Excerto de um programa exibido num canal de TV Chileno
(*) Título corrigido.
terça-feira, 31 de março de 2009
segunda-feira, 30 de março de 2009
Hans Kung: Outra palavra para Deus?
Também muitos cientistas, compreensivelmente, ficam chocados com a palavra "Deus". Em lugar de "Deus" também podemos, de certo, falar de "divindade", ou do "divino". A palavra "Deus" é muitas vezes antropomorficamente mal entendida, dela se abusando para fins políticos, comerciais, militares, eclesiásticos. Mas serão os abusos e a falta de credibilidade de tantos representantes oficiais e das instituições de fé razão suficiente para que a palavra “Deus” deixe de ser usada?
Muitas vezes nos perguntam: "Como é que o senhor sempre de novo consegue falar de "Deus"? Como pode esperar que seus leitores acolham a palavra no sentido em que o senhor desejaria que fosse entendida?... Será que existe outra palavra da linguagem humana que tenha sido tão maltratada, tão manchada, tão desonrada como esta?" Sobre Deus não seria melhor que ficássemos calados?
É precisamente com esta questão que se ocupa o filósofo judeu Martin Buber: "Sim, esta é a mais carregada de todas as palavras humanas. Nenhuma tem sido tão aviltada, tão dilacerada. Precisamente por isso eu não posso renunciar a ela. Todas as gerações fizeram passar sobre esta palavra o peso de suas angústias; esmagaram-na contra o solo; por isso ela jaz no pó, esmagada pelo peso de todas. As gerações dos homens, com as suas divisões religiosas, dilaceraram a palavra; por ela mataram e por ela morreram; ela traz em si as marcas de todos eles. Onde poderia eu encontrar palavra igual a esta para designar o Altíssimo? Se usasse o mais puro e mais brilhante conceito do mais profundo tesouro dos filósofos, encontraria ali apenas uma imagem descompromissada, mas a presença daquele a quem me refiro, daquele a quem gerações de homens honraram ou rebaixaram com todos os horrores da vida e da morte..."
(...)
Em lugar de deixarmos de falar de Deus, ou de simplesmente continuarmos a falar de Deus como antes, precisamente para os teólogos e filósofos é muito importante que se aprenda a falar de Deus de um maneira cautelosa e nova! Isto também porque, justamente por parte dos naturalistas, é possível ouvirmos frases como estas: "Não sou nenhum materialista. Tem de haver algo mais do que a matéria: o espírito, a transcendência, o sagrado, o divino. Mas com um Deus personificado que se encontra lá em cima, ou lá fora, eu, como cientista, não sei bem o que fazer". Por isso ninguém deveria ser por "representantes de Deus" impedido de tentar novas maneiras de falar de Deus, para fazer com que a fé infantil se transforme em fé adulta.
Hans Küng, O Princípio de Todas as Coisas, pags. 147-148
(Editora Vozes, Petropolis, 2007)
Muitas vezes nos perguntam: "Como é que o senhor sempre de novo consegue falar de "Deus"? Como pode esperar que seus leitores acolham a palavra no sentido em que o senhor desejaria que fosse entendida?... Será que existe outra palavra da linguagem humana que tenha sido tão maltratada, tão manchada, tão desonrada como esta?" Sobre Deus não seria melhor que ficássemos calados?
É precisamente com esta questão que se ocupa o filósofo judeu Martin Buber: "Sim, esta é a mais carregada de todas as palavras humanas. Nenhuma tem sido tão aviltada, tão dilacerada. Precisamente por isso eu não posso renunciar a ela. Todas as gerações fizeram passar sobre esta palavra o peso de suas angústias; esmagaram-na contra o solo; por isso ela jaz no pó, esmagada pelo peso de todas. As gerações dos homens, com as suas divisões religiosas, dilaceraram a palavra; por ela mataram e por ela morreram; ela traz em si as marcas de todos eles. Onde poderia eu encontrar palavra igual a esta para designar o Altíssimo? Se usasse o mais puro e mais brilhante conceito do mais profundo tesouro dos filósofos, encontraria ali apenas uma imagem descompromissada, mas a presença daquele a quem me refiro, daquele a quem gerações de homens honraram ou rebaixaram com todos os horrores da vida e da morte..."
(...)
Em lugar de deixarmos de falar de Deus, ou de simplesmente continuarmos a falar de Deus como antes, precisamente para os teólogos e filósofos é muito importante que se aprenda a falar de Deus de um maneira cautelosa e nova! Isto também porque, justamente por parte dos naturalistas, é possível ouvirmos frases como estas: "Não sou nenhum materialista. Tem de haver algo mais do que a matéria: o espírito, a transcendência, o sagrado, o divino. Mas com um Deus personificado que se encontra lá em cima, ou lá fora, eu, como cientista, não sei bem o que fazer". Por isso ninguém deveria ser por "representantes de Deus" impedido de tentar novas maneiras de falar de Deus, para fazer com que a fé infantil se transforme em fé adulta.
Hans Küng, O Princípio de Todas as Coisas, pags. 147-148
(Editora Vozes, Petropolis, 2007)
sábado, 28 de março de 2009
Mais um que mudou de canal!
- Ó chefe, posso perguntar-lhe uma coisa?
- Sim, claro.
- Era você que estava no outro dia na RTP2?
- Sim, era eu.
- Eu bem dizia...
- Então diga-me uma coisa: o que achou do programa?
- Não sei, não vi tudo.
- Sim, claro.
- Era você que estava no outro dia na RTP2?
- Sim, era eu.
- Eu bem dizia...
- Então diga-me uma coisa: o que achou do programa?
- Não sei, não vi tudo.
quinta-feira, 26 de março de 2009
Investigar a verdade

"O que aconteceu ao avô do tio R.?" perguntou o meu filho com a sua curiosidade de quem tem 5 anos.
"Morreu", respondeu-lhe a tia
"E onde é que ele está?", retorquiu.
"Foi para o céu", esclareceu a tia.
"Para o céu?!... E não cai?"
A tia não foi capaz de responder.
E eu pensei cá para mim: "É assim que se começa a investigar livremente a verdade."
quarta-feira, 25 de março de 2009
A Epístola de Maqsud
Aqui fica o vídeo com o programa sobre a apresentação sobre a Epístola de Maqsud que fiz no início deste mês no Centro Bahá'í em Lisboa. E fica também o Powerpoint usado nessa apresentação.
Epístola de Maqsud
Lembro que neste blog já publiquei alguns posts sobre esta Epístola:
* Epístola de Maqsúd(1): Introdução
* Epístola de Maqsúd(2): Equacionando os Problemas da Humanidade
* Epístola de Maqsúd(3): Uma Nova Ordem Mundial
* Epístola de Maqsúd(4): O Ser Humano
* Epístola de Maqsúd(5): Revelação e Religião
Epístola de Maqsud
Lembro que neste blog já publiquei alguns posts sobre esta Epístola:
* Epístola de Maqsúd(1): Introdução
* Epístola de Maqsúd(2): Equacionando os Problemas da Humanidade
* Epístola de Maqsúd(3): Uma Nova Ordem Mundial
* Epístola de Maqsúd(4): O Ser Humano
* Epístola de Maqsúd(5): Revelação e Religião
terça-feira, 24 de março de 2009
Fareed Zakaria: O Mundo Pós-Americano (10)
No livro "O Mundo Pós Americano", Fareed Zakaria chama a nossa atenção para as diferentes perspectivas sobre Deus, no Ocidente e na China.
