. Portanto, estou plenamente confiante como pessoa de fé e pessoa da ciência com esta postura humilde na capacidade que, juntas, estas duas podem-nos ajudar a lidar com os grandes problemas que temos diante de nós.

Juntas, a ciência e a religião são as asas de um pássaro, e juntas farão avançar a civilização humana.

Carey Murphy:



Chamo-me Carey Murphy e sou Bahá’í; sou professora reformada de ciências do ensino secundário do 8º ano. Quero falar sobre a forma como a minha religião influenciou a minha sala de aula.

A Fé Bahá’í ensina que a ciência deve aprovar a religião e a religião fortalece ciência. Enfatiza que a ciência e a religião vêm ambas de Deus; não estão em concorrência entre si, e não estão em conflito.

Foi com esse espírito que leccionei durante 25 anos numa cultura cristã diversificada, mas fortemente evangélica aqui na Carolina do Sul. Muitos dos meus alunos acreditavam que os ensinamentos fundamentalistas e literalistas superavam todos os outros tipos de conhecimento, incluindo o que eu lhes estava a transmitir, e que incluía geologia, paleontologia, um pouco de física, evolução e astronomia.

No início da minha carreira de professora decidi ajudar os meus alunos a pensar de forma mais crítica, ensinando-lhes os passos de racionalidade. Passos que são seculares e se encontram de forma clara nas escrituras Bahá’ís.

Estes passos incluem a necessidade de dominar um corpo de conhecimentos; possuir um espírito de investigação e desprendimento; acreditar na volatilidade do conhecimento; possuir um espírito grato e humilde de serviço; testar e re-testar ideias; participar em consulta e peer-reviews; não fazer juízos antes de conhecer; evitar o pensamento dicotómico; e, por último, dissipar o medo da autoridade, da crítica e do fracasso.

Percebi que os meus alunos compreendiam muito bem estas ideias e métodos, e criaram um verdadeiro respeito pela ciência ao longo do processo. Esta experiência ensinou-me que o pensamento racional poderia ser transmitido a jovens e adultos, e que deve ser incluído nos nossos currículos académico e religioso.

Na perspectiva Bahá’í, aplica-se a ambos. Ciência e religião devem ser compreendidas racionalmente.

Os jovens, em resumo, assim como os adultos, merecem ter as ferramentas racionais com que as quais podem analisar as ideias que encontram nas suas vidas.

Quero terminar com uma citação das escrituras Bahá’ís :
Deus dotou o homem com inteligência e razão. Se as crenças e opiniões religiosas se encontram em contradição com os padrões da ciência, estas são meras superstições e imaginações; pois a antítese do conhecimento é a ignorância, e a filha da ignorância é a superstição. Inquestionavelmente deve haver conformidade entre a verdadeira religião e a ciência. Se se descobre uma questão contrária à razão, a fé e a crença nesta são impossíveis, e não há nenhum resultado, salvo hesitação e vacilação . ('Abdu'l-Bahá, The Promulgation of Universal Peace, p. 177)
Muito obrigada pela atenção.

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Texto original em inglês: How Two Baha'i Women Integrate Science and Religion (Huffington Post)

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Jesus Cristo: Frente a Frente com Deus

Por Maya Bohnhoff

Cristo está sempre no mundo da existência. Nunca desapareceu dali... Tende a certeza que Cristo está presente. A beleza espiritual que hoje nos rodeia é proveniente das fragrâncias de Cristo. (Mensagem de 'Abdu'l-Bahá escrita para The Christian Commonwealth, 29 de Setembro de 1911, 'Abdu'l-Bahá in London, p. 40.)
No texto anterior explorámos o testemunho de Moisés, do apóstolo Pedro e do próprio Jesus Cristo, que Cristo era um "profeta como Moisés" predito no livro do Deuteronómio (18:15 - "O Senhor Deus suscitar-vos-á um Profeta como eu, de entre os vossos irmãos. Escutá-lo-eis em tudo quanto vos disser... ").

O testemunho de Cristo encontra-se em João 5:45-47:
Não penseis que Eu vos vou acusar diante do Pai; há quem vos acuse: é Moisés, em quem continuais a pôr a vossa esperança. De facto, se acreditásseis em Moisés, talvez acreditásseis em mim, porque ele escreveu a meu respeito.
No livro dos Actos 3:19-26, o principal apóstolo de Cristo, Pedro, confirma a ligação entre Moisés e Jesus Cristo, dizendo que o Profeta que Deus suscitou não era outro senão "o Seu servo", Jesus.

