Para conhecer a verdade devemos envolver-nos na prática da comunicação com outros; isso significa falar com, e ouvir, pessoas que são significativamente diferente de nós. Se falamos apenas connosco ou os que são semelhantes a nós, ou se existem pessoas que simplesmente excluímos dos nossos diálogos, ou com os quais não nos imaginamos a falar, então estamos a privar-nos de uma oportunidade para aprender alguma coisa que ainda não descobrimos.
Ter a nossa própria língua materna e, no entanto, ser capaz de compreender e conversar noutras línguas e culturas religiosas é sentir o fascínio e a necessidade de se tornar aquilo que podemos chamar “cidadãos do mundo”. A expressão pode ser mal-entendida ou mal utilizada – como se ser membro da aldeia global exigisse que abandonássemos completamente a nossa aldeia natal. As nossas raízes identitárias são sempre locais; e em grande medida assim continuam. O que estamos aqui a falar é da necessidade, e excitante oportunidade, para nos tornarmos cidadãos de outras aldeias. Levamos o que herdámos da nossa própria aldeia, e à luz daquilo que aprendemos enquanto visitamos outras aldeias, apreciamos tanto o valor como as limitações daquilo que a nossa própria aldeia nos deu. Neste sentido, todos nós somos hoje chamados a um certo grau de cidadania mundial. Duas das maiores ameaças que a comunidade das nações e culturas enfrenta hoje são o nacionalismo e fanatismo, que crescem entre aqueles que nunca abandonaram a sua aldeia e pensam que são superiores a todos os outros.
Este chamamento não é escutado por todas as pessoas e comunidades religiosas. É frequentemente entendido como uma ameaça por aquelas teologias que não a aprovam. Porque a face do estranho ainda é demasiado ameaçadora, muitas comunidades religiosas ainda respondem à nova situação mundial com uma espécie de isolacionismo cultural que desvia as tradições religiosas e as coloca ao serviço do nacionalismo etnocêntrico.
Paul F. Knitter, Introducing Theologies of Religions, p. 12
terça-feira, 29 de novembro de 2011
domingo, 27 de novembro de 2011
Ana Gomes: Violação de Direitos Humanos no Irão
Intervenção da Eurodeputada Ana Gomes, a propósito de uma moção sobre violação dos Direitos Humanos no Irão.
Rui Tavares: violação de Direitos Humanos no Irão
Rui Tavares, no Parlamento Europeu, a propósito de uma moção sobre Direitos Humanos no Irão.
O assassinato de Abdolreza Soudbakhsh, médico e professor na Universidade de Teerão, que examinou as vítimas de Kahrizak, uma prisão macabra usada pelas autoridades iranianas usaram para deter a grande maioria dos militantes da oposição. E mais: o caso das empresas europeias que colaboram com o regime no Irão com tecnologia para censurar comunicações dos opositores.
O assassinato de Abdolreza Soudbakhsh, médico e professor na Universidade de Teerão, que examinou as vítimas de Kahrizak, uma prisão macabra usada pelas autoridades iranianas usaram para deter a grande maioria dos militantes da oposição. E mais: o caso das empresas europeias que colaboram com o regime no Irão com tecnologia para censurar comunicações dos opositores.
sábado, 26 de novembro de 2011
ONU condena Irão por violação de Direitos Humanos
Depois de uma votação recorde, a Assembleia Geral da ONU condenou o governo do Irão pela violação dos Direitos Humanos.
Para alertar sobre a violência do regime, famílias da religião Baha'i no Brasil realizaram uma exposição sobre a perseguição na República Islâmica.
Direitos Humanos: ONU e União Europeia Condenam Irão
A Assembleia Geral da ONU, usando a linguagem mais dura até à data, condenou firmemente o Irão pelas suas "violações contínuas e recorrentes dos direitos humanos." Com uma votação de 86 a favor, 32 contra e 59 abstenções, a Terceira Comissão da Assembleia aprovou uma resolução de seis páginas em que classifica uma vasta gama de abusos no Irão, incluindo um "aumento dramático" das execuções, do uso de tortura, dos ataques sistemáticos contra defensores dos direitos humanos, violência generalizada contra as mulheres e discriminação continuada contra as minorias, incluindo os membros da Fé Bahá'í.
Leia a resolução completa aqui
"Com uma longa e detalhada lista de crimes contra os cidadãos comuns, a Resolução deste ano, condena o comportamento das autoridades iranianas nos termos mais duros a que já assistimos", disse Bani Dugal, representante principal da Comunidade Internacional Bahá'í nas Nações Unidas. "O resultado não pode deixar dúvidas sobre o que a comunidade mundial pensa dos incansáveis esforços do Irão para violar praticamente todos os direitos humanos", acrescentou.
A resolução vem no seguimento dos recentes relatórios do Secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, e do novo Relator Especial para os direitos humanos no Irão, que foram também fortemente críticos em relação aos abusos dos direitos humanos na República Islâmica.
ÁREAS DE PREOCUPAÇÃO
Patrocinada por 42 países, a resolução enumera cerca de 16 áreas de interesse, que vão desde a tortura e um aumento das penas de morte, até às "restrições graves e sistemáticas da liberdade de reunião pacífica" e "severas limitações e restrições ao direito de liberdade de pensamento, consciência, religião ou crença". Também estão mencionadas, pela primeira vez, as preocupações com a "interferência ilícita" na privacidade individual, citando a violação de correspondência, e-mails e correio de voz, por parte do governo.
Está também em destaque a persistente incapacidade do Irão em seguir os procedimentos legais necessários, incluindo "o uso sistemático e arbitrário de prisão solitária prolongada, a falta de acesso dos prisioneiros aos representantes legais da sua escolha, a recusa em considerar a concessão de fiança aos detidos e as más condições das prisões, incluindo o alto nível de superlotação e más condições de saneamento, bem como relatos persistentes de prisioneiros que são sujeitos a tortura e estupro e outras formas de violência sexual."
"ESCALADA DE ATAQUES CONTRA OS BAHÁ'ÍS"
As violações contínuas e a discriminação contra as minorias étnicas e religiosas são outra causa de preocupação, em particular os problemas enfrentados pelos árabes, os azeris, baluchis e curdos, bem como a discriminação contra os cristãos, judeus, sufis, muçulmanos sunitas e zoroastrianos.
Destaca-se ainda, "O aumento dos ataques contra os Bahá’ís e seus defensores, inclusive nos média patrocinados pelo Estado; um aumento significativo no número de Bahá’ís presos e detidos, incluindo o ataque direcionado ao BIHE (Bahá’í Institute for Higer Education), o restabelecimento dos vinte anos de prisão contra os sete dirigentes Bahá'ís, seguindo procedimentos legais profundamente falsos e novas medidas para negar o emprego aos Bahá'ís nos setores público e privado".
A resolução apela ao Irão para "eliminar a discriminação e a exclusão das mulheres e membros de certos grupos, incluindo membros da Fé Bahá'í, no que respeita ao acesso ao ensino superior, e para acabar com a criminalização do esforço para proporcionar ensino superior à juventude Bahá’í aquém foi negado o acesso às universidades iranianas".
O país também deve cooperar com a ONU e os seus funcionários nos esforços para monitorizar o cumprimento dos direitos humanos.
"Esta resolução é um testemunho poderoso da situação de como todos os iranianos - e não apenas algumas minorias dissidentes – vivem em permanente estado de sítio, onde hostilização, prisões arbitrárias, tortura e ameaças de morte, se tornaram preocupações diárias", afirmou a Sra. Dugal.
A Resolução - que deverá ser confirmada pela totalidade da Assembleia, em Dezembro - solicita ao Secretário-Geral das Nações Unidas um novo relatório, sobre os direitos humanos no Irão, para o próximo ano.
RESOLUÇÃO EUROPEIA
No passado dia 17 de Novembro, o Parlamento Europeu também aprovou uma resolução, igualmente dura, condenando o Irão pelas suas violações de direitos humanos.
Leia a resolução aqui.
A resolução citou várias preocupações, que vão desde o aumento das execuções e o uso generalizado da tortura até à opressão sistemática dos defensores dos direitos humanos, jornalistas, mulheres e minorias.
O Parlamento Europeu observou igualmente o aumento da perseguição aos Bahá’ís no Irão, notando que "sofrem discriminação pesada, incluindo a negação do acesso à educação" e que os sete dirigentes Bahá’ís permanecem presos e "mais de 100 membros da comunidade continuam sob detenção."
"Congratulamo-nos com estas resoluções e esperamos que o governo iraniano ouça finalmente os apelos da comunidade internacional para o fim destas práticas e um regresso ao Estado de Direito", declarou Bani Dugal.
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FONTE: UN strongly condemns Iran's human rights violations; European Parliament joins global outcry (BWNS)
Leia a resolução completa aqui
"Com uma longa e detalhada lista de crimes contra os cidadãos comuns, a Resolução deste ano, condena o comportamento das autoridades iranianas nos termos mais duros a que já assistimos", disse Bani Dugal, representante principal da Comunidade Internacional Bahá'í nas Nações Unidas. "O resultado não pode deixar dúvidas sobre o que a comunidade mundial pensa dos incansáveis esforços do Irão para violar praticamente todos os direitos humanos", acrescentou.