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Há algumas diferenças reais e importantes entre as visões chinesas e ocidentais (particularmente, americanas) do mundo que vale a pena explorar. Começam com Deus. No inquérito Pew de 2007, quando se pergunta se se tem de acreditar em Deus para ser uma pessoa com moralidade, uma maioria confortável dos Americanos (57 por cento) responde que sim. Contudo, no Japão e na China, há maiorias muito mais elevadas a responder que não – na China, uns colossais 72 por cento! Trata-se de uma divergência notável e pouco usual em relação à norma, mesmo na Ásia. O ponto não é que ambos os países sejam imorais – na realidade, tudo indica o contrário - , mas antes que as pessoas não acreditam em Deus em nenhum daqueles países.
Isto pode chocar muitas pessoas no Ocidente, mas é uma realidade bem conhecida dos estudiosos do assunto. Os asiáticos do Leste não acreditam que o mundo tenha um Criador que estabeleceu um conjunto de leis morais abstractas que têm de ser seguidas. Esta concepção semita de Deus partilhada pelo judaísmo, pelo cristianismo e pelo islamismo é estranha à civilização chinesa. Há pessoas que afirmam que a religião chinesa é o confucionismo. Contudo, Joseph Needham, um eminente especialista em confucionismo, fez notar, que se se pensa na religião «como a teologia de um criador-divindade transcendente», o confucionismo não é uma religião. Confúcio foi um professor, não foi um profeta nem um homem sagrado em nenhum sentido. Os seus escritos, ou os fragmentos deles que sobreviveram, são espantosamente a-religiosos. Previne repetidamente contra pensar sobre o divino e, em vez disso, estabelece regras para a aquisição de conhecimento, para ter comportamentos éticos, para manter a estabilidade social e uma civilização ordenada. O seu trabalho tem mais em comum com os escritos dos filósofos do iluminismo que com opúsculos religiosos. (p.108-109)
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Há algumas diferenças reais e importantes entre as visões chinesas e ocidentais (particularmente, americanas) do mundo que vale a pena explorar. Começam com Deus. No inquérito Pew de 2007, quando se pergunta se se tem de acreditar em Deus para ser uma pessoa com moralidade, uma maioria confortável dos Americanos (57 por cento) responde que sim. Contudo, no Japão e na China, há maiorias muito mais elevadas a responder que não – na China, uns colossais 72 por cento! Trata-se de uma divergência notável e pouco usual em relação à norma, mesmo na Ásia. O ponto não é que ambos os países sejam imorais – na realidade, tudo indica o contrário - , mas antes que as pessoas não acreditam em Deus em nenhum daqueles países.Isto pode chocar muitas pessoas no Ocidente, mas é uma realidade bem conhecida dos estudiosos do assunto. Os asiáticos do Leste não acreditam que o mundo tenha um Criador que estabeleceu um conjunto de leis morais abstractas que têm de ser seguidas. Esta concepção semita de Deus partilhada pelo judaísmo, pelo cristianismo e pelo islamismo é estranha à civilização chinesa. Há pessoas que afirmam que a religião chinesa é o confucionismo. Contudo, Joseph Needham, um eminente especialista em confucionismo, fez notar, que se se pensa na religião «como a teologia de um criador-divindade transcendente», o confucionismo não é uma religião. Confúcio foi um professor, não foi um profeta nem um homem sagrado em nenhum sentido. Os seus escritos, ou os fragmentos deles que sobreviveram, são espantosamente a-religiosos. Previne repetidamente contra pensar sobre o divino e, em vez disso, estabelece regras para a aquisição de conhecimento, para ter comportamentos éticos, para manter a estabilidade social e uma civilização ordenada. O seu trabalho tem mais em comum com os escritos dos filósofos do iluminismo que com opúsculos religiosos. (p.108-109)
segunda-feira, 23 de março de 2009
Los bahaíes de Egipto ya pueden salir del armario
Heba Helmy El Cairo, 19 mar (EFE).- Tras una larga lucha con la Justicia egipcia, los bahaíes ya pueden salir del armario y tener carnés de identidad sin falsificar su religión para figurar como musulmanes, cristianos o judíos, únicos credos reconocidos por el Estado.
"Hemos pasado cinco años ante los tribunales pidiendo que nos saquen de la muerte civil en la que vivíamos por no tener ningún documento que nos identifique", dijo a Efe Rauf Hendi, médico, de credo bahaí.
Finalmente, el pasado día 16 la Corte Suprema Administrativa egipcia emitió un veredicto definitivo que permite a los miembros de la minoría bahaí tener sus documentos de identidad y certificados de nacimiento, en los que se deja vacío el apartado de la religión.
Según las leyes egipcias, en el carné de identidad de todos los ciudadanos debe aparecer la religión que profesan.
Pero el Ministerio del Interior permite a los egipcios figurar en la documentación sólo como musulmanes, cristianos o judíos, lo que automáticamente excluye a los seguidores de otras confesiones, como los bahaíes, que se ven obligados a elegir una de las tres religiones monoteístas o quedarse sin documento.
"Como rechazamos falsificar nuestra religión, tuvimos que vivir sin carnés de identidad ni certificados de nacimiento, y entonces sin enseñanza, empleo, seguro médico, cuentas bancarias, pasaportes y permisos de conducir", denunció Hendi.
Este fiel bahaí, cuyos padres y abuelos eran seguidores del mismo credo, tuvo que sacar del país a sus dos hijos gemelos, Emad y Nancy, también bahaíes, porque ningún colegio egipcio quiso aceptarles, ya que no tienen certificados de nacimiento.
Además, cientos de jóvenes bahaíes fueron expulsados de las universidades al no disponer de carnés de identidad.
Los que sí pudieron continuar su enseñanza fueron los que optaron por falsificar su religión en la documentación.
"Pero imagínate si mi hijo tiene un carné de identidad que diga que es musulmán y luego se casa con una chica que más tarde se entera de que le había mentido", dijo Hendi, para quien es "muy grave" falsificar la religión, aunque sea con permiso de las autoridades.
De hecho, su hijo mayor, que nació en 1987, tenía un certificado de nacimiento antiguo que no especificaba la fe, y cuando Hendi lo renovó, descubrió que los funcionarios le habían inscrito en el documento como musulmán.
Y es que en Egipto, cuando la gente habla de la religión sólo se menciona el islamismo y el cristianismo, y no se atreve a citar a ningún otro credo.
Se desconocen cifras sobre el número exacto de practicantes del bahaísmo que hay en Egipto, aunque sus seguidores calculan que son cerca de dos mil.
