In memory of Dan Seals, who passed away in March 2009, here is a video of him with the Voices of Bahá and the Slovak Radio Symphony Orchestra, live in Slovakia, March 2000. Dan is performing one of his own songs, "We Are One."
sexta-feira, 31 de julho de 2009
terça-feira, 28 de julho de 2009
Re-humanizar o desumanizado
Artigo de Koroush Agah-Kesheh, publicado no Kayhan London, o mais influente jornal de língua persa fora do Irão. A tradução inglesa encontra-se no IPW; o original em persal encontra-se aqui.
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A detenção durante mais de um ano na prisão de Evin de sete dirigentes da comunidade Bahá'í iraniana foi largamente noticiada. O seu encarceramento continuado sem acusação nem acesso a aconselhamento legal, suscitou reacções de preocupação e protesto de todos os sectores – incluindo governos, activistas de direitos humanos, organizações não-governamentais, personalidades influentes, cidadãos comuns e incontáveis iranianos.
A detenção às primeiras horas da madrugada de toda a liderança da maior minoria não-muçulmana do Irão é suficientemente dramática para encher cabeçalhos. Mas o encarceramento dos sete foi apenas o mais recente desenvolvimento de uma campanha de 30 anos conduzida pelas autoridades iranianas para erradicar a Comunidade Baha’i. Um memorando secreto de 1991, ratificado pelo Líder Supremo do Irão, e divulgado pelas Nações Unidas em 1993, esboça um vasto plano para bloquear o desenvolvimento e progresso dos Baha’is, negando-lhes todas as oportunidades de ter uma influência na sociedade iraniana. Além disso, o memorando exigia sinistramente que “se deve elaborar um plano para confrontar e destruir as suas raízes culturais fora do país”.
Criar uma cultura de ódio
Um dos aspectos da actual campanha de perseguição contra os 300.000 Baha’is do Irão tem, porém, sido menos noticiado. Desde Setembro de 2005, o jornal estatal Kayahan tem publicado numerosos artigos denegrindo a comunidade e as suas crenças. A sua intenção: criar entre os leitores sentimentos de suspeição, desconfiança e ódio contra os Baha’is. Os artigos do Kayhan – juntamente com outras publicações que circulam largamente no Irão – distorcem e denigrem deliberadamente as práticas e crenças Baha’is, falsificam as vidas dos seus venerados fundadores e dirigentes, ressuscitam alegações contra os Baha’is baseadas em documentos que há muito se provaram ser falsos, e fabricam memórias de "antigos Baha’is" que agora "viram a luz" e regressaram ao Islão. Todos estes artigos apresentam as crenças Baha’is de forma a causar a maior ofensa possível aos Muçulmanos.
Este flagrante discurso de ódio não se limita à imprensa. Num caso recentemente reportado, uma estudante do ensino secundário que corrigiu a informação sobre a sua fé Baha’i numa aula de história, e cujos comentários o professor foi incapaz de contrariar, foi sujeita a uma apresentação por um clérigo que atribuiu aos Baha’is actos tão imorais que a estudante não foi capaz de contar à sua mãe o que foi dito. O clérigo concluiu dizendo que uma “senhora americana nua” tinha guiado os Baha’is.
Os media mundiais não hesitaram em cobrir a publicação das caricaturas do Profeta Maomé num jornal dinamarquês e as subsequentes cenas de violência em todo o mundo. No entanto, nada foi escrito sobre os 4000 exemplares de um livro ilustrado para crianças intitulado "O Falso Babak", apresentado como uma oferta às crianças das escolas iranianas. O livro é um relato calunioso, historicamente distorcido, e profundamente insultuoso, da vida de uma das figuras proféticas da fé Baha’i, conhecido como o Báb, retratando-o como um rapaz imbecil da aldeia cuja longa exposição ao sol do meio dia durante as orações o leva a reclamar ser um profeta, levando à sua morte.
A história demonstra os perigos desta propaganda, dirigida simultaneamente a adultos e crianças. Durante as anteriores campanhas governamentais de perseguição contra os Baha’is – como em 1955 e 1979 – a violência propagou-se inicialmente através de palavras, sermões e falsas declarações. "As palavras devem ser vistas como uma força com potencial para libertar uma energia poderosa, positiva ou negativa", escreveu o cientista político Professor Eliz Sanasarian. "Insultos e estereótipos, através da repetição, tornam-se aceites como verdade, com sistemas de conceitos, crenças e mitos plenamente elaborados."
Numa tal cultura, o ódio de toda uma população pode ser acicatado pela sistemática e implacável repetição de falsidades, que como consequência se tornam uma crença comum. Quando os cidadãos mobilizados tomam uma acção contra os seus vizinhos – sobre os quais lhes foi repetidamente dito que eram traidores, corruptos ou impuros – as autoridades absolvem-se da responsabilidade ao atribuir as culpas às acções da populaça.
Os efeitos desumanizadores do discurso
O Profeta fundador dos Bahá’ís, Bahá’u’lláh, estava, ele próprio, ciente dos efeitos do discurso. "Pois a língua é um fogo em brasas, e o excesso de palavras, um veneno mortal", escreveu ele. "O fogo material consome o corpo, enquanto o fogo da língua devora tanto o coração como a alma. A força do primeiro dura apenas pouco tempo, mas os efeitos do último persistem por um século". Certamente que as calúnias persistentemente dirigidas contra os Bahá’ís bombeadas sobre o povo iraniano durante mais de 150 anos coloriram as opiniões até dos liberais dos seus cidadãos que apenas recentemente começaram a falar em defesa dos seus compatriotas Bahá’ís.
Desumanizar uma parte da sociedade é um desenvolvimento profundamente perturbante em quaisquer circunstâncias. Na sua teoria de que o genocídio é um fenómeno que se desenvolve em sucessivas etapas, Gregory Stanton, Presidente da Genocide Watch, argumenta que na primeira fase assiste-se a uma categorização das pessoas baseada na raça, religião, nacionalidade ou etnicidade. Seguidamente são separados do resto da sociedade, e a sua diferença enfatizada, sendo forçados a ser identificados, quase como gado. Um exemplo disso foi a estrela amarela que os Judeus alemães tiveram de usar sob o domínio nazi. A terceira fase é a desumanização. A humanidade da vítima é negada, as suas características físicas são caricaturadas, o comportamento cultural é ridicularizado através de representações gráficas, discursos inflamados e da comunicação social. Os problemas sociais e económicos do país – e do mundo – são culpa sua.
Este padrão tem-se repetido ao longo da história. O "outro" é vilipendiado como um animal, um verme, uma peste, uma doença ou praticante de bruxaria. No Ruanda, os Tutsis eram descritos como baratas e cobras, acusados de comer órgãos vitais. Os Judeus na Alemanha eram, entre outras coisas, "cogumelos venenosos", porcos e aranhas.
"Os seres humanos que seguem outra coisa que não o Islão são como aqueles animais que vagueiam e lançam a corrupção", afirmou o Ayatollah Ahmad Jannati, o chefe do poderoso Conselho dos Guardiães. Os Bahá’ís no Irão têm sido rotulados como “perversos instrumentos de Satanás e seguidores do Diabo e das superpotências e seus agentes”. Foram acusados incontáveis vezes de espionagem. Mas quando é que na história humana houve alguma vez uma inteira comunidade de espiões num país, que contasse milhares de pessoas desde crianças a idosos?
Os Bahá’ís são rotulados como inimigos do Islão que "lutam contra Deus" e "espalham a corrupção na terra". No entanto, as escrituras Baha’is refém o Islão como "a abençoada e luminosa religião de Deus", e o Profeta Maomé como "a refulgente lâmpada dos Profetas", "Senhor da criação" e "Estrela d’Alva do mundo".
A sede internacional da Fé Baha’i está hoje localizada dentro das fronteiras do actual Estado de Israel. Mas como é que os Baha'is podem ser descritos como “Sionistas” quando Bahá'u'lláh foi exilado pelos governos Persa e Otomano para a cidade-fortaleza de 'Akka, em 1868, várias décadas antes do movimento sionista ter inicio, e oitenta anos antes da fundação do Estado de Israel?
