"Povo de Bahá" é uma expressão frequentemente utilizada nas Escrituras Bahá'ís para designar os crentes em Bahá'u'lláh, i.e., os Bahá’ís.
quarta-feira, 31 de outubro de 2018
sábado, 27 de outubro de 2018
Ninguém vence uma corrida aos armamentos
Por David Langness.
Os ensinamentos Bahá’ís apelam aos dirigentes da humanidade que desarmem – que abdiquem dos seus enormes depósitos de armamento - reconhecendo colectivamente que a era da guerra está a chegar ao fim:
Aqui fica o detalhe: os EUA gastam 6% do seu orçamento anual na educação das suas crianças; 6% no próprio governo; 5,5% em habitação e despesas comunitárias; 5% em saúde e cuidados de saúde; 4% em assuntos internacionais, incluindo toda a ajuda externa; 3% em energia e ambiente; 2,5% em ciência e investigação médica; 2,5% em trabalho; 2% em transportes; 1% em alimentação e agricultura - e 62,5 % no Departamento de Defesa, guerras, programas de armamento e apoio a militares veteranos.
Por outras palavras, os Estados Unidos gastam mais de três quintos do seu dinheiro em despesas militares.
Consegue imaginar o que poderia ser feito com esse dinheiro se reduzíssemos as nossas despesas militares para um nível mais razoável?
O tremendo volume das despesas militares em algumas culturas belicistas pode chocar a maioria de nós, porque - a menos que sejamos militares ou trabalhemos numa instalação militar – temos pouco ou nenhum conhecimento sobre os custos de um empreendimento dessa natureza.
O Exército dos Estados Unidos deu-me uma formação directa dobre despesas militares. Alguns dias após ter iniciado a recruta num campo de treino inserido numa base militar do tamanho de uma cidade, comecei a pensar nos custos de manutenção de uma grande força permanente de combate. Via os milhares de soldados com quem treinava; comia em enormes refeitórios; compreendia quanto custava construir, equipar e manter tanques, helicópteros e aviões de combate; e comecei a compreender a enorme dimensão das nossas despesas militares. Em pouco tempo percebi como se poderia usar aquele dinheiro para construir um futuro pacífico e não belicista.
Se quer ter uma noção da magnitude das despesas militares, comece por imaginar o que é alimentar, alojar, fornecer roupa, transportes e cuidados de saúde a 1,3 milhões de homens e mulheres. Depois imagine o custo de pagar e treinar (e re-treinar) esses homens e mulheres. E depois, em cima de tudo isso, tente estimar o custo tremendo dos sistemas de armamento, o armamento avançado, de alta-tecnologia, as chamadas “armas inteligentes” que hoje se usam na guerra. Um míssil guiado por computador custa um milhão de dólares. Um bombardeiro B-2 custa 2 mil milhões de dólares.
Além disto, as despesas militares não seguem as leis normais da economia. O ritmo acelerado das evoluções científicas e tecnologias leva a que os chamados “custos de defesa” tipicamente cresçam de forma mais rápida do que as despesas não-militares. A corrida global aos armamentos para construir sistemas de armas maiores, mais mortíferos e temíveis levam-nos a orçamentos militares cada vez mais elevados. E por fim, estes sistemas de armamentos tornam-se obsoletos quando tecnologias mais recentes e mais caras acabam inevitavelmente por aparecer.
Esta interminável competição armamentista entre nações, e a constante prontidão para uma guerra global que as nações sentem dever estar preparadas, tornou-se um dos maiores falhanços da nossa civilização moderna, um ciclo vicioso que constitui um abominável crime colectivo contra a humanidade. Leva-nos a prosperidade, rouba comida da boca das crianças e gasta enormes quantidades de dinheiro na morte e não na vida.
As armas não produzem o que quer que seja. Quando uma fábrica produz um camião, por exemplo, esse camião realiza trabalho, e continua a fazê-lo ao longo da sua vida útil, contribuindo para a economia e para as pessoas que o utilizam. Mas quando uma fábrica produz uma arma, esta não dá qualquer contributo. Essa arma fica estática – um míssil num silo não faz qualquer trabalho útil – não tendo qualquer proveito para a sociedade que o produz, excepto no momento em que é usada e produz morte. O último presidente militar dos EUA, o general Dwight D. Eisenhower, afirmou:
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Texto original: No One Wins an Arms Race (www.bahaiteachings.org)
David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site www.bahaiteachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.
Os ensinamentos Bahá’ís apelam aos dirigentes da humanidade que desarmem – que abdiquem dos seus enormes depósitos de armamento - reconhecendo colectivamente que a era da guerra está a chegar ao fim:
Através de um acordo geral, todos os governos do mundo devem desarmar simultaneamente e ao mesmo tempo. Isto não terá efeito se um depuser as armas e outro recusar fazê-lo. As nações do mundo devem acordar umas com as outras sobre este assunto de importância suprema, para que assim possam abandonar em conjunto as armas mortais de carnificina humana. Enquanto uma nação aumentar os seus gastos militares e navais, outra nação será forçada a entrar neste despique louco pelos seus supostos interesses naturais. (‘Abdu’l-Bahá, Star of the West, Volume 3, p. 116)Devemos chegar a um acordo para nos unirmos e pormos fim à guerra, dizem os ensinamentos Bahá’ís, não só devido à sua carnificina, morte e destruição, mas também devido aos seus custos ocultos para as sociedades que fazem a guerra. As guerras aparentemente intermináveis no mundo – aquelas onde estamos agora a combater e as que estamos a planear e preparar para combater no futuro – custam-nos enormes quantidades de dinheiro e de vidas humanas. Por exemplo, no meu país, os Estados Unidos, as despesas com guerra excedem as despesas de todas as outras áreas.
