sábado, 30 de maio de 2009

346 Ejecuciones en 2008 en Irán, que mantiene la persecución de minorías y disidentes

Londres.- Irán aplicó al menos 346 penas de muerte en 2008, de las cuales dos fueron por lapidación, según revela el informe anual de Amnistía Internacional, que reitera las denuncias por torturas, persecución de las minorías éticas y los defensores de los derechos humanos y discriminación a las mujeres.

AI señala en su informe de 2008 que probablemente el número de ejecutados fuera superior, especialmente tras la orden de suspender las ejecuciones en público, y destaca que 133 personas fueron condenadas a la pena capital, aunque cuando cometieron el delito eran menores de edad.

Igualmente advierte que diez personas estaban pendientes de ejecución por lapidación, aún cuando funcionarios judiciales no identificados anunciasen el pasado agosto que habían sido suspendidas, dos hombres fueron ajusticiados de esta manera en diciembre.

Además de la aplicación común de las torturas y los malos tratos a los detenidos, Amnistía Internacional reitera sus críticas a las penas crueles e inhumanas que abarcan desde la flagelación a las amputaciones por un sistema judicial que en el caso de muchos detenidos no vela siquiera por ejercer su propia autoridad.

Junto a la discriminación de las mujeres y las minorías étnicas AI denuncia el hostigamiento a los defensores de los derechos humanos y la total ausencia de libertad para expresar críticas al régimen.

Las mujeres siguen sufriendo la discriminación en la ley y la práctica y las que "luchan por sus derechos eran objeto específico de la represión del Estado", subraya el informe de AI que advierte que algunas leyes discutidas en el Parlamento -de hacerse efectivas- limitarían aún más el acceso de la mujer a la universidad al imponer nuevas restricciones a las residencias.

El cierre del periódico "Zanan" (Mujeres), el bloqueo de sitios web sobre los derechos de las mujeres y la disolución de reuniones pacíficas de activistas son algunas de las medidas represivas del Gobierno de Teherán, que ni siquiera ha respondido a las comunicaciones de la relatora especial de la ONU sobre la violencia contra la mujer.

La prohibición del uso de las lenguas de las minorías en la escuela y en los centros oficiales, las amenazas, detenciones y encarcelamiento de algunos de sus portavoces son algunas de las medidas represivas contra las minorías expuestas en el informe, que recuerda la doble discriminación que sufren las mujeres de comunidades o etnias marginadas.

La población árabe ahwazí, la población que emplea la lengua túrquica azerbayana, los miembros de la población baluchi, turcomana o kurda son algunas de las minorías que sufren las torturas y detenciones arbitrarias so pretexto de atentar contra el Estado.

Además, las minorías religiosas son objeto de detenciones masivas, discriminación, hostigamiento y daños a sus bienes y, cita entre otras medidas represoras contra los adeptos a la fe bahai, el tener vetado el acceso a la educación superior además de ver destruidos algunos de sus lugares sagrados.

Además de los exilios interiores para los lideres de las minorías religiosas perseguidas en Irán, algunos de sus dirigentes son objeto de imprecisas acusaciones contra la seguridad nacional que devienen en encarcelamientos tras juicios sin garantías.

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FONTE:
soitu.es (via agência EFE, 28-Maio-2009)

Irán.- La UE condena "la persecución continua" de cristianos en Irán

La Unión Europea condenó hoy "la persecución continua de las autoridades iraníes contra las expresiones legítimas del credo cristiano" con el supuesto objetivo de "impedir la libertad de elección y expresión del credo religioso" y admitió su "gran preocupación" por el aumento de las violaciones contra la libertad religiosa en Irán. Seguir leyendo el arículo
En un comunicado en nombre de los Veintisiete, la Presidencia checa de la UE instó de manera "urgente" a las autoridades iraníes a "mantener sus compromisos legales internacionales para preservar la libertad religiosa y cesar la persecución de las actividades religiosas legítimas" en territorio iraní.

Asimismo, la UE recordó al régimen de los ayatolás "su obligación de salvaguardar la salud de todas las personas en prisión o bajo detención".

Además de incidir en las violaciones cometidas contra los cristianos, la UE también reiteró su "preocupación" por la situación de siete miembros de la comunidad religiosa Bahai en Irán, que permanecen detenidos durante más de un año con el objetivo de "impedir la identidad religiosa Bahai y las actividades legítimas de su comunidad".