No suelen anunciar su fe en público y la practican en secreto, sobre todo después de que en 1960 fueran cerradas todas sus sedes en el país.
Se empezó a hablar de las angustias de los bahaíes con la burocracia en el 2004, cuando el Ministerio del Interior prohibió los certificados de nacimiento y los carnés de identidad para quienes no se declaren musulmanes, cristianos o judíos.
Fue entonces cuando los bahaíes, apoyados por varias organizaciones de derechos humanos, lanzaron una campaña de protestas para que su credo fuera reconocido oficialmente.
Antes de este año, los bahaíes vivían en paz, ya que sus carnés de identidad no especificaban la religión.
Ahora, con el último veredicto del tribunal -que no se puede apelar-, la "Justicia ha devuelto a los bahaíes sus derechos ante una política discriminatoria del Ministerio del Interior", según comentó a Efe Adel Ramadán, de la ONG Iniciativa Egipcia para los Derechos Individuales.
Para Ramadán, los bahaíes que más sufrieron de esta política fueron los niños a quienes se les negaron las vacunas distribuidas por el Ministerio de Sanidad, ya que no disponían de certificados de nacimiento.
El bahaísmo, que llegó a Egipto en 1903, fue fundado en el siglo XIX por Mirza Husyan Ali en Persia, como una escisión del chiísmo.
Como Ali varió algunos conceptos básicos del islamismo (igualdad entre el hombre y la mujer, escolarización obligatoria de las niñas y la anulación de la jerarquía religiosa) fue acusado de apostasía por los religiosos islámicos. EFE hh/ag/mcd
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Publicado no El Confidencial(Espanha) no dia 19-Março-2009
"Hemos pasado cinco años ante los tribunales pidiendo que nos saquen de la muerte civil en la que vivíamos por no tener ningún documento que nos identifique", dijo a Efe Rauf Hendi, médico, de credo bahaí.Finalmente, el pasado día 16 la Corte Suprema Administrativa egipcia emitió un veredicto definitivo que permite a los miembros de la minoría bahaí tener sus documentos de identidad y certificados de nacimiento, en los que se deja vacío el apartado de la religión.
Según las leyes egipcias, en el carné de identidad de todos los ciudadanos debe aparecer la religión que profesan.
Pero el Ministerio del Interior permite a los egipcios figurar en la documentación sólo como musulmanes, cristianos o judíos, lo que automáticamente excluye a los seguidores de otras confesiones, como los bahaíes, que se ven obligados a elegir una de las tres religiones monoteístas o quedarse sin documento.
"Como rechazamos falsificar nuestra religión, tuvimos que vivir sin carnés de identidad ni certificados de nacimiento, y entonces sin enseñanza, empleo, seguro médico, cuentas bancarias, pasaportes y permisos de conducir", denunció Hendi.
Este fiel bahaí, cuyos padres y abuelos eran seguidores del mismo credo, tuvo que sacar del país a sus dos hijos gemelos, Emad y Nancy, también bahaíes, porque ningún colegio egipcio quiso aceptarles, ya que no tienen certificados de nacimiento.
Además, cientos de jóvenes bahaíes fueron expulsados de las universidades al no disponer de carnés de identidad.
Los que sí pudieron continuar su enseñanza fueron los que optaron por falsificar su religión en la documentación.
"Pero imagínate si mi hijo tiene un carné de identidad que diga que es musulmán y luego se casa con una chica que más tarde se entera de que le había mentido", dijo Hendi, para quien es "muy grave" falsificar la religión, aunque sea con permiso de las autoridades.
De hecho, su hijo mayor, que nació en 1987, tenía un certificado de nacimiento antiguo que no especificaba la fe, y cuando Hendi lo renovó, descubrió que los funcionarios le habían inscrito en el documento como musulmán.
Y es que en Egipto, cuando la gente habla de la religión sólo se menciona el islamismo y el cristianismo, y no se atreve a citar a ningún otro credo.
Se desconocen cifras sobre el número exacto de practicantes del bahaísmo que hay en Egipto, aunque sus seguidores calculan que son cerca de dos mil.
No suelen anunciar su fe en público y la practican en secreto, sobre todo después de que en 1960 fueran cerradas todas sus sedes en el país.
Se empezó a hablar de las angustias de los bahaíes con la burocracia en el 2004, cuando el Ministerio del Interior prohibió los certificados de nacimiento y los carnés de identidad para quienes no se declaren musulmanes, cristianos o judíos.
Fue entonces cuando los bahaíes, apoyados por varias organizaciones de derechos humanos, lanzaron una campaña de protestas para que su credo fuera reconocido oficialmente.
Antes de este año, los bahaíes vivían en paz, ya que sus carnés de identidad no especificaban la religión.
Ahora, con el último veredicto del tribunal -que no se puede apelar-, la "Justicia ha devuelto a los bahaíes sus derechos ante una política discriminatoria del Ministerio del Interior", según comentó a Efe Adel Ramadán, de la ONG Iniciativa Egipcia para los Derechos Individuales.
Para Ramadán, los bahaíes que más sufrieron de esta política fueron los niños a quienes se les negaron las vacunas distribuidas por el Ministerio de Sanidad, ya que no disponían de certificados de nacimiento.
El bahaísmo, que llegó a Egipto en 1903, fue fundado en el siglo XIX por Mirza Husyan Ali en Persia, como una escisión del chiísmo.
Como Ali varió algunos conceptos básicos del islamismo (igualdad entre el hombre y la mujer, escolarización obligatoria de las niñas y la anulación de la jerarquía religiosa) fue acusado de apostasía por los religiosos islámicos. EFE hh/ag/mcd
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Publicado no El Confidencial(Espanha) no dia 19-Março-2009
sexta-feira, 20 de março de 2009
O que significa a mensagem do Presidente Obama?
Temos que reconhecer que ao disponibilizar a sua mensagem de Naw Ruz na Internet, o Presidente Obama consegue chegar directamente a milhões de iranianos. É algo muito mais eficiente do que fazer uma simples mensagem televisiva e deixar que as estações oficiais de TV no Irão façam os seus cortes e distorções.
Em todo o mundo os muitos Bahá’ís reagiram com agrado esta mensagem. Afinal, o Presidente Americano começa por dizer que deseja felicitar todos os que celebram o Naw-Ruz (Ano Novo). E isso inclui-nos. Mas esta mensagem é dirigida ao povo iraniano e seus dirigentes políticos. É uma tentativa de abrir as portas ao diálogo com a sociedade e o regime iraniano. É uma mensagem de boa vontade que está repleta de significados políticos (muito bem analisados por Paul Reynolds What Obama's message to Iran means, BBC).
Esta mensagem não aborda a questão dos direitos humanos ou mesmo a situação dos Bahá’ís no Irão. Essencialmente o Presidente apresenta exigências e oferece uma oportunidade para o diálogo e para a diplomacia. E não diz quanto tempo vai durar essa oportunidade.
