"Povo de Bahá" é uma expressão frequentemente utilizada nas Escrituras Bahá'ís para designar os crentes em Bahá'u'lláh, i.e., os Bahá’ís.
quarta-feira, 29 de maio de 2024
sábado, 25 de maio de 2024
Será o Cristianismo a única religião verdadeira?
Por Maya Bohnhoff.
Durante os diálogos com o meu amigo online Epignose, uma Testemunha de Jeová, falámos daquilo a Bíblia dizia sobre “outras” religiões, através dos tempos, até Noé.
Epi afirmava que no tempo de Noé todas as outras religiões eram falsas. Isso levantava-me muitas questões; então perguntei-lhe.
Epi respondeu com estas palavras: “Quando Jesus veio, até a religião judaica foi rejeitada. Apenas existe o Cristianismo.”
Respondi que Jesus disse que não veio para abolir (rejeitar) a Lei, mas para cumpri-la. Ele não rejeitou Moisés ou os seus ensinamentos espirituais; pelo contrário, reafirmou-os e renovou-os, e simultaneamente alterou algumas formas sociais – o divórcio e a santificação do sábado, por exemplo.
Jesus até citou o testemunho de Moisés (Deuteronómio 18:15) como prova de sua própria missão. Em Mateus 22, Ele confirmou repetidamente os dois maiores mandamentos dados por Moisés: amar a Deus e amar o próximo como a si próprio. Ele profetizou que no devido tempo, outro Conselheiro (paráclito, em grego) surgiria para lembrar ao mundo a Sua palavra, dar testemunho d’Ele e glorificá-Lo... tal como Cristo fez com os ensinamentos de Moisés.
Isto é exactamente o que Bahá’u’lláh fez repetidamente, afirmando numa das Suas epístolas que foi Jesus Cristo quem “purificou o mundo” com os Seus ensinamentos e sacrifício.
Epi retorquiu: Poderias dizer que todas as religiões do mundo, excepto as mencionadas na Bíblia, são falsas.
Não, não poderia – porque isso seria dizer Cristo mentiu. Ele disse que Deus alimentará todos os Seus filhos, não apenas aqueles que vivem na época e no local da Sua revelação. Ele disse aos Seus discípulos como distinguir os falsos profetas dos verdadeiros, algo que Ele não faria se eles nunca tivessem de fazer esse juízo.
O Antigo Testamento descreve os profetas enviados ao povo judeu. Estes incluem Abraão, José e Moisés, juntamente com profetas menores como Ezequiel. Os livros referem-se a uma série de religiões dedicadas a vários deuses regionais que são geralmente considerados como divindades falsas, criadas pelo homem – como o Bezerro de Ouro que os hebreus imploraram a Moisés para erguer no deserto.
Há uma religião referida nestes relatos que é tratada de forma diferente: o Zoroastrismo. Como mencionei anteriormente, durante o seu cativeiro na Babilónia, Deus deixou de falar aos hebreus através dos seus próprios profetas. Em vez disso, ele falou com eles através dos reis zoroastrianos. Um deles, Ciro, foi movido por Deus para dar o decreto para reconstruir o Templo em Jerusalém (Esdras capítulos 5 e 6). Em Isaías 44:28, Deus diz de Ciro: “Ele é o meu pastor e realizará toda a minha vontade, dizendo a Jerusalém: ‘Serás reedificada!’, e ao templo: ‘Serás reconstruído!’”
Em Isaías 45:1, o profeta declara: “Assim diz o Senhor ao seu ungido, a Ciro, a quem tomo pela mão direita...” e profetiza o triunfo do reinado deste rei zoroastriano. A passagem termina com Deus afirmando a Ciro: “Eu sou o Senhor, o Deus de Israel, que te chama pelo teu nome” (Isaías 45:3). Ao fazer isso, Ele também demonstra que é o Deus de Ciro.
Deus não parece considerar a Fé de Zoroastro como “outra”, ou falsa. Se assim fosse, porque falaria de Ciro como o Seu “ungido” e o Seu “pastor”?
O decreto de Ciro que reconstrói o Templo em Jerusalém é a base para as profecias temporais do Livro de Daniel — o primeiro profeta levantado entre os hebreus cativos — que identificam com precisão o advento de Jesus Cristo e do precursor de Bahá'u'lláh, o Báb. O próprio Cristo profetizou o aparecimento de um mensageiro divino que viria depois dele.
Disse para o Epi: pára e pensa por um momento porque é que acreditas que a Bíblia é sagrada, mas, por exemplo, o Bhagavad Gita não é. Se tivesses nascido na Índia, teria crescido a acreditar que os Vedas, o Ramayana, o Bhagavad Gita e os Upanishads eram Escrituras. E poderias argumentar que apenas os profetas mencionados nesses livros são verdadeiros e todos os outros são falsos. Outras Testemunhas de Jeová disseram-me, quando lhe mostrei os ensinamentos de Krishna, que eles eram como os de Cristo porque Krishna era um falso Cristo. Mas Krishna surgiu na Índia, milhares de anos antes de Cristo aparecer em Israel. Se Krishna era falso, então Deus permitiu que alguém atraísse muitos descendentes de Noé para longe de Moisés e de Cristo antes mesmo de Eles aparecerem, usando os Seus próprios ensinamentos!
Isso é pessoal para mim; debati-me com esta ideia antes de me tornar Bahá’í – porque apresentava uma contradição. Acreditar que Krishna e Buda eram falsos colocou em causa a palavra de Cristo - porque Cristo diz, com a voz da autoridade, que se uma alma pede pão a Deus, Deus não lhe dará uma pedra, e se ela pedir um peixe, Deus não lhe dará uma cobra.
E Cristo diz ainda: “Ora se vocês, mesmo sendo maus, sabem dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o vosso Pai que está no céu dará coisas boas àqueles que lhas pedirem!” (Mt 7:11)
Eu tenho três filhos. Até eu, uma mãe humana imperfeita, sei que é errado alimentar, vestir e educar um filho e deixar os outros tratarem de si próprios - permitindo que sejam enganados por falsos guias na completa ausência de qualquer orientação minha. Se eu fizesse isso, seria considerada uma mãe miserável até mesmo pelos padrões humanos, quanto mais pelos padrões de Deus.
Isto é o que Cristo nos diz sobre Deus: Nós, humanos imperfeitos, sabemos que não devemos tratar os nossos filhos dessa maneira. Como podemos imaginar que Deus faria isso?
A única conclusão possível para mim é que o Criador que se revela em Jesus Cristo iria, pela Sua própria palavra, oferecer a cada povo o pão da vida.
Bahá’u’lláh escreveu que “O princípio de todas as coisas é o conhecimento de Deus...” Se isto for verdade, Ele daria a todos nós – e não apenas a alguns – alguma forma de O conhecer. E assim foi. Depois de afirmar que Deus está tão além das nossas concepções que não podemos compreender essa Realidade, Bahá’u’lláh escreveu que:
Assim, Bahá’u’lláh afirma as palavras do Apóstolo Paulo de que Deus “quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade”. Sendo assim, podemos ter certeza de que o Deus amoroso de todos deu-nos o pão e a água da vida — isto é, uma maneira de conhecê-Lo — a todas as gerações em todas as partes do mundo.