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FONTE:
EuropaPress

domingo, 24 de maio de 2009

António



O primo António foi uma figura única na minha infância e juventude. Tinha mais catorze anos do que eu, e era, entre os primos mais velhos, o que dava mais atenção às crianças e aos jovens da família. Nos fins-de-semana que íamos ver as tias à Ordasqueira (perto de Torres Vedras) tínhamos a esperança de o encontrar. Com o António havia sempre programa.

Podíamos jogar à bola no pátio, andar de patins, experimentar andar empoleirado numas andas, disparar com uma pressão de ar, andar de bicicleta ou a cavalo. E se a chuva nos obrigava a ficar em casa, havia jogo de cartas (king, crapô,...) ou um trivial pursuit. E havia ainda as histórias dos tempos em que tinha estado no colégio de Sto Tirso, histórias que pareciam melhores que os livros da Enid Blyton.

As ausências do António tornavam o fim-de-semana enfadonho. "O António tem que estudar...”, dizia a tia Anita. "Os primos não estão cá. Foram de férias para a Ericeira...". Houve uma fase em que o Tó estava na tropa; aparecia menos vezes. E depois uma ausência prolongada; "Foi para guerra, na Guiné". E por fim reapareceu. Com muitas histórias para contar.

À medida que o tempo passava, as conversas do António acompanhavam as nossas preocupações. "Tenho ali um livro de Análise Matemática, quando estive no Técnico... Vou lá buscar que aquilo deu-me imenso jeito..."; "Tens o Prof Girassol? Ah ah ah ah Vais ter que estudar um bocado!"; "Tens de ir lá visitar a Central de Setúbal para veres como aquilo funciona."

Apesar de ser Engº Electrotécnico, o Tó decidiu prosseguir os projectos agrícolas do pai (o tio Augusto). As idas à quinta D. Rodrigo tornaram-se uma das suas rotinas diárias; e aos fins de semana ouvíamos as suas preocupações com cereais, vinho, bacêlos, misturadas com desabafos contra os responsáveis pela situação da agricultura portuguesa.

Os anos passaram mas o Tó, apesar de consumido com as suas preocupações agrícolas, sempre tinha tempo para os mais novos. Há três semanas atrás ví-o brincar com os meus filhos; encheu o pátio com serpentinas, para grande alegria dos miúdos. Lembrei-me que tinha feito o mesmo comigo há quase quarenta anos. Nesse dia voltou a recordar os tempos da Guiné: "Tinha lá um alferes artilheiro que fazia levantamentos muito rigorosos; identificava as clareiras onde o inimigo podia fazer fogo contra nós. Sempre que éramos atacados, ele sabia para onde devíamos responder...". "Tenho de filmar estas histórias", pensei para comigo.

Há uma semana veio o choque: "O António teve um AVC. Está no hospital das Caldas!" E dias depois: "Agravou-se. É bom que nos preparemos para o pior".

O António acabou por falecer um dia depois. Tudo tão rápido que ainda hoje não dá para acreditar! Viveu apenas sessenta anos. Só sessenta anos! A Igreja encheu-se de gente e de flores numa última homenagem. Percebi que além ter sido um primo fantástico, ele era enorme na sua generosidade e bondade.

Fisicamente, o António já não está connosco. Já não vou poder filmar as suas memórias da Guiné, nem os meus filhos terão o prazer da sua amizade. Restam-me as recordações que guardo dele, que ficarão comigo para sempre.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Jovens iranianos afastam-se cada vez mais da religião



Uma associação de investigadores iranianos sediada em Londres publicou recentemente os resultados de um inquérito (feito na internet em 2007) sobre a identidade iraniana; nestes resultados surgem informações interessantes sobre os jovens iranianos com idades entre os 20 e os 29 anos.

Uma análise a 4000 questionários mostra que 40% das pessoas neste grupo etário não se identificam como religiosas, enquanto que 22% se considera como anti-religioso. Além disso, se adicionarmos os que se consideram "seculares", obtemos um total de 78% de homens e 70% de mulheres que não se identificam como religiosos.

É uma imagem bem diferente daquela religiosidade militante e optimista com que a propaganda oficial gosta de descrever o Irão.