Não posso exagerar a importância disto. Jesus está a fazer o que, para um judeu, teria sido uma tremenda declaração - que, ao invés de receber inspiração em visões e sonhos como os profetas menores fizeram, Ele, tal como Moisés, viu a "imagem" do Pai . A Torá diz claramente que distingue Moisés de profetas como Ezequiel ou Isaías. Moisés não recebeu meras visões ou indicações de Deus. Ele viu Deus, frente a frente:
Escutai bem as minhas palavras. Se existisse entre vós um profeta, Eu, o Senhor, manifestar-me-ia a ele numa visão. Eu me daria a conhecer em sonhos, falaria com ele. Não é assim com o meu servo Moisés! Eu estabeleci-o sobre toda a minha casa! Falo com ele frente a frente, à vista e não por enigmas; ele contempla a imagem do Senhor! (Números 12:6-8)
Jesus Cristo afirma explicitamente esta mesma distinção. Ele diz, em João 6:46, "Não é que alguém tenha visto o Pai, a não ser aquele que tem a sua origem em Deus: esse é que viu o Pai." Nesta simples frase, Jesus Cristo estabelece a Sua própria autoridade, afirmando que Ele, tal como Moisés, viu o Pai.

Diga-se, a propósito que o nome "Moisés" é egípcio e significa "filho", enquanto Jesus é mencionado como o Filho de Deus. A alegação de filiação tinha um significado cultural profundo para os judeus, pois um filho mais velho tinha a autoridade para aceita contratos em nome do seu pai. Trata-se de uma declaração de autoridade única.

Fui educada com a doutrina típica da Igreja Cristã de que Jesus Cristo foi único em toda a criação e que a veracidade dos Seus ensinamentos dependia desta característica única - uma singularidade provada pela ressurreição física do Seu corpo. No entanto, as palavras da Bíblia, que eu tinha sido educada a reverenciar, desafiaram essa crença, e levaram-me a ajustar o meu entendimento de Moisés e Jesus.

Mas Cristo não só afirma um parentesco com Moisés e os Profetas que Pedro diz que Deus tem enviado "desde o princípio"; ele próprio anuncia que haverá futuras revelações do Deus de toda a humanidade.

Isso é o que eu gostaria de explorar no próximo texto, em resposta à minha pergunta infância: Porque é que Deus só falou uma única vez?

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Texto Original: Jesus Christ: Face to Face with God (BahaiTeachings.org)
Texto Anterior: Jesus Cristo: Um Profeta como Moisés
NOTA: Todas as citações biblicas são retiradas da tradução dos Capuchinhos.

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Maya Bohnhoff é Baha'i e autora de sucesso do New York Times nas áreas de ficção científica, fantasia e história alternativa. É também compositora/cantora (juntamente com seu marido Jeff). É um dos membros fundadores do Book View Café, onde escreve um blog bi-mensal, e ela tem um blog semanal na www.commongroundgroup.net.

domingo, 5 de janeiro de 2014

A Sobrevivência da Consciência

Por Teresa Langness

Lembro-me de, numa noite de neve em Cabul, à luz de uma lanterna, falar com um casal de olhos claros que tinha finalmente conseguido a sua liberdade depois de ter estado preso durante anos como prisioneiros de consciência. O cabelo ruivo dela ondulava sobre os ombros. O aspecto magro dele tinha-se agravado devido à má alimentação, mas ele apontou orgulhosamente para os volumes que tinha coleccionado durante o encarceramento, cuidadosamente alinhados no parapeito da janela.

Na prisão, os seus espíritos e intenções para melhorar a sociedade elevaram-se, encorajados por parceiros em celas frias e húmidas onde todos aguardavam livros e pão e orações das famílias de quem dependiam para sobreviver. Eles viviam num país onde as convicções tinham um preço; por isso tinham ganho determinação com as suas provações, e receberam inspiração de prisioneiros de consciência com opiniões similares.

Da mesma forma, a bem documentada vida de Nelson Mandela mostra como a camaradagem fortaleceu o seu carácter à medida que ele desistiu dos confortos da vida - família, saúde, nutrição, segurança, e até a reputação - como um prisioneiro de consciência. Escrevendo sobre a sua prisão no seu livro Um Longo Caminho para a Liberdade, Mandela recordou-nos: "Convicções fortes são o segredo para sobreviver à privação; o espírito pode estar cheio, mesmo quando o estômago está vazio."

Os Bahá’ís na África do Sul comemoraram as suas qualidades, assim como toda a gente, quando "Madiba" faleceu aos 95 anos, em Dezembro. A celebração dos seus ideais teve um eco especial porque os Bahá’ís tinham levantado o apelo à unidade cerca de quarenta anos antes do nascimento de Mandela, quando o fundador da sua Fé se tornou um prisioneiro de consciência pela sua própria crença em ideais semelhantes - unidade da humanidade e da erradicação do poder como ferramenta de opressão. Bahá'u'lláh foi primeiramente punido pelas suas convicções no Fosso Negro, em Teerão, em 1852, com um pesado jugo sobre os ombros, e com as mãos e os pés atados. De facto, ele passou a maior parte da sua vida na prisão, exilado ou sob prisão domiciliar, até ao seu falecimento em 1892.