Aqui fica o detalhe: os EUA gastam 6% do seu orçamento anual na educação das suas crianças; 6% no próprio governo; 5,5% em habitação e despesas comunitárias; 5% em saúde e cuidados de saúde; 4% em assuntos internacionais, incluindo toda a ajuda externa; 3% em energia e ambiente; 2,5% em ciência e investigação médica; 2,5% em trabalho; 2% em transportes; 1% em alimentação e agricultura - e 62,5 % no Departamento de Defesa, guerras, programas de armamento e apoio a militares veteranos.
Por outras palavras, os Estados Unidos gastam mais de três quintos do seu dinheiro em despesas militares.
Consegue imaginar o que poderia ser feito com esse dinheiro se reduzíssemos as nossas despesas militares para um nível mais razoável?
O tremendo volume das despesas militares em algumas culturas belicistas pode chocar a maioria de nós, porque - a menos que sejamos militares ou trabalhemos numa instalação militar – temos pouco ou nenhum conhecimento sobre os custos de um empreendimento dessa natureza.
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| Depósito de aviões militares retirados do serviço |
Se quer ter uma noção da magnitude das despesas militares, comece por imaginar o que é alimentar, alojar, fornecer roupa, transportes e cuidados de saúde a 1,3 milhões de homens e mulheres. Depois imagine o custo de pagar e treinar (e re-treinar) esses homens e mulheres. E depois, em cima de tudo isso, tente estimar o custo tremendo dos sistemas de armamento, o armamento avançado, de alta-tecnologia, as chamadas “armas inteligentes” que hoje se usam na guerra. Um míssil guiado por computador custa um milhão de dólares. Um bombardeiro B-2 custa 2 mil milhões de dólares.
Além disto, as despesas militares não seguem as leis normais da economia. O ritmo acelerado das evoluções científicas e tecnologias leva a que os chamados “custos de defesa” tipicamente cresçam de forma mais rápida do que as despesas não-militares. A corrida global aos armamentos para construir sistemas de armas maiores, mais mortíferos e temíveis levam-nos a orçamentos militares cada vez mais elevados. E por fim, estes sistemas de armamentos tornam-se obsoletos quando tecnologias mais recentes e mais caras acabam inevitavelmente por aparecer.
Esta interminável competição armamentista entre nações, e a constante prontidão para uma guerra global que as nações sentem dever estar preparadas, tornou-se um dos maiores falhanços da nossa civilização moderna, um ciclo vicioso que constitui um abominável crime colectivo contra a humanidade. Leva-nos a prosperidade, rouba comida da boca das crianças e gasta enormes quantidades de dinheiro na morte e não na vida.
As armas não produzem o que quer que seja. Quando uma fábrica produz um camião, por exemplo, esse camião realiza trabalho, e continua a fazê-lo ao longo da sua vida útil, contribuindo para a economia e para as pessoas que o utilizam. Mas quando uma fábrica produz uma arma, esta não dá qualquer contributo. Essa arma fica estática – um míssil num silo não faz qualquer trabalho útil – não tendo qualquer proveito para a sociedade que o produz, excepto no momento em que é usada e produz morte. O último presidente militar dos EUA, o general Dwight D. Eisenhower, afirmou:
Cada arma que é produzida, cada navio de guerra que é lançado, cada míssil que é disparado, significa, no fundo, um roubo aos que têm fome e não são alimentados, aos que têm frio e não têm roupa. Um mundo com armas não está só a gastar dinheiro. Está a consumir o suor dos seus operários, o génio dos seus cientistas, as esperanças das suas crianças. O custo de um bombardeiro moderno é este: uma escola moderna em mais de 30 cidades; são duas centrais eléctricas que servem cidades de 60.000 pessoas; são dois hospitais completamente equipados; são 75 quilómetros de estrada pavimentada. Pagamos por um único avião de combate meio milhão de alqueires de trigo. Pagamos por um único cruzador uma quantidade de casas que podia alojar 8000 pessoas. Esta é, repito, a melhor forma de vida que encontramos no caminho que o mundo está a tomar. Mas isto não é sequer uma forma de vida, em qualquer verdadeiro sentido. Sob as nuvens de uma guerra ameaçadora, é a humanidade que se coloca numa cruz de ferro. (…) Não haverá outra forma para o mundo viver? (“The Chance for Peace,” from a speech given to the American Society of Newspaper Editors, April 16, 1953.)Os ensinamentos Bahá’ís concordam, dizendo que cada uma destas armas e sistemas de armamento representam um falhanço espiritual e proporções épicas, designando-os como “os frutos malignos da civilização material”:
...entre os ensinamentos de Bahá’u’lláh está o de apesar da civilização material ser meio de progresso do mundo da humanidade, enquanto não se combinar com a civilização Divina, o resultado desejado – que é a felicidade da humanidade - não será alcançado. Pensem! Estes couraçados que reduzem uma cidade a ruínas no espaço de uma hora são o resultado da civilização material; igualmente, os canhões Krupp, as espingardas Mauser, a dinamite, os submarinos, torpedos, aviões armados e bombardeiros - todas estas armas de guerra são os frutos malignos da civilização material. Se a civilização material tivesse sido combinada com a civilização Divina, estas armas de fogo nunca teriam sido inventadas. Pelo contrário, a energia humana teria sido totalmente dedicada a invenções úteis e ter-se-ia concentrado em descobertas louváveis. (Selections from the Writings of Abdu’l-Baha, p. 303)Então o que pode transformar a nossa civilização material altamente militarizada numa civilização divinamente unida, pacífica e produtiva, tal como previsto pelos ensinamentos Bahá’ís? No próximo artigo vamos tentar responder a esta pergunta fundamental, analisando as principais causas da guerra.