Num programa orquestrado de perseguição, as autoridades iranianas tentaram persistentemente disfarçar o facto das suas acções serem motivadas apenas por ódio e preconceito religioso. Justificam as suas campanhas contra a comunidade Bahá’í afirmando que não se trata de uma religião mas de uma organização política. E quando não são rotulados de espiões ou agentes de várias agendas imperialistas ou colonialistas, os Bahá'ís enfrentam as constantes acusações de imoralidade, imodéstia e indecência. Nada podia estar mais longe da verdade.
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A detenção durante mais de um ano na prisão de Evin de sete dirigentes da comunidade Bahá'í iraniana foi largamente noticiada. O seu encarceramento continuado sem acusação nem acesso a aconselhamento legal, suscitou reacções de preocupação e protesto de todos os sectores – incluindo governos, activistas de direitos humanos, organizações não-governamentais, personalidades influentes, cidadãos comuns e incontáveis iranianos.
A detenção às primeiras horas da madrugada de toda a liderança da maior minoria não-muçulmana do Irão é suficientemente dramática para encher cabeçalhos. Mas o encarceramento dos sete foi apenas o mais recente desenvolvimento de uma campanha de 30 anos conduzida pelas autoridades iranianas para erradicar a Comunidade Baha’i. Um memorando secreto de 1991, ratificado pelo Líder Supremo do Irão, e divulgado pelas Nações Unidas em 1993, esboça um vasto plano para bloquear o desenvolvimento e progresso dos Baha’is, negando-lhes todas as oportunidades de ter uma influência na sociedade iraniana. Além disso, o memorando exigia sinistramente que “se deve elaborar um plano para confrontar e destruir as suas raízes culturais fora do país”.
Criar uma cultura de ódio
Um dos aspectos da actual campanha de perseguição contra os 300.000 Baha’is do Irão tem, porém, sido menos noticiado. Desde Setembro de 2005, o jornal estatal Kayahan tem publicado numerosos artigos denegrindo a comunidade e as suas crenças. A sua intenção: criar entre os leitores sentimentos de suspeição, desconfiança e ódio contra os Baha’is. Os artigos do Kayhan – juntamente com outras publicações que circulam largamente no Irão – distorcem e denigrem deliberadamente as práticas e crenças Baha’is, falsificam as vidas dos seus venerados fundadores e dirigentes, ressuscitam alegações contra os Baha’is baseadas em documentos que há muito se provaram ser falsos, e fabricam memórias de "antigos Baha’is" que agora "viram a luz" e regressaram ao Islão. Todos estes artigos apresentam as crenças Baha’is de forma a causar a maior ofensa possível aos Muçulmanos.
Este flagrante discurso de ódio não se limita à imprensa. Num caso recentemente reportado, uma estudante do ensino secundário que corrigiu a informação sobre a sua fé Baha’i numa aula de história, e cujos comentários o professor foi incapaz de contrariar, foi sujeita a uma apresentação por um clérigo que atribuiu aos Baha’is actos tão imorais que a estudante não foi capaz de contar à sua mãe o que foi dito. O clérigo concluiu dizendo que uma “senhora americana nua” tinha guiado os Baha’is.
Os media mundiais não hesitaram em cobrir a publicação das caricaturas do Profeta Maomé num jornal dinamarquês e as subsequentes cenas de violência em todo o mundo. No entanto, nada foi escrito sobre os 4000 exemplares de um livro ilustrado para crianças intitulado "O Falso Babak", apresentado como uma oferta às crianças das escolas iranianas. O livro é um relato calunioso, historicamente distorcido, e profundamente insultuoso, da vida de uma das figuras proféticas da fé Baha’i, conhecido como o Báb, retratando-o como um rapaz imbecil da aldeia cuja longa exposição ao sol do meio dia durante as orações o leva a reclamar ser um profeta, levando à sua morte.
A história demonstra os perigos desta propaganda, dirigida simultaneamente a adultos e crianças. Durante as anteriores campanhas governamentais de perseguição contra os Baha’is – como em 1955 e 1979 – a violência propagou-se inicialmente através de palavras, sermões e falsas declarações. "As palavras devem ser vistas como uma força com potencial para libertar uma energia poderosa, positiva ou negativa", escreveu o cientista político Professor Eliz Sanasarian. "Insultos e estereótipos, através da repetição, tornam-se aceites como verdade, com sistemas de conceitos, crenças e mitos plenamente elaborados."
Numa tal cultura, o ódio de toda uma população pode ser acicatado pela sistemática e implacável repetição de falsidades, que como consequência se tornam uma crença comum. Quando os cidadãos mobilizados tomam uma acção contra os seus vizinhos – sobre os quais lhes foi repetidamente dito que eram traidores, corruptos ou impuros – as autoridades absolvem-se da responsabilidade ao atribuir as culpas às acções da populaça.
Os efeitos desumanizadores do discurso
O Profeta fundador dos Bahá’ís, Bahá’u’lláh, estava, ele próprio, ciente dos efeitos do discurso. "Pois a língua é um fogo em brasas, e o excesso de palavras, um veneno mortal", escreveu ele. "O fogo material consome o corpo, enquanto o fogo da língua devora tanto o coração como a alma. A força do primeiro dura apenas pouco tempo, mas os efeitos do último persistem por um século". Certamente que as calúnias persistentemente dirigidas contra os Bahá’ís bombeadas sobre o povo iraniano durante mais de 150 anos coloriram as opiniões até dos liberais dos seus cidadãos que apenas recentemente começaram a falar em defesa dos seus compatriotas Bahá’ís.
Desumanizar uma parte da sociedade é um desenvolvimento profundamente perturbante em quaisquer circunstâncias. Na sua teoria de que o genocídio é um fenómeno que se desenvolve em sucessivas etapas, Gregory Stanton, Presidente da Genocide Watch, argumenta que na primeira fase assiste-se a uma categorização das pessoas baseada na raça, religião, nacionalidade ou etnicidade. Seguidamente são separados do resto da sociedade, e a sua diferença enfatizada, sendo forçados a ser identificados, quase como gado. Um exemplo disso foi a estrela amarela que os Judeus alemães tiveram de usar sob o domínio nazi. A terceira fase é a desumanização. A humanidade da vítima é negada, as suas características físicas são caricaturadas, o comportamento cultural é ridicularizado através de representações gráficas, discursos inflamados e da comunicação social. Os problemas sociais e económicos do país – e do mundo – são culpa sua.
Este padrão tem-se repetido ao longo da história. O "outro" é vilipendiado como um animal, um verme, uma peste, uma doença ou praticante de bruxaria. No Ruanda, os Tutsis eram descritos como baratas e cobras, acusados de comer órgãos vitais. Os Judeus na Alemanha eram, entre outras coisas, "cogumelos venenosos", porcos e aranhas.
"Os seres humanos que seguem outra coisa que não o Islão são como aqueles animais que vagueiam e lançam a corrupção", afirmou o Ayatollah Ahmad Jannati, o chefe do poderoso Conselho dos Guardiães. Os Bahá’ís no Irão têm sido rotulados como “perversos instrumentos de Satanás e seguidores do Diabo e das superpotências e seus agentes”. Foram acusados incontáveis vezes de espionagem. Mas quando é que na história humana houve alguma vez uma inteira comunidade de espiões num país, que contasse milhares de pessoas desde crianças a idosos?
Os Bahá’ís são rotulados como inimigos do Islão que "lutam contra Deus" e "espalham a corrupção na terra". No entanto, as escrituras Baha’is refém o Islão como "a abençoada e luminosa religião de Deus", e o Profeta Maomé como "a refulgente lâmpada dos Profetas", "Senhor da criação" e "Estrela d’Alva do mundo".
A sede internacional da Fé Baha’i está hoje localizada dentro das fronteiras do actual Estado de Israel. Mas como é que os Baha'is podem ser descritos como “Sionistas” quando Bahá'u'lláh foi exilado pelos governos Persa e Otomano para a cidade-fortaleza de 'Akka, em 1868, várias décadas antes do movimento sionista ter inicio, e oitenta anos antes da fundação do Estado de Israel?