A resolução vem no seguimento dos recentes relatórios do Secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, e do novo Relator Especial para os direitos humanos no Irão, que foram também fortemente críticos em relação aos abusos dos direitos humanos na República Islâmica.
ÁREAS DE PREOCUPAÇÃO
Patrocinada por 42 países, a resolução enumera cerca de 16 áreas de interesse, que vão desde a tortura e um aumento das penas de morte, até às "restrições graves e sistemáticas da liberdade de reunião pacífica" e "severas limitações e restrições ao direito de liberdade de pensamento, consciência, religião ou crença". Também estão mencionadas, pela primeira vez, as preocupações com a "interferência ilícita" na privacidade individual, citando a violação de correspondência, e-mails e correio de voz, por parte do governo.
Está também em destaque a persistente incapacidade do Irão em seguir os procedimentos legais necessários, incluindo "o uso sistemático e arbitrário de prisão solitária prolongada, a falta de acesso dos prisioneiros aos representantes legais da sua escolha, a recusa em considerar a concessão de fiança aos detidos e as más condições das prisões, incluindo o alto nível de superlotação e más condições de saneamento, bem como relatos persistentes de prisioneiros que são sujeitos a tortura e estupro e outras formas de violência sexual."
"ESCALADA DE ATAQUES CONTRA OS BAHÁ'ÍS"
As violações contínuas e a discriminação contra as minorias étnicas e religiosas são outra causa de preocupação, em particular os problemas enfrentados pelos árabes, os azeris, baluchis e curdos, bem como a discriminação contra os cristãos, judeus, sufis, muçulmanos sunitas e zoroastrianos.
Destaca-se ainda, "O aumento dos ataques contra os Bahá’ís e seus defensores, inclusive nos média patrocinados pelo Estado; um aumento significativo no número de Bahá’ís presos e detidos, incluindo o ataque direcionado ao BIHE (Bahá’í Institute for Higer Education), o restabelecimento dos vinte anos de prisão contra os sete dirigentes Bahá'ís, seguindo procedimentos legais profundamente falsos e novas medidas para negar o emprego aos Bahá'ís nos setores público e privado".
A resolução apela ao Irão para "eliminar a discriminação e a exclusão das mulheres e membros de certos grupos, incluindo membros da Fé Bahá'í, no que respeita ao acesso ao ensino superior, e para acabar com a criminalização do esforço para proporcionar ensino superior à juventude Bahá’í aquém foi negado o acesso às universidades iranianas".
O país também deve cooperar com a ONU e os seus funcionários nos esforços para monitorizar o cumprimento dos direitos humanos.
"Esta resolução é um testemunho poderoso da situação de como todos os iranianos - e não apenas algumas minorias dissidentes – vivem em permanente estado de sítio, onde hostilização, prisões arbitrárias, tortura e ameaças de morte, se tornaram preocupações diárias", afirmou a Sra. Dugal.
A Resolução - que deverá ser confirmada pela totalidade da Assembleia, em Dezembro - solicita ao Secretário-Geral das Nações Unidas um novo relatório, sobre os direitos humanos no Irão, para o próximo ano.
RESOLUÇÃO EUROPEIA
No passado dia 17 de Novembro, o Parlamento Europeu também aprovou uma resolução, igualmente dura, condenando o Irão pelas suas violações de direitos humanos.
Leia a resolução aqui.
A resolução citou várias preocupações, que vão desde o aumento das execuções e o uso generalizado da tortura até à opressão sistemática dos defensores dos direitos humanos, jornalistas, mulheres e minorias.
O Parlamento Europeu observou igualmente o aumento da perseguição aos Bahá’ís no Irão, notando que "sofrem discriminação pesada, incluindo a negação do acesso à educação" e que os sete dirigentes Bahá’ís permanecem presos e "mais de 100 membros da comunidade continuam sob detenção."
"Congratulamo-nos com estas resoluções e esperamos que o governo iraniano ouça finalmente os apelos da comunidade internacional para o fim destas práticas e um regresso ao Estado de Direito", declarou Bani Dugal.
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FONTE: UN strongly condemns Iran's human rights violations; European Parliament joins global outcry (BWNS)
Dia da Aliança
O Dia da Aliança é o dia em que os Bahá’ís celebram a nomeação de 'Abdu'l-Bahá como Centro da Aliança de Bahá'u'lláh. As diversas Comunidades Bahá’í assinalam esta data com encontros devocionais, onde são lidos excertos das Escrituras Bahá'ís e evocada a importância da Aliança de Bahá'u'lláh.
'Abdu'l-Bahá afirmou que o dia 23 de Maio é o dia da Declaração do Báb e deve estar sempre associado a esse evento, e nunca recordado como o dia do Seu nascimento. No entanto, os Bahá'ís pediram-Lhe que indicasse um dia para ser celebrado como data do seu aniversário. Em resposta, Ele indicou o dia 26 de Novembro para ser celebrado como o dia da nomeação do Centro da Aliança de Bahá'u'lláh.
Este feriado era originalmente conhecido como Jashn-i-A’zam, que em persa significa “O Maior Festival”, pois 'Abdu'l-Bahá era conhecido como “O Mais Grandioso Ramo”. No Ocidente este dia sagrado tornou-se conhecido como Dia da Aliança.
Este é um feriado Bahá'í em que o trabalho não tem de ser suspenso.
'Abdu'l-Bahá afirmou que o dia 23 de Maio é o dia da Declaração do Báb e deve estar sempre associado a esse evento, e nunca recordado como o dia do Seu nascimento. No entanto, os Bahá'ís pediram-Lhe que indicasse um dia para ser celebrado como data do seu aniversário. Em resposta, Ele indicou o dia 26 de Novembro para ser celebrado como o dia da nomeação do Centro da Aliança de Bahá'u'lláh.
Este feriado era originalmente conhecido como Jashn-i-A’zam, que em persa significa “O Maior Festival”, pois 'Abdu'l-Bahá era conhecido como “O Mais Grandioso Ramo”. No Ocidente este dia sagrado tornou-se conhecido como Dia da Aliança.
Este é um feriado Bahá'í em que o trabalho não tem de ser suspenso.
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
Music as a key to understanding reality
Mr. Khadem-Missagh is a violinist who discovered that there are some hidden connections between music and the world around us.
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
Comemoração do Centenário da Fé Bahá'í na África do Sul
No passado dia 12 de Novembro, comemorou-se em Joanesburgo, o centenário da Fé Bahá'í na África do Sul, com uma reunião aberta de pessoas de todas as origens étnicas, lembrando que nem sempre foi assim no passado. Durante esta comemoração foram recordadas algumas histórias que relatavam os perigos enfrentados pelos primeiros Bahá’ís que tentavam seguir a sua fé nos anos mais difíceis do apartheid.
Khwezi Fudu, porta-voz dos Bahá’ís da África do Sul, disse: "A comunidade reflectiu sobre o trabalho dos primeiros Bahá’ís na promoção da unidade num país com um passado de segregação racial". E acrescentou: “Também comemoramos - com apresentações musicais, teatrais e audiovisuais - a contribuição que a comunidade Bahá'í tem dado ao país nas áreas de unidade racial, educação moral das crianças e dos jovens, igualdade de género e diálogo inter-religioso".
O ex-Presidente Sul-Africano, Thabo Mbeki, enviou uma mensagem em que afirmava: "Estamos... fortemente encorajados pelo facto de vocês terem respondido aos desafios do desenvolvimento humano, não só prestando serviços, mas também alimentando a capacidade de todos os seres humanos para o seu próprio desenvolvimento, incluindo a sua moralidade". "Sentimo-nos muito honrados e mais fortes por termos membros da Fé Bahá'í no nosso país e entre nós", acrescentou.
UMA ELEIÇÃO MULTI-RACIAL
Aos dignitários e convidados presentes na comemoração, foi contado que, após a Fé Bahá'í ter chegado à África do Sul em 1912, as pessoas de todas as raças, foram-se juntando gradualmente à comunidade. Em 1956, quando a comunidade era já suficientemente grande, os Bahá’ís da África Austral, de várias origens raciais, reuniram-se numa pequena fazenda em Highveld e elegeram o primeiro Conselho regional.
Como precaução, Reginald Turvey - um pintor muito conhecido, que era Bahá’í - ficou a vigiar a estrada que ia para a fazenda. Se a polícia de segurança se aproximasse, ele daria um aviso e os eleitores, dispersar-se-iam. Os Bahá’ís africanos fingiriam estar a fazer limpezas e a cozinhar, enquanto os membros brancos da comunidade fingiriam estar a jogar às cartas.
Esta eleição histórica decorreu sem problemas - o seu resultado foi uma prova do princípio Bahá’í de unidade racial: dos nove membros eleitos, dois eram negros e um deles era um mestiço Sul-Africano, juntamente com um Swazi e um moçambicano, e quatro brancos.