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Texto original: No One Wins an Arms Race (www.bahaiteachings.org)
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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site www.bahaiteachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.
quinta-feira, 25 de outubro de 2018
Orações adicionais reveladas por Bahá'u'lláh
Tradução provisória para Português-PT
* * * * * * * * *
Puro e santificado és tu, ó meu Deus! Como pode a pena mover-se e a tinta
fluir quando as brisas da benevolência deixaram de soprar e os sinais da
generosidade desapareceram, quando o sol da humilhação se eleva e as espadas da
calamidade são desembainhadas, quando os céus da tristeza se levantam e as
flechas da aflição e as lanças da vingança chovem das nuvens do poder – de tal
forma que os sinais da alegria abandonaram todos os corações, e os símbolos da
alegria foram apagados de todo o horizonte, os portões da esperança
fecharam-se, a misericórdia da brisa celestial deixou de soprar sobre o
roseiral da fidelidade, e o turbilhão da extinção atingiu a árvore da
existência. A pena geme e a tinta lamenta a sua situação crítica, e a epístola
está aterrada com este grito. A mente está agitada com o sabor desta dor e
mágoa, e o Rouxinol divino chama: “Ai! Ai! Por tudo o que se fez aparecer”. E
isto, ó meu Deus, nada são senão as Tuas dádivas ocultas.
—Bahá’u’lláh
* * * * * * * * *
Ó Tu que tens nos Teus punhos o Reino dos nomes e o Império de todas as coisas,
Tu vês como eu me tornei um estranho na minha terra devido ao meu amor por Ti.
Suplico-Te, pela beleza do Teu semblante, que faças do meu afastamento do lar
um meio pelo qual os Teus servos se possam aproximar da Fonte da Tua Causa e
Aurora da Tua Revelação. Ó Deus, apelo-Te com uma língua que não pronunciou
qualquer palavra de desobediência contra Ti, implorando-Te, pela Tua soberania
e poder, que me mantenhas seguro no abrigo da Tua misericórdia e me concedas
força para Te servir e para servir o meu pai e a minha mãe. Tu és, em verdade,
o Omnipotente, a Ajuda no Perigo, o Que Subsiste por Si Próprio.
—Bahá’u’lláh
* * * * * * * * *
Em
Nome de nosso Senhor, o Santíssimo, o Mais Grandioso, o Exaltado, o Mais Glorioso!
Glória a Ti, ó Tu Que és o Senhor de todos os seres e o Propósito Final de
toda a criação! Testemunho, com a língua do meu ser exterior e interior, que Te
revelaste e manifestaste, que enviaste os Teus versículos e deste a conhecer as
Tuas provas, e que és independente de tudo salvo de Ti e santificado acima de
tudo excepto de Ti próprio. Peço-Te, pela glória da Tua Causa e poder do Teu
Verbo, que assistas graciosamente aqueles que se levantaram para cumprir o que
lhes foi ordenado no Teu Livro, e a realizar aquilo com que a fragrância da Tua
aceitação se possa espalhar amplamente. Tu és, em verdade, o Poderoso, o
Gracioso, o Clemente, o Generoso.
—Bahá’u’lláh
* * * * * * * * *
Em
Nome de nosso Senhor, o Santíssimo, o Mais Grandioso, o Exaltado, o Mais
Glorioso!
Ó Deus, meu Deus! Tu vês como o Teu servo voltou a face para Ti e desejou
ser honrado por fazer aquilo que lhe foi ordenado no Teu Livro. Ordena-lhe,
através da Tua Mais Exaltada Pena, aquilo que o aproxime do Mais Sublime Cume.
Tu, em verdade, és o Educador do mundo e o Senhor das nações, e Tu, em verdade,
és o Poderoso, o Que Tudo Subjuga, o Omnipotente.
—Bahá’u’lláh
* * * * * * * * *
Ó Deus, meu Deus! Glória a Ti por me teres guiado até ao horizonte da Tua
Revelação, iluminado com os esplendores da luz da Tua graça e misericórdia, por
me teres feito pronunciar o Teu louvor, e dado a contemplar aquilo que foi
revelado pela Tua Pena.
Suplico-Te, ó Tu, Senhor do Reino dos nomes e Modelador da terra e do céu, pelo sussurrar do Cedro
Divino e pela Tua palavra mais doce que arrebatou as realidades de todas
as coisas criadas, que me ergas em Teu Nome entre os Teus servos. Sou aquele
que procurou durante o dia e a noite, ficar frente à porta da Tua dádiva e
apresentou-se perante o trono da Tua justiça. Ó Senhor! Não rejeites aquele que se segurou
à corda da Tua proximidade e não prives aquele que dirigiu os seus passos para
a Tua mais sublime condição, o cume da glória e objectivo supremo – aquela
condição em que todos os átomos clamam na língua mais eloquente: “A terra e o
céu, a glória e o domínio pertencem a Deus, o Omnipotente, o Todo-Glorioso, o
Mais Generoso”.
—Bahá’u’lláh
* * * * * * * * *
Louvor a Ti, ó Senhor meu Deus, por me teres guiado ao horizonte da Tua
Revelação e me teres feito ser mencionado pelo Teu Nome. Suplico-Te, pelos
raios que se estendem do Sol da Tua providência e pelas vagas ondulantes do
Oceano da Tua misericórdia, que concedas que a minha linguagem possa ter um vestígio
da influência do Teu próprio Verbo exaltado, atraindo com isso as realidades de
todas as coisas criadas. Poderoso és Tu para fazer o que desejas através da Tua
Palavra maravilhosa e incomparável.
—Bahá’u’lláh
* * * * * * * * *
Ele
é o Incomparável!
Louvor a Ti, ó Senhor meu Deus! Suplico-Te pelo Teu Nome Mais Exaltado no
Tabernáculo do esplendor cintilante, e pela Tua Palavra Mais Sublime no Domínio
da glória transcendente, que protejas este servo que gozou da Tua companhia,
deu ouvidos aos tons da Tua voz e reconheceu a Tua prova. Concede-lhe, pois, o
bem deste mundo e do próximo, e outorga-lhe uma condição de rectidão na Tua
presença, para que os seus pés não se possam afastar do Teu caminho
todo-glorioso e mais exaltado.