Num programa orquestrado de perseguição, as autoridades iranianas tentaram persistentemente disfarçar o facto das suas acções serem motivadas apenas por ódio e preconceito religioso. Justificam as suas campanhas contra a comunidade Bahá’í afirmando que não se trata de uma religião mas de uma organização política. E quando não são rotulados de espiões ou agentes de várias agendas imperialistas ou colonialistas, os Bahá'ís enfrentam as constantes acusações de imoralidade, imodéstia e indecência. Nada podia estar mais longe da verdade.
segunda-feira, 27 de julho de 2009
Um Jesus não-exclusivista
«Jesus dá um passo espantoso face à história das religiões ao afirmar: «Mulher, acredita em mim: chegou a hora em que, nem neste monte nem em Jerusalém, haveis de adorar o Pai, mas sim em espírito e em verdade» (Jo. 4, 22-24). O que João põe na boca de Jesus é que, doravante, nenhuma religião perante Deus é superior a qualquer outra; que não é essencial ser-se samaritano ou judeu (hoje, poder-se-ia acrescentar, cristão, hindu, budista ou muçulmano), visto que, para além da diversidade de culturas religiosas, o que conta é a verdade da relação íntima com Deus. Jesus dinamita o exclusivismo religioso e destrói o discurso legitimador de qualquer tradição religiosa: a sua pretensão a ser um centro, uma via obrigatória para a salvação. Ele entende ajudar o homem a superar a religião exterior, necessariamente plural e concorrencial, para o introduzir na espiritualidade interior, radicalmente singular e universal.»
Frederic Lenoir, Cristo Filósofo, p. 231
Este excerto também é interpretado com a universalidade da mensagem cristã.
Porque serão tão poucas as igrejas cristãs que seguem o sentido do texto apontado por Frederic Lenoir?
sábado, 25 de julho de 2009
united4iran.org
O convite de Shirin Ebadi para as manifestações que se realizam hoje em todo o mundo.
sexta-feira, 24 de julho de 2009
quarta-feira, 22 de julho de 2009
O fascínio religioso pelo sofrimento
No livro Cristo Filósofo, Frederic Lenoir escreve:
Serão os Bahá’ís imunes a este fascínio pelo sofrimento? Será possível alcançar o sucesso sem sofrimento? Porque é que, em matéria religiosa, há quem prefira invocar o sacrifício dos crentes, em vez de enaltecer a sua dedicação e entusiasmo? Será que a dedicação apenas tem mérito quando há sacrifício?
Imagine-se um baha’i que decide ir viver para outro país com o objectivo de divulgar a Fé e ajudar a comunidade Baha’i a crescer (aquilo a que vulgarmente designamos por “pioneiro”). O que motiva esse crente será certamente uma atitude dedicação e entusiasmo para com a Fé Baha’i. Se, no país de destino, esse pioneiro enfrentar dificuldades (profissionais, culturais, etc) isso será uma consequência do seu entusiasmo e da sua dedicação. Para superar essas dificuldades, o pioneiro terá de fazer alguns sacrifícios (aceitar emprego mal remunerado, mudar alguns hábitos culturais,…).
Note-se que o objectivo da dedicação do pioneiro nunca foi o sacrifício, mas sim o serviço à Fé. O sofrimento é uma consequência (apenas possível) de uma atitude de dedicação e serviço.
Será que o sacrifício é mesmo necessário para o crescimento da Fé Bahá’í? Na minha perspectiva, o crescimento da comunidade Bahá’í necessita de dedicação e entusiasmo. O sofrimento pode surgir como consequência do entusiasmo e da dedicação. Mas o sofrimento só por si - sem a dedicação e entusiasmo - nunca será uma força dinamizadora do crescimento da Comunidade Bahá’í.
Com as Epístolas de S. Paulo instala-se a teologia da Cruz, articulada em torno da pessoa de Cristo, que consente o sacrifício supremo: «Nós proclamamos um Cristo crucificado, escândalo para os Judeus e loucura par aos pagãos» (1ª carta aos Coríntios, 1:23). Infelizmente esta teologia degenerou, sobretudo a partir do século XI, com Santo Anselmo, numa concepção sacrificial sangrenta, segundo a qual o Filho teria vindo salvar os homens da cólera do Pai e do domínio do diabo, morrendo na cruz. O corolário desta concepção sadomasoquista do plano divino era o facto de que os verdadeiros discípulos de Cristo seriam aqueles que sofrem mais. Daí o fascínio mórbido que tantos cristãos tiveram pelo sofrimento – o dito «dolorismo». (p. 56-57)COMENTARIO:
Serão os Bahá’ís imunes a este fascínio pelo sofrimento? Será possível alcançar o sucesso sem sofrimento? Porque é que, em matéria religiosa, há quem prefira invocar o sacrifício dos crentes, em vez de enaltecer a sua dedicação e entusiasmo? Será que a dedicação apenas tem mérito quando há sacrifício?
Imagine-se um baha’i que decide ir viver para outro país com o objectivo de divulgar a Fé e ajudar a comunidade Baha’i a crescer (aquilo a que vulgarmente designamos por “pioneiro”). O que motiva esse crente será certamente uma atitude dedicação e entusiasmo para com a Fé Baha’i. Se, no país de destino, esse pioneiro enfrentar dificuldades (profissionais, culturais, etc) isso será uma consequência do seu entusiasmo e da sua dedicação. Para superar essas dificuldades, o pioneiro terá de fazer alguns sacrifícios (aceitar emprego mal remunerado, mudar alguns hábitos culturais,…).
Note-se que o objectivo da dedicação do pioneiro nunca foi o sacrifício, mas sim o serviço à Fé. O sofrimento é uma consequência (apenas possível) de uma atitude de dedicação e serviço.
Será que o sacrifício é mesmo necessário para o crescimento da Fé Bahá’í? Na minha perspectiva, o crescimento da comunidade Bahá’í necessita de dedicação e entusiasmo. O sofrimento pode surgir como consequência do entusiasmo e da dedicação. Mas o sofrimento só por si - sem a dedicação e entusiasmo - nunca será uma força dinamizadora do crescimento da Comunidade Bahá’í.
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Apollo 11 40th anniversary
A video edit commemorating the 40th anniversary of the first walk on the moon. The lift off was July 16, 1969. The moon landing and first walk took place July 20, 1969. Astronauts on the flight Neil Armstrong, Mike Collins, and Buss Aldrin.
sexta-feira, 17 de julho de 2009
Iranianos em Portugal
Excertos do artigo Iranianos em Portugal: Ver o que se passa no Irão de longe e com espanto, do jornal Público, do passado dia 11 de Julho.
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Said Jalali, professor de Engenharia na Universidade do Minho, que é bahá'i (uma religião que nasceu no Irão, onde é perseguida), saiu do país antes da revolução de 1979 e é tão português como iraniano.
(...)
Said Jalali está em Portugal desde 1972. Na comunidade bahá'i há o que, "nas universidades europeias, se chama hoje intercâmbio", explica Jalali na sala da sua casa em Braga, onde um tapete com inscrições em farsi é o único elemento denunciador da origem da família. Terminado o seu curso, de Engenharia Civil, e com a mulher, estudante de Economia, tinha pensado passar esse "ano de aventura" em África. "Era mais exótico." Mas entretanto "disseram-nos que ainda ninguém tinha ido a Portugal, e viemos para cá".
A ideia era ficar um ano, mas, logo após poucos meses, o jovem engenheiro arranjou trabalho, a sua mulher entrou na universidade, "a vida tornou-se fácil, vieram os filhos, gostámos e ficámos", resume.
Setúbal foi o primeiro destino e ainda hoje confessa torcer pelo Vitória - "também para contrariar os meus filhos, que são portistas ferrenhos". A vinda para Portugal, confessa, "foi mesmo sorte". Ou, acrescenta, de uma forma muito portuguesa: "É destino".
(...)
Said Jalali saiu do Irão do Xá da Pérsia para o Portugal de Salazar, de uma ditadura para outra ditadura. Viveu a revolução portuguesa de 1974 em Setúbal ("era o único engenheiro numa fábrica em Tróia com três mil operários, todos colados ao rádio e a festejar") e a revolução de 1979 no Irão através da televisão e da família que continuava no país.