CONVIDADOS PROEMINENTES
Na comemoração do centenário estiveram presentes: a senhora Zanele Mbeki, anterior primeira dama da África do Sul; a família real Sigcau, do povo AmaMpondo; Agostinho Zacarias, Coordenador Residente das Nações Unidas, e outras pessoas ilustres, incluindo funcionários do governo, membros do corpo diplomático, artistas, jornalistas e representantes de corporações, académicos, líderes religiosos e activistas sociais.
Também a Alta Comissária Australiana - Sua Excelência a Sra. Ann Harrap - fez uma palestra em que focou questões como a capacitação das mulheres e descreveu a ocasião como "interessante, inspiradora e educativa". "Fiquei impressionada pela forma como a comunidade Bahá'í se reuniu para apresentar o que eles têm contribuído para a sociedade Sul-Africana nos últimos 100 anos", acrescentou.
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FONTE: South African Baha'is reflect on 100 years of racial unity (BWNS)
Khwezi Fudu, porta-voz dos Bahá’ís da África do Sul, disse: "A comunidade reflectiu sobre o trabalho dos primeiros Bahá’ís na promoção da unidade num país com um passado de segregação racial". E acrescentou: “Também comemoramos - com apresentações musicais, teatrais e audiovisuais - a contribuição que a comunidade Bahá'í tem dado ao país nas áreas de unidade racial, educação moral das crianças e dos jovens, igualdade de género e diálogo inter-religioso".
O ex-Presidente Sul-Africano, Thabo Mbeki, enviou uma mensagem em que afirmava: "Estamos... fortemente encorajados pelo facto de vocês terem respondido aos desafios do desenvolvimento humano, não só prestando serviços, mas também alimentando a capacidade de todos os seres humanos para o seu próprio desenvolvimento, incluindo a sua moralidade". "Sentimo-nos muito honrados e mais fortes por termos membros da Fé Bahá'í no nosso país e entre nós", acrescentou.
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| O coro Bahá'í "Diversity" actuando na celebração do Centenário da Fé Bahá'í na África do Sul |
UMA ELEIÇÃO MULTI-RACIAL
Aos dignitários e convidados presentes na comemoração, foi contado que, após a Fé Bahá'í ter chegado à África do Sul em 1912, as pessoas de todas as raças, foram-se juntando gradualmente à comunidade. Em 1956, quando a comunidade era já suficientemente grande, os Bahá’ís da África Austral, de várias origens raciais, reuniram-se numa pequena fazenda em Highveld e elegeram o primeiro Conselho regional.
Como precaução, Reginald Turvey - um pintor muito conhecido, que era Bahá’í - ficou a vigiar a estrada que ia para a fazenda. Se a polícia de segurança se aproximasse, ele daria um aviso e os eleitores, dispersar-se-iam. Os Bahá’ís africanos fingiriam estar a fazer limpezas e a cozinhar, enquanto os membros brancos da comunidade fingiriam estar a jogar às cartas.
Esta eleição histórica decorreu sem problemas - o seu resultado foi uma prova do princípio Bahá’í de unidade racial: dos nove membros eleitos, dois eram negros e um deles era um mestiço Sul-Africano, juntamente com um Swazi e um moçambicano, e quatro brancos.
CONVIDADOS PROEMINENTES
Na comemoração do centenário estiveram presentes: a senhora Zanele Mbeki, anterior primeira dama da África do Sul; a família real Sigcau, do povo AmaMpondo; Agostinho Zacarias, Coordenador Residente das Nações Unidas, e outras pessoas ilustres, incluindo funcionários do governo, membros do corpo diplomático, artistas, jornalistas e representantes de corporações, académicos, líderes religiosos e activistas sociais.
Também a Alta Comissária Australiana - Sua Excelência a Sra. Ann Harrap - fez uma palestra em que focou questões como a capacitação das mulheres e descreveu a ocasião como "interessante, inspiradora e educativa". "Fiquei impressionada pela forma como a comunidade Bahá'í se reuniu para apresentar o que eles têm contribuído para a sociedade Sul-Africana nos últimos 100 anos", acrescentou.
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FONTE: South African Baha'is reflect on 100 years of racial unity (BWNS)
sábado, 19 de novembro de 2011
Verdade ou Ideologia?
Exemplos de como a verdade se transforma perigosamente em ideologia estão espalhados na história de todas as religiões e culturas. Porque é que os pregadores Cristãos disseram aos pobres que a sua pobreza lhes faria ganhar um lugar mais elevado no céu? Era para os consolar os pobres ou para os impedir de se revoltarem contra os ricos proprietários que frequentemente contribuíam financeiramente para a igreja? Porque é que os Brahmins (autoridades religiosas no Hinduísmo) insistem que o sistema de castas é um requisito da lei sagrada e eterna do Darhma? Porque descobriram esta lei através de estudo e meditação ou porque o seu próprio prestígio e poder eram garantidos através do sistema de castas?
Paul F. Knitter, Introducing Theologies of Religions, p. 12
Paul F. Knitter, Introducing Theologies of Religions, p. 12
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
Ser Baha'i em Angola - Fernando Mesquita
Fernando Mesquita, membro da Comunidade Baha'i, partilha algumas memórias sobre o tempo em que viveu em Angola (1970-1975).
sábado, 12 de novembro de 2011
Em busca de uma identidade religiosa renovada
As religiões mundiais confrontam-se umas com as outras como nunca aconteceu anteriormente e estão a experimentar um novo sentido de identidade e propósito porque, tal como átomos, humanos e culturas, sentem as possibilidades de uma unidade mais ampla através de um melhor relacionamento entre si. Tal como a filosofia e a ciência apelam à cultura ocidental a partir de um entendimento estático e individualista da realidade, também muitas pessoas religiosas estão a despertar para uma forma mais dinâmica e dialogante de compreensão de si próprios. Os crentes nas várias religiões sentem cada vez mais intensamente o desafio de encontrar e desenvolver as suas identidades individuais numa comunidade mais ampla de outras religiões. Para ser Cristão ou Hindu, deve-se ser parte desta comunidade religiosa mais ampla. Hoje, assim parece, deve-se ser inter-religiosamente religioso.
Paul F. Knitter, Introducing Theologies of Religions, p. 10
Paul F. Knitter, Introducing Theologies of Religions, p. 10
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
CNN: Irão proíbe universidade informal, considerando-a "culto extremista"
Hoje, Keivan Mohammad Hassan vive uma vida tranquila com a sua família, como engenheiro civil em Sacramento, na Califórnia. Mas as coisas poderiam facilmente ser muito diferentes.
Hassan acredita que se ele não tivesse abandonado a sua terra natal como refugiado, ele provavelmente estaria entre o número de Bahá’ís iranianos que enfrentam anos atrás das grades simplesmente por trabalhar para proporcionar um ensino superior aos membros mais jovens da sua comunidade.
"Se eu e minha esposa estivéssemos lá, seríamos presos", afirma.
Hassan, com 31 anos, é membro da Fé Bahá'í, a maior minoria religiosa do Irão, que se estima ter 300.000 membros. Considerados pelo clero dirigente como apóstatas, os Bahá’ís têm sido perseguidos no Irão desde que a sua fé ali apareceu em meados do século XIX.
Aos seus membros, na República Islâmica de hoje, é sistematicamente negado o acesso ao ensino superior, afirma a Amnistia Internacional.
"As pessoas candidatam-se à universidade e suas candidaturas são recusadas, apesar de terem bons resultados na escola secundária", declarou Elise Auerbach, a especialista da Amnistia Internacional (EUA) para o Irão.
"Eles não conseguem obter certificados, e por isso eles são impedidos de exercer todos os tipos de profissões. Eles não podem ser médicos, advogados, professores universitários ou cientistas."
Em resposta, os Bahá’ís improvisaram uma faculdade descentralizada, semi-oculta conhecida como Bahá’í Instute for Higer Education (BIHE).
Desde 1987, o BIHE organizava aulas em salas de estar e cozinhas de lares Bahá’ís, recorrendo ao esforço de professores Baha’is voluntários, muitos dos quais perderam os seus empregos em universidades iranianas devido às suas crenças religiosas.
De acordo com David Hoffman, fundador de uma campanha de apoio aos bahá'ís do Irão na sua busca pelo ensino superior, a faculdade já tem cerca de 2.000 licenciados; um em cada dez acedeu a pós-graduação nas 60 universidades fora do Irão que reconhecem os cursos do BIHE.
"É uma solução criativa para um dilema real", disse Hoffman. "Estas pessoas são muito resistentes."
Em Maio, mais de 30 casas de Bahá’ís no Irão foram invadidas como parte de uma ofensiva contra o BIHE. Posteriormente, a instituição foi declarada ilegal de acordo com grupos de direitos humanos, e sete professores e administradores foram condenados no mês passado a quatro e cinco anos cada, por estarem envolvidos num grupo ilegal com o objectivo de cometer crimes contra a segurança nacional.
Entre eles estava o orientador académico de Hassan durante os cinco anos no BIHES, Mahmoud Badavam.