Neste século, Mandela deu aos prisioneiros de consciência uma imagem elevada quando surgiu como um estadista consagrado do seu tempo e, em 1994, se tornou o primeiro presidente negro do seu país. Ainda assim, olhando para um ensaio fotográfico do final do ano de 2013 publicado no New York Times lembramo-nos que o trabalho da humanidade continua por fazer. Em todos os continentes, vemos conflitos étnicos, respostas violentas aos apelos à liberdade, a preponderância dos interesses económicos sobre o bem comum, a turbulência baseada em ódio... todo tipo de dramas humanos continuaram a desenrolar-se ao longo do ano de 2013, juntamente com actos de generosidade, de sacrifício e da bondade humana. Enquanto a luta para estabelecer a unidade tem avanços e recuos, expandindo-se grandemente, os heróicos prisioneiros de consciência viram algumas vitórias. (Aqui defino herói como alguém que fala não apenas em seu próprio nome, mas em nome de terceiros.)

A conhecida advogada de direitos humanos Nasrin Sotoudeh, por exemplo, encontrava-se entre os 11 iranianos libertados quando Hassan Rouhani assumiu a presidência no Irão. Ela tinha representado activistas iranianos presos, bem como prisioneiros condenados à morte por crimes cometidos quando eram menores. Entre os seus clientes incluíam-se a jornalista Isa Saharkhiz e a vencedora do Prémio Nobel da Paz, Shirin Ebadi.

Apesar de Nasrin Sotoudeh ter saído da detenção solitária na prisão de Evin para se juntar à sua família, muitos inocentes não o puderam fazer. Permanecem detidos como heroicos prisioneiros de consciência. Muitos desses adultos e jovens nunca fizeram ouvir as suas vozes nas ondas da rádio, participaram em manifestações política da oposição ou expressaram publicamente as suas opiniões. Entre eles estão mais de 100 Bahá’ís iranianos que foram subitamente levados dos seus locais de trabalho e residências devido ao simples delito de ensinar de cursos universitários ou aulas para crianças - presos por agir segundo convicções que os levam a valorizar a educação, o amor e o serviço à humanidade e o exercício da igualdade. Os Yaran, os sete dirigentes da Fé Bahá’í no Irão - todas as mães e pais - que, tranquilamente respondiam às necessidades da sua comunidade, sem violar a lei, já cumpriram cinco anos de penas de prisão, sem fim à vista.

Enquanto a anterior geração de prisioneiros Bahá’ís iranianos sofreu, por vezes, execuções aleatórias na prisão, hoje o mundo aguarda com esperança renovada para uma era mais progressista. Talvez tenha chegado. Recentemente a resolução 75 do Senado dos EUA obteve apoio bipartidário e aprovação unânime na condenação de perseguição oficial do Irão contra a sua minoria Bahá’í. Esta foi uma pequena vitória para o público em geral, tal como a desintegração do apartheid foi uma vitória para toda a humanidade.

Quem são os heróis? Onde quer que cada um de nós aja segundo as suas convicções, sempre que cada um de nós luta por um maior nível de equidade, perdão, humildade e serviço à humanidade, damos um passo para libertar uma geração da sua prisão de sofrimento. Em lugares desconhecidos alcançamos as nuvens e tornamo-nos um pouco mais heroicos.

Quando nós, enquanto sociedade, percebemos que é difícil superamo-nos, podemos questionar-nos: O que faria um herói de consciência? Estará cada um de nós disposto a sofrer pelas suas crenças e convicções, de uma forma que aperfeiçoe mais a alma do que o corpo? Se assim for, então esta alimentação diária da consciência pode revelar ser o segredo da nossa sobrevivência.

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Texto Original em Inglês: The Survival of Conscience (bahaiteachings.org)
Ler também: Prisoners of Conscience: Mandela as a Role Model

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Teresa Henkle Langness é professora e presidente fundadora da Full Circle Learning, uma organização global sem fins lucrativos baseada no modelo educacional do mesmo nome. É autora de 36 livros e CDs de música. As sua obras de ficção, não-ficção e poesia abordam uma diversidade de temas nomeadamente incluindo o meio ambiente, literatura, história e direitos civis e educação. Para mais informações ver fullcirclelearning.org

sábado, 4 de janeiro de 2014

Rainn Wilson Thinks You Need More Than an iPhone

O actor Rainn Wilson descreve uma revolução espiritual e a forma como as redes sociais podem ser usadas para promover o bem.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Jesus Cristo: Um Profeta como Moisés

Por Maya Bohnhoff

Se o mundo material é infinito no que toca às suas manifestações de vida, poderá o mundo espiritual ser finito? Os profetas de Deus surgiram continuamente em eras do passado e continuarão a surgir ao longo das eras do futuro. ('Abdu'l-Bahá, Divine Philosophy, p. 170)
Fui criada como Cristã sem denominação - ou Cristã com muitas denominações. Devido à insistência da minha mãe que quando os pastores se desviavam do significado claro e do contexto da Escritura nenhum Deus poderia surgir dali, frequentámos uma diversidade de igrejas: Baptista, Metodista, Presbiteriana, Episcopal, Católica e Luterana.