"Desde o início, pensei que a revolução [islâmica] não ia na direcção certa", confessa - os bahá'i, que já eram discriminados sob o Xá (Said Jalili não conseguiu um lugar de engenheiro na Câmara de Teerão por ser bahá'i), seriam ainda mais perseguidos na República Islâmica. Os bahá'i são vistos pelos xiitas como "hereges" porque o seu profeta, Baha'ullah, aparece na década de 1860, ou seja, é posterior a Maomé, e foi sepultado em Jaffa, onde hoje é Israel (um acaso da História que ainda hoje leva os fiéis iranianos a serem condenados por suspeita de "espionagem").
"Vocês aqui tiveram muita sorte, a revolução desde o início teve o rumo certo, da liberdade. Essa era a palavra-chave. Mas lá, mesmo de princípio, a palavra-chave não era essa. Depois começaram as perseguições: não só aos bahá'is, mas aos cristãos, até aos sunitas, que também são muçulmanos... E, passado pouco tempo, os políticos liberais que pensaram que iam ter o poder foram muito rapidamente, e completamente, afastados pelos religiosos."
(...)
"Incrível, incrível, como as pessoas saíram à rua... Podem não ganhar, pode não acontecer mais nada, mas foi incrível ver as pessoas sair e dizer que não estão contentes com este sistema", diz o professor Said Jalali. "E são tudo pessoas que nasceram com este regime", espanta-se. "Estes jovens a única via que têm é a Internet. No nosso repositório [de artigos científicos da Universidade do Minho], o terceiro país que consulta mais os nossos artigos é o Irão. As pessoas lá estão ávidas de informação."
O modo como tem acompanhado a situação agora é muito diferente da altura em que seguiu a revolução ou a guerra Irão-Iraque: é mais distante, porque não tem pessoas próximas no Irão, mas, por outro lado, vê tudo na Internet. Lembra-se bem de alguns sítios. "Mas os nomes, claro, são completamente diferentes."
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Said Jalali, professor de Engenharia na Universidade do Minho, que é bahá'i (uma religião que nasceu no Irão, onde é perseguida), saiu do país antes da revolução de 1979 e é tão português como iraniano.
(...)
Said Jalali está em Portugal desde 1972. Na comunidade bahá'i há o que, "nas universidades europeias, se chama hoje intercâmbio", explica Jalali na sala da sua casa em Braga, onde um tapete com inscrições em farsi é o único elemento denunciador da origem da família. Terminado o seu curso, de Engenharia Civil, e com a mulher, estudante de Economia, tinha pensado passar esse "ano de aventura" em África. "Era mais exótico." Mas entretanto "disseram-nos que ainda ninguém tinha ido a Portugal, e viemos para cá". A ideia era ficar um ano, mas, logo após poucos meses, o jovem engenheiro arranjou trabalho, a sua mulher entrou na universidade, "a vida tornou-se fácil, vieram os filhos, gostámos e ficámos", resume.
Setúbal foi o primeiro destino e ainda hoje confessa torcer pelo Vitória - "também para contrariar os meus filhos, que são portistas ferrenhos". A vinda para Portugal, confessa, "foi mesmo sorte". Ou, acrescenta, de uma forma muito portuguesa: "É destino".
(...)
Said Jalali saiu do Irão do Xá da Pérsia para o Portugal de Salazar, de uma ditadura para outra ditadura. Viveu a revolução portuguesa de 1974 em Setúbal ("era o único engenheiro numa fábrica em Tróia com três mil operários, todos colados ao rádio e a festejar") e a revolução de 1979 no Irão através da televisão e da família que continuava no país.
"Desde o início, pensei que a revolução [islâmica] não ia na direcção certa", confessa - os bahá'i, que já eram discriminados sob o Xá (Said Jalili não conseguiu um lugar de engenheiro na Câmara de Teerão por ser bahá'i), seriam ainda mais perseguidos na República Islâmica. Os bahá'i são vistos pelos xiitas como "hereges" porque o seu profeta, Baha'ullah, aparece na década de 1860, ou seja, é posterior a Maomé, e foi sepultado em Jaffa, onde hoje é Israel (um acaso da História que ainda hoje leva os fiéis iranianos a serem condenados por suspeita de "espionagem").
"Vocês aqui tiveram muita sorte, a revolução desde o início teve o rumo certo, da liberdade. Essa era a palavra-chave. Mas lá, mesmo de princípio, a palavra-chave não era essa. Depois começaram as perseguições: não só aos bahá'is, mas aos cristãos, até aos sunitas, que também são muçulmanos... E, passado pouco tempo, os políticos liberais que pensaram que iam ter o poder foram muito rapidamente, e completamente, afastados pelos religiosos."
(...)
"Incrível, incrível, como as pessoas saíram à rua... Podem não ganhar, pode não acontecer mais nada, mas foi incrível ver as pessoas sair e dizer que não estão contentes com este sistema", diz o professor Said Jalali. "E são tudo pessoas que nasceram com este regime", espanta-se. "Estes jovens a única via que têm é a Internet. No nosso repositório [de artigos científicos da Universidade do Minho], o terceiro país que consulta mais os nossos artigos é o Irão. As pessoas lá estão ávidas de informação."
O modo como tem acompanhado a situação agora é muito diferente da altura em que seguiu a revolução ou a guerra Irão-Iraque: é mais distante, porque não tem pessoas próximas no Irão, mas, por outro lado, vê tudo na Internet. Lembra-se bem de alguns sítios. "Mas os nomes, claro, são completamente diferentes."
O "Ter" e o "Ser"
Desde a revolução industrial e, mais ainda, desde a década de 1960, vivemos de facto numa civilização que faz do consumo, o motor do progresso. Motor não só económico mas também ideológico: o progresso é possuir mais. Omnipresente nas nossas vidas, a publicidade apenas faz aceitar esta crença em todas as suas formas. Podemos ser felizes sem ter o último carro? O mais recente modelo de leitor de DVD ou telemóvel? Uma televisão e um computador em cada sala? Esta ideologia é raramente posta em causa: enquanto for possível, porque não? E hoje a maioria das pessoas por todo o mundo assumiu este modelo ocidental, que torna a posse, a acumulação e a mudança permanente de bens materiais o significado último da vida. Quando este modelo gripa, o sistema falha; e quando parece que provavelmente não podemos continuar a consumir indefinidamente a este ritmo, que os recursos do planeta são limitados e que se torna urgente partilhar, então podemos finalmente fazer as perguntas certas. Pode-se questionar sobre o significado da economia, o valor do dinheiro, sobre as condições reais de uma sociedade equilibrada e da felicidade individual. Neste ponto, creio que a crise pode e deve ter um impacto positivo. Ele pode ajudar-nos a reconstruir a nossa civilização, pela primeira vez a nível mundial, com base em critérios que não sejam o dinheiro e o consumo. Esta crise não é apenas económica e financeira, mas também espiritual e filosófica. Remete-nos para questões universais: o que pode ser considerado um verdadeiro progresso? Os seres humanos podem ser felizes e viver em harmonia com os outros numa civilização inteiramente construída em torno de um ideal de possuir? Sem dúvida que não. O dinheiro e a aquisição de bens materiais são apenas meios, alguns preciosos, mas nunca um fim em si mesmo. O desejo de posse é, por natureza, insaciável. E isso gera a frustração e a violência. O ser humano, está feito de maneira que deseja sem cessar possuir aquilo que não tem, lança-se a tomá-lo pela força junto do seu próximo. No entanto, uma vez que as necessidades materiais básicas estejam asseguradas - alimento, alojamento e ter o suficiente para viver decentemente - o homem necessita de entrar numa outra lógica, diferente do ter, para se satisfazer e tornar-se plenamente humano: a lógica do ser. Ele deve aprender a conhecer e a compreender, para entender o mundo que o rodeia e respeitá-lo. É preciso descobrir como amar, a viver com os outros, gerir a sua frustração, adquirir serenidade, superar o sofrimento inevitável da vida, mas também estar preparado para morrer com os olhos abertos. Porque se existência é um facto, viver é uma arte. Uma arte que se aprende, questionando os sábios e trabalhando sobre si mesmo.
Frederic Lenoir, Editorial da revista Le Monde des Religions, nº 36
quinta-feira, 16 de julho de 2009
Clérigo Egípcio apela à aniquilação dos Iranianos e dos Bahá'ís
É tão ridículo que até podia parecer uma piada.