"É inacreditável", disse Hassan. "Estas são pessoas normais, eles não são anti-governo. Quando o governo bloqueou a sua educação, eles apenas procuraram outro caminho. Agora estão prendê-los porque eles encontraram alternativas para os direitos que lhe foram negados."
A campanha global contra a perseguição à educação dos Bahá’ís do Irão está a ganhar impulso, com a exibição em várias universidades americanos do Education Under Fire, um documentário sobre o assunto.
Os Prémio Nobel da Paz, Arcebispo Desmond Tutu e José Ramos-Horta, assinaram uma carta aberta apelando o Irão para que retire incondicionalmente as acusações contra os educadores Bahá’ís.
"É particularmente chocante quando déspotas e ditadores no século 21, para subjugar as suas próprias populações, tentam negar-lhes a educação", lê-se.
A carta também apela aos académicos em todo o mundo para registar a sua desaprovação junto dos seus pares iranianos, e a considerar o reconhecimento dos cursos do BIHE ou oferecer bolsas de estudo.
A perseguição aos Bahá’ís do Irão não se limita ao sector educacional, de acordo com grupos de direitos humanos. Sete dirigentes religiosos Bahá’ís estão actualmente presos por crimes que incluem "espionagem para Israel", "insulto a santidades religiosas" e "propaganda contra o sistema", segundo a Amnistia Internacional.
A organização considera os dirigentes Bahá’ís como prisioneiros de consciência, e diz que as suas condenações tiveram motivações políticas. Acrescenta que aos Bahá’ís não são permitidas reuniões, realizar cerimónias religiosas ou praticar a sua religião com outros crentes no Irão.
Mas os Baha'is não são o único grupo excluído do ensino superior no Irão. Aos activistas de direitos humanos, defensores dos direitos das mulheres, membros da oposição política e estudantes de jornalismo também tem sido deliberadamente negado o acesso à educação, de acordo com um recente relatório da organização não-governamental International Campaign for Human Rights in Iran.
Alireza Miryusefi, porta-voz da missão iraniana nas Nações Unidas, disse que apesar da Fé Bahá'í não ser reconhecida como uma religião oficial no Irão, os seus seguidores têm plenos direitos civis. "Contrariamente às alegações feitas pelos apoiantes do culto no estrangeiro, eles têm acesso igual às universidades e todos os anos, dezenas deles concluem a licenciatura em universidades iranianas", disse.
Miryusefi disse que as rusgas ao BIHE foram realizadas porque os envolvidos na instituição tinham "controlado sistematicamente as actividades de membros do culto, e… interferido nas suas vidas privada, social e económica”. Acrescentou que a organização tinha como objectivo enganar não-baha’ís com o objectivo final de criar "um movimento de culto extremista."
Ele disse que os detidos nas rusgas receberam um julgamento justo, e exerceram o seu direito de recurso.
Hoffman, fundador da campanha Education Under Fire, disse que o facto de o BIHE ter produzido "estudantes brilhantes" parece ser visto pelo governo iraniano como uma afronta.
Um ex-aluno do BIHE, Pedram Roushan, que recentemente completou um doutoramento em Física na Universidade de Princeton, é agora pesquisador pós-doutoramento na University of California, Santa Barbara.
Ele deixou o Irão em 2000, após completar um curso de cinco anos de engenharia civil no BIHE.
"Na época eu era adolescente, e percebi que sendo Bahá’í ia ser impedido de entrar em qualquer faculdade ou universidade do país", disse. "O preço de ser Bahá’í era muito alto nesses dias."
Dois anos depois de Roushan ter começado os seus estudos, Hassan matriculou-se no mesmo curso. A sua candidatura à universidade tinha sido rejeitada, apesar de ter notas elevadas no ensino secundário.
As candidaturas à universidade exigiam que ele declarasse qual era a sua religião, mas apenas apresentavam quatro opções, nenhuma destas era a Fé Bahá'í. Sem religião declarada, as suas candidaturas foram consideradas incompletas.
Depois de se licenciar, Hassan enfrentou novos desafios. Ele recebia um ordenado mais baixo, porque não tinha uma qualificação reconhecida, e foi afastado de vários projectos quando os clientes se opuseram à participação de um Bahá’í.
Quando a sua esposa, que tinha estudado Farmácia durante seis anos, enfrentou problemas semelhantes, decidiram ir para a Turquia, e foi-lhes concedido asilo nos EUA em 2006. "Não conseguíamos aguentar mais ", afirmou.
Antes de partir, Hassan cumpriu a obrigação esperada de licenciados do BIHE: reembolsar a instituição voluntariamente dando aulas de Física ao primeiro ano.
"Não concluímos apenas o BIHE e partimos; ficamos e ajudamos as gerações futuras", disse.
Ele considera surpreendente que pudesse ter sido preso, como tantos outros na sua comunidade, pelo "crime" de levar a educação aos jovens bahá'ís. "Os meus ex-colegas arriscam ser presos todos os dias - por causa da educação ", disse ele.
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FONTE: Iran bans 'underground university,' brands it 'extremist cult' (CNN)
Hassan acredita que se ele não tivesse abandonado a sua terra natal como refugiado, ele provavelmente estaria entre o número de Bahá’ís iranianos que enfrentam anos atrás das grades simplesmente por trabalhar para proporcionar um ensino superior aos membros mais jovens da sua comunidade.
"Se eu e minha esposa estivéssemos lá, seríamos presos", afirma.
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| Keivan Mohammad Hassan, ex-aluno e professor no BIHE |
Aos seus membros, na República Islâmica de hoje, é sistematicamente negado o acesso ao ensino superior, afirma a Amnistia Internacional.
"As pessoas candidatam-se à universidade e suas candidaturas são recusadas, apesar de terem bons resultados na escola secundária", declarou Elise Auerbach, a especialista da Amnistia Internacional (EUA) para o Irão.
"Eles não conseguem obter certificados, e por isso eles são impedidos de exercer todos os tipos de profissões. Eles não podem ser médicos, advogados, professores universitários ou cientistas."
Em resposta, os Bahá’ís improvisaram uma faculdade descentralizada, semi-oculta conhecida como Bahá’í Instute for Higer Education (BIHE).
Desde 1987, o BIHE organizava aulas em salas de estar e cozinhas de lares Bahá’ís, recorrendo ao esforço de professores Baha’is voluntários, muitos dos quais perderam os seus empregos em universidades iranianas devido às suas crenças religiosas.
De acordo com David Hoffman, fundador de uma campanha de apoio aos bahá'ís do Irão na sua busca pelo ensino superior, a faculdade já tem cerca de 2.000 licenciados; um em cada dez acedeu a pós-graduação nas 60 universidades fora do Irão que reconhecem os cursos do BIHE.
"É uma solução criativa para um dilema real", disse Hoffman. "Estas pessoas são muito resistentes."
Em Maio, mais de 30 casas de Bahá’ís no Irão foram invadidas como parte de uma ofensiva contra o BIHE. Posteriormente, a instituição foi declarada ilegal de acordo com grupos de direitos humanos, e sete professores e administradores foram condenados no mês passado a quatro e cinco anos cada, por estarem envolvidos num grupo ilegal com o objectivo de cometer crimes contra a segurança nacional.
Entre eles estava o orientador académico de Hassan durante os cinco anos no BIHES, Mahmoud Badavam.
"É inacreditável", disse Hassan. "Estas são pessoas normais, eles não são anti-governo. Quando o governo bloqueou a sua educação, eles apenas procuraram outro caminho. Agora estão prendê-los porque eles encontraram alternativas para os direitos que lhe foram negados."
A campanha global contra a perseguição à educação dos Bahá’ís do Irão está a ganhar impulso, com a exibição em várias universidades americanos do Education Under Fire, um documentário sobre o assunto.
Os Prémio Nobel da Paz, Arcebispo Desmond Tutu e José Ramos-Horta, assinaram uma carta aberta apelando o Irão para que retire incondicionalmente as acusações contra os educadores Bahá’ís.
"É particularmente chocante quando déspotas e ditadores no século 21, para subjugar as suas próprias populações, tentam negar-lhes a educação", lê-se.
A carta também apela aos académicos em todo o mundo para registar a sua desaprovação junto dos seus pares iranianos, e a considerar o reconhecimento dos cursos do BIHE ou oferecer bolsas de estudo.
A perseguição aos Bahá’ís do Irão não se limita ao sector educacional, de acordo com grupos de direitos humanos. Sete dirigentes religiosos Bahá’ís estão actualmente presos por crimes que incluem "espionagem para Israel", "insulto a santidades religiosas" e "propaganda contra o sistema", segundo a Amnistia Internacional.
A organização considera os dirigentes Bahá’ís como prisioneiros de consciência, e diz que as suas condenações tiveram motivações políticas. Acrescenta que aos Bahá’ís não são permitidas reuniões, realizar cerimónias religiosas ou praticar a sua religião com outros crentes no Irão.