—Bahá’u’lláh
* * * * * * * * *
Ele
é o Todo-Glorioso!
Louvor a Ti, ó meu Deus! Chamaste-me e eu respondi-Te. Convocaste-me e eu
precipitei-me para junto de Ti, ficando sob a sombra da Tua misericórdia e
procurando abrigo no limiar da porta da Tua graça. Nutriste-me, ó Senhor,
através da Tua providência, escolheste-me apenas para Ti, criaste-me para o Teu
serviço, e designaste-me para comparecer perante Ti. Suplico-Te, pelo Teu Nome
Todo-Glorioso e pela Tua beleza que alvoreceu no horizonte da Tua mais exaltada
Essência, que me ligues a Ti tal como fizeste anteriormente, e não me separes
de Ti próprio. Faz surgir de mim, ó meu Deus, aquilo que seja digno de Ti. Tu
és, em verdade, poderoso sobre todas as coisas.
—Bahá’u’lláh
* * * * * * * * *
Ó meu Deus! Ó meu Deus! Dou testemunho que este é o Teu Dia mencionado nos
Teus Livros, Tuas Epístolas, Teus Salmos e Teus Textos. Neles manifestastes
aquilo que estava oculto no Teu Conhecimento e guardado nos repositórios da Tua
infalível proteção. Suplico-Te, ó Senhor do Mundo, pelo Teu Mais Grandioso Nome
com o qual os membros do povo foram abalados, que auxilies os Teus servos e as
Tuas servas a tornarem-se firmes na Tua Causa e a erguerem-se ao Teu serviço.
Em verdade, Tu és poderoso para fazer o que desejas, e no Teu punho estão
as rédeas de todas as coisas. Tu proteges quem quer que desejas através do Teu
poder e Domínio. E, em verdade, és o Omnipotente, o Que tudo Subjuga, o Mais
Poderoso.
—Bahá’u’lláh
* * * * * * * * *
Em relação aos seus assuntos, ele que repita dezanove vezes: “Tu vês-me, ó
meu Deus, desprendido de tudo salvo de Ti e segurando-me a Ti. Guia-me, pois,
em todos os meus assuntos para aquilo que me beneficie para glória da Tua Causa
e sublimidade da condição dos teus amados”. Ele que reflicta sobre o assunto e
empreenda o que lhe vier à mente. Esta oposição veemente dos inimigos dará
lugar a uma prosperidade suprema.
—Bahá’u’lláh
* * * * * * * * *
Ele
é Deus, exaltado é Ele, o Senhor do poder e grandeza!
Ó Deus, meu Deus! Dou-Te graças em todos os tempos e louvo-Te sob todas as
condições.
Na prosperidade, todo o louvor é Teu, ó Senhor dos Mundos, e na sua
ausência, toda a gratidão é Tua, ó Desejo daqueles que Te reconheceram!
Na adversidade, toda a honra é Tua, ó Adorado de todos os que estão no céu
e na terra, e na aflição, toda a glória é Tua, ó Encantador dos corações
daqueles que anseiam por Ti!
No infortúnio, todo o louvor é Teu, ó Tu, Alvo daqueles que Te procuram, e
no conforto, todas as acções de graças são Tuas, ó Tu cuja lembrança é estimada
nos corações daqueles que estão próximos de ti!
Na prosperidade, todo o esplendor é Teu, ó Senhor daqueles que Te são
devotos, e na pobreza, todo o mandamento é Teu, ó Tu, Esperança daqueles que
reconhecem a Tua unidade!
Na alegria, toda a justiça é Tua, ó Tu para além do Qual não existe outro
Deus, e na tristeza, toda a beleza é Tua, ó Tu para além do Qual não existe
outro Deus!
Na fome, toda a justiça é Tua, ó Tu para além do Qual não existe outro
Deus, e na saciedade, toda a graça é Tua, ó Tu para além do Qual não existe
outro Deus!
Na minha pátria, toda a dádiva é Tua, ó Tu para além do Qual não existe
outro Deus, e no exílio, todo o decreto é Teu, ó Tu para além do Qual não existe
outro Deus!
Sob a espada, toda a munificência é Tua, ó Tu para além do Qual não existe
outro Deus, e na segurança do lar, toda a perfeição é Tua, ó Tu para além do
Qual não existe outro Deus!
Na mansão sublime, toda a generosidade é Tua, ó Tu para além do Qual não
existe outro Deus, e sobre a mais simples poeira, todo o favor é Teu, ó Tu para
além do Qual não existe outro Deus!
Na prisão, toda a fidelidade é Tua, ó Tu Concessor de dons, e na reclusão,
toda a eternidade é Tua, ó Tu que és o Rei Sempre-Eterno!
Toda a dádiva é Tua, ó Tu Que és o Senhor da dádiva, o Soberano da dádiva e
o Rei da dádiva! Dou testemunho que Tu és louvado nas Tuas obras, ó Tu, fonte
de dádiva, e obedecido nas Tuas ordens, ó Tu Oceano de dádiva, Aquele de Quem
provém toda a dádiva, Aquele para quem toda a dádiva regressa!
—Bahá’u’lláh
* * * * * * * * *
Louvado sejas, ó Senhor meu Deus! Santifica os meus olhos, e os meus
ouvidos, e a minha língua, e o meu espírito, e o meu coração, e a minha alma, e
o meu corpo, e todo o meu ser de se voltar para qualquer outro que não Tu. Dá-me,
depois, de beber da taça que transborda com o vinho selecto da Tua glória.
—Bahá’u’lláh
* * * * * * * * *
Texto em inglês: Additional Prayers Revealed by Bahá’u’lláh
quarta-feira, 24 de outubro de 2018
sábado, 20 de outubro de 2018
O que Podemos Fazer pelos Refugiados no Mundo?
Por Rodney Richards.
Cuidar dos refugiados do mundo e dos
sem-abrigo é uma tarefa difícil, porque as necessidades normalmente superam largamente
os meios disponíveis.