Mas não é.
É a realidade do ódio que se incita contra os Bahá'ís em países muçulmanos, e das fontes de perseguição contra a comunidade Bahá'í.
Mas não é.
É a realidade do ódio que se incita contra os Bahá'ís em países muçulmanos, e das fontes de perseguição contra a comunidade Bahá'í.
quarta-feira, 15 de julho de 2009
O acidente com o Tupolev Iraniano

Há algumas semanas, site IPW noticiava que um atleta iraniano tinha sido expulso da selecção júnior iraniana de judo, por ser Bahá'í. O caso referia-se a um atleta de 16 anos, Khashayar Zare'i, que após ter sido seleccionado acabou por ser desqualificado pela Comissão de Judo da província de Fars, não obstante ter vencido diversos torneios e competições escolares. Era mais um dos muitos casos de discriminação contra Bahá'ís no Irão.
Hoje, a terrível tragédia do acidente com o Tupolev iraniano circulou pelos media de todo o mundo. Perderam-se 168 vidas. No site da CNN, acrescenta-se um pormenor sobre os passageiros: "Dez membros da equipa nacional júnior de judo estavam a bordo do avião da Caspian Airlines, informaram diversas fontes incluindo a Press TV. A rede afirmou que os mortos incluíam oito atletas e dois treinadores".
Por vezes não sei o que pensar destas coisas…
A Gaiola de Ouro
Há pouco mais de dois meses foi publicado em Portugal o livro A Gaiola de Ouro (editora: A Esfera dos Livros) de Shirin Ebadi, advogada iraniana, activista dos direitos humanos e prémio Nobel da Paz 2003.O livro centra-se na história de uma família que é trucidada pelo turbilhão da Revolução islâmica. Abbas, o irmão mais velho, oficial do exército do Xá é obrigado a exilar-se nos Estado Unidos, levando consigo a esposa doente. Javad, militante do partido Comunista (Tudeh) entra na clandestinidade, acabando por ser preso e fuzilado durante as execuções em massa que se seguiram ao fim da guerra com o Iraque. Ali, o irmão mais novo adere entusiasticamente à Revolução, alistando-se para guerra com o Iraque, tornando-se mais tarde um dissidente. Pari, a única irmã, tenta manter a família unida enquanto testemunha da desagregação social do Irão; vitima de discriminação, acaba por ir viver em Londres.
Neste livro de Shirin Ebadi ecoam os destinos de milhares de famílias iranianas, afectadas pelas tremendas crises políticas e sociais que levantaram irmãos contra irmãos, e que provocaram a emigração de milhões de cidadãos.
Um livro a ler para quem quer compreender o que é hoje o Irão.
segunda-feira, 13 de julho de 2009
Uma moeda única mundial
A criação de uma moeda supra nacional foi uma proposta Russa na última cimeira dos G-20 (em Londres); Esta ideia mereceu já o apoio de dirigentes brasileiros e chineses. Mais recentemente, na cimeira dos G-8 realizada em Itália, o Presidente Russo, Dmitry Medvedev, resolveu ilustrar a sua proposta apresentando aos jornalistas um exemplar dessa nova moeda.Diversos exemplares da moeda, que tinha gravada a frase “Unidade na Diversidade”, foram oferecidos aos dirigentes mundiais presentes na Cimeira.
O Presidente Medvedev afirmou que a questão da criação desta moeda diz respeito a todos e que as nações do mundo se estão a preparar. Acrescentou: “Penso que é um bom sinal e que compreendemos agora o quão grande é a nossa interdependência”.
Medvedev tem apelado com insistência à criação de reservas regionais de moeda e questionado a viabilidade do dólar americano enquanto moeda de reserva internacional.

Que importa isto para os bahá'ís?
Na verdade, não é apenas o lema "Unidade na Diversidade" inscrito nesta espécime que desperta a nossa atenção.
Em 1936, Shoghi Effendi, Guardião da Fé Bahá’í, anteviu a criação de uma moeda única no livro A Ordem Mundial de Bahá'u'lláh:
"Uma escrita mundial, uma literatura mundial, um sistema unificado de moeda, pesos e medidas simplificará e facilitará o inter-relacionamento e entendimento entre as nações raças do mundo."E em 1995, por ocasião do 50º aniversário das Nações Unidas, a Comunidade Internacional Bahá’í, publicou uma declaração onde defendia a criação de uma moeda única. Nesse documento, intitulado "Ponto de Viragem para todas as Nações", lia-se:
A necessidade de promover a adopção de uma moeda mundial como um elemento vital para a integração da economia global é auto-evidente. Entre outras benefícios, os economistas acreditam que uma moeda única irá travar especulação improdutiva e oscilações imprevisíveis do mercado, promover um nivelamento dos rendimentos e dos preços a nível mundial, e, consequentemente, resultar em poupanças significativas.Desta forma, como Bahá'í, é com agrado que registo esta iniciativa do Presidente Medvedev. Claro que as consequências desta medida não serão nada agradáveis para os Estados Unidos. Mas o bem-estar da humanidade não se pode sacrificar em função dos interesses económicos de um único país.
A possibilidade de poupanças não levará a acção a menos que exista um corpo de provas esmagador que aborde as preocupações e as dúvidas dos cépticos, acompanhado por um plano de execução credível. Propomos a nomeação de uma Comissão constituída pelos mais prestigiados líderes governamentais, académicos e profissionais para iniciar imediatamente a avaliação dos benefícios económicos e os custos políticos de uma moeda única e a consideração de uma abordagem eficiente de execução.
sábado, 11 de julho de 2009
O corolário da repressão religiosa no Irão
A agitação política que se viveu no rescaldo das eleições iranianas, com toda a violência e repressão que se abateu sobre os contestaram os resultados eleitorais, despertou o interesse dos media e chocou a opinião pública internacional. Independentemente de se tratar de um conflito de poder no interior do regime, ou uma tentativa de mudança de regime, há uma questão que deve merecer a nossa atenção: se isto é apenas um conflito entre facções de muçulmanos xiitas, imagine-se como são tratadas as minorias religiosas, ou qualquer grupo social, que o governo da Republica Islâmica do Irão considere suspeito ou perigoso para os seus interesses.
Para a maior minoria religiosa do Irão, os Bahá'ís, a repressão não é novidade; pode-se dizer que tem estado sempre presente desde que a religião Bahá’í surgiu naquele país em 1844. Nos últimos 30 anos, as perseguições assumiram um carácter metódico: vários dirigentes desapareceram ou foram fuzilados; centenas de crentes Bahá'ís foram demitidos dos seus empregos na Administração Pública; milhares de idosos ficaram sem direito às suas pensões de reforma pelo simples facto de serem Bahá’ís; milhares de jovens viram ser-lhes vedado o acesso ao ensino superior, e não faltam casos de crianças humilhadas nas escolas por professores muçulmanos. A isto pode-se ainda acrescentar ataques a residências particulares ou estabelecimentos comerciais, e também detenções arbitrárias.
Em Maio do ano passado, sete dirigentes da Comunidade Bahá’í foram detidos, tendo sido levados para a prisão de Evin. Durante vários meses, foi-lhe vedado o contacto com os seus advogados. No início deste ano, as autoridades formularam a acusação: "espionagem para Israel, insultos a santidades religiosas, e propaganda contra a República Islâmica". A estas acusações juntou-se outra mais nebulosa, mas não menos ameaçadora: "espalhar a corrupção na terra". Para um europeu, esta última acusação pode parecer particularmente estranha; mas no Irão teocrático tem um fundamento no Código Penal e deixa o acusado numa posição extremamente vulnerável, podendo mesmo levar à pena de morte.
Nas últimas semanas, os familiares destes sete detidos foram informados que o julgamento iria ter lugar no dia 11 de Julho. Esta informação foi transmitida oralmente e deve ser encarada com alguma reserva; a experiência dos Bahá’ís iranianos mostra que é elevada a probabilidade do julgamento se realizar inesperadamente noutra data.