Ficamos a aguardar novos desenvolvimentos.
quinta-feira, 19 de março de 2009
BBC: Iran and the West
Via Iran Press Watch descobri este documentário da BBC intitulado “Iran and the West”. Trata-se de um trabalho que nos mostra como, desde o início da revolução islâmica, o Irão tem enfrentado o Ocidente. São entrevistados vários lideres mundiais que, durante os últimos 30 anos, lidaram com o regime iraniano, assim como dirigentes iranianos. Entre os entrevistados surgem Vladimir Putin, Jimmy Carter, Mohammad Khatami, Bill Clinton, Akbar Hashemi Rafsanjani, Colin Powell, Ali Larijani, Farah Pahlavi, Madeline Albright, e Javier Perez de Cuellar.
quarta-feira, 18 de março de 2009
Um crime liberticida mesmo no meio de nós
No editorial do Diário de Notícias de hoje:
Ontem houve uma grande notícia - grande em tamanho e em atenção dada - sobre a alegada discriminação de alunos ciganos numa escola em Barcelos. E foi publicada também uma pequena notícia, igualmente interessante e sobre o mesmo tema, mas que passou despercebida. Edmundo Martinho, presidente da Comissão Nacional do Rendimento Social de Inserção, disse num colóquio que "não pode haver transigência no que respeita ao exercício de direitos das crianças e jovens. Aceitar que uma jovem mulher de 13 anos não vá à escola para não se encontrar com rapazes não é uma prática aceitável." Não o disse, ou, se o disse, não vinha citado na Lusa, mas estava a referir-se à comunidade cigana.
É pena que poucos falem com esta clareza sobre este assunto. Porque aquilo que se passa com as crianças ciganas nas escolas portuguesas é um autêntico crime, muitas vezes denunciado até dentro da comunidade. As meninas são afastadas da escola para não conviverem com rapazes depois da 4.ª classe, e mesmo entre os rapazes são raros os que fazem mais do que o 10.º ano.
Isto é um atentado aos direitos humanos e devia levar-nos a levantar a voz. A denunciá-lo, como fazemos contra os hábitos islâmicos de discriminação das mulheres. Mas calamo-nos. Nem sequer fazemos referência à comunidade de que estamos a falar. E assim somos todos - jornalistas, assistentes sociais, técnicos de rendimento mínimo - cúmplices destas práticas liberticidas. Tão perto de nós. Tão no meio de nós.
Ontem houve uma grande notícia - grande em tamanho e em atenção dada - sobre a alegada discriminação de alunos ciganos numa escola em Barcelos. E foi publicada também uma pequena notícia, igualmente interessante e sobre o mesmo tema, mas que passou despercebida. Edmundo Martinho, presidente da Comissão Nacional do Rendimento Social de Inserção, disse num colóquio que "não pode haver transigência no que respeita ao exercício de direitos das crianças e jovens. Aceitar que uma jovem mulher de 13 anos não vá à escola para não se encontrar com rapazes não é uma prática aceitável." Não o disse, ou, se o disse, não vinha citado na Lusa, mas estava a referir-se à comunidade cigana.
É pena que poucos falem com esta clareza sobre este assunto. Porque aquilo que se passa com as crianças ciganas nas escolas portuguesas é um autêntico crime, muitas vezes denunciado até dentro da comunidade. As meninas são afastadas da escola para não conviverem com rapazes depois da 4.ª classe, e mesmo entre os rapazes são raros os que fazem mais do que o 10.º ano.
Isto é um atentado aos direitos humanos e devia levar-nos a levantar a voz. A denunciá-lo, como fazemos contra os hábitos islâmicos de discriminação das mulheres. Mas calamo-nos. Nem sequer fazemos referência à comunidade de que estamos a falar. E assim somos todos - jornalistas, assistentes sociais, técnicos de rendimento mínimo - cúmplices destas práticas liberticidas. Tão perto de nós. Tão no meio de nós.
Hans Kung: Provas da Existência de Deus
Assim como rejeita as provas em favor de Deus, Kant também rejeita as provas contra Deus. Porquê? Porque também elas ultrapassam o horizonte da experiência. A ideia de Deus não é nenhuma contradição em si, e os que querem provar que Deus não existe incorrem num erro maior ainda: “As mesmas provas” que demonstram a incapacidade da razão para provar a existência de Deus são suficientes, segundo Kant, “para demonstrar que toda a afirmação em contrário também é inadequada”: “Pois de onde poderia alguém, por pura especulação racional, concluir que não existe nenhum ser supremo, como fundamento de tudo...” Kant está convencido de que a ideia de Deus é um limite necessário, que, qual uma estrela distante, não pode ser atingido pelo processo do conhecimento, mas que de qualquer modo pode ser visado como um ideal a ser atingido.Uma imagem: quando alguém admite que não consegue ver nenhuma coisa atrás da cortina, ele também não pode afirmar que por detrás da cortina não existe nada. Aqui também o ateísmo se depara com seus limites. Todas as provas e demonstrações de grandes ateus são suficientes para tornar questionável a existência de Deus, mas não para provar cabalmente que Deus não existe.
É lamentável termos conhecimento de tantas falsas batalhas , travadas já nos séculos 19 e 20, entre a fé em Deus e a ciência, entre teologia e ateísmo. E mais lamentável ainda é que no século 21 muito cientistas da natureza ainda se deixam prender pelos argumentos dos séculos 19 e 20 da crítica ateísta à religião, argumentos já resolvidos, mas por eles muitas vezes poucas vezes reflectidos. Ainda hoje o ateísmo tem alguns profetas entre os cientistas da natureza.
Hans Küng, O Princípio de Todas as Coisas, pags. 74-75
(Editora Vozes, Petropolis, 2007)
segunda-feira, 16 de março de 2009
Uma vitória para todos os Egípcios!

O Supremo Tribunal Administrativo do Cairo rejeitou hoje um apelo de dois advogados Muçulmanos que pretendiam a revogação de uma decisão judicial (do ano passado) que permitia aos Baha’is não preencher (ou preencher com traços) o campo de filiação religiosa existente nos documentos oficiais de identificação egípcios. Com esta decisão é possível antecipar o fim de uma longa batalha legal atribuição de documentos de identidade (e direitos cívicos!) aos Baha’is Egípcios.
A decisão foi saudada pela organização Egyptian Initiative for Personal Rights (que representou os Baha’is neste processo), cujo director Hossam Bahgat afirmou tratar-se da "primeira vez que o Supremo Tribunal Administrativo reconheceu que qualquer Egípcio tem o direito de manter privadas as suas convicções religiosas, mesmo que o Estado não reconheça o seu sistema de crenças". "A decisão final é uma vitória para todos os Egípcios que lutam por um Estado em que todos os cidadãos têm os mesmos direitos, independentemente da sua religião ou crença", acrescentou.
Esta decisão, que não é passível de recurso, também foi recebida com agrado pela Comunidade Baha’i. Bani Dugal, a representante da Comunidade Internacional junto das Nações Unidas, afirmou esperar que o Governo tome as medidas necessárias para pôr em prática a decisão do tribunal, atribuindo aos Bahá’ís os documento de identidade que lhes garantem os direitos de cidadania.