Numerosas organizações governamentais e humanitárias
fazem o possível para ajudar esses refugiados, fornecendo terrenos, abrigos
temporários, comida, bebida, roupas, escolas e muito mais; com isso, os cada
vez maiores campos de refugiados no mundo podem responder temporariamente às
necessidades de milhões de pessoas deslocadas.
Recentemente, o ACNUR - a Agência das
Nações Unidas para os Refugiados - informou que o número de pessoas deslocadas
no mundo aumentou para 65,6 milhões - mais do que toda a população do Reino
Unido. Esse número surpreendente (inclui um aumento de 300.000 em relação ao
ano anterior) é o maior número de refugiados alguma vez registado.
O que pode uma pessoa fazer em relação a
esta crise global? Temos a responsabilidade de agir ou devemos deixar essa
tarefa para organizações e governos?
Do ponto de vista de Bahá’í, ajudar os
refugiados sem lar é um assunto para todos. Bahá’u’lláh - Ele próprio um
refugiado e exilado - escreveu:
Ó ricos da terra! Não fujais da face do pobre que jaz no pó; pelo
contrário, sede amigos dele e permiti-lhe que conte a história dos males com
que o inescrutável decreto de Deus o afligiu. Pela rectidão de Deus! Enquanto
estiveres com ele, a Assembleia no alto estará a olhar por vós, a interceder
por vós, a louvar os vossos nomes e a glorificar a vossa acção. (Gleanings fromthe Writings of Baha’u’llah, sec. CXLV)
‘Abdu’l-Bahá, que também foi refugiado e
prisioneiro juntamente com o Seu Pai, afirmou:
Que todos vós possais estar unidos, que possais concordar, que possais
servir a solidariedade da espécie humana.
Que possais ser os bem-intencionados para toda a humanidade. Que possais
ser os auxiliadores de todo o pobre, que possais ser os enfermeiros do doente.
Que possais ser fontes de conforto dos que têm o coração despedaçado. Que
possais ser um refúgio para o vagabundo. Que possais ser uma fonte de coragem
para o assustado. Assim, com o favor e assistência de Deus poderá erguer-se o estandarte
da felicidade humana no centro do mundo e a insígnia da concórdia universal será
desfraldada. (The Promulgation of Universal Peace, p. 425)
Como exemplo do quão terrível se tornou a
actual crise de refugiados no mundo, vejamos o pequeno Líbano. Com 10.000 km2,
é um dos países mais pequenos do mundo em termos de superfície terrestre.
Durante a década de 1960, o Líbano era conhecido como "a Suíça do
Oriente" e Beirute, a sua capital, "a Paris do Médio-Oriente ".
Como sabemos, o Líbano tem como vizinhos a
Síria (a norte e a leste) e Israel (a sul). O Líbano tem sido atormentado por
violência sectária e guerra civil; em 1990, a guerra civil terminou e havia quase
um milhão de libaneses deslocados. Algumas partes do Líbano ficaram em ruínas,
e a Síria foi uma potência ocupante até 2005. Seguiram-se uma série de
assassinatos de líderes libaneses, facto que dificultou a formação de um
governo estável. Depois, em 2012, a guerra civil na Síria ameaçou transbordar
para o Líbano e, em 2013, mais de 677.000 refugiados sírios atravessaram a
fronteira libanesa, procurando a segurança relativa do país. Hoje o Líbano tem
mais de 1 milhão de refugiados sírios, aproximadamente um sétimo da população
do país.
Mas o Líbano não é o único país com
pessoas deslocadas e sem-abrigo. Como podemos nós, indivíduos, lidar com essas
questões urgentes e prestar ajuda aos deslocados, aos sem-abrigo e aos
refugiados? Quem pode servir como exemplo na ajuda a essas multidões indefesas?
Em 1932, Shoghi Effendi escreveu sobre uma
Bahá’í que fez exatamente isso:
O rebentar da Grande Guerra deu-lhe mais uma oportunidade para revelar o
verdadeiro valor do seu caráter e libertar as energias latentes no seu coração.
A residência de 'Abdu'l-Bahá em Haifa estava rodeada, durante todo aquele
conflito sombrio, por um grupo de homens, mulheres e crianças famintas, que a
má administração, a crueldade e a negligência dos funcionários do governo
otomano tinham levado a procurar ajuda para as suas aflições. Das suas mãos [de
Bahiyyih Khanum, irmã de Abdu'l-Bahá], e da abundância do seu coração, essas vítimas
infelizes de uma tirania abjecta recebiam, dia após dia, provas inesquecíveis
de um amor que aprenderam a invejar e a admirar. As suas palavras de alegria e
conforto, a comida, o dinheiro, as roupas que ela distribuía livremente, os medicamentos
que, por um processo próprio, ela mesma preparava e ministrava diligentemente -
tudo isso teve a sua parte no confortar do inconsolável, no recuperar da visão do
cego, no abrigar do órfão, no curar do doente e auxiliar o desalojado e o vagabundo.
(Baha’i Administration,, p. 193)
A Grande Guerra foi a Primeira Guerra
Mundial; o cenário era a Palestina; a Folha Mais Sagrada era o título da
Bahiyyih Khanum, a irmã mais velha de Abdu'l-Bahá.
Durante a Primeira Guerra Mundial, quando
a Palestina esteve isolada do mundo e ameaçada pela fome, Bahiyyih Khanum e ‘Abdu’l-Bahá
tornaram-se exemplos brilhantes de cuidado pelos pobres e necessitados, pelos
destituídos, pelos desafortunados e pelos refugiados – o tipo de exemplo que
começa no coração dos indivíduos, e inspira grupos e nações que hoje fornecem
ajuda:
Nem as autoridades britânicas foram lentas em expressar a sua gratidão sobre
o papel que ‘Abdu’l-Bahá desempenhou no aliviar do fardo dos sofrimentos que
oprimiam os habitantes da Terra Santa durante os dias tenebrosos daquele
conflito angustiante. (Shoghi Effendi, God Passes By, p. 306)
O governo britânico atribuiu o título de
Cavaleiro a ‘Abdu’l-Bahá devido ao seu trabalho que evitou a fome entre o povo
da Palestina durante a guerra.