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FONTE: Young Iranians Are Rapidly Turning Against Religion, Survey Finds (Religion Compass)

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Feira do Livro, em Teerão

Depois de nas últimas semanas ter tido a oportunidade de visitar várias vezes a Feira do Livro em Lisboa, esta notícia vinda do Irão não podia deixar de me surpreender. É mais uma daquelas que passa as fronteiras do absurdo.

A Feira Internacional do Livro de Teerão (que encerrou no passado sábado) tinha entre os expositores um stand dedicado aos livros anti-baha'is. A iniciativa partiu de um grupo intitulado Baha'i-pashuhi [Investigação Bahá'í] que até se deu ao trabalho de criar um site na Net com o objectivo de atingir os próprios Bahá'ís.

Por detrás deste grupo parece óbvia a presença do Seminário de Qom, que tem publicado diversos livros anti-baha'is e organizado (com fraco sucesso) conferências e seminários sobre o assunto.

Para os curiosos, aqui ficam as fotos desse stand.





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FONTE: Anti-Baha’i Section at Tehran Book Fair (IPW)

sábado, 16 de maio de 2009

CNN: Baha'is say jailed leaders in Iran face harsh new accusation

(clique na imagem para aceder à notícia)

CNN 20090515

Human Rights Watch, the world rights monitoring group, used the anniversary of the arrests of six of the Baha'is to call for their release or a prompt trial, with "fair and open proceedings."

"These Baha'i leaders have been languishing in prison for a year now, with no access to their lawyers and no glimmer of a trial date," said Joe Stork, deputy Middle East director at Human Rights Watch, in a statement on Thursday. "These reported new charges only add to the fears for their lives under a government that systematically discriminates against Baha'is."

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Shirin Ebadi: 'La presión internacional ha sido muy importante en la liberación de Roxana Saberi'

JOSÉ MANUEL BUSTAMANTE

ANTIGUA (GUATEMALA).- Shirin Ebadi, premio Nobel de la Paz en 2003 y abogada de la periodista estadounidense de origen iraní Roxana Saberi, asegura que las autoridades de Teherán no la habrían liberado y reducido su condena de no haber existido la presión internacional. Saberi fue acusada de espionaje y condenada a ocho años de cárcel. El pasado lunes, la pena fue reducida a dos años y abandonó la prisión.

Ebadi, prestigiosa jurista iraní y defensora de los derechos humanos, se encuentra en Guatemala para participar en un encuentro de mujeres que obtuvieron ese galardón. Su presencia coincide con una delegación española capitaneada por la Plataforma de Mujeres Artistas contra la Violencia de Género que ha viajado allí con el objetivo de denunciar los feminicidios en el país.

* ¿A qué obedece la liberación de Roxana Saberi?

En realidad, ella no debió haber sido arrestada en ningún momento. Desafortunadamente, las detenciones ilegales ocurren con frecuencia en Irán. El Gobierno sospecha de actividades civiles y políticas, y cuando alguien es arrestado lo acusan de espionaje. Lo mismo le ocurrió a Roxana, primero dijeron que era una espía, después que era inocente. Por supuesto, la presión internacional ha sido muy importante. Si no hubiera existido, no la hubieran liberado. Quiero agradecer a todas las personas que trabajaron por su puesta en libertad, sobre todo a Reporteros Sin Fronteras, alguno de cuyos miembros comenzó una huelga de hambre. Después de que dos de mis colegas y yo aceptáramos ser los representantes de Roxana, fuimos a la cárcel seis veces para visitarla, y las seis veces lo impidieron. Tampoco pudimos ver su expediente. El fiscal le dijo a su padre, Reza Saberi, que si no la defendíamos nosotros, tal vez pudieran ayudarla.

* ¿Puede ser esta liberación un ejemplo para el resto de mujeres arrestadas ilegalmente en Irán?

Sí, pero en los últimos dos años 50 mujeres que trabajan por los derechos humanos han sido acusadas de actividades criminales y se han abierto causas penales contra ellas. Algunas han sido declaradas culpables y varios casos están siendo apelados ahora. Uno es el de la activista Olie, que ha sido condenada a tres años de prisión. Acusan a las mujeres de ser una amenaza para la seguridad nacional, pero en realidad sólo luchan por la igualdad de derechos.