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Sobre este assunto:
Egyptian court removes barriers to ID documents for Baha'is (BWNS)
Five-Year Legal Battle Ends in Favor of Baha’i Egyptians (EIPR)
EGYPT: Bahais win major court battle (LA Times)
Egyptian court rules in favour of Bahais (GulfNews)
domingo, 15 de março de 2009
A crise no Irão
A propósito da forma como a crise económica está a afectar os países produtores de petróleo, Jorge Almeida Fernandes escreve hoje no jornal Público:
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O problema do Irão é diferente do russo. A sua dependência do petróleo é maior. Quarto produtor mundial, as exportações do crude constituem 80 por cento das divisas do país. A gestão do Presidente Mahmoud Ahmadinejad, que prometeu colocar "a receita do petróleo na mesa dos pobres", foi um fiasco. O Irão produz hoje menos 40 por cento do que no tempo do Xá e deixou envelhecer as infra-estruturas. É obrigado, por falta de capacidade de refinação, a importar boa parte da gasolina que consome e está racionada.
Tem as segundas maiores reservas de gás do mundo, a seguir à Rússia, mas só muito parcialmente o explora. Por falta de tecnologia e porque os EUA bloqueiam tanto quanto possível a construção de gasodutos para a exportação. O isolamento que os americanos lhe impuseram após a revolução islâmica e as sanções decorrentes do seu programa nuclear limita sobretudo o investimento estrangeiro e a modernização económica.
Os anos da alta do petróleo permitiram relativizar as dificuldades económicas. Ahmadinejad aumentou fortemente a despesa pública, o que se traduziu numa explosão da inflação. Em 2008, os alimentos subiram 40 por cento e o desemprego estará na casa dos 20, sendo mais alto entre os jovens. O descontentamento popular manifesta-se abertamente.
Ahmadinejad não constituiu uma reserva financeira, antes dilapidou a que recebeu. Segundo a BBC, a diferença de cada dólar no preço do barril de petróleo vale mil milhões de dólares por ano. Com o crude na casa dos 100 dólares, é o maná. Na casa dos 50, é a ruína. O preço mínimo para um equilíbrio ronda os 75 dólares.
O maior problema do Irão, país culto e dinâmico, com uma enorme elite técnica, é a decrepitude da sua economia. A questão de fundo é sempre política. O Irão é uma potência regional, mas submetido a dois imperativos até agora contraditórios: a obsessão de sobrevivência do regime dos mullah e a hostilidade americana.
A oportunidade de romper o círculo não está tanto nas próximas eleições como num eventual diálogo com os EUA.
A crise mundial mostrou que são as economias desenvolvidas da Europa, da América ou da Ásia que, embora duramente fustigadas, melhor resistem e sem riscos políticos. As petroeconomias, e sobretudo as que não investiram na modernização das infra-estruturas energéticas, como a Rússia, o Irão ou a Venezuela de Chávez, estão gravemente enfraquecidas. Esperam que a crise não dure demasiado, para que o petróleo volte a subir e possam recuperar parte do poderio perdido.
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COMENTÁRIO: Percebemos que quanto maior for a crise no Irão, maior será a necessidade do seu regime em desviar as atenções dos verdadeiros problemas do país, apelando à perseguição de inimigos internos imaginários, como acontece com a Comunidade Baha’i daquele país.
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O problema do Irão é diferente do russo. A sua dependência do petróleo é maior. Quarto produtor mundial, as exportações do crude constituem 80 por cento das divisas do país. A gestão do Presidente Mahmoud Ahmadinejad, que prometeu colocar "a receita do petróleo na mesa dos pobres", foi um fiasco. O Irão produz hoje menos 40 por cento do que no tempo do Xá e deixou envelhecer as infra-estruturas. É obrigado, por falta de capacidade de refinação, a importar boa parte da gasolina que consome e está racionada.
Tem as segundas maiores reservas de gás do mundo, a seguir à Rússia, mas só muito parcialmente o explora. Por falta de tecnologia e porque os EUA bloqueiam tanto quanto possível a construção de gasodutos para a exportação. O isolamento que os americanos lhe impuseram após a revolução islâmica e as sanções decorrentes do seu programa nuclear limita sobretudo o investimento estrangeiro e a modernização económica.
Os anos da alta do petróleo permitiram relativizar as dificuldades económicas. Ahmadinejad aumentou fortemente a despesa pública, o que se traduziu numa explosão da inflação. Em 2008, os alimentos subiram 40 por cento e o desemprego estará na casa dos 20, sendo mais alto entre os jovens. O descontentamento popular manifesta-se abertamente.
Ahmadinejad não constituiu uma reserva financeira, antes dilapidou a que recebeu. Segundo a BBC, a diferença de cada dólar no preço do barril de petróleo vale mil milhões de dólares por ano. Com o crude na casa dos 100 dólares, é o maná. Na casa dos 50, é a ruína. O preço mínimo para um equilíbrio ronda os 75 dólares.
O maior problema do Irão, país culto e dinâmico, com uma enorme elite técnica, é a decrepitude da sua economia. A questão de fundo é sempre política. O Irão é uma potência regional, mas submetido a dois imperativos até agora contraditórios: a obsessão de sobrevivência do regime dos mullah e a hostilidade americana.
A oportunidade de romper o círculo não está tanto nas próximas eleições como num eventual diálogo com os EUA.
A crise mundial mostrou que são as economias desenvolvidas da Europa, da América ou da Ásia que, embora duramente fustigadas, melhor resistem e sem riscos políticos. As petroeconomias, e sobretudo as que não investiram na modernização das infra-estruturas energéticas, como a Rússia, o Irão ou a Venezuela de Chávez, estão gravemente enfraquecidas. Esperam que a crise não dure demasiado, para que o petróleo volte a subir e possam recuperar parte do poderio perdido.
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COMENTÁRIO: Percebemos que quanto maior for a crise no Irão, maior será a necessidade do seu regime em desviar as atenções dos verdadeiros problemas do país, apelando à perseguição de inimigos internos imaginários, como acontece com a Comunidade Baha’i daquele país.
sábado, 14 de março de 2009
sexta-feira, 13 de março de 2009
quinta-feira, 12 de março de 2009
Telegraph: Perseguição devastadora no Irão
O jornal britânico Daily Telegraph publicou um artigo intitulado "Iran's persecution of Bahá'ís is devastating" de autoria de Nazila Ghanea onde se critica fortemente as perseguições aos Baha’is no Irão. Aqui fica a tradução dos primeiros parágrafos.
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O que liga um académico, um blogger, uma vencedora do Prémio Nobel, um investigador pós-graduado, uma cyber-feminista, um jornalista e uma mulher que deixou que o véu escorregasse? A resposta? Todos vêem violada a liberdade de se expressarem. Todos foram presos, açoitados e multados no Irão.
O Artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos afirma que todos têm direito à liberdade de opinião e expressão. Hoje o Irão restringe severamente essa liberdade. A Human Rights Watch, o Secretário-Geral da ONU e muitos outros observaram uma escalada nas tentativas de silenciar Iranianos que têm algo a dizer.