Ao contrário da jornalista Roxana Saberi, ou dos funcionários da Embaixada britânica recentemente detidos, não existe um lobby internacional que funcione a favor dos Bahá’ís iranianos. Resta-lhes esperar que os protestos diplomáticos da União Europeia, Estados Unidos e outros países, assim como a atenção dos media, possam actuar como factor de dissuasão sobre as autoridades iranianas.
Para perceber o quão injustas e infundadas são as acusações feitas contra estes sete dirigentes Bahá’ís, podemos acrescentar o seguinte:
Para a maior minoria religiosa do Irão, os Bahá'ís, a repressão não é novidade; pode-se dizer que tem estado sempre presente desde que a religião Bahá’í surgiu naquele país em 1844. Nos últimos 30 anos, as perseguições assumiram um carácter metódico: vários dirigentes desapareceram ou foram fuzilados; centenas de crentes Bahá'ís foram demitidos dos seus empregos na Administração Pública; milhares de idosos ficaram sem direito às suas pensões de reforma pelo simples facto de serem Bahá’ís; milhares de jovens viram ser-lhes vedado o acesso ao ensino superior, e não faltam casos de crianças humilhadas nas escolas por professores muçulmanos. A isto pode-se ainda acrescentar ataques a residências particulares ou estabelecimentos comerciais, e também detenções arbitrárias.
Em Maio do ano passado, sete dirigentes da Comunidade Bahá’í foram detidos, tendo sido levados para a prisão de Evin. Durante vários meses, foi-lhe vedado o contacto com os seus advogados. No início deste ano, as autoridades formularam a acusação: "espionagem para Israel, insultos a santidades religiosas, e propaganda contra a República Islâmica". A estas acusações juntou-se outra mais nebulosa, mas não menos ameaçadora: "espalhar a corrupção na terra". Para um europeu, esta última acusação pode parecer particularmente estranha; mas no Irão teocrático tem um fundamento no Código Penal e deixa o acusado numa posição extremamente vulnerável, podendo mesmo levar à pena de morte.
Nas últimas semanas, os familiares destes sete detidos foram informados que o julgamento iria ter lugar no dia 11 de Julho. Esta informação foi transmitida oralmente e deve ser encarada com alguma reserva; a experiência dos Bahá’ís iranianos mostra que é elevada a probabilidade do julgamento se realizar inesperadamente noutra data.
Ao contrário da jornalista Roxana Saberi, ou dos funcionários da Embaixada britânica recentemente detidos, não existe um lobby internacional que funcione a favor dos Bahá’ís iranianos. Resta-lhes esperar que os protestos diplomáticos da União Europeia, Estados Unidos e outros países, assim como a atenção dos media, possam actuar como factor de dissuasão sobre as autoridades iranianas.
Para perceber o quão injustas e infundadas são as acusações feitas contra estes sete dirigentes Bahá’ís, podemos acrescentar o seguinte:
- A acusação de espionagem é artificial e tem sido usada desde 1930 como um pretexto para perseguir os Bahá’ís. Basta olhar para a história recente do Irão, para vermos como os Bahá’ís têm sido acusados de serem agentes do imperialismo russo, do colonialismo britânico, do expansionismo americano e, mais recentemente, do sionismo. Que provas existem desta acusação? Quem poderá acreditar que os 300.000 Bahá’ís iranianos são 300.000 espiões? Não deixa de ser caricato que o Irão seja o único país do mundo onde os espiões deixam de ser espiões se negarem a sua religião, e passam a ser considerados "salvos".
- A sede da Comunidade Internacional Bahá’í está situada em Haifa, em Israel. Isto é assim apenas porque, durante o século XIX, persas e otomanos exilaram Baha’u’llah (o fundador da religião Bahá’í) para Akka (perto de Haifa), cidade onde veio a falecer. Isso aconteceu algumas décadas antes da criação do Estado de Israel.
- Acusar Bahá’ís de "insultar santidades religiosas" ou promover "propaganda contra o regime islâmico" é algo sem qualquer fundamento; os Bahá’ís respeitam todas as religiões, incluindo o Islão, e não se envolvem em actividades subversivas contra nenhum governo (por muito repressivo que ele seja).
sexta-feira, 10 de julho de 2009
La comunidad Bahá'i solicita una resolución de Canarias a favor de los derechos humanos en Irán
SANTA CRUZ DE TENERIFE, 10 Jul. (EUROPA PRESS) -
El presidente del Parlamento de Canarias, Antonio Castro, recibió este viernes a los representantes de la Comunidad Bahá'í de las islas, quienes le informaron de la "persecución que sufren los miembros de su Comunidad en Irán, desde el comienzo de la revolución islámica" y le solicitaron que la Cámara Legislativa emita una resolución a favor de los derechos humanos de los bahá'ís en ese país.
Asimismo, le transmitieron "su preocupación por la encarcelación de siete de sus miembros, que permanecen bajo arresto sin cargos, con grave peligro para su vida, y para los que sólo la presión internacional puede conseguir un juicio justo con la presencia de observadores externos e independientes".
La abogada y Premio Nobel de la Paz, Shirin Ebadi, se ofreció para la defensa legal de estos detenidos. Petición que ha sido denegada hasta el momento por el gobierno, según informó la Cámara regional.
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Fonte: Europa-Press
El presidente del Parlamento de Canarias, Antonio Castro, recibió este viernes a los representantes de la Comunidad Bahá'í de las islas, quienes le informaron de la "persecución que sufren los miembros de su Comunidad en Irán, desde el comienzo de la revolución islámica" y le solicitaron que la Cámara Legislativa emita una resolución a favor de los derechos humanos de los bahá'ís en ese país.
Asimismo, le transmitieron "su preocupación por la encarcelación de siete de sus miembros, que permanecen bajo arresto sin cargos, con grave peligro para su vida, y para los que sólo la presión internacional puede conseguir un juicio justo con la presencia de observadores externos e independientes".
La abogada y Premio Nobel de la Paz, Shirin Ebadi, se ofreció para la defensa legal de estos detenidos. Petición que ha sido denegada hasta el momento por el gobierno, según informó la Cámara regional.
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Fonte: Europa-Press
CNN: Comissão Americana exige libertação de Bahá'ís no Irão
(...)
Respondendo a uma carta de Roxana Saberi, a jornalista irano-americana que passou quatro meses numa prisão iraniana no início deste ano, a Comissão Internacional de Liberdade Religiosa dos Estados Unidos exigiu que os sete prisioneiros sejam libertados, em vez de serem levados a tribunal sob acusações de espionagem e violações religiosas. Se forem condenados podem ser executados.
"Além das centenas de iranianos que foram detidos no contexto das polémicas eleições presidenciais, vários outros «presos de segurança» detidos muito antes da eleição de Junho permanecem atrás das grades", afirmou Saberi numa carta em que solicita a intervenção do governo americano no caso dos Baha’is.
"Estes iranianos e as autoridades que os detiveram precisam de saber que os direitos humanos do povo iraniano é um assunto de preocupação internacional", afirmou.
Saberi, que foi detida, julgada e condenada a oito anos de prisão por espionagem, esteve durante algum tempo na prisão de Evin com duas das mulheres baha’is detidas. Saberi foi libertada em Maio.
Leonard Leo, presidente da Comissão, afirmou que a repressão dos protestos após as eleições iranianas de 12 de Junho, "mostraram ao mundo as frias realidades de como o governo iraniano lida regularmente com dissidentes, ou perspectivas que são consideradas uma ameaça ao regime teocrático".
"As acusações contra estes Baha’is detidos não têm qualquer fundamento e são um pretexto para perseguição e hostilização de uma minoria religiosa desfavorecida", afirmou Leo. "Devem ser libertados imediatamente"
Os sete baha’is estiveram detidos durante mais de um ano sem que fosse formulada uma acusação ou permitido acesos aos seus advogados, afirmou Diane Ala'i, representante da Comunidade Internacional Baha’i nas Nações Unidas.
Acrescentou que os sete têm a representação legal de Shirin Ebadi, Premio Nobel da Paz, e do advogado de direitos humanos, Abdolfattah Soltani. Mas segundo o grupo de direitos humanos Amnistia Internacional, Soltani foi detido no dia 16 de Junho e o seu paradeiro é desconhecido.
Ala’i afirmou que os advogados não tiveram acesso aos seus clientes, mas puderam ler os processos.
(...)