* ¿En qué trabaja actualmente?

Con los prisioneros políticos que pertenecen a grupos de oposición no violentos. Entre mis clientes hay estudiantes, periodistas, activistas en favor de los derechos de las mujeres, de los derechos humanos. Uno de ellos, Kabud Ufan, ha sido condenado a cinco años de cárcel. También se persigue a minorías religiosas, en especial a los bahai. El Gobierno no reconoce sus derechos. Siete de sus líderes han sido apresados. Yo los represento, pero no se me permite visitarlos en la cárcel ni tampoco leer su expediente.

* Su hija fue acusada de pertenecer a esa minoría religiosa.

Lo hicieron para para impedir que yo los asistiera legalmente. Si un musulmán se convierte a otra religión, puede ser ejecutado. En realidad, ellos querían asustarme y decirme que la vida de mi hija estaba en peligro. Pero todo es mentira. Mi hija y toda mi familia es musulmana. He presentado una querella contra el Gobierno por difamación.


* ¿Recibe amenazas por su trabajo?

Hace años que estoy siendo amenazada de muerte. Mientras leía el expediente legal de un acusado, descubrí una nota de los servicios secretos en la que se ordenaba mi ejecución. El 20 de diciembre del año pasado la policía entró sin permiso en las oficinas de mi organización de defensa de los derechos humanos y las cerró. Actúan de forma ilegal. Compré ese edificio con el dinero del Premio Nobel, y también vivo en él. Cerraron mi oficina, pero no mi boca. Y continuamos nuestro trabajo. Para ejercer más presión sobre mí, arrestaron a mi secretario. Pero continuamos trabajando. Una semana después, se llevaron todos los ordenadores y mis archivos. Pero aun así continuamos trabajando. Una semana después, el Gobierno organizó una manifestación enfrente de la oficina, hicieron pintadas. Llamé a la policía, pero sólo vinieron dos agentes para pararse en una esquina y observar lo que pasaba con una sonrisa en la cara. Pero continúo haciendo mi trabajo. Ellos quieren que lo deje o que me vaya de Irán. Pero no voy a hacer ninguna de las dos cosas.

* ¿Teme por su vida?

El miedo es un instinto, como el hambre. Pero trabajar en estas condiciones todos estos años me ha enseñado a sobreponerme a mis temores y no dejar que interfieran en mi trabajo. No quieron dar satisfacción a quienes me persiguen.

* ¿Cuál ha sido su mayor sacrificio?

Tomé este camino consciente de sus peligros. Y soy feliz. No siento que haya perdido nada. Estuve en la cárcel, pero eso no es importante. He trabajado gratis durante los últimos 17 años, y hubiera podido ganar mucho dinero.

* ¿Va a mejorar la situación de las mujeres iraníes?

Sí, pero no sé a qué ritmo. Depende de la presión sobre el Gobierno y de la situación internacional.
* ¿Cuál es el mayor obstáculo?

La cultura patriarcal. Quienes tienen el poder no quieren compartirlo.

* ¿Es ese obstáculo peor en la sociedad musulmana?

No, desafortunadamente existe en todos lados, y no tiene nada que ver con la religión.

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Artigo copiado daqui.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Sobre os sete detidos em Evin

Um vídeo bem elucidativo para assinalar este aniversário.

Remembering the Baha'i Leaders of Iran from Iran Rights on Vimeo.

Um futuro sombrio para os Bahá'ís

A pressão internacional pode ter libertado Roxana Saberi, mas a situação dos Bahá'ís detidos em Teerão há um ano passou quase despercebida

No início desta semana, EUA, a jornalista iraniana Roxana Saberi foi libertada da prisão no Irão depois da sua acusação de "espionagem" ter sido reduzida. A acusação, que ela negou veementemente, suscitou a atenção internacional e apelos à sua libertação, que foram agora amplamente saudadas.

Mas a Sra. Saberi deixa para atrás dela muitos outros detidos na notória prisão Evin em Teerão cujos "crimes" contra o Estado Iraniano também são questionáveis.

No interior da Prisão de Evin

Na Quinta-feira (14 de Maio) assinala-se o primeiro aniversário da detenção e prisão de sete membros proeminentes da fé Bahá'í, a maior das minorias religiosas não muçulmanas do Irão.