Mas os Baha'is não são o único grupo excluído do ensino superior no Irão. Aos activistas de direitos humanos, defensores dos direitos das mulheres, membros da oposição política e estudantes de jornalismo também tem sido deliberadamente negado o acesso à educação, de acordo com um recente relatório da organização não-governamental International Campaign for Human Rights in Iran.
Alireza Miryusefi, porta-voz da missão iraniana nas Nações Unidas, disse que apesar da Fé Bahá'í não ser reconhecida como uma religião oficial no Irão, os seus seguidores têm plenos direitos civis. "Contrariamente às alegações feitas pelos apoiantes do culto no estrangeiro, eles têm acesso igual às universidades e todos os anos, dezenas deles concluem a licenciatura em universidades iranianas", disse.
Miryusefi disse que as rusgas ao BIHE foram realizadas porque os envolvidos na instituição tinham "controlado sistematicamente as actividades de membros do culto, e… interferido nas suas vidas privada, social e económica”. Acrescentou que a organização tinha como objectivo enganar não-baha’ís com o objectivo final de criar "um movimento de culto extremista."
Ele disse que os detidos nas rusgas receberam um julgamento justo, e exerceram o seu direito de recurso.
Hoffman, fundador da campanha Education Under Fire, disse que o facto de o BIHE ter produzido "estudantes brilhantes" parece ser visto pelo governo iraniano como uma afronta.
Um ex-aluno do BIHE, Pedram Roushan, que recentemente completou um doutoramento em Física na Universidade de Princeton, é agora pesquisador pós-doutoramento na University of California, Santa Barbara.
Ele deixou o Irão em 2000, após completar um curso de cinco anos de engenharia civil no BIHE.
"Na época eu era adolescente, e percebi que sendo Bahá’í ia ser impedido de entrar em qualquer faculdade ou universidade do país", disse. "O preço de ser Bahá’í era muito alto nesses dias."
Dois anos depois de Roushan ter começado os seus estudos, Hassan matriculou-se no mesmo curso. A sua candidatura à universidade tinha sido rejeitada, apesar de ter notas elevadas no ensino secundário.
As candidaturas à universidade exigiam que ele declarasse qual era a sua religião, mas apenas apresentavam quatro opções, nenhuma destas era a Fé Bahá'í. Sem religião declarada, as suas candidaturas foram consideradas incompletas.
Depois de se licenciar, Hassan enfrentou novos desafios. Ele recebia um ordenado mais baixo, porque não tinha uma qualificação reconhecida, e foi afastado de vários projectos quando os clientes se opuseram à participação de um Bahá’í.
Quando a sua esposa, que tinha estudado Farmácia durante seis anos, enfrentou problemas semelhantes, decidiram ir para a Turquia, e foi-lhes concedido asilo nos EUA em 2006. "Não conseguíamos aguentar mais ", afirmou.
Antes de partir, Hassan cumpriu a obrigação esperada de licenciados do BIHE: reembolsar a instituição voluntariamente dando aulas de Física ao primeiro ano.
"Não concluímos apenas o BIHE e partimos; ficamos e ajudamos as gerações futuras", disse.
Ele considera surpreendente que pudesse ter sido preso, como tantos outros na sua comunidade, pelo "crime" de levar a educação aos jovens bahá'ís. "Os meus ex-colegas arriscam ser presos todos os dias - por causa da educação ", disse ele.
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FONTE: Iran bans 'underground university,' brands it 'extremist cult' (CNN)
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
terça-feira, 8 de novembro de 2011
Baha’i: uma Fé do Século XXI
Artigo de Rob Sobhani, publicado no Huffington Post
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O homem em pé à minha direita estava um pensionista de Moscovo cujo avô tinha estado na Segunda Guerra Mundial. À minha esquerda estava um arquitecto da Tasmânia com a sua esposa e filhas. Imediatamente atrás de mim estava o director tecnológico de uma grande empresa de energia. E à minha frente estava uma professora do Uganda. O que trouxe estes e outros de todo o mundo para Israel neste dia ensolarado de Outubro foi a sua firme crença num determinado conjunto de princípios. Entre elas estava uma crença na unidade do homem. No espírito do poeta persa Saadi do século XIV, que disse "A humanidade é toda de um único ramo", esta multidão encontrou a unidade na diversidade. O russo, o mexicano, o africano, o árabe, o israelita, o americano, o europeu e o australiano encontraram um traço comum na sua diversidade: a crença de que estamos todos unidos pela nossa unicidade. Este ideal, pensei, seria certamente uma maneira de começar a acabar com o preconceito entre as nações.
Outro ideal fundamental partilhado por este grupo colorido proveniente de todo o mundo era a educação universal: a crença de que a educação é um direito humano fundamental e o maior igualador do mundo. Se a Costa Rica exporta de chips de computador em vez de imigrantes ilegais para os Estados Unidos é porque investiu na educação. E se os países que lutam contra os desafios do subdesenvolvimento investissem na educação encontrariam a chave do crescimento e da prosperidade. De particular interesse para mim foi o comentário do arquitecto da Tasmânia de que homens e mulheres têm de ser ambos educados, e na realidade, se uma família dispõe de recursos reduzidos deve investir na educação dos membros femininos da família, porque a mulher desempenha um papel mais importante nos anos de formação da vida de uma criança. Esta ênfase na educação lembrou-me os biliões que foram desperdiçados em países como o México e a Nigéria, onde se investiu nos petro-dólares, em vez de investir na educação dos seus jovens. O México e da Nigéria enquanto países potencialmente prósperos podem florescer se os seus dirigentes mudarem as suas prioridades para a educação de todos os seus cidadãos.
O facto de que a ciência e a religião deverem progredir em conjunto foi outro princípio de fé muito interessante partilhada pelos presentes neste encontro. Ao expor a importância da ciência ao lado da religião esses crentes expurgaram a superstição do seu sistema de crença. Além disso, eles reconhecem que num mundo moderno em que as células estaminais podem salvar vidas, as crenças religiosas não devem impedir as descobertas científicas, nem a ciência deve dissociar-se de apoios espirituais. O mesmo princípio se aplica ao meio ambiente. O professor de Uganda fez uma observação muito interessante: "Se aproveitarmos o poder da luz (energia solar) de Deus para electrificar toda a África, então teremos casado a ciência com a religião."
Serviço à humanidade, simultaneamente ao nível macro e micro, fazia parte integrante da vida diária dos presentes. Por exemplo, uma senhora dos EUA começou a visitar uma comunidade hispânica em Montgomery County, Maryland, chamada Spiceberry. Aqui, ela e outros jovens voluntários deram aulas para os jovens do bairro sobre capacitação e assumir responsabilidades na comunidade. Esta ênfase na responsabilidade era de grande interesse para mim, porque na cultura de hoje, de auto-indulgência e desviar as culpas para os outros, assumir responsabilidade pessoal é refrescante. Outra jovem contou a história de uma aldeia em África, onde as mulheres trabalhavam e os homens bebiam e abusavam das suas esposas. Ela iniciou um pequeno programa para resolver este problema, primeiramente pedindo aos homens para fazer deixar de beber apenas durante um dia. Esse primeiro dia deu-lhes a percepção de que suas esposas realmente trabalhavam muito. No segundo dia foi-lhe pedido que não fossem à aldeia comprar álcool, o que fizeram. Ao terceiro dia esses homens, que agora estavam sóbrios, decidiram contribuir e ajudar as suas esposas. E no final os homens tinham assumido a responsabilidade pelo cultivo de uma grande parcela de terra, cultivando frutas e vegetais, criando assim um meio de vida sustentável para si e para as suas famílias.
E quando me lembro da crise económica global que a Europa e os EUA enfrentam, o ethos de "trabalhar muito, e retribuir ainda mais" para a sociedade veio à minha ideia. Aquelas pessoas de todo o mundo estavam unidas na crença de que é importante trabalhar muito, ser auto-suficiente e tornar-se próspero no processo, mas que o capitalismo exige uma consciência. Por exemplo, enganar clientes fazendo-os assinar empréstimos que eles não podem pagar é moralmente repreensível e corrói a base fundamental das transacções económicas: a confiança. "A nossa fé diz-nos que a fidedignidade é a base de todas as virtudes humanas", disse-me o pensionista de Moscovo.
Apesar de eu não ser membro deste grupo fé, ocorreu-me que o século XXI pode certamente usar estas mensagens e ensinamentos universais. As pessoas que se reuniram nesse dia de Outubro, no Monte Carmelo eram os membros da Fé Bahá'í.
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FONTE: Baha'i: A 21st Century Faith, (Huffington Post)
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O homem em pé à minha direita estava um pensionista de Moscovo cujo avô tinha estado na Segunda Guerra Mundial. À minha esquerda estava um arquitecto da Tasmânia com a sua esposa e filhas. Imediatamente atrás de mim estava o director tecnológico de uma grande empresa de energia. E à minha frente estava uma professora do Uganda. O que trouxe estes e outros de todo o mundo para Israel neste dia ensolarado de Outubro foi a sua firme crença num determinado conjunto de princípios. Entre elas estava uma crença na unidade do homem. No espírito do poeta persa Saadi do século XIV, que disse "A humanidade é toda de um único ramo", esta multidão encontrou a unidade na diversidade. O russo, o mexicano, o africano, o árabe, o israelita, o americano, o europeu e o australiano encontraram um traço comum na sua diversidade: a crença de que estamos todos unidos pela nossa unicidade. Este ideal, pensei, seria certamente uma maneira de começar a acabar com o preconceito entre as nações.