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Texto original: Is Christianity the Only True Religion? (www.bahaiteachings.org)
Maya Bohnhoff é Bahá’í e autora de sucesso do New York Times nas áreas de ficção científica, fantasia e história alternativa. É também compositora/cantora (juntamente com seu marido Jeff). É um dos membros fundadores do Book View Café, onde escreve um blog bi-mensal, e ela tem um blog semanal na www.commongroundgroup.net.
Durante os diálogos com o meu amigo online Epignose, uma Testemunha de Jeová, falámos daquilo a Bíblia dizia sobre “outras” religiões, através dos tempos, até Noé.
Epi afirmava que no tempo de Noé todas as outras religiões eram falsas. Isso levantava-me muitas questões; então perguntei-lhe.
Será que isto significa que quando Abraão apareceu, a fé de Noé tornou-se falsa? Ou que quando Cristo veio, Moisés tornou-se um falso profeta? Acho que concordarás que não é o caso. Então, porque é que Krishna e Buda se tornariam falsos com o advento de Cristo?
Tu acreditas que as pessoas que viviam na Índia também eram descendentes de Noé; porque é que Deus não os guiaria tal como guiou os outros descendentes de Noé?
Tu acreditas que Abraão foi um profeta de Deus. A Bíblia diz-nos (no livro de Génesis) que Deus fez uma aliança com Isaac, filho de Abraão, que resultou no aparecimento de Jesus Cristo. Tu aceitas isso. O livro de Génesis também nos conta que Deus fez uma aliança com o primeiro filho de Abraão, Ismael, para levantar um grande Príncipe entre os Seus descendentes. Porque é que tu não aceitas o descendente de Ismael, Muhammad, como este Príncipe/Profeta?
Epi respondeu com estas palavras: “Quando Jesus veio, até a religião judaica foi rejeitada. Apenas existe o Cristianismo.”
Respondi que Jesus disse que não veio para abolir (rejeitar) a Lei, mas para cumpri-la. Ele não rejeitou Moisés ou os seus ensinamentos espirituais; pelo contrário, reafirmou-os e renovou-os, e simultaneamente alterou algumas formas sociais – o divórcio e a santificação do sábado, por exemplo.
Jesus até citou o testemunho de Moisés (Deuteronómio 18:15) como prova de sua própria missão. Em Mateus 22, Ele confirmou repetidamente os dois maiores mandamentos dados por Moisés: amar a Deus e amar o próximo como a si próprio. Ele profetizou que no devido tempo, outro Conselheiro (paráclito, em grego) surgiria para lembrar ao mundo a Sua palavra, dar testemunho d’Ele e glorificá-Lo... tal como Cristo fez com os ensinamentos de Moisés.
Isto é exactamente o que Bahá’u’lláh fez repetidamente, afirmando numa das Suas epístolas que foi Jesus Cristo quem “purificou o mundo” com os Seus ensinamentos e sacrifício.
Epi retorquiu: Poderias dizer que todas as religiões do mundo, excepto as mencionadas na Bíblia, são falsas.
Não, não poderia – porque isso seria dizer Cristo mentiu. Ele disse que Deus alimentará todos os Seus filhos, não apenas aqueles que vivem na época e no local da Sua revelação. Ele disse aos Seus discípulos como distinguir os falsos profetas dos verdadeiros, algo que Ele não faria se eles nunca tivessem de fazer esse juízo.
O Antigo Testamento descreve os profetas enviados ao povo judeu. Estes incluem Abraão, José e Moisés, juntamente com profetas menores como Ezequiel. Os livros referem-se a uma série de religiões dedicadas a vários deuses regionais que são geralmente considerados como divindades falsas, criadas pelo homem – como o Bezerro de Ouro que os hebreus imploraram a Moisés para erguer no deserto.
| Ciro, rei zoroastriano referido na Bíblia como "ungido" e "pastor" de Deus. |
Em Isaías 45:1, o profeta declara: “Assim diz o Senhor ao seu ungido, a Ciro, a quem tomo pela mão direita...” e profetiza o triunfo do reinado deste rei zoroastriano. A passagem termina com Deus afirmando a Ciro: “Eu sou o Senhor, o Deus de Israel, que te chama pelo teu nome” (Isaías 45:3). Ao fazer isso, Ele também demonstra que é o Deus de Ciro.
Deus não parece considerar a Fé de Zoroastro como “outra”, ou falsa. Se assim fosse, porque falaria de Ciro como o Seu “ungido” e o Seu “pastor”?
O decreto de Ciro que reconstrói o Templo em Jerusalém é a base para as profecias temporais do Livro de Daniel — o primeiro profeta levantado entre os hebreus cativos — que identificam com precisão o advento de Jesus Cristo e do precursor de Bahá'u'lláh, o Báb. O próprio Cristo profetizou o aparecimento de um mensageiro divino que viria depois dele.
Disse para o Epi: pára e pensa por um momento porque é que acreditas que a Bíblia é sagrada, mas, por exemplo, o Bhagavad Gita não é. Se tivesses nascido na Índia, teria crescido a acreditar que os Vedas, o Ramayana, o Bhagavad Gita e os Upanishads eram Escrituras. E poderias argumentar que apenas os profetas mencionados nesses livros são verdadeiros e todos os outros são falsos. Outras Testemunhas de Jeová disseram-me, quando lhe mostrei os ensinamentos de Krishna, que eles eram como os de Cristo porque Krishna era um falso Cristo. Mas Krishna surgiu na Índia, milhares de anos antes de Cristo aparecer em Israel. Se Krishna era falso, então Deus permitiu que alguém atraísse muitos descendentes de Noé para longe de Moisés e de Cristo antes mesmo de Eles aparecerem, usando os Seus próprios ensinamentos!
Isso é pessoal para mim; debati-me com esta ideia antes de me tornar Bahá’í – porque apresentava uma contradição. Acreditar que Krishna e Buda eram falsos colocou em causa a palavra de Cristo - porque Cristo diz, com a voz da autoridade, que se uma alma pede pão a Deus, Deus não lhe dará uma pedra, e se ela pedir um peixe, Deus não lhe dará uma cobra.
E Cristo diz ainda: “Ora se vocês, mesmo sendo maus, sabem dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o vosso Pai que está no céu dará coisas boas àqueles que lhas pedirem!” (Mt 7:11)
Eu tenho três filhos. Até eu, uma mãe humana imperfeita, sei que é errado alimentar, vestir e educar um filho e deixar os outros tratarem de si próprios - permitindo que sejam enganados por falsos guias na completa ausência de qualquer orientação minha. Se eu fizesse isso, seria considerada uma mãe miserável até mesmo pelos padrões humanos, quanto mais pelos padrões de Deus.