Os cinco homens e duas mulheres formaram um comité nacional informal, que respondia às necessidades dos 300.000 membros da comunidade Bahá'í do país, na ausência de instituições Bahá'ís formais, que estão proibidas. Este comité - que funcionava com pleno conhecimento das autoridades - juntamente com todas as administrações Baha'is locais ad hoc - foi dissolvido em Março deste ano, num gesto de boa vontade por parte de Bahá'ís pacíficos e respeitadores da lei do seu país.

Passado um ano após a sua detenção, os sete detidos não enfrentaram qualquer qualquer acusação nem lghes foi permitido ter acesso à sua advogada, o Prémio Nobel da Paz Drª Shirin Ebadi. Enfrentaram falsas acusações de "espionagem para Israel", e "insulto santidades religiosos".

O Procurador-geral do Irão, Ayatollah Dorri-Najafabadi, afirmou que há provas de que os sete estejam envolvidos na "recolha de informações" e "infiltração", declarando assim, mais ou menos, a sua culpa antes de qualquer julgamento ter sido anunciado. As provas que a que ele se refere ainda tem de ser divulgadas ao público ou apresentadas num tribunal.

Nos últimos dias, porém, um relatório do Escritório Bahá'í nas Nações Unidas indicava que outra acusação está a ser formulada contra os sete detidos: "espalhar a corrupção na terra."

Para o leitor ocidental, essa acusação pode parecer confuso ou até mesmo uma base nebulosa para acusações criminais. Mas no Irão teocrático esta acusação tem um fundamento no Código Penal e deixa o acusado numa posição extremamente vulnerável.


O termo, que se encontra no Alcorão, tem sido cada vez mais utilizado dentro prática jurídica Islâmica para marcar qualquer "infractor" indesejável: os muçulmanos considerados demasiado laxistas nas suas práticas; aqueles que são considerados socialmente perversos, como traficantes de drogas e prostitutas; ou aqueles com quem as autoridades tenham um desacordo teológico fundamental, tais como os Baha'is.

As acusações tão vagas como esta têm o poder de levar os acusados para o carrasco.

As acusações contra os Baha'is são tão disparatadas quanto injustas. As acusações jogam com os receios de certos grupos da população iraniana, sobre inimigos - internos e externos - que conspiram para minar o país.

O Irão continua a ser um Estado com um grande sentido da sua própria herança histórica e com um claro objectivo de alcançar um estatuto de liderança regional - de dimensão simultaneamente política e moral.

Para os sete Bahá'ís detidos nas austeras celas de Evin, a sua melhor esperança para a liberação pode estar num protesto público tão vasto como o que levou à libertação de Roxana Saberi.

Um tal clamor pode ajudar os dirigente iranianos que deter e perseguir inocentes não faz parte dos seus interesses nacionais.

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Moojan Momen é um autor e académico iraniano, membro da Royal Asiatic Society

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Comunicado da Protecção Civil: MUITO IMPORTANTE

A Protecção Civil informa:

Este Domingo terá lugar em Lisboa um simulacro da vitória do Benfica no principal campeonato de futebol português.

A exemplo do que acontece com os simulacros de grandes acidentes naturais, coordenados pela Protecção Civil, o Benfica pretende preparar os seus adeptos e a cidade para a eventualidade de voltar a ganhar o campeonato nacional de futebol, num longínquo futuro.

Este evento, onde são esperadas mais pessoas que na última vitória do Benfica na volta a Portugal em bicicleta, obrigará ao encerramento de várias ruas em Lisboa como a 2ª circular, Av. Lusíada, Av. Liberdade e claro Marquês de Pombal. O novo Hospital da Luz também vai ser palco do simulacro, com maior incidência na área de cardiologia e tratamentos de excessos de álcool.

O director de comunicação do Benfica, João Gabriel, explicou o que irá acontecer:

«Este simulacro é muito importante para que os nossos adeptos não percam o hábito de festejar o título e para testarmos que tudo funcionará em caso de eventual futura vitória. Todo o evento será coberto pela Benfica TV, mas apenas com a imagem do José Carlos Soares a relatar os acontecimentos. A saúde do nosso presidente também exige que o vamos preparando com estes simulacros.