Em todas essas igrejas a ideia central sobre Cristo sustentava que Ele era fundamentalmente diferente de qualquer outro dos mensageiros de Deus.

Encontrei essa mesma ideia num debate recente com uma cristã devota num fórum online. Em resposta à minha afirmação sobre a missão profética de Cristo, ela declarou: "Cristo não afirmou ser um profeta."

Fiz o que minha mãe me ensinou - procurei os versículos em que Cristo fala da Sua relação com Deus. E encontrei no livro de S. João (5:45-47) as seguintes palavras de Jesus:
Não penseis que Eu vos vou acusar diante do Pai; há quem vos acuse: é Moisés, em quem continuais a pôr a vossa esperança. De facto, se acreditásseis em Moisés, talvez acreditásseis em mim, porque ele escreveu a meu respeito. Mas, se vós não acreditais nos seus escritos, como haveis de acreditar nas minhas palavras?
Onde é que Moisés fala de Cristo? Aqui está uma referência no Deuteronómio 18:15-16:
O Senhor, teu Deus, suscitará no meio de vós, dentre os teus irmãos, um profeta como eu; a ele deves escutar. Foi o que pediste ao Senhor, teu Deus, no monte Horeb, no dia da Assembleia...
No versículo 18, Moisés reitera esta profecia. De acordo com a Torá, Moisés anuncia um profeta semelhante a Ele que iria levar mais longe a mensagem divina. Que conclusão se pode tirar, senão que, quando Jesus afirma que Moisés escreveu sobre Ele, Ele está a referir-se à profecia do Deuteronómio e que Ele é, portanto, um profeta como Moisés?

Pedro, ensinando com João em Jerusalém após a ascensão de Cristo, confirma que esta profecia se refere a Cristo (Actos 3:19-26):
Arrependei-vos, portanto, e convertei-vos, para que os vossos pecados sejam apagados; e, assim, o Senhor vos conceda os tempos de conforto, quando Ele enviar aquele que vos foi destinado, o Messias Jesus, que deve permanecer no Céu até ao momento da restauração de todas as coisas, de que Deus falou outrora pela boca dos seus santos profetas. Moisés disse: 'O Senhor Deus suscitar-vos-á um Profeta como eu, de entre os vossos irmãos. Escutá-lo-eis em tudo quanto vos disser. Quem não escutar esse Profeta, será exterminado do meio do povo.' ... Foi primeiramente para vós que Deus suscitou o seu Servo e O enviou para vos abençoar e para se afastar cada um de vós das suas más acções.
Depois de todos os meus anos em congregações cristãs, fiquei surpreendida com esta ligação, pois nenhum pastor que alguma vez ouvi pregou um sermão sobre isto, e nenhum estudo da Bíblia alguma vez o tinha abordado. Deparei-me com ela durante as minhas tentativas para provar, ou refutar, a mensagem de Bahá'u'lláh e Fé Bahá'í do ponto de vista bíblico.

A conclusão a que cheguei foi inevitável: Jesus Cristo foi, segundo três testemunhos distintos - Moisés, o próprio, e Pedro - um profeta como Moisés e um servo de Deus, como Moisés.

Isso levanta a questão: o que é que isto significa? Que tipo de profeta foi Moisés, e qual foi a natureza da servidão Ele partilha com Jesus?

Irei explorar estas questões nos próximos artigos.

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Texto Original: Jesus Christ: A Prophet Like Moses (BahaiTeachings.org)

ARTIGO SEGUINTE: Jesus Cristo: Frente-a-frente com Deus

ARTIGO RELACIONADO: Cristo é Deus?

NOTA: Todas as citações bíblicas são retiradas da tradução dos Capuchinhos.

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Este texto é de autoria de Maya Bohnhoff, Baha'i e autora de sucesso do New York Times nas áreas de ficção científica, fantasia e história alternativa. Ela é também compositora/cantora (juntamente com seu marido Jeff). É um dos membros fundadores do Book View Café, onde escreve um blog bi-mensal, e tem um blog semanal na www.commongroundgroup.net.