Isto é o que Cristo nos diz sobre Deus: Nós, humanos imperfeitos, sabemos que não devemos tratar os nossos filhos dessa maneira. Como podemos imaginar que Deus faria isso?
A única conclusão possível para mim é que o Criador que se revela em Jesus Cristo iria, pela Sua própria palavra, oferecer a cada povo o pão da vida.
Bahá’u’lláh escreveu que “O princípio de todas as coisas é o conhecimento de Deus...” Se isto for verdade, Ele daria a todos nós – e não apenas a alguns – alguma forma de O conhecer. E assim foi. Depois de afirmar que Deus está tão além das nossas concepções que não podemos compreender essa Realidade, Bahá’u’lláh escreveu que:
Como um sinal da Sua misericórdia, porém, e como uma prova da Sua amorosa bondade, Ele tem manifestado aos homens os Sóis da Sua orientação divina, os Símbolos da Sua unidade divina, e ordenou que o conhecimento destes santificados seres fosse idêntico ao conhecimento do Seu próprio Ser. Quem Os reconheceu, reconheceu Deus. Quem escutou o Seu chamamento, escutou a Voz de Deus, e quem testemunhou a verdade da Sua revelação, testemunhou a verdade de Deus. Quem se afastou deles, afastou-se de Deus… Cada um deles é o Caminho de Deus que liga este mundo com os reinos do além, e é o Estandarte da Sua Verdade para todos os que estão nos reinos da terra e do céu. Eles são os Manifestantes de Deus entre os homens, as evidências da Sua verdade, e os sinais da Sua glória. (Seleção dos Escritos de Bahá'u'lláh, sec. XXI)
Assim, Bahá’u’lláh afirma as palavras do Apóstolo Paulo de que Deus “quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade”. Sendo assim, podemos ter certeza de que o Deus amoroso de todos deu-nos o pão e a água da vida — isto é, uma maneira de conhecê-Lo — a todas as gerações em todas as partes do mundo.
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Texto original: Is Christianity the Only True Religion? (www.bahaiteachings.org)
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Maya Bohnhoff é Bahá’í e autora de sucesso do New York Times nas áreas de ficção científica, fantasia e história alternativa. É também compositora/cantora (juntamente com seu marido Jeff). É um dos membros fundadores do Book View Café, onde escreve um blog bi-mensal, e ela tem um blog semanal na www.commongroundgroup.net.
quarta-feira, 22 de maio de 2024
sábado, 18 de maio de 2024
Será a Bíblia infalível e livre de erros?
Por Maya Bohnhoff.
Depois de discutirmos o que o apóstolo João quis dizer quando advertiu contra acrescentar ou retirar palavras do livro da sua profecia, o meu amigo Epignose, uma Testemunha de Jeová, afirmou que a Bíblia era infalível e estava livre de erros.
Quando lhe pedi que me mostrasse a referência bíblica, ele indicou-me umas palavras da segunda Epístola de S. Paulo a Timóteo: “Toda a Escritura, divinamente inspirada, é proveitosa para ensinar… Para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra.” (2 Tm 3:16-17)
Reparei que já tinha ouvido este mesmo argumento desde a minha infância nas igrejas que frequentei e de cristãos de diversas denominações. Pedi a Epi que lê-se cuidadosamente estes versículos e pensasse as suas implicações.
Primeiro: O que significa “toda a Escritura” para S. Paulo? Antes das palavras citadas, S. Paulo diz:
O Epi usava as palavras “toda a Escritura”, para se referir tanto ao Antigo Testamento quanto ao Evangelho, que começavam a ser redigidos quando Paulo escrevia sua carta a Timóteo. Mas Paulo está a referir-se às Sagradas Escrituras que ele e Timóteo conhecem desde a infância - os livros do Tanakh - e ele está a repetir as palavras de Cristo: “Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam; E não quereis vir a mim, para terdes vida.” (Jo 5:39-40)
Cristo e Paulo dizem que a Torá fala de Cristo (especificamente, Deuteronómio 18:15), mas os sábios judeus certamente não acreditavam nisso. Na minha caminhada espiritual, achei importante entender porque é que isso não aconteceu.
Se “toda a Escritura” incluir versículos além das Escrituras Judaicas – isto é, se incluir os Evangelhos ou as Epístolas escritas pelos Apóstolos às congregações Cristãs – então temos a questão: Quem decide o que é Escritura?
Num artigo anterior, referi que há uma variedade de Bíblias diferentes com diferentes de livros – entre elas, Bíblias católicas, ortodoxas e coptas. Qual é número de livros correto?
Segundo: O que nos dizem as citações da Epístola a Timóteo sobre as Escrituras? Dizem-nos que são inspiradas por Deus, benéficas (ou lucrativas) para o ensino da Fé, e que podem tornar-nos sábios e preparados para fazer um bom trabalho.
Não diz que é infalível ou livre de erros, e não inclui livros que ainda não tinham sido escritos.
Não estou a dizer que os Evangelhos não sejam Sagradas Escrituras. Acredito com toda a minha alma que eles são Escritura. Estou a dizer que se aplicarmos o versículo tal como Paulo o apresenta, então também excluiria livros que hoje consideramos divinamente inspirados.
Os judeus acreditavam que a revelação de Deus havia terminado com o seu Livro Sagrado, e que Ele não falaria novamente até ao Dia do Juízo Final. Como Cristã, eu acreditava que tinha havido uma revelação adicional através de Jesus Cristo, mas adoptei a crença de que não haveria mais revelações divinas até ao “fim do mundo”, que os discípulos de Cristo acreditavam que aconteceria durante as suas vidas. No entanto, já se passaram mais de dois mil anos, e milhões de cristãos ainda esperam pelo fim do mundo.
Isto representa um problema porque, como sabemos, existem versículos com centenas de anos em traduções “autorizadas” de Bíblias cristãs, e que mais tarde se descobriu que não estavam nos manuscritos mais antigos, ou que tinham sido traduzidos incorretamente. Uma dessas traduções imprecisas causou uma revisão significativa até mesmo na Bíblia King James. Especificamente, os estudiosos procuraram nos textos gregos originais um excerto em Mateus 28:19-20 que tinha sido traduzido como: “Estarei convosco sempre, até ao fim do mundo”. Eles perceberam que, por alguma razão, a palavra grega “eon”, que significa “tempo”, tinha sido traduzida como “mundo”.
Isto é uma diferença significativa com consequências graves. As ideias sobre o fim do mundo moldaram a crença e a doutrina cristã durante séculos. Mas agora sabemos que Cristo não usou essa palavra, e a maioria das Bíblias foi actualizada para refletir isso. Note-se que a Bíblia Torre de Vigia das Testemunhas de Jeová usa a frase “o final do sistema de coisas”, e vê isso como o fim de uma época e o início de outra. Os Bahá’ís partilham este entendimento.