(recebido por email)

terça-feira, 12 de maio de 2009

Um aniversário sinistro

Na próxima quinta feira faz um ano que foram detidos os dirigentes Bahá'ís iranianos. É um aniversário sinistro, pois tem sido um longo período de tempo durante o qual não foram formalmente acusados de qualquer crime, e simultaneamente foi-lhes negado o acesso a advogados.

O caso contrasta com o da jornalista americana-iraniana Roxana Saberi, detida sob acusação de espionagem, que veio a ser libertada num esforço mediático para limpar a terrível imagem que o regime iraniano tem no que respeita a direitos humanos. Felizmente, organizações como a Human Rights Watch perceberam esta manobra e chamaram a atenção para o caso de outros iranianos detidos.

Falando a propósito deste assunto, a representante da Comunidade Internacional Bahá'í junto das Nações Unidas lembrou que o presidente iraniano na conferência Durban II (em Genebra) tinha enfatizado a importância da "justiça e da dignidade humana" e o "estabelecimento de um sistema mundial justo". E acrescentou:

"Como é que os apelos da liderança iraniana para justiça na esfera internacional podem ser levados a sério se eles próprios não concedem justiça aos seus próprios cidadãos? No Irão, todos os artigos universalmente aceites sobre direitos humanos são rotineiramente ignorados, não apenas para os Baha’is, mas também para mulheres, jornalistas, e outros que procuram dignidade e Justiça."

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FONTE: Iranian Baha'i leaders may face new accusation on anniversary of imprisonment (BWNS)

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Jesus e Paulo: Vidas Paralelas (2)

Ícone Ortodoxo mostrando João baptizando Jesus

No livro Jesus e Paulo: Vidas Paralelas, apesar do interesse que a análise da historicidade de alguns relatos bíblicos podem merecer, existe outra característica neste livro que me desagrada. Com alguma frequência, Jerome Murphy-O’Connor apresenta-nos um descreve Jesus quase reduzido à condição humana.

Vejamos alguns exemplos.

1. O autor afirma (p. 50) que Jesus esteve no Templo (enquanto criança ou adolescente) em busca de respostas dos doutores da religião e prolongou a sua estadia porque não encontrava respostas. E queria ter absoluta segurança que os especialistas da Lei não tinham resposta para as Suas questões.

2. Jesus é descrito (p. 40-44) como um rapaz da aldeia numa cidade em crescimento e cheia de vitalidade como Séforis (onde o seu pai se estabeleceu). Estaria fascinado com todos os elementos de modernidade e actividade de construção; os Seus conhecimentos elementares de língua grega teriam sido obtidos nessa cidade; ali teria tomado contacto com a existência de espectáculos que decorriam no teatro romano; e ali teria tido um contacto com um ambiente cosmopolita que o teriam levado a conhecer a existência de estilos de vida alternativos.

3. Noutra ocasião, O’Connor analisa (p. 94) a autoconsciência messiânica de Jesus, para tentar perceber quando é que Ele próprio se viu de maneira tão diferente, afirmando que Jesus estava plenamente consciente de quanto devia a João Baptista, pois teria sido durante a missão confiada a João que Jesus alcançou a percepção que transformaria a percepção da sua vocação. Sem João (uma espécie de catalisador) não teria tido essa oportunidade.

4. As questões económicas da época também teria influenciado Jesus. Ele teria percebido a enormidade dos problemas enfrentados pelos pequenos proprietários rurais face aos grandes latifundiários. O endividamento dos pequenos proprietários face aos grandes, criava problemas sociais terríveis, que teriam sensibilizado o Fundador do Cristianismo. (p.106-112). Algumas das Suas parábolas reflectem essa preocupação. Segundo O’Connor, “deve ter havido uma reflexão pessoa, desesperada, à medida que Jesus lutava por reconciliar aquilo que sabia ser a verdade com aquilo que lhe tinha sido dito ser a verdade. Jesus terá passado pela sua própria crítica mais estrita. Deve-lhe ter parecido incrivelmente presunçoso da sua parte assumir que o seu julgamento pudesse prevalecer sobre a sabedoria de Deus. Quem é que Ele era para se colocar contra todo um povo que aceitava a lei sem criticá-la?”