Outro ideal fundamental partilhado por este grupo colorido proveniente de todo o mundo era a educação universal: a crença de que a educação é um direito humano fundamental e o maior igualador do mundo. Se a Costa Rica exporta de chips de computador em vez de imigrantes ilegais para os Estados Unidos é porque investiu na educação. E se os países que lutam contra os desafios do subdesenvolvimento investissem na educação encontrariam a chave do crescimento e da prosperidade. De particular interesse para mim foi o comentário do arquitecto da Tasmânia de que homens e mulheres têm de ser ambos educados, e na realidade, se uma família dispõe de recursos reduzidos deve investir na educação dos membros femininos da família, porque a mulher desempenha um papel mais importante nos anos de formação da vida de uma criança. Esta ênfase na educação lembrou-me os biliões que foram desperdiçados em países como o México e a Nigéria, onde se investiu nos petro-dólares, em vez de investir na educação dos seus jovens. O México e da Nigéria enquanto países potencialmente prósperos podem florescer se os seus dirigentes mudarem as suas prioridades para a educação de todos os seus cidadãos.
O facto de que a ciência e a religião deverem progredir em conjunto foi outro princípio de fé muito interessante partilhada pelos presentes neste encontro. Ao expor a importância da ciência ao lado da religião esses crentes expurgaram a superstição do seu sistema de crença. Além disso, eles reconhecem que num mundo moderno em que as células estaminais podem salvar vidas, as crenças religiosas não devem impedir as descobertas científicas, nem a ciência deve dissociar-se de apoios espirituais. O mesmo princípio se aplica ao meio ambiente. O professor de Uganda fez uma observação muito interessante: "Se aproveitarmos o poder da luz (energia solar) de Deus para electrificar toda a África, então teremos casado a ciência com a religião."
Serviço à humanidade, simultaneamente ao nível macro e micro, fazia parte integrante da vida diária dos presentes. Por exemplo, uma senhora dos EUA começou a visitar uma comunidade hispânica em Montgomery County, Maryland, chamada Spiceberry. Aqui, ela e outros jovens voluntários deram aulas para os jovens do bairro sobre capacitação e assumir responsabilidades na comunidade. Esta ênfase na responsabilidade era de grande interesse para mim, porque na cultura de hoje, de auto-indulgência e desviar as culpas para os outros, assumir responsabilidade pessoal é refrescante. Outra jovem contou a história de uma aldeia em África, onde as mulheres trabalhavam e os homens bebiam e abusavam das suas esposas. Ela iniciou um pequeno programa para resolver este problema, primeiramente pedindo aos homens para fazer deixar de beber apenas durante um dia. Esse primeiro dia deu-lhes a percepção de que suas esposas realmente trabalhavam muito. No segundo dia foi-lhe pedido que não fossem à aldeia comprar álcool, o que fizeram. Ao terceiro dia esses homens, que agora estavam sóbrios, decidiram contribuir e ajudar as suas esposas. E no final os homens tinham assumido a responsabilidade pelo cultivo de uma grande parcela de terra, cultivando frutas e vegetais, criando assim um meio de vida sustentável para si e para as suas famílias.
E quando me lembro da crise económica global que a Europa e os EUA enfrentam, o ethos de "trabalhar muito, e retribuir ainda mais" para a sociedade veio à minha ideia. Aquelas pessoas de todo o mundo estavam unidas na crença de que é importante trabalhar muito, ser auto-suficiente e tornar-se próspero no processo, mas que o capitalismo exige uma consciência. Por exemplo, enganar clientes fazendo-os assinar empréstimos que eles não podem pagar é moralmente repreensível e corrói a base fundamental das transacções económicas: a confiança. "A nossa fé diz-nos que a fidedignidade é a base de todas as virtudes humanas", disse-me o pensionista de Moscovo.
Apesar de eu não ser membro deste grupo fé, ocorreu-me que o século XXI pode certamente usar estas mensagens e ensinamentos universais. As pessoas que se reuniram nesse dia de Outubro, no Monte Carmelo eram os membros da Fé Bahá'í.
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FONTE: Baha'i: A 21st Century Faith, (Huffington Post)
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
A multiplicidade de religiões é um bem ou um mal?
E, no entanto, a consciência do pluralismo não leva simplesmente a uma completa celebração da diversidade; nem está o pluralismo isento de problemas. Muito preocupam-se pela forma como a relatividade é facilmente equiparado com um relativismo que não deixa espaço para discussão de declarações de verdade ou graus de valor. Acredito que existe uma convicção crescente de que as religiões não podem viver lado a lado como corpos não-relacionados e soberanos. Não será, perguntam alguns, que as crises da nossa era constituem um chamamento às religiões para cooperarem nas suas soluções? Poderão as muitas religiões viver legitimamente na indolência, tolerância ou, pior ainda, num estado de guerra? Se o fizerem, poderão os problemas ambientais da humanidade e da terra ser resolvidos? Schillebeeckx mais uma vez ajuda-nos a identificar conclusões sobre o que isto significa para pessoas religiosas: "A multiplicidade de religiões não é um mal que seja necessário remover, mas uma riqueza que deve ser acolhida e apreciada por todos... Existe mais verdade religiosa em todas as religiões juntas do que numa religião em particular… Isto também se aplica ao Cristianismo"[1]
Parece que as religiões do mundo deveria reunir-se, não para formar uma religião nova e singular, mas, para formar uma comunidade dialogante de comunidades. A imagem mais apropriada para o futuro religioso da humanidade talvez se encontre, não nas imagens de igrejas, sinagogas templos e mesquitas prósperas, mas naquilo que o mundo testemunhou, e milhares experimentaram, no parlamento mundial das religiões, em Chicago, em 1993, e na Cidade do Cabo, em 1999. Aqui, representantes das principais comunidades religiosas do mundo reuniram-se para afirmar e praticar a necessidade de falar e ouvirem-se umas às outras. Eram uma comunidade dialogante à escala internacional, espelhando o que também pode ocorrer num cenário local.
Paul F. Knitter, Introducing Theologies of Religions, p. 8
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[1] - Edward Schillebeeckx, The Church: The Human Story of God, 1990, p. 166-67
Parece que as religiões do mundo deveria reunir-se, não para formar uma religião nova e singular, mas, para formar uma comunidade dialogante de comunidades. A imagem mais apropriada para o futuro religioso da humanidade talvez se encontre, não nas imagens de igrejas, sinagogas templos e mesquitas prósperas, mas naquilo que o mundo testemunhou, e milhares experimentaram, no parlamento mundial das religiões, em Chicago, em 1993, e na Cidade do Cabo, em 1999. Aqui, representantes das principais comunidades religiosas do mundo reuniram-se para afirmar e praticar a necessidade de falar e ouvirem-se umas às outras. Eram uma comunidade dialogante à escala internacional, espelhando o que também pode ocorrer num cenário local.
Paul F. Knitter, Introducing Theologies of Religions, p. 8
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[1] - Edward Schillebeeckx, The Church: The Human Story of God, 1990, p. 166-67
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
Questionado na Comissão de Direitos Humanos, o Irão insiste na perseguição aos Bahá'ís
Enquanto um organismo das Nações Unidas concluía que a perseguição aos Bahá’ís do Irão é uma violação clara dos principais tratados mundiais de direitos humanos, a Comunidade Internacional Bahá'í teve conhecimento de uma nova vaga de ataques contra os Bahá’ís iranianos e suas propriedades.
Em Rasht, três mulheres foram presas sob a acusação de actividades contra a segurança nacional, após rusgas em 16 lares de famílias Bahá’ís. Em Semnan, cerca de dez lojas de pertencentes a Bahá’ís foram seladas pelas autoridades e duas licenças comerciais foram canceladas. Da cidade de Sanandaj chegaram informações de que as autoridades tentaram persuadir grupos de Bahá’ís a comprometerem-se que não participariam em encontros - conhecidos como Festas de Dezanove Dias - realizados em casas dos seus companheiros de fé.
"Estes eventos recentes têm toda a aparência de coordenados centralmente", afirmou Diane Ala'i, representante da Comunidade Internacional Bahá'í nas Nações Unidas, “e contradizem claramente as declarações muitas vezes ouvimos das autoridades iranianas de que os Bahá’ís têm os mesmos direitos que os outros e que as actividades relacionadas com crenças pessoais e assuntos comunitários são permitidos. "
NA COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS
Ontem (03-Novembro) em Genebra, a Comissão de Direitos Humanos da ONU - um corpo de 18 especialistas independentes - criticou o Irão pelo incumprimento do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos (PIDCP), que o país assinou e ratificou.