Quando era criança, perguntei várias vezes aos meus pais e aos pastores da igreja: “Porque é que Deus deixou de Se revelar para há mais de 2000 anos?” Nunca me deram uma resposta satisfatória, até que finalmente recebi a resposta de Bahá’u’lláh – que Ele continuava a revelar-Se. Em vez disso, alguns de nós pararam de ouvir porque acreditávamos ter ouvido tudo: depois com o advento de Cristo, muitos acreditavam, o mundo simplesmente acabaria.
Imagine o meu embaraço quando percebi que tinha desenvolvido uma crença na finalidade da mensagem de Cristo com base, em parte, numa tradução errada que contradizia as próprias palavras de Jesus:
Aqui Cristo predisse uma revelação adicional de Deus por outro Conselheiro – alguém que terá acesso à mesma fonte infinita de conhecimento e autoridade divinos que o próprio Jesus Cristo.
Em Abril de 1912, ao falar perante uma audiência cristã numa igreja em Washington D.C., o filho e sucessor de Bahá'u'lláh, 'Abdu'l-Bahá, reflectiu sobre aquela mesma passagem das Escrituras, que o pastor da igreja tinha usado no seu sermão dessa manhã. 'Abdu'l-Bahá disse:
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Texto original: Is the Bible Infallible and Inerrant? (www.bahaiteachings.org)
Maya Bohnhoff é Bahá’í e autora de sucesso do New York Times nas áreas de ficção científica, fantasia e história alternativa. É também compositora/cantora (juntamente com seu marido Jeff). É um dos membros fundadores do Book View Café, onde escreve um blog bi-mensal, e ela tem um blog semanal na www.commongroundgroup.net.
Depois de discutirmos o que o apóstolo João quis dizer quando advertiu contra acrescentar ou retirar palavras do livro da sua profecia, o meu amigo Epignose, uma Testemunha de Jeová, afirmou que a Bíblia era infalível e estava livre de erros.
Quando lhe pedi que me mostrasse a referência bíblica, ele indicou-me umas palavras da segunda Epístola de S. Paulo a Timóteo: “Toda a Escritura, divinamente inspirada, é proveitosa para ensinar… Para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra.” (2 Tm 3:16-17)
Reparei que já tinha ouvido este mesmo argumento desde a minha infância nas igrejas que frequentei e de cristãos de diversas denominações. Pedi a Epi que lê-se cuidadosamente estes versículos e pensasse as suas implicações.
Primeiro: O que significa “toda a Escritura” para S. Paulo? Antes das palavras citadas, S. Paulo diz:
Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste, e de que foste inteirado, sabendo de quem o tens aprendido. E que, desde a tua meninice, conheces as sagradas escrituras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus. (2 Tm 3:14-15)
O Epi usava as palavras “toda a Escritura”, para se referir tanto ao Antigo Testamento quanto ao Evangelho, que começavam a ser redigidos quando Paulo escrevia sua carta a Timóteo. Mas Paulo está a referir-se às Sagradas Escrituras que ele e Timóteo conhecem desde a infância - os livros do Tanakh - e ele está a repetir as palavras de Cristo: “Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam; E não quereis vir a mim, para terdes vida.” (Jo 5:39-40)
Cristo e Paulo dizem que a Torá fala de Cristo (especificamente, Deuteronómio 18:15), mas os sábios judeus certamente não acreditavam nisso. Na minha caminhada espiritual, achei importante entender porque é que isso não aconteceu.
Se “toda a Escritura” incluir versículos além das Escrituras Judaicas – isto é, se incluir os Evangelhos ou as Epístolas escritas pelos Apóstolos às congregações Cristãs – então temos a questão: Quem decide o que é Escritura?
Num artigo anterior, referi que há uma variedade de Bíblias diferentes com diferentes de livros – entre elas, Bíblias católicas, ortodoxas e coptas. Qual é número de livros correto?
Segundo: O que nos dizem as citações da Epístola a Timóteo sobre as Escrituras? Dizem-nos que são inspiradas por Deus, benéficas (ou lucrativas) para o ensino da Fé, e que podem tornar-nos sábios e preparados para fazer um bom trabalho.
Não diz que é infalível ou livre de erros, e não inclui livros que ainda não tinham sido escritos.
Não estou a dizer que os Evangelhos não sejam Sagradas Escrituras. Acredito com toda a minha alma que eles são Escritura. Estou a dizer que se aplicarmos o versículo tal como Paulo o apresenta, então também excluiria livros que hoje consideramos divinamente inspirados.
Os judeus acreditavam que a revelação de Deus havia terminado com o seu Livro Sagrado, e que Ele não falaria novamente até ao Dia do Juízo Final. Como Cristã, eu acreditava que tinha havido uma revelação adicional através de Jesus Cristo, mas adoptei a crença de que não haveria mais revelações divinas até ao “fim do mundo”, que os discípulos de Cristo acreditavam que aconteceria durante as suas vidas. No entanto, já se passaram mais de dois mil anos, e milhões de cristãos ainda esperam pelo fim do mundo.
Isto representa um problema porque, como sabemos, existem versículos com centenas de anos em traduções “autorizadas” de Bíblias cristãs, e que mais tarde se descobriu que não estavam nos manuscritos mais antigos, ou que tinham sido traduzidos incorretamente. Uma dessas traduções imprecisas causou uma revisão significativa até mesmo na Bíblia King James. Especificamente, os estudiosos procuraram nos textos gregos originais um excerto em Mateus 28:19-20 que tinha sido traduzido como: “Estarei convosco sempre, até ao fim do mundo”. Eles perceberam que, por alguma razão, a palavra grega “eon”, que significa “tempo”, tinha sido traduzida como “mundo”.
Isto é uma diferença significativa com consequências graves. As ideias sobre o fim do mundo moldaram a crença e a doutrina cristã durante séculos. Mas agora sabemos que Cristo não usou essa palavra, e a maioria das Bíblias foi actualizada para refletir isso. Note-se que a Bíblia Torre de Vigia das Testemunhas de Jeová usa a frase “o final do sistema de coisas”, e vê isso como o fim de uma época e o início de outra. Os Bahá’ís partilham este entendimento.
Quando era criança, perguntei várias vezes aos meus pais e aos pastores da igreja: “Porque é que Deus deixou de Se revelar para há mais de 2000 anos?” Nunca me deram uma resposta satisfatória, até que finalmente recebi a resposta de Bahá’u’lláh – que Ele continuava a revelar-Se. Em vez disso, alguns de nós pararam de ouvir porque acreditávamos ter ouvido tudo: depois com o advento de Cristo, muitos acreditavam, o mundo simplesmente acabaria.
Imagine o meu embaraço quando percebi que tinha desenvolvido uma crença na finalidade da mensagem de Cristo com base, em parte, numa tradução errada que contradizia as próprias palavras de Jesus:
Ainda tenho muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora. Mas, quando vier aquele Espírito da Verdade, ele guiar-vos-á em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e anunciar-vos-á o que há de vir. Ele glorificar-me-á, porque há de receber do que é meu, e vo-lo anunciará. Tudo quanto o Pai tem é meu; por isso vos disse que há de receber do que é meu e vo-lo anunciará. (Jo 16:12-15)
Aqui Cristo predisse uma revelação adicional de Deus por outro Conselheiro – alguém que terá acesso à mesma fonte infinita de conhecimento e autoridade divinos que o próprio Jesus Cristo.