Apenas o envolvimento pessoal, o amor e a
unidade – unidade de pensamento, de vontade e de acção – pode dar início a
soluções permanentes. Essa unidade, essa fraternidade global, esse amor, podem
nascer das soluções espirituais e práticas proclamadas por Bahá’u’lláh.
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Texto
original: What Can One Person Do about the World’s Refugees? (bahaiteachings.org)
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Rodney Richards é escritor técnico de
profissão e trabalhou durante 39 anos para o Governo Estadual de New Jersey.
Reformou-se em 2009 e dedicou-se à escrita (prosa e poesia),tendo publicado o
seu primeiro livro de memórias Episodes: A poetic memoir. É casado, orgulha-se
dos seus filhos adultos, e permanece um elemento activo na sua comunidade.
quarta-feira, 17 de outubro de 2018
sábado, 13 de outubro de 2018
Como seria um Mundo Pacífico?
Por David Langness.
Mais do que qualquer outra coisa, os ensinamentos Bahá’ís focam-se no alcançar a paz universal através da unidade global – a unidade das raças, religiões e nações.
A visão de Bahá’u’lláh para o futuro da humanidade centra-se em torno da construção da unidade do planeta, estabelecendo laços de fraternidade entre todos os povos e nações, e descobrindo o nosso rumo, enquanto espécie, para uma paz global duradoura, justa e unificadora:
Se essa visão agita a sua alma e intriga a sua mente, talvez lhe interesse saber mais sobre como o plano de paz Bahá’í pretende trazer esse mundo justo e pacífico à existência. Vamos analisar, no próximo texto desta série, como os ensinamentos Bahá’ís recomendam que façamos o desarmamento do nosso planeta.
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Texto original: What Would a Peaceful World Look Like? (www.bahaiteachings.org)
David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site www.bahaiteachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.
Mais do que qualquer outra coisa, os ensinamentos Bahá’ís focam-se no alcançar a paz universal através da unidade global – a unidade das raças, religiões e nações.
A visão de Bahá’u’lláh para o futuro da humanidade centra-se em torno da construção da unidade do planeta, estabelecendo laços de fraternidade entre todos os povos e nações, e descobrindo o nosso rumo, enquanto espécie, para uma paz global duradoura, justa e unificadora:
Tão poderosa é a luz da unidade que pode iluminar toda a terra. Esforçai-vos para que consigais alcançar esta condição transcendente e mui sublime, uma condição que pode assegurar a protecção e segurança de toda a humanidade. (Gleanings from the Writings of Baha’u’llah, CXXXII)Todos os dias milhões de Bahá’ís celebram, honram e trabalham diligentemente para este ideal irresistível. Shoghi Effendi - o Guardião da Fé Bahá’í e historiador e intelectual educado em Oxford - resumiu esse ideal quando, em 1936, delineou brevemente a visão Bahá’í da unificação da humanidade:
A unidade da raça humana, tal como antecipada por Bahá'u'lláh, implica o estabelecimento de uma comunidade mundial em que todas as nações, raças, credos e classes estão íntima e permanentemente unidas, e em que a autonomia dos seus Estados membros, e a liberdade e iniciativa pessoais dos indivíduos que as compõem, estão definitiva e completamente salvaguardadas.Esta poderosa e emocionante visão Bahá’í sobre uma nova ordem mundial - caracterizada pela justiça, paz e unidade - inspira Bahá’ís e os seus apoiantes em todo o mundo a trabalhar para o dia em que as forças unificadoras da vida culminem num mundo pleno de esperança, alegria e harmonia.
Esta comunidade deve, tanto quanto a podemos visualizar, incluir um parlamento mundial, cujos membros, enquanto fideicomissários de toda a humanidade, irão, em última análise, controlar todos os recursos de todas as nações que a integram, e promulgar leis que sejam necessárias para regular a vida, satisfazer as necessidades e organizar as relações entre todas as raças e povos.
Um executivo mundial, apoiado por uma força internacional, executará as decisões e aplicará as leis promulgadas por este parlamento mundial, e protegerá a unidade orgânica de toda a comunidade mundial.
Um tribunal mundial julgará e emitirá o seu veredicto vinculativo e final em todas e quaisquer disputas que possam surgir entre os vários elementos que constituam este sistema universal.
Um mecanismo de intercomunicação mundial será concebido, envolvendo todo o planeta, livre de entraves ou restrições nacionais, e funcionando com maravilhosa rapidez e perfeita regularidade.
Uma metrópole mundial actuará como centro nervoso de uma civilização mundial, foco para onde convergirão as forças unificadoras da vida e da qual emanarão as suas influências estimulantes.
Uma língua mundial será inventada ou escolhida entre as línguas existentes e será ensinada nas escolas de todas as nações federadas como auxiliar à sua língua materna.
Uma escrita mundial, uma literatura mundial, um sistema universal e padrão de moeda, pesos e medidas simplificará e facilitará o relacionamento e a compreensão entre nações e raças da humanidade.
Nessa sociedade mundial, ciência e religião, as duas mais poderosas forças da vida humana, reconciliar-se-ão, cooperarão e desenvolver-se-ão harmoniosamente.
A imprensa, num tal sistema, dará um espaço pleno à expressão das diversificadas opiniões e convicções da humanidade e deixará de ser manipulada de forma maliciosa por interesses poderosos, sejam privados ou públicos, e libertar-se-á da influência de governos e povos rivais.
Os recursos económicos do mundo serão organizados, as suas fontes de matérias primas serão aproveitadas e totalmente utilizadas, os seus mercados serão coordenados e desenvolvidos, e a distribuição dos seus produtos será regulada equitativamente.