Mas um novo embargo à liberdade de expressão foi formalmente anunciado. O Procurador-Geral do Irão, Ayatollah Qorban-Ali Dorri-Najafabadi, declarou que a própria expressão de filiação na Fé Bahá’í é ilegal. Isto foi comunicado numa carta dirigida ao Ministro da Informação, Ghulam-Husayn Ejeyee, que necessita de encorajamento para violar os direitos. Ha quatro anos atrás, a Human Rights Watch chamou-lhe o “Ministro dos Assassinos” do Irão.
Segundo o Procurador-Geral, todos têm liberdade a sua ter sua crença e fé. “No entanto, nenhuma expressão ou declaração que vise perturbar o pensamento dos outros, nem é permitida qualquer tentativa de os ensinar que resulte em perturbação ou agitação das mentes”.
(...)
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Ler artigo completo aqui.
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O que liga um académico, um blogger, uma vencedora do Prémio Nobel, um investigador pós-graduado, uma cyber-feminista, um jornalista e uma mulher que deixou que o véu escorregasse? A resposta? Todos vêem violada a liberdade de se expressarem. Todos foram presos, açoitados e multados no Irão.O Artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos afirma que todos têm direito à liberdade de opinião e expressão. Hoje o Irão restringe severamente essa liberdade. A Human Rights Watch, o Secretário-Geral da ONU e muitos outros observaram uma escalada nas tentativas de silenciar Iranianos que têm algo a dizer.
Mas um novo embargo à liberdade de expressão foi formalmente anunciado. O Procurador-Geral do Irão, Ayatollah Qorban-Ali Dorri-Najafabadi, declarou que a própria expressão de filiação na Fé Bahá’í é ilegal. Isto foi comunicado numa carta dirigida ao Ministro da Informação, Ghulam-Husayn Ejeyee, que necessita de encorajamento para violar os direitos. Ha quatro anos atrás, a Human Rights Watch chamou-lhe o “Ministro dos Assassinos” do Irão.
Segundo o Procurador-Geral, todos têm liberdade a sua ter sua crença e fé. “No entanto, nenhuma expressão ou declaração que vise perturbar o pensamento dos outros, nem é permitida qualquer tentativa de os ensinar que resulte em perturbação ou agitação das mentes”.
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Ler artigo completo aqui.
Hans Küng: sobre Teilhard de Chardin
... Pierre Teilhard de Chardin tem o grande mérito de ter sido o primeiro a unir genialmente teologia e ciência da natureza, e a ter levado cientistas e teólogos a reflectirem sobre os problemas comuns. O que a ele antes de tudo importava era o significado religioso da evolução e o alcance revolucionário da religião. Não era de forma alguma um ingénuo, não queria nenhum concordismo superficial entre a Bíblia e ciência, como estimulado por Roma. Rejeitava decididamente “certas tentativas infantis e imaturas de conciliação”, “que misturam os planos e as fontes de conhecimento, e que só levaram a estruturas inconstantes e monstruosas”. Mas desejava uma “coerência” muito bem fundamentada, para com isso tornar visível “um todo positivamente construído”, “onde as partes sempre melhor se encaixam e se completam”.Durante muitas décadas Roma e os seus intendentes fixaram-se em uma interpretação estática da criação por Deus, à ideologia de um “criacionismo “, que em relação à teoria da evolução de Darwin defendia um “fixismo” e um “concordismo”, como a toda a hora pode ser encontrado nos muitos volumes do Dictionnaire de la Bible. Por isso não é de admirar que Teilhard, que em 1899 ingressou na ordem jesuíta aos 18 anos, já em 1926, por pressão de Roma, fosse, por seus superiores da ordem, exonerado de sua cátedra no Instituto Católico de Paris. A seguir todos os seus escritos filosófico-científicos foram reprimidos, chegando-se mesmo, em 1947, a ordenar-lhe que não se ocupasse mais com temas filosóficos.. Teilhard ficou inteiramente isolado. Em 1948 proibiram-lhe aceitar um chamado para o Collège de France; em 1951 – pondo em execução a encíclica Humani Generis de Pio XII – ele é exilado da Europa para o Instituto de Pesquisa da Wenner Gren Foundation, em Nova York. Ainda no ano da sua morte, 1955, é impedido de participar num congresso internacional de paleontologia. Depois de ter falecido no domingo de Páscoa, apenas umas poucas pessoas que casualmente se encontravam presentes acompanharam-no ao cemitério de um colégio jesuíta (entrementes fechado) no Rio Hudson, a 160 quilómetros de Nova York. Só com muito esforço consegui em 1968 encontrar o seu túmulo, durante o meu semestre de visitante em Nova York.
É verdade que a lista de seus trabalhos, organizada já por C. Cuénot, conta com 380 títulos. Mas Teilhard só teve permissão de publicar os tratados estritamente científicos. Durante sua vida toda não teve a alegria de ver impressa uma única de suas obras mais importantes. Estas só vieram a público porque, em vez de legar os direitos à ordem, ele os legou à sua colaboradora, através de um comitê internacional de altas personalidades.
Em 6 de dezembro de 1957, dois anos depois de sua morte, saiu um decreto do Santo Ofício (hoje “Congregação para a Defesa da Fé”), ordenando que fossem retiradas das bibliotecas os livros de Teilhard, e proibindo que os mesmos fossem vendidos nas livrarias católicas, ou traduzidos para outras línguas. “Damnatio memoriae” – extinguir o nome nos autos, para assim bani-lo da memória – era o nome que os antigos romanos davam a isso. Só a partir do Vaticano II é que, apesar de tudo, os escritos de Teilhard lograram alcançar o merecido reconhecimento, também na Igreja e na teologia Católicas. Mas nenhum papa chegou a proferir o seu nome. Até hoje as autoridades da Igreja não agradeceram a Teilhard por seu trabalho de reconciliação. Mesmo o Concílio do Vaticano II, apesar de um corajoso discurso do arcebispo de Estrasburgo, Leon-Arthur Elchinger, não conseguiu, nem no seu caso nem no de Galileu, decidir-se por uma clara reabilitação destes nomes, condenados, perseguidos e caluniados injustamente.
Hans Küng, O Princípio de Todas as Coisas, pags. 140-142
(Editora Vozes, Petropolis, 2007)
terça-feira, 10 de março de 2009
Promoção cultural ou lavar de imagem?