Em Abril de 1912, ao falar perante uma audiência cristã numa igreja em Washington D.C., o filho e sucessor de Bahá'u'lláh, 'Abdu'l-Bahá, reflectiu sobre aquela mesma passagem das Escrituras, que o pastor da igreja tinha usado no seu sermão dessa manhã. 'Abdu'l-Bahá disse:
Amanheceu o século em que o Espírito da Verdade pode revelar estas verdades à humanidade, proclamar essa mesma Palavra, estabelecer os verdadeiros fundamentos do Cristianismo e libertar as nações e os povos da escravidão das formas e das imitações. A causa da discórdia, do preconceito e da animosidade será removida, e a base do amor e da amizade será estabelecida. Portanto, todos vós devem esforçar-se de coração e alma para que a inimizade desapareça completamente, e que a discórdia e o ódio desapareçam completamente do meio do mundo humano. Deveis ouvir a advertência deste Espírito da Verdade. Deveis seguir o exemplo e os passos de Jesus Cristo.
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Texto original: Is the Bible Infallible and Inerrant? (www.bahaiteachings.org)
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Maya Bohnhoff é Bahá’í e autora de sucesso do New York Times nas áreas de ficção científica, fantasia e história alternativa. É também compositora/cantora (juntamente com seu marido Jeff). É um dos membros fundadores do Book View Café, onde escreve um blog bi-mensal, e ela tem um blog semanal na www.commongroundgroup.net.
quarta-feira, 15 de maio de 2024
sábado, 11 de maio de 2024
Será que existe apenas um Livro Sagrado?
Por Maya Bohnhoff.
O meu amigo online Epignose (que chamarei Epi), uma Testemunha de Jeová, descobriu rapidamente que quando fazia perguntas ou afirmações sobre as minhas crenças, eu sentia-me perfeitamente confortável em recorrer à Bíblia - especialmente às palavras de Cristo - para encontrar as respostas.
Era compreensível que ele quisesse definir a natureza e o papel das Escrituras como base da crença. Depois de ver que os Livros Sagrados de “outras” religiões incluíam o que vulgarmente chamamos Regra de Ouro e falavam de Um Espírito Supremo ou Absoluto que gerou o mundo contingente, Epi disse:
“Existe apenas uma Bíblia. Não há citações de outras escrituras, e Deus avisou-nos para não adicionar ou retirar nada dela.”
Epi via as Escrituras das outras religiões como sendo acrescentos ilegítimos às Escrituras reais e indicou-me uma passagem no Livro do Apocalipse que ele considerava que expressava o seu ponto de vista:
Eu respondi: Se há citações de outras Escrituras, suponho que isso depende daquilo que você considera “outras”. Existem histórias sumérias no Gênesis; no Livro de Isaías, o profeta refere-se ao rei zoroastriano Ciro como “ungido de Deus” (em latim, Christos). Na verdade, em Isaías, lemos que Deus fala aos judeus, então cativos na Babilónia, através dos reis zoroastrianos. Será que isso indica que talvez Deus não considera os sumérios ou os zoroastrianos como “outros”?
Acrescentei: por três vezes no trecho que você citou, João enfatiza que está a falar sobre “a profecia deste livro” – isto é, o próprio livro do Apocalipse de São João. Assim, o seu aviso faz sentido. Sabemos que ele não estava a falar sobre “a Bíblia” porque a Bíblia tal como a conhecemos não existia naquela época.
As Escrituras que João conhecia eram as Escrituras Judaicas - o Tanakh (composto pela Torá [Lei], Nevi'im [livros de profecia] e Ketuvim [textos de sábios judeus]). O Novo Testamento não existia como livro quando João escreveu isto. Passariam 300 anos até que o Concílio de Niceia compilasse a colecção de livros que a maioria das denominações protestantes hoje chamam Bíblia. Essa lista não era igual à lista de outros Concílios, razão pela qual a maioria das Bíblias Protestantes tem 66 livros, a Bíblia Católica tem 73, a Bíblia Ortodoxa tem 81, e a Bíblia Copta tem 84.
Quem adicionou e quem retirou?
Os fariseus viam Jesus Cristo como alguém tentava “acrescentar algo às Escrituras” e rejeitavam a ideia de que ele tinha autoridade dada por Deus para fazer isso. Visto que nenhum dos Evangelhos tinha sido redigido, o livro profético de João também foi acrescentado às Escrituras tal como existiam na época.
Vêem o paradoxo?
E prossegui: sei que você concordará que os Evangelhos e as Epístolas são necessários para a compreensão do propósito de Deus para a humanidade, mas os estudiosos judeus da época apresentaram exactamente o mesmo argumento que você está a apresentar sobre acrescentar ou retirar. Consequentemente, eles rejeitaram os ensinamentos de Cristo. Você e eu concordamos plenamente que o propósito de Deus era que a mensagem de Cristo se tornasse parte do registo bíblico. Onde diferimos é na forma como alargamos esse entendimento aos milhares de anos antes e depois do ministério terreno de Cristo e aos profetas enviados a outros povos. Vejo a mensagem como sendo continuamente renovada, era após era, com novos elementos surgindo à medida que precisamos deles e somos capazes de os compreender. Este é o princípio Bahá’í da revelação progressiva e a razão pela qual os Bahá'ís acreditam num Criador e num conjunto sucessivo de mensageiros divinos, todos eles ensinando as mesmas verdades essenciais.
A própria Bíblia ilustra eloquentemente a forma como Deus se revela progressivamente de acordo com a nossa capacidade de compreensão. Como você diz, Ele enviou Noé, Abraão, Moisés e Jesus. E Jesus fala exactamente sobre este tema quando explica aos fariseus por que motivo Ele apresenta uma lei de divórcio diferente daquela que foi revelada na Torá. No Evangelho de Mateus, Cristo diz aos fariseus: “Moisés, por causa da dureza dos vossos corações, permitiu-vos repudiar as vossas mulheres; mas, no princípio, não foi assim.” (Mt 19:8)
Deus não mudou a Sua atitude em relação ao divórcio; mas nós mudamos o suficiente para que pelo menos alguns de nós pudéssemos seguir o novo mandamento. Embora você e eu concordemos que Cristo tinha autoridade dada por Deus para interpretar ou mesmo mudar a lei divina, os fariseus não o fizeram. Eles viam Jesus como um falso profeta tentando acrescentar ou retirar coisas das Sagradas Escrituras.
O ponto principal para nós dois é que Cristo TINHA essa autoridade, e as Suas palavras – que eram a Palavra de Deus – foram correctamente adicionadas ao que consideramos Escritura. Os Bahá’ís acreditam que Bahá’u’lláh também tem autoridade para revelar a Palavra de Deus. Bahá’u’lláh escreveu:
Como Bahá’í, acredito em Bahá’u’lláh pelas mesmas razões que acredito em Cristo – as Suas palavras, os Seus actos, o testemunho das Escrituras e a aplicação da razão e da fé.