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Notícia completa: U.S. panel demands release of Baha'is facing trial in Iran (CNN)
Grupos parlamentares alemães exigem libertação de sete dirigentes Baha’is no Irão
Lembrando que amanhã (11 de Julho) deverá ter lugar o julgamento de sete dirigentes Baha’is no Irão, os responsáveis pelos assuntos de direitos humanos no parlamento alemão de vários grupos parlamentares do Bundestag, Erika Steinbach (CDU/CSU), Christoph Strässer (SPD), Volker Beck MP (B90/DIE GRÜNEN) e o presidente Burkhardt Müller-Sönksen MdB (FDP) divulgaram uma declaração onde se afirma:"Em nome dos nossos grupos parlamentares exigimos a libertação imediata e incondicional dos dirigentes da comunidade religiosa Baha’i. Os sete membros deste grupo [conhecidos como Yaran, «os Amigos»] - duas mulheres e cinco homens foram presos há mais de um ano. Foram acusados de espionagem para Israel, ofensa a santidades religiosas, propaganda contra a Republica Islâmica e, recentemente, de «espalhar corrupção na terra». Estão ameaçados pela pena de morte. A proclamação da sua sentença é esperada para o dia 11 de Julho.
(...)
Os nossos grupos parlamentares saúdam o facto do Governo Federal estar a envidar esforços para garantir uma observação coordenada do processo deste julgamento a partir da União Europeia. Deve ser feito tudo o que for possível para libertar este prisioneiros, ou, pelo menos, garantir um processo público, constitucional, de acordo com os padrões internacionais. A nossa preocupação actual centra-se nestes sete dirigentes acusados. No entanto, estamos igualmente preocupados com outros 30 Baha'is que se encontram detidos no Irão exclusivamente devido às suas convicções religiosas."
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Notícia completa: Parliamentary Group in Germany demands release of imprisoned Baha’i leaders (IPW)
Amnistia Internacional: Sete Bahá'ís enfrentam a pena de morte no Irão
A Amnistia Internacional apela à libertação da minoria religiosa Baha’i do Irão que serão levados a tribunal amanhã, enfrentando diversas acusações, incluindo "serem corruptos na terra" (mofsed fil arz) e "espionagem para Israel".(...)
Kate Allen, directora da Amnistia Internacional do Reino Unido afirmou:
"Quase a coberto da repressão que se verifica desde os protestos eleitorais, as autoridades iranianas têm furtivamente pressionado a realização deste julgamento vingativo destes sete membros da minoria religiosa Baha'i.Os sete são membros de um grupo responsável pelos assuntos administrativos da comunidade religiosa Baha’i no Irão. Estão detidos na secção 209 da prisão de Evin, que está sobre tutela do Ministério da Segurança.
Em vez de os perseguir, as autoridades iranianas devem retirar as acusações e libertá-los imediatamente"
Os sete são membros de um grupo responsável pela Baha'i da comunidade religiosa no Irão e assuntos administrativos. Eles estão detidos na Seção 209 da Prisão Evin, que é gerido pelo Ministério da Inteligência.
(...)
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Notícia completa: Iran: Seven members of Baha'i religious minority face possible death sentences
Reis e Governantes, em 1867
Há alguns atrás, neste blog escrevi sobre a Epístola de Bahá'u'lláh aos Reis (Súriy-i-Mulúk). Trata-se de uma Epístola revelada em 1867, durante o terceiro exílio de Bahá'u'lláh. Nesse texto o fundador da religião Bahá’í dirige-se colectivamente a todos os reis da Terra, aconselhando-os a ser justos e a reduzirem os armamentos, de forma a permitir a prosperidade dos seus súbditos. Também afirma que os conflitos devem ser resolvidos de forma diplomática, e que as nações apenas devem ter exércitos com dimensão suficiente para proteger os seus domínios.
Nesse mesmo ano de 1867, realizou-se em Paris a Grande Exposição Universal. O evento era uma afirmação da frança como grande potência europeia e contava com expositores de vários países do mundo. Uma das recordações desse evento é uma ilustração onde estavam representados o Imperador Francês e outros monarcas que visitaram a Exposição. Curiosamente, quase todos eles foram destinatários de uma Epístola de Bahá'u'lláh.
Aqui fica a referida ilustração (clique na imagem para ampliar):

Excertos da Epístola aos Reis (Súriy-i-Mulúk):
Ó REIS DA TERRA! Aquele que é o Senhor soberano de todos já veio. O Reino é de Deus, o Protector Omnipotente, O que subsiste por Si Próprio. Não adoreis senão a Deus e, com corações radiantes, levantai a vossa face para o vosso Senhor, Senhor de todos os nomes. Esta é uma Revelação com a qual nenhuma de vossas possessões jamais será comparável – se apenas pudésseis saber isso.
(...)
Sois apenas vassalos, ó reis da terra! Aquele que é Rei dos Reis apareceu, adornado com a sua mais maravilhosa Glória, e convoca-vos a Ele Mesmo, o Amparo no Perigo, O que subsiste por Si Próprio. Acautelai-vos para que o orgulho não vos impeça de reconhecer a Fonte da Revelação, nem as coisas deste mundo vos excluam, como se o fosse por um véu, daquele que é Criador do Céu. Levantai-vos e servi Aquele que é o Desejo de todas as nações, que vos criou através de uma palavra Sua e ordenou que fôsseis, para todo o sempre, os símbolos da Sua soberania.
(...)
Passaram-se vinte anos, ó reis, durante os quais saboreamos a cada dia a agonia de uma nova tribulação. Nenhum dos que Nos antecedeu suportou o que Nós temos suportado. Oxalá pudésseis perceber isso! Os que se levantaram contra Nós, têm-nos levado à morte, têm derramado o Nosso sangue, têm saqueado os Nossos bens e violado a Nossa honra. Vós, porém, embora cientes da maior parte das Nossas aflições, não detivestes a mão do agressor. E não é claramente vosso dever reprimir a tirania do opressor e tratar com equidade os vossos súditos, a fim de demonstrar plenamente a toda a humanidade o vosso elevado sentido de justiça?
Deus entregou às vossas mãos as rédeas do governo do povo, para que possais governar com justiça sobre eles, salvaguardando os direitos dos espezinhados e punindo os malfeitores. Se negligenciares o dever que Deus vos prescreveu no Seu Livro, os vossos nomes serão incluídos nos que são injustos aos Seus olhos. Lastimável, de facto, será o vosso erro. Agarrai-vos ao que as vossas imaginações conceberam e repelis os mandamentos de Deus, o Excelso, o Inatingível, o Predominante, o Todo-Poderoso? Renunciai àquilo que vós possuís, e segurai-vos àquilo que Deus vos mandou observar. Procurai a Sua graça é o que deveis buscar, pois quem a procura trilha o Seu Caminho recto...
(...)
Ó REI DA TERRA! Nós vos vemos aumentar, todos os anos, as vossas despesas, cujo o peso colocais sobre os vossos súditos. Isso, em verdade, é inteira e grosseiramente injusto. Temei os suspiros e as lágrimas deste Injuriado e não ponhais encargos excessivos sobre os vossos povos. Não os roubeis a fim de erguerdes palácios para vós próprios; não, antes, escolhei para eles o que escolheis para vós próprios. Assim expomos perante os vossos olhos o que vos é proveitoso – se apenas o percebêsseis. Os vossos povos são os vossos tesouros. Acautelai-vos para que a vossa governação não viole os mandamentos de Deus, e não entregueis vossas tutelas nas mãos do ladrão. É pelos vossos povos que governais, por meio deles subsistis, pela sua ajuda que conquistais. No entanto, com que desdém olhais para eles! Que estranho, muito estranho!
Agora que recusastes a Paz Maior, segurai-vos a essa, a Paz Menor, a fim de que possais, de alguma forma, melhorar a vossa própria condição e a dos vossos dependentes.
Ó governantes da terra! Reconciliai-vos, para que não mais necessiteis de armamentos, salvo na medida necessária para proteger os vossos territórios e domínios. Acautelai-vos para não desprezar o conselho do Omnisciente, do Fiel.