(clique na imagem para aumentar)
Talvez se possa juntar ao programa:
1. O julgamento encenado de sete dirigentes Bahá'ís (a boa e velha maneira Estalinista)
2. Como expulsar estudantes Bahá'ís das universidades
3. Como destruir cemitérios Bahá'ís
4. Como humilhar crianças Bahá'ís nas Escolas
5. Reduzir a despesa pública cortando as pensões aos Bahá'ís reformados
Agora a sério:
Esperemos que esta iniciativa Universidade Católica seja apenas uma promoção da cultura iraniana, e não uma tentativa de lavar da imagem de um regime teocrático e brutal. Acima de tudo gostava que este evento não se tornasse em algo tão patético e vergonhoso quanto aquela conferência de Khadafi em Lisboa. É que não falta por aí pessoas e organizações que organizam eventos para promover a tolerância e o entendimento que mais não são do que manifestações de cobardia política, falta de bom senso e subserviência
Mesmo assim, pergunto-me se os promotores desta Semana Cultural do Irão sabem quantos prisioneiros políticos existem hoje no Irão? Pergunto-me se lhes passou pela cabeça convidar algum exilado político, algum iraniano da diáspora para um contraditório com o Embaixador. Pergunto-me se sabem quantos prisioneiros de consciência foram executados nestes "30 anos de democracia iraniana"? Eu podia-lhe dar uma lista com os nomes de centenas de baha’is (a maior minoria religiosa daqueles país) que foram executados desde 1979.
segunda-feira, 9 de março de 2009
O Irão está preocupado com o Sudão?
Falando nas orações de sexta-feira, Najafabadi afirmou que as regras actuais que regem a ONU e o seu Conselho de Segurança não são correctas, e que são necessárias regras jutas, legisladores justos e um sistema legal justo para que se aplique a justiça.Bashir é o primeiro Chefe de Estado em exercício a ser alvo do TPI; trata-se de um precedente que poderá causar jurisprudência no Direito Internacional; por outras palavras, poder-se-ão seguir outros Chefes de Estado em exercício. Por esses motivos, Najafabadi tem motivos para estar preocupado. Um dos seus assessores anunciou recentemente um conjunto de acusações absurdas contra sete dirigentes Bahá’ís, facto que suscitou a condenação da opinião pública em vários países do mundo. Entretanto, sabe-se que a organização Iran Human Rights Documentation Centre (IHRDC) está a preparar uma acção legal contra altos responsáveis do regime iraniano, que pode vir a ser apresentada no TPI ou em qualquer outro tribunal ad hoc.
É opinião da IHRDC que os ataques deliberados e coordenados da República Islâmica do Irão contra a Comunidade Bahá’í do Irão são um crime contra a humanidade. A campanha evidencia um carácter amplo e sistemático, e foi dirigida pelo mais alto nível do Estado Iraniano.
domingo, 8 de março de 2009
Woman is the nigger of the world
Porque hoje é dia 8 de Março, lembrei-me deste tema de John Lennon.
Sof-esticado
Se algumas das acusações feitas aos Bahá’ís são ridículas (apoio ao sionismo e insulto às santidades religiosas), outras entram no reino do surrealismo. Houve quem fosse acusado de não ser casado, e até de "conspirar contra a segurança do Estado ao organizar uma exposição de arte infantil". Uma das mais recentes acusações contra os sete dirigentes Baha’is detidos, que tem sido repetida pelos media iranianos, afirma que os detidos possuíam "equipamento de comunicações altamente sofisticado".
Conhecendo a credibilidade do regime iraniano, a MideastYouth.com não perdeu tempo.
Conhecendo a credibilidade do regime iraniano, a MideastYouth.com não perdeu tempo.
Matar com impunidade
Murder with Impunity from Bobby Aazami on Vimeo.
O Governo Iraniano está a intensificar a perseguição à maior minoria religiosa, os Bahá'ís. É sabido que estas perseguições têm apenas motivações religiosas
Veja o vídeo e pense o que pode fazer para ajudar a pôr termo a esta situação.
Obrigado
sábado, 7 de março de 2009
Carta aberta ao Ayatollah Najafabadi
Merece uma leitura a carta enviada pela Comunidade Internacional Bahá'í ao Procurador Geral da Republica islâmica do Irão, Ayatollah Qorban-Ali Dorri-Najafabadi. Com argumentos fortes, descrevem-se perseguições contra os Bahá'ís iranianos ao longo dos últimos 30 anos, expõem-se a falsidade das acusações feitas aos Bahá'ís e exige-se que o julgamento dos sete dirigentes Baha’is seja justo.
A ler aqui (em inglês) ou aqui (em persa).
sexta-feira, 6 de março de 2009
Khavaran
Entre 1980 e 1988, os corpos de milhares de pessoas executadas pelo regime dos mullahs foram despejados num lugar chamado Khavaran, nos arredores Teerão, onde as flores e as lágrimas estão proibidas. Quando se soube que os Regime Iraniano pretendia apagar a memória dos grandes massacres da República Islâmica do Irão e as escavadoras começaram a destruir as valas comuns, activistas lançaram uma campanha contra o silenciamento dos mortos.
No suplemento P2 da edição de hoje do jornal Público inclui um trabalho de autoria de Margarida Santos Lopes onde se apresentam três testemunhos de antigos prisioneiros que sobreviveram à tortura e à prisão na República Islâmica. Um desses testemunhos – da escritora Monireh Baradran - termina com as seguintes palavras:
A destruição de Khavaran, que eu visitei quando saí da prisão em 1990, significa a erradicação de importantes provas materiais de um crime histórico. Destruir as campas dos mortos é um insulto e uma violação cultural. Há uma reverência especial pelos mortos em todas as culturas, incluindo a iraniana. Gostamos de recordar os que já não estão entre nós e temos rituais em homenagem aos que partiram. O direito de enterrar os mortos e de os honrar é, na minha opinião, mais importante do que o direito de cidadania.
Tal como em Khavaran, também a destruição dos cemitérios dos baha'is faz parte da política de abolir os direitos de cidadania destes crentes - em alguns casos é mesmo a abolição do seu direito à vida! Nos últimos meses, as pressões, as perseguições e as prisões de baha'is têm aumentado consideravelmente. Até onde pretendem ir as autoridades? Será que preparam outro massacre, desta vez de baha'is?
O passado ensina-nos que os massacres de natureza racial, religiosa ou cultural sempre tiveram como objectivo a aniquilação da história e da cultura das vítimas. O medo dos mortos é o medo da história. Há um factor em comum entre a destruição de Khavaran e a dos cemitérios baha'is é a de que, para o regime, os que ali jazem são najes (impuros ou intocáveis). Segundo algumas interpretações islâmicas, até os mortos baha'is são impuros e intocáveis.
Em Khavaran estão a ocultar crimes contra a humanidade. Não tenho sequer esperança que o reformista Mohamad Khatami, se vencer as eleições presidenciais de Junho próximo [afastando o ultraconservador Mahmoud Ahmadinejad], vá mudar alguma coisa. O actual sistema dá o pretexto para a supressão política em nome da religião. A revolução em 1977 e 1978, contra a monarquia, não era para criar uma república islâmica. Lutávamos por liberdade e democracia. Quando os mullahs assumiram o poder, a revolução fracassou. Trinta anos de República Islâmica têm sido muito piores do que a ditadura do Xá.