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Texto original: Is There Only One Holy Book? (www.bahaiteachings.org)
Maya Bohnhoff é Bahá’í e autora de sucesso do New York Times nas áreas de ficção científica, fantasia e história alternativa. É também compositora/cantora (juntamente com seu marido Jeff). É um dos membros fundadores do Book View Café, onde escreve um blog bi-mensal, e ela tem um blog semanal na www.commongroundgroup.net.
Era compreensível que ele quisesse definir a natureza e o papel das Escrituras como base da crença. Depois de ver que os Livros Sagrados de “outras” religiões incluíam o que vulgarmente chamamos Regra de Ouro e falavam de Um Espírito Supremo ou Absoluto que gerou o mundo contingente, Epi disse:
“Existe apenas uma Bíblia. Não há citações de outras escrituras, e Deus avisou-nos para não adicionar ou retirar nada dela.”
Epi via as Escrituras das outras religiões como sendo acrescentos ilegítimos às Escrituras reais e indicou-me uma passagem no Livro do Apocalipse que ele considerava que expressava o seu ponto de vista:
Porque eu testifico, a todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro que, se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus fará vir sobre ele as pragas que estão escritas neste livro; E, se alguém tirar quaisquer palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte da árvore da vida, e da cidade santa, que estão escritas neste livro. (Ap 22:18-19)
Eu respondi: Se há citações de outras Escrituras, suponho que isso depende daquilo que você considera “outras”. Existem histórias sumérias no Gênesis; no Livro de Isaías, o profeta refere-se ao rei zoroastriano Ciro como “ungido de Deus” (em latim, Christos). Na verdade, em Isaías, lemos que Deus fala aos judeus, então cativos na Babilónia, através dos reis zoroastrianos. Será que isso indica que talvez Deus não considera os sumérios ou os zoroastrianos como “outros”?
Acrescentei: por três vezes no trecho que você citou, João enfatiza que está a falar sobre “a profecia deste livro” – isto é, o próprio livro do Apocalipse de São João. Assim, o seu aviso faz sentido. Sabemos que ele não estava a falar sobre “a Bíblia” porque a Bíblia tal como a conhecemos não existia naquela época.
As Escrituras que João conhecia eram as Escrituras Judaicas - o Tanakh (composto pela Torá [Lei], Nevi'im [livros de profecia] e Ketuvim [textos de sábios judeus]). O Novo Testamento não existia como livro quando João escreveu isto. Passariam 300 anos até que o Concílio de Niceia compilasse a colecção de livros que a maioria das denominações protestantes hoje chamam Bíblia. Essa lista não era igual à lista de outros Concílios, razão pela qual a maioria das Bíblias Protestantes tem 66 livros, a Bíblia Católica tem 73, a Bíblia Ortodoxa tem 81, e a Bíblia Copta tem 84.
Quem adicionou e quem retirou?
Os fariseus viam Jesus Cristo como alguém tentava “acrescentar algo às Escrituras” e rejeitavam a ideia de que ele tinha autoridade dada por Deus para fazer isso. Visto que nenhum dos Evangelhos tinha sido redigido, o livro profético de João também foi acrescentado às Escrituras tal como existiam na época.
Vêem o paradoxo?
E prossegui: sei que você concordará que os Evangelhos e as Epístolas são necessários para a compreensão do propósito de Deus para a humanidade, mas os estudiosos judeus da época apresentaram exactamente o mesmo argumento que você está a apresentar sobre acrescentar ou retirar. Consequentemente, eles rejeitaram os ensinamentos de Cristo. Você e eu concordamos plenamente que o propósito de Deus era que a mensagem de Cristo se tornasse parte do registo bíblico. Onde diferimos é na forma como alargamos esse entendimento aos milhares de anos antes e depois do ministério terreno de Cristo e aos profetas enviados a outros povos. Vejo a mensagem como sendo continuamente renovada, era após era, com novos elementos surgindo à medida que precisamos deles e somos capazes de os compreender. Este é o princípio Bahá’í da revelação progressiva e a razão pela qual os Bahá'ís acreditam num Criador e num conjunto sucessivo de mensageiros divinos, todos eles ensinando as mesmas verdades essenciais.
A própria Bíblia ilustra eloquentemente a forma como Deus se revela progressivamente de acordo com a nossa capacidade de compreensão. Como você diz, Ele enviou Noé, Abraão, Moisés e Jesus. E Jesus fala exactamente sobre este tema quando explica aos fariseus por que motivo Ele apresenta uma lei de divórcio diferente daquela que foi revelada na Torá. No Evangelho de Mateus, Cristo diz aos fariseus: “Moisés, por causa da dureza dos vossos corações, permitiu-vos repudiar as vossas mulheres; mas, no princípio, não foi assim.” (Mt 19:8)
Deus não mudou a Sua atitude em relação ao divórcio; mas nós mudamos o suficiente para que pelo menos alguns de nós pudéssemos seguir o novo mandamento. Embora você e eu concordemos que Cristo tinha autoridade dada por Deus para interpretar ou mesmo mudar a lei divina, os fariseus não o fizeram. Eles viam Jesus como um falso profeta tentando acrescentar ou retirar coisas das Sagradas Escrituras.
O ponto principal para nós dois é que Cristo TINHA essa autoridade, e as Suas palavras – que eram a Palavra de Deus – foram correctamente adicionadas ao que consideramos Escritura. Os Bahá’ís acreditam que Bahá’u’lláh também tem autoridade para revelar a Palavra de Deus. Bahá’u’lláh escreveu:
Sabe tu com certeza que o Invisível não pode, de forma alguma, encarnar a Sua Essência e revelá-la aos homens. Ele está, e sempre esteve, imensamente exaltado para lá de tudo o que possa ser narrado ou compreendido. Do Seu retiro de glória, a Sua voz está sempre a proclamar: “Em verdade, Eu sou Deus; não há outro Deus além de Mim, o Omnisciente, o Sapientíssimo. Manifestei-Me aos homens e enviei Aquele que é a Alvorada dos sinais da Minha Revelação. Através dele fiz com que toda a criação testemunhasse que não há outro Deus salvo Ele, o Incomparável, o Informado de tudo, o Sapientíssimo. Ele Que está eternamente oculto dos olhos dos homens nunca poderá ser conhecido salvo através do Seu Manifestante, e o Seu Manifestante não poderá aduzir maior prova da verdade da Sua Missão do que a prova da Sua própria Pessoa. (Gleanings from the Writings of Baha’u’llah, XX).
Como Bahá’í, acredito em Bahá’u’lláh pelas mesmas razões que acredito em Cristo – as Suas palavras, os Seus actos, o testemunho das Escrituras e a aplicação da razão e da fé.