As conclusões da Comissão surgem duas semanas depois de uma audiência na qual uma delegação do Governo Iraniano tentou defender o seu registo de direitos humanos. O relatório de 27 páginas elaborado pela delegação iraniana afirmava que "nenhum cidadão iraniano goza de prioridade sobre os outros devido à sua raça, religião ou língua."
Durante a audiência, a Comissão fez várias perguntas sobre o tratamento dado aos Bahá’ís no Irão. Um membro da Comissão, Ahmad Fathalla do Egipto, declarou que, uma vez que religião, convicção e crença têm o mesmo estatuto no PIDCP, o Irão deve permitir aos Bahá’ís o direito de manifestar as suas crenças "tanto individualmente como em comunidade com outros, tanto em público como em privado", mesmo que as autoridades não consideram a Fé Bahá'í como sendo uma religião.
Também se expressou profunda preocupação relativamente a outras violações dos direitos humanos, incluindo o elevado número de sentenças de morte, a ausência de mulheres em cargos superiores do governo, e o uso generalizado de tortura.
Nas suas conclusões, a Comissão pediu que ao Irão para "tomar medidas imediatas para assegurar que os membros da comunidade Bahá’í são protegidos contra a discriminação em todos os campos, as violações dos seus direitos sejam imediatamente investigadas, que as pessoas consideradas responsáveis sejam julgadas".
Congratulando-se com o relatório da Comissão, Diane Ala'i afirmou: "A Comissão de Direitos Humanos da ONU está a dizer o Irão a parar de dar desculpas e fazer jus ao seu compromisso de proteger os direitos de todos os seus cidadãos a desfrutar de total liberdade de religião".
SITUAÇÃO ACTUAL DOS BAHÁ’ÍS NO IRÃO
Mais de 100 Bahá’ís estão actualmente detidos em prisões iranianas. Entre estes incluem-se sete dirigentes comunitários - cada um cumprindo pena de 20 anos de prisão sob falsas acusações - e sete educadores presos devido ao seu envolvimento num projecto informal criado para ajudar jovens Bahá’ís impedidos pelo governo de frequentar o ensino superior. Mas a história não acaba aqui.
Além dos que já estão presos, existem mais de 300 Bahá’ís que foram anteriormente detidos e posteriormente libertados, e agora aguardam julgamento ou convocação para cumprir as suas sentenças. As quantias exigidas como fiança são exorbitantes. Centenas de residências Bahá’ís têm sido alvo de rusgas e muitos bens pessoais - incluindo livros, computadores, telemóveis, fotografias e documentos - têm sido confiscados.
Tudo isto constitui um sorvedouro nos recursos dos Bahá’ís que já são sujeitos vastos e sistemáticos esforços para os empobrecer através de tácticas como: proibição do exercício de mais de 25 tipos de actividades comerciais; cancelamento sumário de licenças comerciais; encerramento de lojas; ameaça a empregadores contra a contratação de Bahá’ís; e a proibição de acesso de jovens Bahá’ís ao ensino superior.
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FONTE: Attacks on Baha'is continue as Iran's human rights record comes under further UN scrutiny (BWNS)
Demoledor el informe de la ONU sobre situación de los Derechos Humanos en Irán (ABC.es)
Irã é considerado evasivo em painel de direitos humanos da ONU (O Globo)
Em Rasht, três mulheres foram presas sob a acusação de actividades contra a segurança nacional, após rusgas em 16 lares de famílias Bahá’ís. Em Semnan, cerca de dez lojas de pertencentes a Bahá’ís foram seladas pelas autoridades e duas licenças comerciais foram canceladas. Da cidade de Sanandaj chegaram informações de que as autoridades tentaram persuadir grupos de Bahá’ís a comprometerem-se que não participariam em encontros - conhecidos como Festas de Dezanove Dias - realizados em casas dos seus companheiros de fé.
"Estes eventos recentes têm toda a aparência de coordenados centralmente", afirmou Diane Ala'i, representante da Comunidade Internacional Bahá'í nas Nações Unidas, “e contradizem claramente as declarações muitas vezes ouvimos das autoridades iranianas de que os Bahá’ís têm os mesmos direitos que os outros e que as actividades relacionadas com crenças pessoais e assuntos comunitários são permitidos. "
NA COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS
| Edifício das Nações Unidas em Genebra |
As conclusões da Comissão surgem duas semanas depois de uma audiência na qual uma delegação do Governo Iraniano tentou defender o seu registo de direitos humanos. O relatório de 27 páginas elaborado pela delegação iraniana afirmava que "nenhum cidadão iraniano goza de prioridade sobre os outros devido à sua raça, religião ou língua."
Durante a audiência, a Comissão fez várias perguntas sobre o tratamento dado aos Bahá’ís no Irão. Um membro da Comissão, Ahmad Fathalla do Egipto, declarou que, uma vez que religião, convicção e crença têm o mesmo estatuto no PIDCP, o Irão deve permitir aos Bahá’ís o direito de manifestar as suas crenças "tanto individualmente como em comunidade com outros, tanto em público como em privado", mesmo que as autoridades não consideram a Fé Bahá'í como sendo uma religião.
Também se expressou profunda preocupação relativamente a outras violações dos direitos humanos, incluindo o elevado número de sentenças de morte, a ausência de mulheres em cargos superiores do governo, e o uso generalizado de tortura.
Nas suas conclusões, a Comissão pediu que ao Irão para "tomar medidas imediatas para assegurar que os membros da comunidade Bahá’í são protegidos contra a discriminação em todos os campos, as violações dos seus direitos sejam imediatamente investigadas, que as pessoas consideradas responsáveis sejam julgadas".
Congratulando-se com o relatório da Comissão, Diane Ala'i afirmou: "A Comissão de Direitos Humanos da ONU está a dizer o Irão a parar de dar desculpas e fazer jus ao seu compromisso de proteger os direitos de todos os seus cidadãos a desfrutar de total liberdade de religião".
SITUAÇÃO ACTUAL DOS BAHÁ’ÍS NO IRÃO
Mais de 100 Bahá’ís estão actualmente detidos em prisões iranianas. Entre estes incluem-se sete dirigentes comunitários - cada um cumprindo pena de 20 anos de prisão sob falsas acusações - e sete educadores presos devido ao seu envolvimento num projecto informal criado para ajudar jovens Bahá’ís impedidos pelo governo de frequentar o ensino superior. Mas a história não acaba aqui.
Além dos que já estão presos, existem mais de 300 Bahá’ís que foram anteriormente detidos e posteriormente libertados, e agora aguardam julgamento ou convocação para cumprir as suas sentenças. As quantias exigidas como fiança são exorbitantes. Centenas de residências Bahá’ís têm sido alvo de rusgas e muitos bens pessoais - incluindo livros, computadores, telemóveis, fotografias e documentos - têm sido confiscados.
Tudo isto constitui um sorvedouro nos recursos dos Bahá’ís que já são sujeitos vastos e sistemáticos esforços para os empobrecer através de tácticas como: proibição do exercício de mais de 25 tipos de actividades comerciais; cancelamento sumário de licenças comerciais; encerramento de lojas; ameaça a empregadores contra a contratação de Bahá’ís; e a proibição de acesso de jovens Bahá’ís ao ensino superior.
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FONTE: Attacks on Baha'is continue as Iran's human rights record comes under further UN scrutiny (BWNS)
Demoledor el informe de la ONU sobre situación de los Derechos Humanos en Irán (ABC.es)
Irã é considerado evasivo em painel de direitos humanos da ONU (O Globo)
Um Irão evasivo perante as questões de direitos Humanos
GENEBRA (Reuters) - O Irã evitou as perguntas mais difíceis em uma longamente aguardada aparição diante do Comitê de Direitos Humanos da ONU, com as autoridades do país não respondendo ou se escondendo por trás de um juridiquês prolixo, disseram membros da comissão nesta quinta-feira.
"Para algumas questões que eles estavam envergonhados e que eles não responderam, especialmente quando eu levantei a questão da pena de morte, eles não responderam", disse a integrante do comitê Christine Chanet em uma entrevista coletiva.
"Quando perguntei sobre o apedrejamento não houve nenhuma resposta sobre esta questão", acrescentou Chanet, uma juíza francesa e especialista em direitos humanos.
A agência da ONU, composta por 18 especialistas independentes, manifestou preocupação com os "contínuos relatos de assédio ou intimidação, proibição, e repressão violenta a manifestações, e prisões e detenções arbitrárias de defensores dos direitos humanos" na República Islâmica.
A motivação iraniana para voltar a enfrentar o comitê após um hiato de 18 anos ficou tão sem explicação quanto as políticas do país sobre a pena de morte, a tortura e os direitos de gays e lésbicas.
Chanet disse que não tinha ideia se haveria qualquer seguimento ou se a delegação iraniana iria voltar. Também não ficou clara qual era a representação do governo do Irã na delegação.
"Havia muitos membros desta delegação, então é muito difícil saber com este tipo de país quem está olhando um para o outro. Eles estão observando um ao outro. Eu não sei como... a composição da delegação estava refletindo a situação do poder político no Irã", disse Chanet.