Rivalidades, ódios e intrigas entre nações cessarão e a animosidade e o preconceito racial serão substituídos pela amizade, compreensão e cooperação raciais.
As causas de luta religiosa serão permanentemente removidas, as barreiras e as restrições económicas serão completamente abolidas, e a desmesurada distinção entre classes será suprimida.
A indigência, por um lado, e a acumulação grosseira de bens, por outro, desaparecerão.
A enorme energia que se gasta e desperdiça na guerra, seja económica ou política, será consagrada a objectivos, como o alargamento do alcance das invenções humanas e o desenvolvimento técnico, o aumento da produtividade da humanidade, o extermínio da doença, o alargamento da investigação científica, a melhoria do nível de saúde física, o aperfeiçoamento e refinamento do cérebro humano, a exploração dos recursos insuspeitos e não utilizados do planeta, o prolongamento da vida humana e a promoção de qualquer outro meio que estimule a vida intelectual, moral e espiritual de toda a raça humana. (The World Order of Bahá’u’lláh, p. 203.)
Se essa visão agita a sua alma e intriga a sua mente, talvez lhe interesse saber mais sobre como o plano de paz Bahá’í pretende trazer esse mundo justo e pacífico à existência. Vamos analisar, no próximo texto desta série, como os ensinamentos Bahá’ís recomendam que façamos o desarmamento do nosso planeta.
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Texto original: What Would a Peaceful World Look Like? (www.bahaiteachings.org)
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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site www.bahaiteachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.
quarta-feira, 10 de outubro de 2018
sábado, 6 de outubro de 2018
Poderemos alguma vez estabelecer a paz universal?
Por David Langness.
Durante milénios, os seres humanos sonharam com a paz universal. Desejaram-na há tanto tempo; e, no entanto, ela ainda não surgiu. E por causa disso, muitas pessoas perderam a esperança.
É triste, não é verdade? Em muitos aspectos, até a possibilidade de uma paz futura se tornou impensável – quando foi a última vez que o leitor pensou nessa ideia? Como resultado, houve quem concluísse que a paz mundial representa uma utopia fantasista inatingível. E pelo facto de os seres humanos terem um passado histórico de guerra e violência, estamos condenados eternamente a viver entre conflitos sangrentos. Somos criaturas belicosas, prossegue o raciocínio, e por isso teremos sempre guerra.
Esta conclusão simplista tem sido tema de centenas de livros, artigos e investigações científicas, muitos deles concluindo que os seres humanos estão geneticamente programados para ser agressivos, violentos e combativos.
O psiquiatra Sigmund Freud defendeu esta ideia quando afirmou que todos os seres têm consigo um reservatório de “energia agressiva” que emerge naturalmente como violência.
Mas esta ideia elementar - de que os seres humanos são criaturas inerentemente violentas - tem sido enfatizada e apoiada por alguns cientistas e filósofos desde há muito tempo. Um artigo recente na revista The National Interest, intitulado What Our Primate Relatives Say About War (“O que dizem os nossos Parentes Primatas sobre a Guerra”) afirma que nos guerreamos e nos matámos durante tanto tempo “porque somos humanos”.
Outro artigo no New Scientist defende que a guerra tem “desempenhado um papel integrante na nossa evolução” e assume como um dado adquirido que a guerra estará sempre connosco. Até o respeitável jornal de investigação Science afirmou em 2016 que “a guerra era tão comum nas sociedades de caçadores-colectores que se tornou um importante elemento de pressão evolutiva entre os primeiros Homo Sapiens”.
Poderíamos resumir esta filosofia numa frase: a guerra é inevitável e sempre será porque está gravada no nosso ADN, na nossa natureza humana elementar.
Quem acredita nisso?
Os ensinamentos Bahá’ís não acreditam. Os Bahá’ís entendem que a paz não é uma ilusão: pelo contrário, os Bahá’ís acreditam que a nova revelação de Bahá’u’lláh pôs em marcha um plano de paz amplo e prático que agora está a eliminar a guerra de forma gradual e permanente. Os Bahá’ís reconhecem que os impulsos humanos violentos provocaram a guerra no passado, mas têm fé que a paz um dia se tornará uma realidade global:
Isto representa algo inteiramente novo. Pela primeira vez na história humana, foi criada uma força pacificadora global com bases locais – um movimento de massas não-violento, unificado, para pôr fim à guerra. O leitor pode ainda não ter reparado neste movimento pois as suas tácticas e técnicas são tranquilamente pacíficas; mas esse movimento – a causa Bahá’í – reuniu um exército de seguidores dedicados, um facto sem precedentes nas narrativas da nossa espécie.
Assim, nesta série de ensaios vamos analisar o plano de paz Bahá’í de todas as perspectivas possíveis, tentar perceber o seu âmbito e compreender os seus princípios fundamentais e propósito derradeiro.
Mas antes disso, vamos reflectir sobre alguns excertos dos Escrituras Bahá’ís sobre o princípio Bahá’í da paz universal:
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Texto original: Can We Ever Establish Universal Peace? (www.bahaiteachings.org)
David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site www.bahaiteachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.
Durante milénios, os seres humanos sonharam com a paz universal. Desejaram-na há tanto tempo; e, no entanto, ela ainda não surgiu. E por causa disso, muitas pessoas perderam a esperança.
É triste, não é verdade? Em muitos aspectos, até a possibilidade de uma paz futura se tornou impensável – quando foi a última vez que o leitor pensou nessa ideia? Como resultado, houve quem concluísse que a paz mundial representa uma utopia fantasista inatingível. E pelo facto de os seres humanos terem um passado histórico de guerra e violência, estamos condenados eternamente a viver entre conflitos sangrentos. Somos criaturas belicosas, prossegue o raciocínio, e por isso teremos sempre guerra.