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Texto original: Is There Only One Holy Book? (www.bahaiteachings.org)
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Maya Bohnhoff é Bahá’í e autora de sucesso do New York Times nas áreas de ficção científica, fantasia e história alternativa. É também compositora/cantora (juntamente com seu marido Jeff). É um dos membros fundadores do Book View Café, onde escreve um blog bi-mensal, e ela tem um blog semanal na www.commongroundgroup.net.
quarta-feira, 8 de maio de 2024
sábado, 4 de maio de 2024
Um Deus único: muitas lâmpadas, mas apenas uma luz
Por Maya Bohnhoff.
Quando comecei uma correspondência online com uma Testemunha de Jeová que assinava “Epignose” (rumo ao conhecimento), ele não colocou muitas perguntas, mas sim desafios aos quais queria que eu respondesse.
O nosso diálogo começou quando o meu amigo Epignose já tinha lido um pouco sobre a Fé Bahá’í nos materiais apologéticos da Sociedade Torre de Vigia, o corpo administrativo das Testemunhas de Jeová. (a apologética é um material destinado a defender um ponto de vista religioso específica.) Assim, ele sabia onde queria começar a discussão.
O primeiro desafio de Epi contra o conceito Bahá’í da unidade de Deus e da religião era o seguinte: se existem diferentes religiões, depreende-se que elas devem provir de diferentes deuses.
Ele apresentou o seu argumento da seguinte forma: "Deus não está dividido em Si próprio. Existe um Deus, uma fé. Qual seria o sentido de ter todos os tipos de religiões dizendo coisas diferentes?"
“Não podia estar mais de acordo”, foi a minha resposta.
Jesus insisti nesse assunto ao falar aos fariseus no livro de Mateus (Mt 12:22-26) do Novo Testamento. Quando Ele realizou uma cura, e os fariseus o acusaram de realizar milagres em nome de Satanás, Cristo respondeu desta forma: “E, se Satanás expulsa a Satanás, está dividido contra si mesmo; como subsistirá, pois, o seu reino?”
O que nós, humanos, com as nossas percepções limitadas, vemos como religiões “diferentes” não “dizem coisas diferentes” sobre os princípios fundamentais da fé. Todos ensinam as mesmas verdades essenciais sobre Deus e sobre o nosso relacionamento com Ele. O Novo Testamento também fala sobre isso no primeiro capítulo da Epístola aos Hebreus onde o autor observa que Deus “falou em tempos passados e de muitas maneiras aos pais, pelos profetas...” (Hb 1:1-4)
Mas tive de perguntar: "Qual é o sentido de dar a uma criança vários professores ao longo da vida? Não poderiam aprender tudo o que precisam saber com a professora do jardim de infância?"
Em vez disso, um bom pai garante que o seu filho tenha um professor ou mentor que lhe dê a base para tudo o que irá aprender e, em seguida, continua a escolher outras escolas e professores para refinar e focar o conhecimento de acordo com a capacidade do filho. No fundo, todos os professores trabalham para o mesmo objectivo escolar – eles não estão a competir entre si.
O mesmo se passa com os fundadores das grandes religiões mundiais. Moisés predisse a vinda de Cristo, Daniel predisse a vinda de Cristo e de Bahá'u'lláh, Cristo falou de outro Conselheiro (Auxiliador ou Advogado) que viria depois dele, e tanto Muhammad como Bahá'u'lláh testemunharam a verdade de Cristo e glorificaram-No.
Isto também se aplica a outras revelações. Krishna afirmou que os Mensageiros Divinos aparecem no mundo sempre que “o vício e a injustiça subissem ao trono”, e Buda confirmou que Ele próprio não foi o primeiro desses Professores, nem o último.
As várias religiões podem parecer estar em competição devido à forma como nós, humanos, elevamos a doutrina acima do simples ensinamento de amar a Deus e uns aos outros, que constitui a base de toda a fé revelada.
Moisés e Cristo afirmaram que o Maior Mandamento é duplo: amar a Deus e amar o próximo tal como amamos a nós próprios. Cristo disse-nos que dessas leis gémeas “depende toda a Lei e os Profetas” (Mt 22:40). O apóstolo Paulo refina este ponto na epístola aos Romanos, dizendo: “A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros; porque quem ama os outros cumpriu a lei.” (Rm 13:8)
Bahá’u’lláh revelou que esta Lei dupla é totalidade do propósito da revelação de Deus:
Veja-se como o Criador educou o povo hebreu na narrativa bíblica através de uma sucessão de reveladores importantes, incluindo Abraão, José, Moisés e Cristo; e profetas menores como Isaías e Ezequiel. Até Jesus diz que tem muitas coisas para dizer aos Seus discípulos que eles não podem suportar, mas que devem esperar para aprender com “outro Consolador” (Jo 14:16) (Paráclito é o termo grego). Paulo, que aceitou a sua fé após a ascensão de Cristo, proclamou isto, dizendo que via “num espelho indistinto” (1Co 13:12) e sabia “em parte”, mas esperava um tempo em que a revelação fosse completa.
Moisés e Jesus eram rivais? Os profetas judeus como Ezequiel e Isaías dividiram a fé? Claro que não. Nem os Mensageiros como Krishna ou Muhammad. Eles não dividem a mensagem de Deus; pelo contrário, amplificam-na e difundem-na, tal como fizeram os profetas referidos na Bíblia.
Consideremos estas palavras conhecidas de Cristo: “Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas.” (Mt 7:12)
Os reveladores da palavra de Deus falam a uma só voz:
Krishna ensinou que Deus é EU SOU, a existência absoluta. O mesmo aconteceu com Buda. Krishna também ensinou que Deus é alcançado por um amor eterno e por todas as criaturas. Buda ensinou que “O ódio não termina com o ódio; o ódio termina com amor. Este é um mandamento eterno.” Ambos ensinaram os mesmos princípios que Cristo ensinou e transformaram inúmeras vidas. Isto também se aplica a Bahá’u’lláh, que escreveu:
Disse ao meu novo amigo que acredito que Cristo pode ser levado à letra: uma árvore má não pode produzir bons frutos espirituais. Deus não está dividido. Pode haver muitas lâmpadas, mas há apenas uma luz.
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Texto original: There is One God: Many Lamps, but One Light (www.bahaiteachings.org)
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Maya Bohnhoff é Bahá’í e autora de sucesso do New York Times nas áreas de ficção científica, fantasia e história alternativa. É também compositora/cantora (juntamente com seu marido Jeff). É um dos membros fundadores do Book View Café, onde escreve um blog bi-mensal, e ela tem um blog semanal na www.commongroundgroup.net.
Quando comecei uma correspondência online com uma Testemunha de Jeová que assinava “Epignose” (rumo ao conhecimento), ele não colocou muitas perguntas, mas sim desafios aos quais queria que eu respondesse.
O nosso diálogo começou quando o meu amigo Epignose já tinha lido um pouco sobre a Fé Bahá’í nos materiais apologéticos da Sociedade Torre de Vigia, o corpo administrativo das Testemunhas de Jeová. (a apologética é um material destinado a defender um ponto de vista religioso específica.) Assim, ele sabia onde queria começar a discussão.