Esta tentativa de perceber como nasceram os ensinamentos de Cristo, procurando as suas raízes nas condicionantes sociais e políticas do seu tempo, e tentando percebê-las como fruto de uma reflexão pessoal do próprio Jesus, na minha opinião, correm o risco de reduzir Jesus a um filósofo ou pensador, e os Seus ensinamentos como uma ideologia (ainda que cheia de beleza e humanismo).

Devo acrescentar que considero que os Manifestantes de Deus (i.e., os Profetas fundadores da grandes Religiões Mundiais), apesar da Sua aparência humana, possuem uma condição divina que nós não podemos apreciar, nem entender plenamente. Acredito também que o Seu conhecimento da realidade (material e espiritual) não foi adquirido, mas é inato.

Por esse motivo, não faz sentido especular sobre em que pensaria o Jesus perante um determinado episódio, ou tentar interpretar os Seus ensinamentos como frutos de uma reflexão pessoal.

De qualquer forma, seria interessante ouvir as opiniões de amigos cristãos sobre este assunto.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Jesus e Paulo: Vidas Paralelas (1)



Já referi neste blog uma obra de Jerome Murphy-O’Connor, intitulada Paulo, um homem inquieto, um apóstolo insuperável. Hoje dedico alguns parágrafos a outra obra deste dominicano irlandês que é uma reconhecida autoridade em estudos sobre S. Paulo. O livro em causa tem por título Jesus e Paulo - Vidas Paralelas, e apresenta-nos uma série de semelhanças entre as vidas do fundador do Cristianismo e o seu mais brilhante apóstolo.

Para elaborar este trabalho o O’Connor serviu-se do texto Bíblico e procurou elementos geográficos, culturais e históricos. Com estes dados examinou os espaços em que ambos foram educados, as suas condições enquanto refugiados, as suas origens sociais e posições económicas, as circunstâncias políticas e influencias culturais em que desempenharam as respectivas missões.

Alguns aspectos deste trabalho conseguem ser surpreendentes, nomeadamente a questão sobre o censo imperial (que, segundo o texto Bíblico, teria ocorrido por ocasião do nascimento de Jesus) e da fuga para o Egipto (que supostamente seria para fugir ao “massacre dos inocentes”).

Sobre o censo imperial, O’Connor afirma (p.10) que não há evidência alguma de ter existido um censo imperial geral no reinado de Augusto. Se tivesse existido, não teria sido aplicado num reino autónomo associado a Roma, mas sim em territórios pertencentes ao Império. Além disso, nenhum censo romano exigia que as pessoas se deslocassem para as terras onde tinham nascido; o recenseamento podia decorrer na terra onde se habitava, e as mulheres e crianças não era obrigadas a comparecer pessoalmente (o chefe de família respondia por elas).

Sobre a historicidade da fuga para o Egipto, O’Connor afirma (p. 25-26) que é extremamente duvidoso que Herodes tivesse algum interesse pela criança Jesus (um potencial inimigo para a geração seguinte). Citando Flávio Josefo, mostra-nos que Herodes estava preocupado com alguma conspiração que pudesse surgir em Belém (qualquer conspirador podia apelar à rebelião contra Herodes, afirmando ser o governante profetizado em Mq 5:1-2.

Consequentemente a cidade estava cheia de espiões e informadores que informavam o governante sobre todos os residentes cujas opiniões eram desfavoráveis Nestas circunstâncias, seria de esperar que várias famílias procurassem segurança fora da jurisdição de Herodes. O Egipto, local habitual de refúgio, seria um destino natural. É correcto admitir que a família de Jesus estivesse entre essas famílias (a actividade profissional de José dava-lhe mobilidade para procurar trabalho noutro local).

A historicidade da expulsão dos vendilhões do Templo também é tema de análise (p. 70). Segundo o autor, a raiz deste incidente estaria no papel desempenhado pelos cambistas. Nessa época, o dinheiro tinha de ser pago em moedas de Tiro. A frequência dessa taxa foi um dos problemas. Inicialmente era uma taxa a ser paga uma vez na vida; posteriormente tornou-se uma taxa anual. Outro problema consistia no facto destas moedas possuírem imagens do deus Melkart (adorado na cidade de Tiro), facto que para muitos judeus equivalia a idolatria.

terça-feira, 5 de maio de 2009

domingo, 3 de maio de 2009

Os Católicos Portugueses e a Eutanásia

Laura Ferreira dos Santos, docente de Filosofia da Educação na Universidade do Minho, cita hoje no jornal Público, um estudo sobre atitudes e práticas religiosas realizado em 30 países, incluindo Portugal.