Jürgen Habermas

Geoffrey Cameron - que tem um dos melhores blogs baha’is do momento - chama hoje a atenção para um debate de ideias entre Jürgen Habermas e Paolo Flores d'Arcais sobre o papel na religião na esfera pública. Na resposta à critica secularista das suas ideias, Habermas, entre outras coisas, afirma
Os que são secularistas assumem uma atitude polémica em relação à influência das doutrinas religiosas. Aos seus olhos, as doutrinas religiosas estão desacreditadas porque não têm fundamentos científicos. No mundo anglo-saxónico, o secularismo de hoje invoca um naturalismo "hard" que afirma que as ciências naturais devem gozar do monopólio do conhecimento socialmente aceite. Vejo este cientismo como pura ideologia.Habermas argumenta que os estados seculares necessitam que as religiões se expressem na esfera pública, se se deseja enfrentar o assalto moral do capitalismo. Designa as religiões como "comunidades interpretativas" que promovem deliberações sobre questões essenciais relacionadas com os propósitos humanos, valores sociais e bem público:
As nossas sociedades hiper-capitalistas - que recompensam apenas o foco no sucesso individual - são cada vez menos sensíveis as patologias sociais, ao falhanço dos planos de vida individuais, e à deformação de mundos de vida. … Quando chegamos ao choque de valores que têm de ser politicamente regulados, as nossas sociedades pluralistas (do ponto de vista ético e religioso) mostram-se cada vez mais divididas. É por isso que as comunidades interpretativas, que pelo menos ainda são capazes de apresentar contribuições articuladas para questões reprimidas sobre a forma de viver juntos em solidariedade, podem fazer-se ouvir tão fortemente nelas… Sobre áreas vulneráveis da vida sócia, as tradições religiosas têm a força convincente de articular as instituições morais na sua própria linguagem.Habermas salienta que as religiões hoje enfrentam um desafio que consiste em procurar um discurso partilhado sobre as necessidades das comunidades onde se inserem. É natural que a alienação e o obscurantismo, a que algumas religiões parecem propensas, alimentem as suspeitas. Mas não é menos verdade que as sociedade plurais e democráticas proporcionam o desafio e a oportunidade para as comunidades religiosas se envolverem de forma aberta e crítica nas preocupações públicas.
quarta-feira, 4 de março de 2009
Nem podem ver túmulos de Bahá'ís!
As fotos que se seguem foram tiradas no cemitério de Semnan, no Irão, há cerca de duas semanas. Ilustram mais um caso de vandalismo contra um cemitério baha’i naquele país.


Que se pode pensar de gente que odeia tanto os Bahá'ís que nem sequer poder ver os seus túmulos? Pois bem, este é o tipo de gente que governa hoje o Irão.
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FONTE: Cursing Bahais is cursing Islam (Iranian.com)


Que se pode pensar de gente que odeia tanto os Bahá'ís que nem sequer poder ver os seus túmulos? Pois bem, este é o tipo de gente que governa hoje o Irão.
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FONTE: Cursing Bahais is cursing Islam (Iranian.com)
terça-feira, 3 de março de 2009
Cronologia das Perseguições aos Bahá'ís Iranianos
Mais uma iniciativa da Muslim Network for Baha’i Rights. Desta vez é uma cronologia interactiva das perseguições aos Baha’is do Irão nos últimos 30 anos. Os dados apresentados nesta cronologia ainda não estão completos e a MNBR solicita informações a quem tenha conhecimento de mais informações sobre ataques contra baha’is nos últimos 30 anos.
Persecution of Baha'is in Iran on Dipity.
segunda-feira, 2 de março de 2009
Hans Küng: a Igreja e a Teoria da Evolução
O mais importante argumento contra a teoria da evolução de Darwin, então e com frequência mesmo hoje: Não se pode passar por cima das importantíssimas consequências para a fé e os costumes, da revolução que essa teoria provoca, inclusive para a própria religião. Não perde a criação a sua beleza ficando transformada em um processo sem finalidade, sem objectivo e sem sentido? Não fica o homem deposto de sua condição de coroa da criação, tornando-se semelhante ao macaco, em vez de semelhante a Deus? Não é desacreditada igualmente a ética: em lugar da solidariedade humana, a luta com todos os meios pela sobrevivência? Tudo isto não faz com que Deus se torne inteiramente supérfluo? Haverá ainda lugar para Deus neste mundo e no desenvolvimento do mundo?Da mesma forma como já havia ocorrido antes com os novos conhecimento da física e da astronomia, e mais uma vez demonstrando incapacidade para aprender, torna-se a identificar a mensagem bíblica com uma determinada teoria científica. Obstinados, os adversários de Darwin julgam estar apoiados em uma rocha pretensamente segura na sua luta contra as ondas do pernicioso "evolucionismo" e em favor de um "fixismo" em concordância com a Bíblia e a tradição. Na igreja anglicana e nas outras igrejas, as armas foram as mesmas que já tinham sido empregadas contra Galileu: livros, panfletos, artigos, caricaturas e as pregações e o catecismo, naturalmente.
(...)
O tratamento do caso Darwin, precisamente na Igreja Católica, foi tão sintomático quanto o do caso Galileu. Já em 1860, um ano após a publicação da Origem das Espécies, e no ano em que foi publicada a tradução da importante obra de Darwin, o episcopado alemão posicionou-se oficialmente no concílio particular de Colônia contra a teoria da evolução, com esta explicação: Que o corpo do homem tenha evoluído das espécies animais superiores está em contradição com a Sagrada Escritura, devendo ser rejeitado como inconciliável com a fé católica. A maioria dos teólogos católicos, e mais tarde também o magistério romano, seguiram a mesma linha. (...)
Só em meados do século 20 é que Roma começa a ceder, forçada pelo grande peso dos resultados científicos. Ainda em 1941, quase um século após a publicação da Origem das Espécies de Darwin, o Papa Pio XII, em uma alocução aos membros da Academia Pontifícia de Ciências, afirmava que a origem da vida humana a partir de ascendentes animais não estava de maneira alguma comprovada, e - involuntariamente, levando-nos a traçar um paralelo com a encíclica Humanae Vitae, de Paulo VI, sobre a regulação da natalidade (1968) - que é preciso aguardar novas pesquisas. Só em 1950, na encíclica Humani generis, sobre opiniões falsas que ameaçam a doutrina católica (reaccionária do princípio ao fim), Pio XII, com muitas advertências e reservas, condescendentemente admite a contragosto que o problema ainda não esclarecido de uma evolução do corpo humano precisa de ser mais estudado pela ciência e teologia - dentro de certas condições, é claro. Pois é preciso ater-se à criação direta da alma humana por Deus e à origem do gênero humano a partir de um único casal (monogenismo). De resto é necessário que em todos os casos se siga o juízo do magistério eclesiástico. Poucas semanas mais tarde, em 1º de novembro de 1950, o papa proclama solenemente o dogma "infalível", difícil de entender não apenas para os cientístas - pois não é atestado nem na Bíblia nem nos primeiros séculos do cristianismo - da ascensão corporal de Maria ao céu!
Hans Küng, O Princípio de Todas as Coisas, pags. 129-132
(Editora Vozes, Petropolis, 2007)
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