Esta conclusão simplista tem sido tema de centenas de livros, artigos e investigações científicas, muitos deles concluindo que os seres humanos estão geneticamente programados para ser agressivos, violentos e combativos.
O psiquiatra Sigmund Freud defendeu esta ideia quando afirmou que todos os seres têm consigo um reservatório de “energia agressiva” que emerge naturalmente como violência.
Mas esta ideia elementar - de que os seres humanos são criaturas inerentemente violentas - tem sido enfatizada e apoiada por alguns cientistas e filósofos desde há muito tempo. Um artigo recente na revista The National Interest, intitulado What Our Primate Relatives Say About War (“O que dizem os nossos Parentes Primatas sobre a Guerra”) afirma que nos guerreamos e nos matámos durante tanto tempo “porque somos humanos”.
Outro artigo no New Scientist defende que a guerra tem “desempenhado um papel integrante na nossa evolução” e assume como um dado adquirido que a guerra estará sempre connosco. Até o respeitável jornal de investigação Science afirmou em 2016 que “a guerra era tão comum nas sociedades de caçadores-colectores que se tornou um importante elemento de pressão evolutiva entre os primeiros Homo Sapiens”.
Poderíamos resumir esta filosofia numa frase: a guerra é inevitável e sempre será porque está gravada no nosso ADN, na nossa natureza humana elementar.
Quem acredita nisso?
Os ensinamentos Bahá’ís não acreditam. Os Bahá’ís entendem que a paz não é uma ilusão: pelo contrário, os Bahá’ís acreditam que a nova revelação de Bahá’u’lláh pôs em marcha um plano de paz amplo e prático que agora está a eliminar a guerra de forma gradual e permanente. Os Bahá’ís reconhecem que os impulsos humanos violentos provocaram a guerra no passado, mas têm fé que a paz um dia se tornará uma realidade global:
A paz universal é assegurada por Bahá’u’lláh como uma realização fundamental da religião de Deus – que a paz prevaleça entre nações, governos e povos, entre religiões, raças e todas as condições da humanidade. (‘Abdu’l-Bahá, The Promulgation of Universal Peace, p. 455)Tem dúvidas? Então saiba que milhões de pessoas em todo o mundo, em todos os continentes, culturas e civilizações estão a pôr em prática diariamente o plano de paz Bahá’í.
Isto representa algo inteiramente novo. Pela primeira vez na história humana, foi criada uma força pacificadora global com bases locais – um movimento de massas não-violento, unificado, para pôr fim à guerra. O leitor pode ainda não ter reparado neste movimento pois as suas tácticas e técnicas são tranquilamente pacíficas; mas esse movimento – a causa Bahá’í – reuniu um exército de seguidores dedicados, um facto sem precedentes nas narrativas da nossa espécie.
Assim, nesta série de ensaios vamos analisar o plano de paz Bahá’í de todas as perspectivas possíveis, tentar perceber o seu âmbito e compreender os seus princípios fundamentais e propósito derradeiro.
Mas antes disso, vamos reflectir sobre alguns excertos dos Escrituras Bahá’ís sobre o princípio Bahá’í da paz universal:
Ordenámos a toda a espécie humana que estabelecesse a Mais Grandiosa Paz – o mais seguro de todos os meios para protecção da humanidade... pois este é o instrumento supremo que pode garantir a segurança e o bem-estar de todos os povos e nações. (Tablets of Baha’u’llah, p. 125.)Com estas poderosas afirmações em mente, vamos explorar o modelo revelado por Bahá’u’lláh e ‘Abdu’l-Bahá – o profeta fundador da Fé Bahá’í e o Seu filho e sucessor – para este objectivo enorme, ambicioso e derradeiro que é o estabelecimento da paz universal. Convido-o a acompanhar esta série de artigos sobre o plano de paz Bahá’í e a ver se estes o ajudam a acreditar que a paz é verdadeiramente possível.
O propósito de Deus ao enviar os Seus Profetas aos homens é duplo. O primeiro é libertar os filhos dos homens das trevas da ignorância e guiá-los à luz da verdadeira compreensão. O segundo é garantir a paz e a tranquilidade da espécie humana, e proporcionar todos os meios com os quais elas possam ser estabelecida. (Gleanings from the Writings of Baha’u’llah, sec. XXXIV)
Ó governantes da terra! Porque haveis obscurecido o esplendor do Sol e feito com que Ele deixasse de brilhar? Dai ouvidos ao conselho que vos é dado pela Pena do Altíssimo, para que, porventura, vós e os pobres possais alcançar a tranquilidade e a paz. Suplicamos a Deus que ajude os reis da terra a estabelecer a paz no mundo…
Ó reis da terra! Vemos-vos todos os anos a aumentar as vossas despesas e a colocar o fardo destas sobre os vossos súbditos. Isto, em verdade, é total e grosseiramente injusto. Temei os suspiros e as lágrimas deste Injustiçado e não coloqueis encargos excessivos sobre os vossos povos. Não os roubem para construir palácios para vós; pelo contrário, escolhei para eles aquilo que escolheis para vós próprios. (Idem, sec. CXIX)
Cada era exige um impulso ou um movimento central. Nesta era, os limites das coisas terrenas alargaram-se; as mentes assumiram um campo de visão mais amplo; as realidades revelaram-se e os segredos do ser foram trazidos para o reino do visível. Qual é o espírito desta era, qual é o seu ponto focal? É o estabelecimento da Paz Universal, o estabelecimento do conhecimento de que a humanidade é uma família. (‘Abdu’l-Bahá, Baha’i Scriptures, p. 274.)
Não há uma única alma cuja consciência não testemunhe que neste dia não existe assunto mais importante no mundo do que o da paz universal. (Selections from the Writings of Abdu’l-Baha, nº 227)
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Texto original: Can We Ever Establish Universal Peace? (www.bahaiteachings.org)
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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site www.bahaiteachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.
quarta-feira, 3 de outubro de 2018
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