Neste trabalho, existe um capítulo em que «... José Machado de Pais, de acordo com os dados recolhidos, diz ter encontrado três tipologias para entender as atitudes dos/as portugueses/as perante a religião: 43% de católicos mais conservadores, que classificou de ritualistas, moralistas e tradicionais; 46% de católicos pertencentes a novas correntes socio-culturais, sendo estes católicos nominais, individualistas (que valorizam a autonomia) e tolerantes; finalmente, 6% de "radicais", que classificou de laicos, urbanos e elitistas. Portanto, teríamos 89% de portugueses a declararem-se católicos, embora sob modalidades bastante distintas.

O grupo dos católicos ritualistas, moralistas e tradicionais é maioritariamente constituído por pessoas idosas, reformadas, "domésticas", viúvas , com baixa escolaridade e baixos rendimentos económicos, a viverem sobretudo no Norte do país. Neste grupo de católicos encontraríamos as posições mais conservadores no domínio da ética, bioética ou relações de género, com 60% a encararem a eutanásia sempre como reprovável.

No grupo dos católicos nominais, individualistas e tolerantes, temos maioritariamente pessoas jovens, solteiras e escolarizadas, que apostam no futuro individual, a viverem sobretudo na região de Lisboa a Vale do Tejo. Possuem uma "religiosidade fluida" e instável. Admitem sem problemas a coabitação, as relações pré-matrimoniais e a eutanásia, desde que a decisão tenha origem no/a doente. Mais concretamente, “82% acham que a eutanásia é aceitável dentro de certos limites[...]

Finalmente, teríamos 6% de portugueses considerados laicos, urbanos e elitistas, bastante escolarizados, pertencentes às classes médias , predominantemente de sexo masculino e a habitarem a região de Lisboa e Vale do Tejo. Maioritariamente. Declaram-se sem religião, constituindo o maior grupo de descrentes em Deus. Quanto ao fim da vida, "70% pensam que o doente na posse das suas capacidades mentais tem o direito a ser ajudado pela medicina se decidir morrer".»

Outros Santos...

É louvável recuperar antigas memórias portuguesas de santidade, embora, às vezes possa levar a pensar que santos são apenas os canonizados. Repetiu-se que S. Nuno era o oitavo santo português! Há várias figuras exemplares da nossa história recente que devem ser lembradas. Destaco apenas três: o padre Abel Varzim(1902-1964), imagem do catolicismo social português durante o regime de Salazar, que o procurou domesticar e acabou por perseguir, sem encontrar na Igreja a defesa de quem o devia proteger; o Padre Américo (1887-1956), que, como dizia, depois de “uma martelada” espiritual, se tornou padre da rua dos abandonados, dando-lhes voz, no espantoso jornal O Gaiato; Aristides de Sousa Mendes (1885-1954), que salvou, enquanto cônsul em Bordéus, a vida de dezenas de milhares de pessoas do Holocausto, desobedecendo, em nome da sua consciência humana e católica, às ordens de Salazar, que o entregou à miséria, a ele e à família.

Frei Bento Domingues, Público, 03-Maio-2009

sábado, 2 de maio de 2009

Conferências de Maio 2009

Aqui fica o programa das Conferências de Maio, organizadas pelo Centro de Reflexão Cristã.

ESPERANÇA E JUSTIÇA CONTRA A CRISE

1 – Economia da Ilusão e Sociedade Injusta
Dia 7 de Maio, 5ª feira, 18h30m
* Alfredo Bruto da Costa
* Ulisses Garrido

2 – Desesperança e Apelo Solidário
Dia 14 de Maio, 5ª feira, 18h30m
* João Ferreira do Amaral
* Jorge Wemans

3 – Crise dos Modelos as Novas Respostas
Dia 21 de Maio, 5ª feira, 18h30m
* Guilherme d’Oliveira Martins
* Margarida Marques

4 – Há uma Esperança Global?
Dia 28 de Maio, 5ª feira, 18h30m
* Luís Moita
* Manuel Brandão Alves


Local: Centro de Estudos da Ordem do Carmo
Rua de Santa Isabel, 128-130. Lisboa (Metro: Rato)