Uni-vos, ó reis da terra, pois assim a tempestade da discórdia se aquietará entre vós, e o vosso povo encontrará a tranquilidade - se sois dos que compreendem. Se alguém dentre vós pegar em armas contra outro, levantai-vos contra ele, pois isso nada mais é que justiça manifesta.
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Sobre esta Epístola:
* Epístola aos Reis – Introdução
* Epístola aos Reis (1): A Proclamação
* Epístola aos Reis (2): O Sultão e os Ministros
* Epístola aos Reis (3): Os Embaixadores
* Epístola aos Reis (4): Sacerdotes, Sábios e Filósofos
Nesse mesmo ano de 1867, realizou-se em Paris a Grande Exposição Universal. O evento era uma afirmação da frança como grande potência europeia e contava com expositores de vários países do mundo. Uma das recordações desse evento é uma ilustração onde estavam representados o Imperador Francês e outros monarcas que visitaram a Exposição. Curiosamente, quase todos eles foram destinatários de uma Epístola de Bahá'u'lláh.
Aqui fica a referida ilustração (clique na imagem para ampliar):

Excertos da Epístola aos Reis (Súriy-i-Mulúk):
Ó REIS DA TERRA! Aquele que é o Senhor soberano de todos já veio. O Reino é de Deus, o Protector Omnipotente, O que subsiste por Si Próprio. Não adoreis senão a Deus e, com corações radiantes, levantai a vossa face para o vosso Senhor, Senhor de todos os nomes. Esta é uma Revelação com a qual nenhuma de vossas possessões jamais será comparável – se apenas pudésseis saber isso.
(...)
Sois apenas vassalos, ó reis da terra! Aquele que é Rei dos Reis apareceu, adornado com a sua mais maravilhosa Glória, e convoca-vos a Ele Mesmo, o Amparo no Perigo, O que subsiste por Si Próprio. Acautelai-vos para que o orgulho não vos impeça de reconhecer a Fonte da Revelação, nem as coisas deste mundo vos excluam, como se o fosse por um véu, daquele que é Criador do Céu. Levantai-vos e servi Aquele que é o Desejo de todas as nações, que vos criou através de uma palavra Sua e ordenou que fôsseis, para todo o sempre, os símbolos da Sua soberania.
(...)
Passaram-se vinte anos, ó reis, durante os quais saboreamos a cada dia a agonia de uma nova tribulação. Nenhum dos que Nos antecedeu suportou o que Nós temos suportado. Oxalá pudésseis perceber isso! Os que se levantaram contra Nós, têm-nos levado à morte, têm derramado o Nosso sangue, têm saqueado os Nossos bens e violado a Nossa honra. Vós, porém, embora cientes da maior parte das Nossas aflições, não detivestes a mão do agressor. E não é claramente vosso dever reprimir a tirania do opressor e tratar com equidade os vossos súditos, a fim de demonstrar plenamente a toda a humanidade o vosso elevado sentido de justiça?
Deus entregou às vossas mãos as rédeas do governo do povo, para que possais governar com justiça sobre eles, salvaguardando os direitos dos espezinhados e punindo os malfeitores. Se negligenciares o dever que Deus vos prescreveu no Seu Livro, os vossos nomes serão incluídos nos que são injustos aos Seus olhos. Lastimável, de facto, será o vosso erro. Agarrai-vos ao que as vossas imaginações conceberam e repelis os mandamentos de Deus, o Excelso, o Inatingível, o Predominante, o Todo-Poderoso? Renunciai àquilo que vós possuís, e segurai-vos àquilo que Deus vos mandou observar. Procurai a Sua graça é o que deveis buscar, pois quem a procura trilha o Seu Caminho recto...
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Ó REI DA TERRA! Nós vos vemos aumentar, todos os anos, as vossas despesas, cujo o peso colocais sobre os vossos súditos. Isso, em verdade, é inteira e grosseiramente injusto. Temei os suspiros e as lágrimas deste Injuriado e não ponhais encargos excessivos sobre os vossos povos. Não os roubeis a fim de erguerdes palácios para vós próprios; não, antes, escolhei para eles o que escolheis para vós próprios. Assim expomos perante os vossos olhos o que vos é proveitoso – se apenas o percebêsseis. Os vossos povos são os vossos tesouros. Acautelai-vos para que a vossa governação não viole os mandamentos de Deus, e não entregueis vossas tutelas nas mãos do ladrão. É pelos vossos povos que governais, por meio deles subsistis, pela sua ajuda que conquistais. No entanto, com que desdém olhais para eles! Que estranho, muito estranho!
Agora que recusastes a Paz Maior, segurai-vos a essa, a Paz Menor, a fim de que possais, de alguma forma, melhorar a vossa própria condição e a dos vossos dependentes.
Ó governantes da terra! Reconciliai-vos, para que não mais necessiteis de armamentos, salvo na medida necessária para proteger os vossos territórios e domínios. Acautelai-vos para não desprezar o conselho do Omnisciente, do Fiel.
Uni-vos, ó reis da terra, pois assim a tempestade da discórdia se aquietará entre vós, e o vosso povo encontrará a tranquilidade - se sois dos que compreendem. Se alguém dentre vós pegar em armas contra outro, levantai-vos contra ele, pois isso nada mais é que justiça manifesta.
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Sobre esta Epístola:
* Epístola aos Reis – Introdução
* Epístola aos Reis (1): A Proclamação
* Epístola aos Reis (2): O Sultão e os Ministros
* Epístola aos Reis (3): Os Embaixadores
* Epístola aos Reis (4): Sacerdotes, Sábios e Filósofos
quinta-feira, 9 de julho de 2009
terça-feira, 7 de julho de 2009
segunda-feira, 6 de julho de 2009
Na fila da caixa do supermercado...
... aguardava a minha vez. Os meus filhos, que até aí se tinham portado razoavelmente bem, entretinham-se a olhar para os doces e pacotes de gomas nos pequenos expositores que ali se encontram. Atrás de mim, um africano de cabelo curto, com cerca de 30 anos, e sorriso simpático. O meu filho mais novo (com 3 anos!) pensou reconhecê-lo e disse alto e bom som: "Pai, olha o Obama!"
O homem riu. Mas eu devo ter mudado de cor algumas vezes.
O homem riu. Mas eu devo ter mudado de cor algumas vezes.
domingo, 5 de julho de 2009
Matar o Tempo

MATAR O TEMPO um filme de Margarida Leitão em competição
no 17º Curtas Vila do Conde - Festival Internacional de Cinema , sobre o qual podem saber mais aqui
(4 a 12 de Julho)
Exibições no Teatro Municipal
Quarta, 8 Julho - 23:00 Sala 1
Quinta, 9 Julho - 20:00 Sala 2
"Em Matar o Tempo, Margarida Leitão envereda, novamente de forma brilhante, pelo documentário, retratando um grupo de trabalhadores em greve contínua e a forma como se organizam e passam o tempo. Humano e substancial"Manuel Halpern, in JL; Jornal de Letras, Artes e Ideias n.º1011, de 1 a 14 de Julho de 2009
sábado, 4 de julho de 2009
Several Questions to the Universal House of Justice
Explanation from the Research Department of the Universal House of Justice, concerning several aspects of the Baha'i teachings.
1 - Baha'i Status and Community Membership
2 - Spiritual Primacy of American believers
3 - Most Great Spirit
4 - Study Materials on the Covenant
5 - The Revelation of the Bab
6 - Participation in Civil Elections
7 - Definition of Pioneer
Several Questions UHJ 1990Dec30
1 - Baha'i Status and Community Membership
2 - Spiritual Primacy of American believers
3 - Most Great Spirit
4 - Study Materials on the Covenant
5 - The Revelation of the Bab
6 - Participation in Civil Elections
7 - Definition of Pioneer
Several Questions UHJ 1990Dec30
quinta-feira, 2 de julho de 2009
Ser Bahá'í em Moçambique: Arnaldo Saavedra
Arnaldo Saavedra, partilha algumas recordações da sua experiência como pioneiro Bahá'í em Moçambique (1975-1976)
quarta-feira, 1 de julho de 2009
Ser Bahá'í em Moçambique: Francisco Novais
Francisco Novais, membro da Comunidade Bahá'í, partilha algumas recordações sobre Moçambique, país onde viveu entre 1964 e 1975.
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