O comitê avalia os sistemas legais dos países e suas práticas para ver se eles cumprem com as normas da Organização das Nações Unidas, que constam da Convenção Internacional de Direitos Civis e Políticos.
Outros países analisados na última sessão da comissão, que começou em 17 de outubro e vai até sexta-feira, foram Kuweit, Malaui, Noruega e Jamaica.
A comissão não tem qualquer capacidade de punir qualquer país, mas seu relatório alimenta debates de alto nível na ONU, onde o histórico sobre os direitos humanos de um país pode levar a sanções contra ele.
Chanet disse que a única coisa que a surpreendeu na forma como a delegação iraniana tratou as questões do comitê foi que, ao contrário de funcionários de muitos outros países com histórico de violações aos direitos humanos, eles foram educados.
"Normalmente eles são violentos. Eles (os iranianos) não foram violentos. Eles não tomaram este tipo de abordagem. Eles queriam ser técnicos, mas quando era muito difícil de responder eles evitavam a resposta e não respondiam", disse ela.
"Eles sabiam muito bem como evitar as perguntas, especialmente as perguntas (sobre) a situação das mulheres."
Outra questão que ficou sem resposta foi a alegação de que alguns homossexuais são forçados a passar por cirurgias de mudança de sexo no Irã, onde a homossexualidade é ilegal.
(Reportagem de Tom Miles)
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FONTE: Irã é considerado evasivo em painel de direitos humanos da ONU (O globo, Brasil)
"Para algumas questões que eles estavam envergonhados e que eles não responderam, especialmente quando eu levantei a questão da pena de morte, eles não responderam", disse a integrante do comitê Christine Chanet em uma entrevista coletiva.
"Quando perguntei sobre o apedrejamento não houve nenhuma resposta sobre esta questão", acrescentou Chanet, uma juíza francesa e especialista em direitos humanos.
A agência da ONU, composta por 18 especialistas independentes, manifestou preocupação com os "contínuos relatos de assédio ou intimidação, proibição, e repressão violenta a manifestações, e prisões e detenções arbitrárias de defensores dos direitos humanos" na República Islâmica.
A motivação iraniana para voltar a enfrentar o comitê após um hiato de 18 anos ficou tão sem explicação quanto as políticas do país sobre a pena de morte, a tortura e os direitos de gays e lésbicas.
Chanet disse que não tinha ideia se haveria qualquer seguimento ou se a delegação iraniana iria voltar. Também não ficou clara qual era a representação do governo do Irã na delegação.
"Havia muitos membros desta delegação, então é muito difícil saber com este tipo de país quem está olhando um para o outro. Eles estão observando um ao outro. Eu não sei como... a composição da delegação estava refletindo a situação do poder político no Irã", disse Chanet.
O comitê avalia os sistemas legais dos países e suas práticas para ver se eles cumprem com as normas da Organização das Nações Unidas, que constam da Convenção Internacional de Direitos Civis e Políticos.
Outros países analisados na última sessão da comissão, que começou em 17 de outubro e vai até sexta-feira, foram Kuweit, Malaui, Noruega e Jamaica.
A comissão não tem qualquer capacidade de punir qualquer país, mas seu relatório alimenta debates de alto nível na ONU, onde o histórico sobre os direitos humanos de um país pode levar a sanções contra ele.
Chanet disse que a única coisa que a surpreendeu na forma como a delegação iraniana tratou as questões do comitê foi que, ao contrário de funcionários de muitos outros países com histórico de violações aos direitos humanos, eles foram educados.
"Normalmente eles são violentos. Eles (os iranianos) não foram violentos. Eles não tomaram este tipo de abordagem. Eles queriam ser técnicos, mas quando era muito difícil de responder eles evitavam a resposta e não respondiam", disse ela.
"Eles sabiam muito bem como evitar as perguntas, especialmente as perguntas (sobre) a situação das mulheres."
Outra questão que ficou sem resposta foi a alegação de que alguns homossexuais são forçados a passar por cirurgias de mudança de sexo no Irã, onde a homossexualidade é ilegal.
(Reportagem de Tom Miles)
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FONTE: Irã é considerado evasivo em painel de direitos humanos da ONU (O globo, Brasil)
Exilada por pensar diferente
La iraní Pouran Mohebir lleva 30 años fuera de su país natal por profesar la religión bahaí
A los bahaíes de Irán la vida se les puso muy cuesta arriba cuando en 1979 triunfó la Revolución Islámica del ayatolá Jomeini. Y no es que antes tuvieran una gran aceptación, pero es que a partir de entonces vivir en ese país se les hizo muy complicado por profesar una religión distinta: se les prohibió trabajar, se les empezó a detener «por cualquier minucia» y hace poco también se les impidió estudiar.
Así que muchos de ellos, privados de la libertad que siempre habían disfrutado, empezaron a emigrar a otros países donde serían mejor tratados. Entre estos se encontraban Pouran Mohebir y su familia, que antes de recalar en Menorca encontraron acomodo en Pamplona, Burgos y Zaragoza. Lejos de sus paisanos, pero sin miedo a salir a la calle.
«Lo de Irán no es distinto a lo que se vive en cualquier otra dictadura», explica esta mujer, de 70 años de edad, que lleva más de tres décadas exiliada de su patria natal por motivos religiosos. «Los bahaíes creemos que todos los profetas vienen de un mismo dios y eso los fundamentalistas no lo aceptan».
De los 500.000 bahaíes que habitaban en Irán a finales de los años setenta, hoy solamente quedan «unos 300.000»: muchos no han podido soportar la presión a la que les sometían sus conciudadanos y han preferido iniciar una nueva vida en otro país. «La Revolución Islámica lo cambió todo, a peor», recuerda quien ha visto con sus propios ojos «como asesinaban y encarcelaban» a muchos bahaíes por el mero hecho «de ser bahaí».
Pero lo que más le duele a este colectivo es que se les haya privado del derecho a la educación, que sus miembros consideran «prioritario» porque de una buena formación depende su futuro. «Los bahaíes somos una élite en cuanto estudios», dice ésta. En tales condiciones, no sorprende que se estén dando clases clandestinas en Irán no exentas de riesgo porque cuando son descubiertas «encarcelan a los profesores y los mantienen presos en pésimas condiciones».
Mohebir se reencontró en la Isla con otros quince bahaíes que, como ella, han encontrado acomodo en la multicultural sociedad menorquina. «La gente de aquí es muy tolerante con los inmigrantes», comenta quien también organiza reuniones en la que personas de distintas religiones debaten aspectos relacionados con la espiritualidad del individuo. Eso mientras espera, cada vez con menos esperanza, regresar algún día a su querido Teherán.
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FONTE: UltimaHora (Espanha)
A los bahaíes de Irán la vida se les puso muy cuesta arriba cuando en 1979 triunfó la Revolución Islámica del ayatolá Jomeini. Y no es que antes tuvieran una gran aceptación, pero es que a partir de entonces vivir en ese país se les hizo muy complicado por profesar una religión distinta: se les prohibió trabajar, se les empezó a detener «por cualquier minucia» y hace poco también se les impidió estudiar.
Así que muchos de ellos, privados de la libertad que siempre habían disfrutado, empezaron a emigrar a otros países donde serían mejor tratados. Entre estos se encontraban Pouran Mohebir y su familia, que antes de recalar en Menorca encontraron acomodo en Pamplona, Burgos y Zaragoza. Lejos de sus paisanos, pero sin miedo a salir a la calle.
«Lo de Irán no es distinto a lo que se vive en cualquier otra dictadura», explica esta mujer, de 70 años de edad, que lleva más de tres décadas exiliada de su patria natal por motivos religiosos. «Los bahaíes creemos que todos los profetas vienen de un mismo dios y eso los fundamentalistas no lo aceptan».
De los 500.000 bahaíes que habitaban en Irán a finales de los años setenta, hoy solamente quedan «unos 300.000»: muchos no han podido soportar la presión a la que les sometían sus conciudadanos y han preferido iniciar una nueva vida en otro país. «La Revolución Islámica lo cambió todo, a peor», recuerda quien ha visto con sus propios ojos «como asesinaban y encarcelaban» a muchos bahaíes por el mero hecho «de ser bahaí».
Pero lo que más le duele a este colectivo es que se les haya privado del derecho a la educación, que sus miembros consideran «prioritario» porque de una buena formación depende su futuro. «Los bahaíes somos una élite en cuanto estudios», dice ésta. En tales condiciones, no sorprende que se estén dando clases clandestinas en Irán no exentas de riesgo porque cuando son descubiertas «encarcelan a los profesores y los mantienen presos en pésimas condiciones».
Mohebir se reencontró en la Isla con otros quince bahaíes que, como ella, han encontrado acomodo en la multicultural sociedad menorquina. «La gente de aquí es muy tolerante con los inmigrantes», comenta quien también organiza reuniones en la que personas de distintas religiones debaten aspectos relacionados con la espiritualidad del individuo. Eso mientras espera, cada vez con menos esperanza, regresar algún día a su querido Teherán.
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FONTE: UltimaHora (Espanha)
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