O primeiro desafio de Epi contra o conceito Bahá’í da unidade de Deus e da religião era o seguinte: se existem diferentes religiões, depreende-se que elas devem provir de diferentes deuses.
Ele apresentou o seu argumento da seguinte forma: "Deus não está dividido em Si próprio. Existe um Deus, uma fé. Qual seria o sentido de ter todos os tipos de religiões dizendo coisas diferentes?"
“Não podia estar mais de acordo”, foi a minha resposta.
Jesus insisti nesse assunto ao falar aos fariseus no livro de Mateus (Mt 12:22-26) do Novo Testamento. Quando Ele realizou uma cura, e os fariseus o acusaram de realizar milagres em nome de Satanás, Cristo respondeu desta forma: “E, se Satanás expulsa a Satanás, está dividido contra si mesmo; como subsistirá, pois, o seu reino?”
O que nós, humanos, com as nossas percepções limitadas, vemos como religiões “diferentes” não “dizem coisas diferentes” sobre os princípios fundamentais da fé. Todos ensinam as mesmas verdades essenciais sobre Deus e sobre o nosso relacionamento com Ele. O Novo Testamento também fala sobre isso no primeiro capítulo da Epístola aos Hebreus onde o autor observa que Deus “falou em tempos passados e de muitas maneiras aos pais, pelos profetas...” (Hb 1:1-4)
Mas tive de perguntar: "Qual é o sentido de dar a uma criança vários professores ao longo da vida? Não poderiam aprender tudo o que precisam saber com a professora do jardim de infância?"
Em vez disso, um bom pai garante que o seu filho tenha um professor ou mentor que lhe dê a base para tudo o que irá aprender e, em seguida, continua a escolher outras escolas e professores para refinar e focar o conhecimento de acordo com a capacidade do filho. No fundo, todos os professores trabalham para o mesmo objectivo escolar – eles não estão a competir entre si.
O mesmo se passa com os fundadores das grandes religiões mundiais. Moisés predisse a vinda de Cristo, Daniel predisse a vinda de Cristo e de Bahá'u'lláh, Cristo falou de outro Conselheiro (Auxiliador ou Advogado) que viria depois dele, e tanto Muhammad como Bahá'u'lláh testemunharam a verdade de Cristo e glorificaram-No.
Isto também se aplica a outras revelações. Krishna afirmou que os Mensageiros Divinos aparecem no mundo sempre que “o vício e a injustiça subissem ao trono”, e Buda confirmou que Ele próprio não foi o primeiro desses Professores, nem o último.
As várias religiões podem parecer estar em competição devido à forma como nós, humanos, elevamos a doutrina acima do simples ensinamento de amar a Deus e uns aos outros, que constitui a base de toda a fé revelada.
Moisés e Cristo afirmaram que o Maior Mandamento é duplo: amar a Deus e amar o próximo tal como amamos a nós próprios. Cristo disse-nos que dessas leis gémeas “depende toda a Lei e os Profetas” (Mt 22:40). O apóstolo Paulo refina este ponto na epístola aos Romanos, dizendo: “A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros; porque quem ama os outros cumpriu a lei.” (Rm 13:8)
Bahá’u’lláh revelou que esta Lei dupla é totalidade do propósito da revelação de Deus:
O Propósito do Deus Uno e Verdadeiro - exaltada seja a Sua Glória - em revelar-Se aos homens, é pôr à mostra aquelas joias que jazem ocultas na mina dos seus verdadeiros e mais íntimos seres. Que às diversas comunhões da terra e aos múltiplos sistemas de crença nunca seja permitido fomentar sentimentos de animosidade entre os homens é, neste Dia, a Essência da Fé de Deus e da Sua Religião. Estes princípios e leis, estes sistemas firmemente estabelecidos e poderosos, proveem de uma única Origem e são os raios de uma única Luz. O facto de que diferirem uns dos outros deve ser atribuído aos diversos requisitos das épocas em que foram promulgados. (Gleanings from the Writings of Baha’u’llah, CXXXII)
Veja-se como o Criador educou o povo hebreu na narrativa bíblica através de uma sucessão de reveladores importantes, incluindo Abraão, José, Moisés e Cristo; e profetas menores como Isaías e Ezequiel. Até Jesus diz que tem muitas coisas para dizer aos Seus discípulos que eles não podem suportar, mas que devem esperar para aprender com “outro Consolador” (Jo 14:16) (Paráclito é o termo grego). Paulo, que aceitou a sua fé após a ascensão de Cristo, proclamou isto, dizendo que via “num espelho indistinto” (1Co 13:12) e sabia “em parte”, mas esperava um tempo em que a revelação fosse completa.
Moisés e Jesus eram rivais? Os profetas judeus como Ezequiel e Isaías dividiram a fé? Claro que não. Nem os Mensageiros como Krishna ou Muhammad. Eles não dividem a mensagem de Deus; pelo contrário, amplificam-na e difundem-na, tal como fizeram os profetas referidos na Bíblia.
Consideremos estas palavras conhecidas de Cristo: “Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas.” (Mt 7:12)
Os reveladores da palavra de Deus falam a uma só voz:
- Esta é o resumo do dever: não fazer nada aos outros que, se fosse feito a ti, te causaria dor. (Krishna, Bhagavad Gita)
- O que é odioso para ti, não o faças aos teus semelhantes. Essa é toda a Lei; tudo o resto é comentário. (Hillel, Talmude)
- Uma situação que não é agradável ou prazenteira para mim, como poderia infligir isso a outra pessoa? (Buda, Samyutta Nikaya)
- Nenhum de vós é crente até que deseje para o seu irmão aquilo que deseja para si próprio. (Muhammad, Hadith)
- Ó filho do homem! Se seus olhos estiverem voltados para a misericórdia, abandona as coisas que te beneficiam e agarra-te àquilo que beneficiará a humanidade. E se os teus olhos estão voltados para a justiça, escolhe para o teu próximo aquilo que escolhes para ti. (Bahá’u’lláh, Epístola ao Filho do Lobo)
Krishna ensinou que Deus é EU SOU, a existência absoluta. O mesmo aconteceu com Buda. Krishna também ensinou que Deus é alcançado por um amor eterno e por todas as criaturas. Buda ensinou que “O ódio não termina com o ódio; o ódio termina com amor. Este é um mandamento eterno.” Ambos ensinaram os mesmos princípios que Cristo ensinou e transformaram inúmeras vidas. Isto também se aplica a Bahá’u’lláh, que escreveu:
Ó Amigo! No jardim do teu coração, nada plantes salvo a rosa do amor e não te desprendas do rouxinol do afecto e do desejo.
Disse ao meu novo amigo que acredito que Cristo pode ser levado à letra: uma árvore má não pode produzir bons frutos espirituais. Deus não está dividido. Pode haver muitas lâmpadas, mas há apenas uma luz.
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Texto original: There is One God: Many Lamps, but One Light (www.bahaiteachings.org)
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quarta-feira, 1 de maio de 2024
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